ac 5688

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘[Será] este o vosso irmão menor, de quem falastes a mim?’ Que signifique o nascido depois de todos, como também eles sabiam, vê-se pela significação de ‘irmão menor’, que é o que nasceu depois de todos, do que se tratará no que segue; e pela significação de ‘de quem falastes a mim’, que é o que foi percebido por eles (n. 5687); que ‘dizer’ seja o que foi percebido, foi visto logo acima (n. 5687), assim, é o que eles sabiam. Que se diga aqui de Benjamin, como de fato ele era, o ‘irmão menor deles’, isto é, o nascido depois de todos, ou o menor por nascimento, é porque no sentido espiritual acontece o mesmo com o intermediário que Benjamin representa. Com efeito, no homem, o intermediário nasce depois de todas as coisas, visto que quando o homem nasce espiritualmente, isto é, quando ele renasce, então o seu racional, que é o interno humano, é primeiro regenerado pelo Senhor, e o natural o é logo depois (n. 3286, 3288, 3321, 3493, 4612); o intermediário portanto, porque deve tomar de um e de outro, a saber, do racional espiritual (ou tornado novo) e, também, do natural, e porque o intermediário não pode tomar coisa alguma do natural, exceto se este também se tornar novo, é por isso que o intermediário não pode nascer senão mais tarde, e de fato segundo o grau em que o natural for regenerado.
[2] Todas as coisas que são lembradas a respeito dos filhos de Jacó na Palavra aconteceram assim em razão da Providência, por essa causa, porque a Palavra devia ser escrita a respeito deles e de seus pósteros, e ela deve conter em si coisas celestes e, no sentido supremo, coisas Divinas, que eles deviam representar ativamente; assim, também que Benjamin, porque foi último nascido, por isso devia representar o intermediário entre o interno e o externo, ou entre o celeste do espiritual, que o Senhor teve no mundo, e entre o Natural que o Senhor teve também e que Ele devia fazer Divino.
[3] Todas as coisas lembradas a respeito de José e de seus irmãos representam, no sentido supremo, a glorificação do Humano do Senhor, isto é, o modo como o Senhor fez Divino em Si o Humano; a causa de que isso foi representado no sentido interno, é para que a Palavra, em seu sentido íntimo, fosse santíssima, bem como, para que em cada expressão ela contivesse em si tal sentido que entrasse na sabedoria angélica, pois se sabe que a sabedoria angélica transcende de tal forma a inteligência humana, que dificilmente alguma coisa pode ser compreendida dali pelo homem. A felicidade mesma dos anjos também consiste em que em cada expressão se trata do Senhor, pois eles estão no Senhor. E, além disso, a glorificação do Humano do Senhor é um modelo de regeneração do homem, de onde vem que, no sentido interno da Palavra se trata também, ao mesmo tempo, da regeneração do homem nos lugares em que se trata da glorificação do Senhor. A regeneração do homem com os seus inumeráveis arcanos entra também na sabedoria dos anjos, e consolida a felicidade deles conforme a aplicação aos usos, que consistem em reformar o homem.

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