ac 5614

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Agora teríamos voltado essas duas vezes’; que signifique que a vida espiritual exterior e interior, vê-se pela significação de ‘ir’, que é viver, a respeito do que se tratou acima (n. 5605), é por isso que ‘voltar’ é, portanto, viver. Com efeito, eles tinham ido para lá para adquirirem grão para si, e pelo ‘grão’ é significado o bem que pertence ao vero, do qual provém a vida espiritual; e pela significação de ‘essas duas vezes’, que, como isso se refere à vida, é a vida exterior e a vida interior, pois pelo mantimento que eles receberam a primeira vez é significada a vida exterior ou no natural, por essa causa, porque eles estavam sem o intermediário, coisa de que se tratou no capítulo precedente. Mas pelo grão que eles recebem desta vez é significada a vida interior, pois agora eles estão com Benjamin, que é o intermediário, coisa a respeito da qual se trata neste capítulo e no seguinte. Daí vem que por ‘estaríamos agora de volta essas duas vezes’ é significada a vida espiritual exterior e interior.
[2] Que sejam significadas essas coisas, não pode não se mostrar estranho, principalmente a quem nada conhece a respeito do espiritual, pois parece como se ‘voltar essas duas vezes’ na realidade não tivesse coisa alguma de comum com a vida espiritual, que é significada; mas ainda assim é esse o sentido interno das palavras. Se quiserem crer, o pensamento mesmo interior do homem que está no bem compreende isto, porque ele está no sentido interno, embora o homem, enquanto está no corpo, o ignore profundamente, pois o sentido interno ou sentido espiritual, que pertence ao pensamento interior, cai, sem que ele saiba, nas ideias materiais e sensuais, que participam do tempo e do espaço e de tais coisas que estão no mundo, e assim não parece que o seu pensamento interior seja tal; com efeito, o seu pensamento interior é tal qual o dos anjos, pois o seu espírito está em sociedade com eles.
[3] Que o pensamento do homem que está no bem esteja de acordo com o sentido interno, pode-se ver a partir disso, que, depois da morte, quando ele chega no céu, logo, sem nenhuma informação, ele está no sentido interno, o que não aconteceria de modo algum exceto se no mundo ele tivesse estado nesse sentido quanto ao pensamento interior. Que ele está neste sentido, a causa é porque há uma correspondência tal entre as coisas espirituais e as naturais, que não existe a mínima coisa sequer em que não existe a correspondência. É por isso que, como a mente interior (ou racional) do homem que está no bem, está no mundo espiritual, e que a sua mente exterior (ou natural) está no mundo natural, não pode outra coisa senão que uma e outra mente pense, mas a interior, espiritualmente, e a exterior, naturalmente, e que o que é espiritual caia no que é natural, e que façam um por correspondência.
[4] Que a mente interior do homem, cujas ideias do pensamento são denominadas intelectuais e são ditas imateriais, não pensa a partir das palavras de nenhuma língua, nem, por consequência, a partir das formas naturais, pode ver aquele que pode refletir a respeito disso, pois pode pensar em um momento o que dificilmente poderia ter enunciado em uma hora; assim, por meio dos universais que compreendem em si um grande número de singulares. Essas ideias do pensamento são espirituais, e não são outras, quando se lê a Palavra, senão como é o sentido interno, embora o homem não o saiba; a causa, como foi dito, vem de que essas ideias espirituais, pelo influxo no natural, apresentam ideias naturais, e assim as ideias espirituais não aparecem, de sorte que o homem, salvo se for instruído, crê que não há espiritual, a não ser que o espiritual seja tal qual é o natural, e ele até crê que não pensa no espírito de modo diferente do que fala no corpo, tamanho o modo como o natural cobre com a sua sombra o espiritual.

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