. "E, enviando pelo Seu anjo significou a Seu servo João". Que isto signifique que foram reveladas do céu àqueles que estão no bem do amor vê-se pela significação de 'significou', que são as coisas que, no sentido da letra, contêm e, assim, significam as que estão no sentido interno, porquanto se diz: 'revelação, a qual Deus deu para mostrar... e significou'; e pelas coisas que Ele significou se entendem as que estão no sentido da letra, porque todas as coisas ali significam, e as que são significadas são as que estão contidas no sentido interno. Com efeito, todas as coisas da Palavra são significativas das espirituais, que estão no sentido interno. E vê-se pela significação de 'enviando por Seu anjo', que é: que foram reveladas do céu, porque 'enviar' é revelar, e 'pelo anjo' é proceder do céu. 'Enviar' é revelar, porque tudo o que é enviado do céu é uma revelação, pois se revela aquilo que ali se acha, que é o espiritual concernente à igreja e ao seu estado. Mas isso no homem se muda em natural tal como é no sentido da letra no Apocalipse e em outras passagens na Palavra. O que vem do céu não pode ser apresentado ao homem de outra maneira, porque o espiritual cai em seu natural correspondente quando do mundo espiritual vem ao natural. Daí é que a Palavra profética é assim no sentido da letra e, porque é tal, por isso em seu seio é espiritual e é Divina. Que 'pelo anjo' se entenda proceder do céu é porque aquilo que o anjo fala é procedente do céu. Com efeito, quando o anjo fala com o homem coisas tais as que pertencem ao céu e a igreja, não fala como um homem com outro homem, o qual fala a partir da memória as coisas mandadas por outrem, mas, no anjo, aquilo que ele fala influi continuamente, e não em sua memória, mas imediatamente no entendimento e, assim, nas palavras. Assim é que todas as coisas que os anjos disseram aos profetas eram Divinas, e nada, absolutamente, procedia dos anjos. Dá no mesmo dizer que 'foram reveladas do céu' ou que o foram 'pelo Senhor', porque o Divino do Senhor nos anjos é que faz o céu, e nada, absolutamente, do que é propriamente dos anjos. (Mas pode-se ver isto melhor pelas coisas que foram ditas e mostradas na obra O Céu e o Inferno, nºs 2-12 e 254).
[2] Se se diz que são reveladas do céu àqueles que estão no bem do amor é porque se diz: 'enviando por Seu anjo ao Seu servo João', e por 'João' são representados e entendidos aqueles que estão no bem do amor. Com efeito, pelos doze apóstolos são representados e significados todos os que na igreja estão nos veros do bem, por conseguinte, também, todos os veros dos bens dos quais se forma a igreja e, individualmente, algo especial por cada um deles. Por exemplo, por 'Pedro' é representada a fé, por 'Tiago' a caridade e por 'João' o bem da caridade ou o bem do amor. E como 'João' aqui representou esse bem, por isso a revelação é feita a ele, pois a revelação proveniente do céu é tal que não pode ser feita senão aos que estão no bem da caridade ou do amor. Os outros podem até ouvir as coisas que procedem do céu, mas não podem percebê-las. Somente os que estão no bem do amor têm percepção espiritual. A razão disso é que eles as recebem não somente com a audição, mas também com o amor, e receber com o amor é recebê-las plenamente, porque são amadas. E os que assim recebem as vêem em seu entendimento; aí está o sentido de sua vista interna. Que isto seja assim, é o que me ficou provado por muitas experiências e o que também pode ser ilustrado por muitas razões, mas não é lícito ainda estender-se a este respeito. Aqui se deve lembrar somente que todos os nomes que estão na Palavra significam não pessoas, mas coisas, como 'João', que significa aqueles que estão no bem do amor e, por conseguinte, o bem do amor abstratamente. (Todos os nomes na Palavra significam coisas; vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 768, 1888, 4310, 4442 e 10329. Os nomes das pessoas e dos lugares na Palavra não podem entrar no céu, mas são mudados nas coisas que eles significam, nºs 1876, 5225, 6516, 10216, 10282 e 10432. Quão elegante é o sentido interno da Palavra, no qual, todavia, existem meros nomes; ilustrado por meio de exemplos, nºs 1224, 1264 e 1888. Os doze discípulos do Senhor representaram e, assim, significaram todas as coisas da fé e do amor em um complexo, de modo semelhante às doze tribos de Israel, nºs 2129, 3354, 3488, 3858 e 6397. 'Pedro', 'Tiago' e 'João' representaram e, assim, significaram a fé, a caridade e o bem da caridade em sua ordem; vê-se nos prefácios dos capítulos 18 e 22 de Gênesis e nos nºs 3934, 8581 e 10087).
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