Texto
. ‘E José reconheceu os seus irmãos’; que signifique que esses veros da igreja apareciam ao celeste do espiritual a partir de sua luz, vê-se pela significação de ‘reconhecer’, que é perceber, ver e, assim, aparecer; pela representação de ‘José’, que é o celeste do espiritual, de que se tratou antes; e pela significação dos ‘seus irmãos’, que são os veros gerais da igreja (n. 5409, 5419); e como por ‘José reconheceu os seus irmãos’ são significadas essas coisas, a saber, que os veros gerais da igreja apareciam ao celeste do espiritual, segue-se que era a partir da luz em que está o celeste do espiritual, assim, a partir da luz celeste do espiritual. Dessa luz, que é o Vero procedente do Divino (n. 3417), aparecem todos e cada um dos veros que estão abaixo, ou que estão no natural, mas não vice-versa se não há intermediário, menos ainda se não há correspondência nem conjunção por meio da correspondência; o que se pode ver manifestamente a partir disso, que os anjos, que estão nos céus, assim, na luz do céu, podem ver todas e cada uma das coisas que se fazem no mundo dos espíritos, mundo que está próximo abaixo dos céus, depois, todas e cada uma das coisas que se fazem na terra dos inferiores, e mesmo as que se fazem nos infernos, mas não vice-versa.
[2] Isso acontece também de modo que os anjos de um céu superior podem ver todas as coisas que se fazem abaixo deles em um céu inferior, mas não vice-versa, exceto se houver um intermediário. Há também espíritos intermediários pelos quais se faz a comunicação aquém e além; é por isso que os que estão embaixo, os que não têm intermediário e, com mais forte razão, não têm correspondência, não veem absolutamente nada quando olham na luz do céu; tudo que ali está aparece em completa obscuridade, quando, todavia, aqueles que estão ali estão no dia mais claro. Pode-se ilustrar isso por esta única experiência: Apareceu-me uma grande cidade, onde havia milhares e milhares de objetos diversos que eram deleitáveis e belos. Eu os vi porque foi dado um intermediário, mas os espíritos que estavam comigo, porque estavam sem um intermediário, não puderam ver ali o menor objeto; e se disse que os que não estão na correspondência, embora achando-se nessa cidade, não viam entretanto ali a menor coisa.
[3] Isso também acontece como com o homem interior ou o espírito do homem, que também se chama alma; esse homem interior pode ver todas e cada uma das coisas que estão e se fazem no homem exterior, mas não vice-versa, salvo se houver correspondência e um intermediário. Daí vem que ao homem exterior que não está na correspondência, o homem interior mostra-se como nada, ao ponto que, quando se diz alguma coisa referente ao homem interior, isso parece ao homem exterior, ou de tal modo obscuro que ele nem sequer deseja voltar a vista para esse lado, ou como uma coisa nula na qual não tem fé. Mas quando há correspondência, então o homem exterior também vê, por meio do intermediário, o que se faz no homem interior; com efeito, a luz que é do homem interior influi pelo intermediário na luz que é do homem exterior, isto é, a luz celeste influi na luz natural e a ilumina; a partir dessa iluminação aparece aquilo que existe no homem interior, daí há para o homem exterior, ou natural, a inteligência e a sabedoria. Mas se não há intermediário, e mais ainda, se não há correspondência, então o homem interior vê e percebe o que se faz no homem exterior e, de certo modo, até o conduz, mas não vice-versa. Se, porém, há contrariedade, a saber, que o homem exterior perverte inteiramente ou extingue o que influi por meio do homem interior, então o homem interior fica privado de sua luz que vem do céu, a comunicação lhe é fechada do lado do céu, mas abre-se comunicação desde o inferno para o homem exterior. Várias coisas a respeito desse assunto,vejasnas explicações queagora seguirão.