Texto
. ‘E enviou e chamou todos os magos do Egito e todos os sábios dali’; que signifique ao consultar os conhecimentos interiores, depois os conhecimentos exteriores, vê-se pela significação dos ‘magos’, que no sentido bom são os conhecimentos interiores, de que se tratará no que segue; e pela significação dos ‘sábios’, que são os conhecimentos exteriores, de que também se tratará no que segue. Que pelos magos e sábios do Egito são significados os conhecimentos, é porque o Egito esteve entre aqueles reinos onde houve a Igreja Antiga representativa (n. 1238 2385); mas no Egito eram sobretudo cultivados os conhecimentos dessa Igreja, que eram os que diziam respeito às correspondências, aos representativos e aos significativos, conhecimentos por meio dos quais eram explicadas as coisas que estavam escritas nos livros da igreja, e as que se faziam no culto santo deles (n. 4749, 4964, 4966); daí se conservou que pelo Egito sejam significados em geral os conhecimentos (n. 1104, 1165, 1186, 1462), e também por faraó, seu rei. Os principais dentre os egípcios que sabiam com muita experiência e ensinavam esses conhecimentos eram chamados magos e sábios: ‘magos’ os que sabiam por experiência e ensinavam os conhecimentos místicos; ‘sábios’ os que sabiam por experiência e ensinavam os conhecimentos não místicos; consequentemente, magos os que se ocupavam dos conhecimentos interiores, e sábios os que se ocupavam dos conhecimentos exteriores; daí vem que por eles, na Palavra, são significados tais conhecimentos. Mas depois que eles começaram a abusar dos conhecimentos interiores da igreja, e a vertê-los em coisas mágicas, então pelo Egito também começou a ser significado o conhecimento que perverte, e igualmente pelos magos do Egito e pelos seus sábios.
[2] Os magos desse tempo conheceram coisas tais que são do mundo espiritual, aprenderam-nas pelas correspondências e pelos representativos da igreja, é por isso que muitos dentre eles comunicavam-se com os espíritos e, daí, aprenderam as artes ilusórias por meio das quais fizeram milagres mágicos. Mas os que eram chamados sábios não se ocupavam de tais coisas; na realidade resolviam coisas enigmáticas e ensinavam as causas das coisas naturais; é principalmente em tais coisas que consistia a sabedoria daquele tempo, e possuir tais conhecimentos se chamava sabedoria, como se pode ver a partir do que é lembrado a respeito de Salomão no PrimeiroLivro dos Reis:
“Multiplicada foi a sabedoria de Salomão mais do que a sabedoria de todos os filhos do oriente, e mais do que toda a sabedoria dos egípcios, de modo que fora mais sábio do que todos os homens, mais do que Ethan, o ezraíta, e do que Heman e Kalkol e Darda, filhos de Mahol; ... pronunciou três mil provérbios, e o cântico dele foi cinco e milhares. Além disso, falou das madeiras, desde os cedros que [estão] no Líbano, até ao hissopo que sai da parede; falou também da besta, e da ave, e do réptil, e dos peixes. Por isso vieram de todos os povos para ouvir a sabedoria de Salomão, da junto de todos os reis da terra que ouviram falar da sabedoria dele” (5:10–14 [Em JFA, 4:30–34]);
e as coisas que se recordam a respeito da rainha Sabá, no mesmo livro, que:
“Ela veio para o testar com enigmas, e contou-lhe Salomão todas as palavras dela, e não houve palavra oculta ao rei que não contasse a ela” (1 Reis, 10:1 e seg.).
[3] Daí se vê o que, naquele tempo, se chamava sabedoria, e quais eram os que se chamavam sábios não só no Egito, mas também em outros lugares, como na Síria, na Arábia, na Babilônia; contudo, no sentido interno, pela sabedoria egípcia não é significada outra coisa senão o conhecimento das coisas naturais, e pela magia, o conhecimento das coisas espirituais, assim, pelos sábios os conhecimentos exteriores, e pelos magos os conhecimentos interiores, e pelo Egito o conhecimento em geral (n. 1164, 1165, 1186, 1462, 4749, 4964, 4966). Pelo Egito e por seus sábios não se entendeu outra coisa em Isaías:
“Loucos são os príncipes de Zoan, dos sábios conselheiros de faraó o conselho se embruteceu; como se diz ao faraó: Filho dos sábios [sou] eu, filho dos reis da antiguidade? Onde [estão] agora os teus sábios?” (19:11, 12).
[4] Que foram ditos ‘magos’ os que estavam no conhecimento das coisas espirituais e, também, por isso, nas revelações, vê-se pelos magos que, dos orientais, vieram a Jerusalém, procurando onde tinha nascido o Rei dos Judeus, e dizendo que eles tinham visto a sua estrela no Oriente, e que tinham vindo para O adorar (Mt. 2:1, 2); e também se vê por Daniel, que é chamado o ‘príncipe dos magos’ (Dn. 4:6); e em outro lugar:
“A rainha disse ao rei Belsazar: Há um varão no teu reino em quem [está] o espírito dos deuses santos e, nos dias do teu pai, uma luz e inteligência e sabedoria, como a sabedoria dos deuses, foi encontrada nele; por isso, o rei Nabucodonosor, teu pai, príncipe dos magos, dos adivinhos, dos caldeus, dos que decidem, o estabeleceu” (Dn. 5:11);
e ainda:
“Não se achou dentre todos como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; pois quando estavam [de pé] perante o rei, toda palavra de sabedoria e de inteligência que lhes era perguntada pelo rei, encontrou-os dez vezes acima de todos os magos, dos adivinhos, que [havia] no reino dele” (Dn 1:19, 20).
[5] Que pelos ‘magos’, no sentido oposto, se entendem os que perverteram as coisas espirituais e, daí, praticaram a magia, é sabido, por exemplo por aqueles que são lembrados no Êx. 7:9, 10, 11, 12; 8:3, 15; 9:11. Com efeito, a magia não era outra coisa mais do que uma perversão e uma perversa aplicação de coisas tais que pertencem a ordem no mundo espiritual; daí descendeu a magia; mas esta magia hoje é chamada natural por essa causa, porque não se reconhece mais coisa alguma acima ou além da natureza; nega-se o espiritual a não ser que por esse se entenda um natural interior.