AE 62

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "E, virando-me, vi sete castiçais de ouro". Que isto signifique um novo céu e uma nova igreja que está no bem do amor vê-se pela significação de 'voltar-se para ver', que é entender pela iluminação (de que se tratou há pouco, acima, nº 61); pela significação de 'sete', que é o pleno e tudo, e por ser mencionado onde se trata das coisas santas que pertencem ao céu e à igreja (de que tratou acima, nºs 20 e 24); pela significação de 'castiçais', que são um novo céu e uma nova igreja (a cujo respeito se tratará a seguir); e pela significação de 'ouro' que é o bem do amor (de que se trata nos nºs 113, 1551-1552, 5658, 6914, 6917, 9510, 9874 e 9881). Que 'sete castiçais' signifiquem o céu e a igreja vê-se pelo último versículo deste capítulo, onde se diz: 'os sete castiçais que viste são as sete igrejas'. Que 'sete igrejas' signifiquem todos os que são da igreja do Senhor, por conseguinte, a igreja em geral, vê-se acima (nº 20); que signifiquem também o céu é porque o céu e a igreja fazem um; naqueles em que está a igreja o céu também está. A razão disso é que o bem do amor e da fé faz a igreja no homem, e a faz nele assim como nos anjos faz o céu. Por isso, aqueles que vêm ao céu após a morte são os que no mundo tiveram em si a igreja, isto é, os bens e veros. (Que seja assim, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 12, e na obra O Céu e o Inferno, nºs 57 e 221-227). Que seja um novo céu e uma nova igreja que aqui se entendem pelos 'sete castiçais', é porque deles se trata por último no Apocalipse (vê-se o cap. 21) e, assim, fazem ali uma conclusão de tudo. E visto que o que é último é também o primeiro, por isso no começo se apresenta uma predição dos últimos. Também, na Palavra é costume citar em primeiro lugar as coisas que ocorrem por último, pois as intermediárias as concluem, porque, no sentido espiritual, o primeiro é o propósito que é a sua razão de ser *** (finis propter quem) visto que é o primeiro e o último, e a ele visam todas as coisas restantes (vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 98).
[2] Que o 'castiçal' signifique o céu e a igreja, pode-se ver pela descrição do castiçal que havia no tabernáculo, porque pelo tabernáculo era representado todo o céu em conjunto, e pelo castiçal ali era representado o céu espiritual, que é o segundo céu (vê-se nos nºs 3478, 9457, 9481, 9485, 9548-9577 e 9783). Que seja assim, é claramente evidente pelo fato de que João viu 'no meio dos sete castiçais um semelhante a Filho do homem', e 'Filho do homem' é o Senhor quanto ao Divino Humano, de Quem procede o Divino Vero, que é tudo em todos do céu e da igreja. Também, no céu espiritual aparecem castiçais com muita magnificência, pelos quais o céu deles é representado; também me foi concedido vê-los. Assim se pode ver o que se entende na Palavra pelos 'castiçais' e pelas 'lâmpadas', no sentido espiritual, nas seguintes passagens. No Apocalipse:
"Removerei o teu castiçal de seu lugar, se não fizeres penitência" (Apoc. 2:5);
'remover o castiçal' é tirar deles o céu ou a igreja. Em Zacarias:
O anjo disse ao profeta: "O que tu vês? Ele disse: Vi, e eis um castiçal todo de ouro, seu vaso de óleo em sua cabeça, e suas sete lâmpadas sobre ele, com sete canudos para as lâmpadas" (Zc. 4:2, 3).
Trata-se aí de Zorobabel, que iria lançar os fundamentos da casa de Deus e aperfeiçoá-la; por ele é representado o Senhor que devia vir e restaurar o céu e a igreja, que são os 'castiçais', e os veros santos ali são as 'sete lâmpadas'.
[3] Visto que o castiçal tira seu representativo das lâmpadas, e as lâmpadas o tira da luz, a qual é o Divino Vero no céu, por isso o Senhor também é chamado 'Lâmpada', como no Apocalipse:
A Santa Jerusalém "não precisa do sol nem da lua para que a alumiem; a glória de Deus a ilumina, e a sua Lâmpada é o Cordeiro" (Ap. 21:23; 22:5).
Assim também é que David e os reis depois dele foram chamados 'Lâmpadas de Israel' (II Sm. 21:17; I Re. 11:36; 15:4; II Re. 8:19), pois David representava o Senhor quanto à realeza, do mesmo modo que os reis de Judah e Israel. (Que David tenha tido essa representação, vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 1888 e 9954; e os reis, acima, nº 31). Os castiçais vistos eram de ouro porque o ouro significa o bem do amor, e tudo o que procede do Senhor é proveniente do Divino Amor. Por causa disso, o Divino do Senhor nos céus é o amor a Ele e o amor para com o próximo, que é a caridade (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 13-19; era esta a razão por que o 'castiçal' visto e também o castiçal no tabernáculo eram de ouro.

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