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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E eles não o reconheceram’; que signifique que o vero procedente do Divino não aparecia na luz natural ainda não iluminada pela luz celeste, pode-se ver pelas explicações que logo precedem; com efeito, quando por ‘José reconheceu os seus irmãos’ é significado que os veros gerais da igreja apareciam ao celeste do espiritual a partir da sua luz, segue-se que por ‘eles não o reconheceram’ é significado que o celeste do espiritual, ou o vero procedente do Divino, não aparecia aos veros gerais da igreja na luz natural ainda não iluminada pela luz celeste. Pelas coisas que foram ditas logo acima fica de fato evidente o modo como isso acontece, mas como esse assunto está entre os arcanos, permite-se ilustrá-lo por meio de exemplos. Seja como exemplo a glória do céu: Aqueles que pensam a respeito da glória do céu a partir da luz natural não esclarecida pela luz do céu, porque estão sem intermediário, e mais ainda, se não há correspondência, não podem ter dessa glória uma outra ideia senão qual a que eles podem ter da glória do mundo, assim como, quando leem as revelações proféticas, sobretudo as de João no Apocalipse, eles imaginam que tudo ali está na maior magnificência; contudo, quando se lhes diz que a glória do céu excede toda a magnificência do mundo, ao ponto que esta dificilmente pode ser comparada àquela, e que, entretanto, isso não é a glória do céu, mas que a glória do céu é o Divino que sai com brilho de cada uma das coisas que ali aparecem, e a percepção dos Divinos e, daí, a sabedoria. Essa glória, porém, é só para aqueles que ali fazem dessa magnificência, relativamente à sabedoria, nada, e que atribuem ao Senhor toda sabedoria e não atribuem a si absolutamente nenhuma. Essa glória do céu, quando ela é considerada pela luz natural sem um intermediário, e mais ainda, se não há correspondência, não é de modo algum reconhecida.
[2] Seja também para exemplo o poder angélico: Aqueles que — a partir da luz natural não iluminada pela luz do céu, porque estão sem o intermediário, e mais ainda, se não há correspondência — pensam no poder angélico, principalmente no dos arcanjos de que se faz menção na Palavra, não podem ter desse poder outra ideia, senão como a que eles têm do poder dos poderosos do mundo, que têm sob as suas ordens milhares e milhares de subalternos em quem eles mandam, e que as posições eminentes no céu consistem em tal poder; mas quando se lhes diz que na realidade o poder angélico excede todo o poder dos poderosos do mundo, e que ele é tão grande que um só dentre os menores anjos pode expulsar miríades de espíritos infernais e precipitá-los em seus infernos, e que é também por isso que, na Palavra, eles são chamados ‘Potências’, bem como ‘Dominações’; mas que, apesar disso, o menor deles é o maior, isto é, que aquele que crê, quer e percebe que o todo do poder procede do Senhor e que nada venha dele próprio, esse é o mais poderoso. É por isso que os que ali são potências têm uma completa aversão a todo poder que viesse deles próprios; isso também, quando é considerado pela luz natural sem o intermediário, e mais ainda, se não há correspondência, não é reconhecido.
[3] Seja ainda um exemplo: Aquele que, do natural sem intermediário e, mais ainda, se não há correspondência, considera o livre, não pode saber outra coisa, senão que o livre consiste em pensar e querer por si, e em poder agir sem freio como se pensa e como se quer; é também por isso que o homem natural, a fim de poder ter todas as coisas que pensa e quer, almeja ser o mais opulento, e a fim de poder fazer tudo que ele pensa e quer, almeja ser o mais poderoso, e ele então crê estar no mais alto livre e, daí, na felicidade mesma. Se, porém, lhe disserem que o livre mesmo, que se chama livre celeste, não é absolutamente nada disso, mas que consiste em nada querer por si próprio, mas em querer pelo Senhor, e mesmo em nada pensar por si próprio, mas em pensar pelo céu e que, por isso, os anjos ficam inteiramente no desânimo e na dor se lhes é permitido pensar por eles próprios e querer por eles próprios, isso não é reconhecido. A partir desses exemplos se pode ver, de algum modo, como acontece com este arcano, que o vero procedente do Divino não aparecia na luz natural ainda não iluminada pela luz celeste, o que é significado pelo fato de que os irmãos de José não o reconheceram.

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