Texto
. Esteve comigo um certo espírito com quem falei. Este, na vida do corpo, não tinha tido fé alguma, e não tinha crido em vida alguma depois da morte. Ele também fora um dentre os industriosos; pudera captar o ânimos dos outros falando com lisonja e dando-lhes o seu assentimento; por isso não ficou claro, a princípio, por seu discurso que ele fosse tal; ele até pode falar com volubilidade, correntemente, assim como faz um bom espírito. Mas depois se percebeu, primeiro, que ele não gostava de falar das coisas que dizem respeito à fé e à caridade, pois, então ele não podia seguir pelo pensamento, mas se retraía; e posteriormente se percebeu, por certos pormenores, que ele dava o seu assentimento com o fim de enganar. Com efeito, os assentimentos diferem segundo os fins, pois se o fim é a amizade, ou o prazer da conversação [voluptas conversationis], ou um outro motivo semelhante, e também um ganho lícito, não é assim proceder mal. Se, porém, o fim é de, com ardil, fazer aparecerem segredos e por este modo prender um outro a ofícios maus, se, em geral, o fim é de prejudicar, então é proceder mal. Tal tinha sido o fim para esse espírito; ele estava em oposição contra os que estão na província dos rins e dos ureteres; por isso ele dizia também que gostava do fedor da urina de preferência a todos os outros odores; ele também insere, na região inferior do ventre, uma contração ou uma angústia dolorosa.