ac 6004

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Não temas descer ao Egito’;que signifique que o vero natural com todas as coisas que lhe pertencem será iniciado nos conhecimentos da igreja, vê-se pela representação de ‘Jacó’, que é quem devia descer ao Egito, que é o vero natural (n. 6001); pela significação de ‘descer’, que é ser iniciado, pois, a fim de que essa iniciação fosse representada, Jacó desceu ao Egito com todasas coisas que lhe pertenciam; e pela significação do ‘Egito’, que são os conhecimentos da igreja (n. 1462, 4749, 4964, 4966).
[2] Quanto a isso, que o vero deve ser iniciado nos conhecimentos da igreja, acontece assim: Os conhecimentos da igreja eram, nessa época, as coisas representativas esignificativas dos ritos, pois todos os ritos da igreja provinham de semelhantes coisas representativas e significativas; depois também havia conhecimentos que serviam aos doutrinais da caridade que estava neles; a partirdesses conhecimentos eles sabiam quem eram os que deviam ser entendidos pelos pobres, indigentes, míseros, aflitos, oprimidos, viúvas, órfãos, peregrinos, prisioneiros no cárcere, nus, doentes, famintos, sedentos, mancos, cegos, surdos, mutilados, e por vários outros, nos quais eles distinguiam o próximo, e assim eles ensinavam o modo como a caridade devia ser exercida. Tais eram os conhecimentos daquela época. Que hoje eles tenham sido inteiramente obliterados, é evidente a partir disso, que onde eles são mencionados na Palavra, dificilmente alguém sabe outra coisa, senão que por eles se entendem os que são assim chamados; por exemplo, onde se menciona as viúvas, que sejam viúvas; onde os peregrinos, que sejam peregrinos, onde prisioneiros, que sejam prisioneiros, e assim por diante. Semelhantes conhecimentos floresceram no Egito, é por isso que pelo Egito são significados os conhecimentos. Que o vero natural, que é Jacó, foi iniciado em tais conhecimentos, é representado por meio disso, que Jacó desceria ao Egito com tudo que lhe pertencia.
[3] Diz-se que os veros são iniciados nos conhecimentos quando a eles são transportados para que ali estejam, o que se efetua a fim de que, quando o conhecimento vier ao pensamento, os veros que foram trazidos venham ao mesmo tempo à lembrança; como, por exemplo, quando se menciona o peregrino, como por ele são significados aqueles que devem ser instruídos, que logo venham à lembrança todos os exercícios da caridade para com eles, assim os veros; semelhantemente em relação aos restantes. Quando os conhecimentos foram cheios deles, então quando se pensa a partirdos conhecimentos, o pensamento se estende e se expande ao largo, e realmente, ao mesmo tempo, para várias sociedades nos céus; pois um tal conhecimento, porque consiste em um tão grande número de veros interiormente nele, se desenvolve assim sem que o homem saiba; mas os veros devem necessariamente estar nesses conhecimentos.
[4] Da ordem Divina também vem que as coisas interiores devem ser trazidas às exteriores, ou, o que é o mesmo, as anteriores às posteriores, assim todas as coisas anteriores por fim nas últimas, e devem estar ali juntas.Acontece assim em toda a natureza; a não ser que assim aconteça, o homem não pode ser plenamente regenerado, pois por meio detal transporte dos veros aos conhecimentos, os interiores e os exteriores, que de outro modo seriam discordantes,concordam e fazem um, e se são discordantes, o homem não está no bem, porque não está no sincero. Além disso, os conhecimentos estão em um lume quase como o em que está o sensual da vista do homem, e esse lumeé tal, que se não for iluminado interiormentepela luz que procede dos veros, ele induz aos falsos, principalmente a partir das falácias dos sentidos, e também aos males provenientes dos falsos; que assim seja, ver-se-á pela experiência ao fim dos capítulos, onde se trata do influxo.

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