Texto
. ‘E ela [estava] como brotando’; que signifique o influxo pelo qual há o renascimento, é o que se vê pela significação de ‘brotar’, ou produzir folhas e depois flores, o que é a primeira coisa do renascimento. Que seja o influxo, é porque o homem, quando renasce, a vida espiritual influi nele, como uma árvore quando brota a sua vida influi pelo calor procedente do sol. O homem que nasce é comparado aqui e ali, na Palavra, aos sujeitos do reino vegetal, principalmente a árvores, e isso porque todo o reino vegetal, assim como o reino animal, representa coisas tais que estão no homem, consequentemente, as que estão no Reino do Senhor, visto que o homem é o céu na menor forma, como se pode ver pelas coisas que foram demonstradas, ao fim dos capítulos, a respeito da correspondência do homem com o Máximo Homem, ou céu. Por isso também os antigos chamaram o homem ‘microcosmo’, eles o teriam chamado também de ‘pequeno céu’, caso, a respeito do estado do céu, conhecessem mais coisas. Que toda a natureza seja o teatro representativo do Reino do Senhor, foi visto (n. 2758, 3483, 4939).
[2] Antes de tudo, porém, é o homem que nasce de novo, isto é, o homem que é regenerado pelo Senhor que se chama céu, visto que então ele é implantado no Bem e Vero Divino que procede do Senhor, consequentemente, no céu. Com efeito, o homem que renasce, semelhantemente a uma árvore, começa pela semente; é por isso que pela ‘semente’, na Palavra, é significado o vero que procede do bem; depois, do mesmo modo que a árvore, ele produz folhas, em seguida a flor e, por fim, o fruto, pois ele produz coisas tais que pertencem à inteligência e que, também na Palavra, são significadas pelas ‘folhas’, em seguida coisas tais que pertencem à sabedoria, são as que são significadas pelas ‘flores’, e por fim coisas tais que pertencem à vida, a saber, os bens do amor e da caridade em ato, que na Palavra são significados pelos ‘frutos’. Há tal semelhança representativa entre a árvore frutífera e o homem que é regenerado, ao ponto que pela árvore se pode aprender o que se efetua a respeito da regeneração, por pouco que anteriormente se saiba alguma coisa a respeito do bem e vero espiritual. Daí se pode ver que, neste sonho, pela ‘vide’ se descreve plenamente, de um modo representativo, o processo de renascimento do homem quanto ao sensual submetido ao intelectual; primeiro pelos ‘três sarmentos’, depois pelo ‘brotar’ [ou pela ‘germinação’], em seguida pela ‘flor’, depois pelo ‘amadurecimento dos cachos de uva’, e finalmente pelo ‘ato de espremer o seu suco no copo do faraó e dar a ele’.
[3] Também os sonhos que influem do Senhor por meio do céu nunca se apresentam de outro modo senão de acordo com os representativos. Quem portanto não sabe o que isto ou aquilo representa na natureza, e menos ainda aquele que absolutamente não sabe que alguma coisa represente, este não pode crer outra coisa senão que são somente comparações tais quais as que cada um emprega na linguagem comum; são de fato comparações, mas comparações tais que correspondem e que, por isso, se apresentam em realidade no mundo dos espíritos, quando entre os anjos que estão no céu interior há conversação a respeito das coisas espirituais e celestes do Reino do Senhor. (A respeito dos sonhos, ver n. 1122, 1975, 1977, 1979, 1980, 1981.)