Texto
. ‘E lavou as suas faces’; que signifique que ele dispunha assim, vê-se pela significação de ‘lavar as faces’, que aqui é dispor de modo que isso não apareça, porquanto a face era lavada para que não aparecesse o lacrimejo, por conseguinte, ela era disposta assim. O modo como acontecia em relação a isso, se dirá na sequência, pela Divina Misericórdia do Senhor; aqui, é necessário dizer alguma coisa a respeito da correspondência da ‘face’ com os interiores: A face é o externo representativo dos interiores, pois a face é formada de modo que os interiores nela apareçam como em um espelho representativo, e que um outro saiba qual é a nossa intenção [mente] em relação a ele, assim, para que quando se fala se manifeste os sentimentos de seu ânimo, tanto pela linguagem quanto pela face. Os antiquíssimos tiveram tal face, aqueles que foram da igreja celeste; e tal face têm todos os anjos, pois nada do que pensam querem ter escondido dos outros, visto que eles não pensam nada senão o bem a respeito do próximo e não têm pensamento algum escondido de querer bem ao próximo por causa de si mesmos. Mas os infernais, enquanto não aparecem na luz do céu, têm uma face diferente da que corresponde aos interiores; a causa é porque, na vida do corpo, testemunharam a caridade para com o próximo por sua face, somente para sua honra e o seu ganho, e, todavia, nunca quiseram bem ao próximo, a não ser o quanto isso lhes fosse favorável. Daí a disposição da face deles contrariamente aos seus interiores a tal ponto que, às vezes, há dentro deles inimizades, ódios, vinganças e um desejo ardente de matar; e, entretanto, a face deles foi disposta de um modo a fazer brilhar dela o amor para com ele. A partir disso se pode ver quanto hoje os interiores estão em dissenção com os exteriores; 580é por isso que andam à procura de tais prestações de serviços [talium ministeria ambiunt].