Texto
. ‘E despediu os seus irmãos, e foram’; que signifique a ocultação, vê-se pela significação de ‘despedir’, que é afastar de si, consequentemente, não estar mais assim presente neles como antes; e pela significação de ‘ir’ ou ‘partir’, que é viver, depois, viver mais afastado, bem como deixar (n. 3335, 3416, 3690, 4882, 5493, 5696), assim, é estar oculto. Que se trata agora do afastamento de junto do celeste interno e, assim, da ocultação desse celeste, vê-se pelas coisas que se seguem no sentido interno.
[2] Quem não sabe como acontece com o estado da vida dos espíritos e dos anjos nos céus não pode saber por que se trata agora da ocultação do vero e do bem, quando logo antes eles tinham estado em sua luz; esse estado no céu consiste em que os espíritos e os anjos têm a manhã, o meio-dia e a tarde, depois o romper do dia, e de novo a manhã, e assim por diante. A manhã deles é quando o Senhor está presente e os beatifica com uma felicidade manifesta, então eles se acham na percepção do bem; o meio-dia é quando eles estão na luz das verdades; e a tarde quando estão afastados delas, então lhes parece que o Senhor está mais afastado e ocultodeles. Todos que estão no céu passam e percorrem essas alternações, de outro modo eles não podem ser continuamente aperfeiçoados; daí vem, com efeito, para eles os relativos, e pelos relativos uma percepção mais perfeita, já que por esse modo eles sabem o que é a não felicidade, porque por esse modo eles sabem o que é o não bem e o que é o não vero.
[3] O que é digno de admiração é que nunca um estado é absolutamente semelhante a um outro pela eternidade, então, que um espírito ou um anjo não percorre mudanças de estado semelhantes às de um outro;a causa é porque um não é absolutamente semelhante a um outro quanto ao bem e ao vero, do mesmo modo que um homem não é também semelhante a um outro quanto à face. Mas ainda assim, dessas variedades o Senhor faz uma unidade. É uma regra geral, que toda unidade em que há alguma qualidade existe a partir das variedades, que são reduzidas a uma tal unanimidade como por um acordo de harmonia, de modo que elas aparecem todas como um; daí a unidade, ou a união, nos céus se faz pelo amor e pela caridade (ver os n. 3241, 3267, 3744, 3745, 3986, 4005, 4149, 4598).
[4] A ocultação, que é significada no fato de José ter despedido seus irmãos, e que eles se foram, chama-se, na Palavra, a ‘tarde’, que existe então com os anjos quando eles não percebem o Senhor presente, porquanto no céu há uma contínua percepção do Senhor. Quando estão no estado de não percepção, então eles não são afetados do bem e não veem o vero, como antes; isso lhes dá angústia, mas pouco depois vem o romper do dia e, assim, a manhã.