Texto
. ‘E faças menção de mim ao faraó’; que signifique a comunicação com o natural interior, vê-se pela significação de ‘fazer menção de alguém’, que é comunicar; e pela representação do ‘faraó’, que é o natural interior (n. 5080, 5095). Pela comunicação com o natural interior entende-se a conjunção pela correspondência; o natural interior é aquele que recebe do racional as ideias do vero e do bem e as reserva para o uso, consequentemente, o que comunica imediatamente com o racional; por sua vez, o natural exterior é aquele que recebe do mundo, por meio dos sensuais, as imagens e, daí, as ideias das coisas. Essas ideias, exceto se forem iluminadas pelas coisas que estão no natural interior, apresentam falácias, que são denominadas falácias dos sentidos, falácias nas quais, quando o homem está, ele nada crê senão o que concorda com elas, e a não ser o que elas confirmam, o que acontece se não houver correspondência. E a falta de correspondência não se efetua se o homem se imbui da caridade, pois a caridade é o meio que une, porque no bem da caridade está a vida que procede do Senhor. Essa vida dispõe em ordem os veros para que exista uma forma da caridade, ou seja, uma caridade em imagem. Essa forma aparece visível na outra vida, e é a forma angélica mesma; daí, todos os anjos são formas da caridade; a beleza deles provém dos veros pertencentes à fé, e a vida da beleza provém do bem que pertence à caridade.