Texto
. ‘E aconteceu, ao fim de dois anos de dias’; que signifique depois do estado de conjunção, a saber, dos sensuais que pertencem ao natural exterior com os que pertencem ao natural interior, dos quais se tratou no capítulo precedente, vê-se pela significação de ‘dois anos de dias’, ou do ‘tempo de dois anos’, que são os estados de conjunção, porquanto o ‘duplo’ ou o ‘dois’ significa a conjunção (n. 1686, 3519), e os ‘anos’, depois também os ‘dias’, significam os estados (que os ‘anos’, ver n. 487, 488, 493, 893, que os ‘dias’, n. 23, 487, 488, 493, 2788, 3462, 3785, 4850). Que ‘dois’ significa a conjunção, é porque todas e cada uma das coisas que estão no mundo espiritual e, portanto, as que estão no mundo natural se referem a dois, a saber, ao bem e ao vero, ou ao bem como ao agente e influente, e ao vero como ao paciente e recipiente; e porque se referem a esses dois, e nada nunca é produzido exceto se esses dois se tornam um por alguma coisa que equivalha a um casamento, daí vem que por ‘dois’ seja significada a conjunção.
[2] Tal equivalência a um casamento está em todas e em cada uma das coisas da natureza e de seus três reinos, e nada existe sem essa equivalência de casamento. Com efeito, para que exista alguma coisa na natureza deverá haver calor e luz; o calor no mundo natural corresponde ao bem do amor no mundo espiritual, e a luz corresponde ao vero da fé. Esses dois, a saber, o calor e a luz, devem fazer um quando alguma coisa há de ser produzida; mas se não fizerem um, como acontece no tempo do inverno, nada se produz absolutamente. Que espiritualmente aconteça também assim, é manifestamente claro no homem. Há no homem duas faculdades, a saber, a vontade e o entendimento; a vontade foi formada para receber o calor espiritual, isto é, o bem do amor e da caridade, e o entendimento para receber a luz espiritual, isto é, o vero da fé. Essas duas faculdades no homem,a não ser que façam um, nada se produz, porquanto o bem do amor sem o vero da fé não determina e qualifica coisa alguma, e o vero da fé sem o bem do amor não efetua coisa alguma; é por isso que, para que haja no homem o casamento celeste, ou para que esteja no casamento celeste, é necessário que esses dois façam um nele. Daí vem que os antigos tenham assemelhado todas e cada uma das coisas no mundo, e todas e cada uma das coisas no homem a casamentos (n. 54, 55, 568, 718, 747, 917, 1432, 2173, 2516, 2731, 2739, 2758, 3132, 4434, 4823, 5138). A partir dessas explicações, pode-se ver de onde vem que ‘dois’ signifique a conjunção.