Texto
. ‘No meio dos seus servos’; que signifique os quais estão entre as coisas que estão no natural exterior, vê-se pela significação de ‘no meio’, que é estar entre essas coisas; e pela significação dos ‘servos’, que são as coisas que estão no natural exterior (das quais se tratou logo acima, n. 5161). Na Palavra, chamam-se ‘servos’ todas as coisas que estão abaixo e, por isso, subordinadas e sujeitadas às superiores, assim como as coisas que pertencem ao natural exterior, ou as coisas sensuais ali, relativamente ao natural interior; também estas que pertencem a este natural interior são ditas ‘servos’ relativamente ao racional, e, consequentemente, todas e cada uma das coisas no homem, tanto os seus íntimos quanto os mais externos, relativamente ao Divino, pois este é o supremo.
[2] Os ‘servos’ aqui, no meio dos quais o faraó, o rei, fez o julgamento sobre o copeiro e o padeiro, eram os chefes de sua corte e os maiorais. Que estes e, semelhantemente, os outros súditos, de qualquer que fosse a condição, sejam ditos ‘servos’ relativamente ao rei, como acontece em todo reino também hoje, a causa é, porque a realeza representa o Senhor quanto ao Divino Vero (n. 2015, 2069, 3009, 3670, 4581, 4965, 5068), para Quem, relativamente, seja de que condição forem eles, são igualmente servos; e mais, no Reino do Senhor, ou no céu, aqueles que ali são os maiores, isto é, que são íntimos, são servos mais do que os outros, porque estão na maior obediência e, mais do que os restantes, na humilhação. Com efeito, são eles os que se entendem pelos menores que são os maiores, e pelos últimos que são os primeiros:
“Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros” (Mt. 19:30; 20:16; Mc. 10:31; Lc. 13:30).
“Aquele que é [existit] o menor dentre todos vós, esse será grande” (Lc. 9:48);
depois, pelos ‘grandes’ que devem ser servidores [misnistri], e pelos primeiros que devem ser servos [servi]:
“Qualquer um que quiser ser grande, dentre vós será o vosso servidor; e quem quiser, dentre vós, ser o primeiro, será de todos o servo” (Mc. 10:44; Mt. 20:26, 27.
[3] Eles são ditos ‘servos’ relativamente ao Divino Vero que procede do Senhor, e ‘servidores’ relativamente ao Divino Bem que procede d’Ele; a causa que os últimos que são os primeiros são servos mais do que os outros, é porque eles sabem, reconhecem e percebem que o todo da vida e, por conseguinte, o todo do poder [potestatis] que está neles, procede do Senhor, e que absolutamente nada provém deles mesmos. Contudo, aqueles que não percebem isto, porque não reconhecem desse modo, são também servos, porém, mais pelo reconhecimento de boca do que pelo de coração. Por sua vez, aqueles que estão no contrário, esses chamam-se também servos ou criados relativamente ao Divino; contudo, ainda assim eles querem ser senhores, visto que se indignam e se iram se o Divino não os favorece e, por assim dizer, obedece; e por fim são contra o Divino, e então derrogam515 todo poder ao Divino e atribuem a si todas as coisas. Tal é a maioria, dentro da igreja, dos que negam o Senhor e dizem reconhecer um Ente Supremo.