Texto
. ‘Os três sarmentos, eles [são] três dias’; que signifique as derivações contínuas até a última, vê-se pela significação de ‘três’, que é um período e a sua continuidade do começo ao fim (n. 2788, 4495); pela significação dos ‘sarmentos’, que são as derivações (n. 5014); e pela significação dos ‘dias’, que são os estados (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788, 3462, 3785, 4850). Daí se segue que por ‘três sarmentos, ele [são] três dias’ são significados os estados de renascimento deste sensual que é representado pelo copeiro, desde seu primeiro até o último; as suas derivações sucessivas são significadas pelos sarmentos.
[2] Os estados de renascimento de cada sensual e de cada coisa no natural, assim como no racional, têm as suas progressões desde o começo até o fim, e quando estão no fim, de um certo modo,começam de novo, a saber, a partir desse fim a que eles tenderam no estado anterior até um fim ulterior, e assim seguindo; e por fim a ordem é invertida e, então, o que foi o último torna-se o primeiro. Por exemplo, quando o homem é regenerado tanto quanto ao racional como quanto ao natural, então os primeiros períodos do estado procedem dos veros pertencentes à fé para os bens que pertencem à caridade; e então, na aparência, os veros da fé ocupam o primeiro lugar, e os bens da caridade o segundo, pois os veros da fé visam o bem da caridade como fim. Esses períodos duram enquanto o homem é regenerado. Em seguida, a caridade, que foi o fim, torna-se o começo, e por ela começam estados novos, que avançam para uma e outra parte, a saber, mais para os interiores, como também para os exteriores: do lado dos interiores, para o amor ao Senhor, e do lado dos exteriores, para os veros da fé; e seguindo para os veros naturais, e também para os veros sensuais, que são então sucessivamente reconduzidos à correspondência com os bens da caridade e do amor no racional; e assim são reconduzidos na ordem celeste.
[3] São essas as coisas que se entendem pelas progressões e as derivações contínuas até a última. Tais progressões e derivações são perpétuas no homem que está sendo regenerado, desde a sua infância até o último momento de sua vida no mundo, e também depois durante a eternidade; e contudo ele nunca pode ser regenerado ao ponto que possa de algum modo ser dito perfeito, pois há inumeráveis coisas, e mesmo infindas em número, que devem ser regeneradas, tanto no racional quanto no natural; e cada uma dessas coisas tem “sarmentos” infindos em número, isto é, progressões e derivações do lado dos interiores e do lado dos exteriores. Isto o homem desconhece absolutamente, mas o Senhor conhece todas e cada uma dessas coisas, e provê isso a cada momento; se interrompesse somente por um instante, todas as progressões seriam perturbadas [oupostas em desordem]. Com efeito, o anterior visa o que segue em uma série contínua, e produz séries de consequências pela eternidade. Daí, é evidente que a Divina Previdência e Providência está nos singularíssimos e que, a não ser que estivessem neles, ou se fossem somente universais, pereceria o gênero humano.