AE 63

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 13) "E no meio dos sete castiçais um semelhante a Filho do homem". Que isto signifique o Senhor de Quem existe todo o céu e a igreja vê-se pela significação de 'no meio', que é no íntimo (de que se trata nos nºs 1074, 2940 e 2973); e como do íntimo procedem todas as coisas, assim como a luz procede do centro para as periferias, por isso 'no meio' significa a origem; pela significação de 'sete castiçais', que são um novo céu e uma nova igreja (de que se tratou há pouco, acima, nº 62); e pela significação de 'Filho do homem', que é o Senhor quanto ao Divino Humano e também quanto ao Divino Vero, porque este procede do Divino Humano. Por aí se pode ver por que o Senhor apareceu 'no meio dos sete castiçais', a saber, porque d'Ele procede tudo do céu e da igreja. Com efeito, é o bem do amor e da fé que faz o céu e a igreja, e no mundo cristão se sabe que esse bem é proveniente do Divino; e como procede do Divino, procede do Senhor, porque o Senhor é o Deus do céu e porque o Divino do Senhor faz o céu (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 2-6 e 7-12; e que este seja o Seu Divino Humano, nºs 78-86).
[2] Que o Filho do homem seja o Senhor quanto ao Divino Humano e também quanto ao Divino Vero, porque este procede de Seu Divino Humano vê-se pelas passagens na Palavra onde o Filho do homem é mencionado. Como em João:
A turba disse a Jesus: "Como dizes Tu: Importa que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem? Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco de tempo a luz está convosco; andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; (...) enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz" (Jo. 12:34-36);
por aí é evidente que pelo 'Filho do homem' é significado o mesmo que pela 'Luz', pois quando perguntaram: 'Quem é esse Filho do homem?' o Senhor respondeu que Ele era a Luz na qual deveriam crer. (A 'Luz' é o Divino Vero procedente do Divino Humano do Senhor; vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 126-140, e na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 49; assim, é também o Filho do homem).
[3] Em Lucas:
"Bem-aventurados [sois] quando os homens tiverem ódio de vós (...) por causa do Filho do homem" (Lc. 6:22);
'por causa do Filho do homem' é por causa do Divino Vero que procede do Senhor; o Divino Vero é tudo da fé e do amor no Senhor; como os maus os negam, e os que negam têm ódio, enquanto os bons reconhecem, por isso se diz que estes são bem-aventurados.
[4] No mesmo:
"Dias virão quando desejareis ver um dos dias do Filho do homem, mas não vereis; então vos dirão: Ei-lo aqui ou ei-lo ali; não vades nem os inquirais" (Lc. 17:22, 23).
'Desejar um dos dias do Filho do homem' é [desejar ver] o Divino Vero, que é genuíno, quanto a alguma coisa. Aí se entende o fim da igreja, quando não haverá mais a fé por não haver mais a caridade, tempo em que todo Divino Vero perecerá. E como o Vero Divino é significado pelo 'Filho do homem', por isso se diz: 'Então dirão ... Ei-lo aqui ou ei-lo ali... nem os inquirais.
[5] No mesmo:
"Vindo o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc. 18:8),
isto é, quando o Vero Divino for revelado do céu não se crerá nele. Aqui também o 'Filho do homem' é o Senhor quanto ao Vero Divino; o advento do Senhor é a revelação do Vero Divino no fim da igreja (nºs. 3900 e 4060).
[6] Em Mateus:
"Assim como o relâmpago sai do oriente e aparece até no ocidente, assim será o advento do Filho do homem (...) Então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu, e então todas as tribos da terra lamentarão, e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e glória" (Mt. 24:27,30);
que pelo 'advento do Senhor nas nuvens do céu' seja significada aí a revelação do Divino Vero no fim da igreja, vê-se acima (nº 36).
[7] No mesmo:
"Digo-vos: Desde agora vereis o Filho do homem sentado à direita do poder, e vindo nas nuvens do céu" (Mt. 26:64).
E em Lucas:
"Desde agora estará o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus" (Lc. 22:69);
o 'Filho do homem' é o Senhor quanto ao Divino Humano e quanto ao Divino Vero procedente d'Ele; 'sentar à direita do poder' é que Ele tem onipotência; se se diz que 'desde agora O veriam' é porque o Divino Vero estava em sua onipotência quando o Senhor no mundo venceu os infernos e repôs em ordem todas coisas ali e nos céus, e assim poderiam ser salvos aqueles que O recebessem na fé e no amor (nº 9715). ("Sentar-se" à direita é a onipotência; vê-se nos nºs 4592, 4933, 7518, 8281 e 9193. Todo o poder do bem é por meio do vero, nºs 6344, 6423, 8304, 9327, 9410, 9639 e 9643. O poder Divino mesmo é pelo Divino Vero procedente do Divino Humano do Senhor, nº 6948. As 'nuvens' em que o Filho do homem viria é a Palavra na letra, que é o Divino Vero no último da ordem; vê-se no prefácio do cap. 18 de Gênesis, nºs 4060, 4391, 5922, 6343, 6752, 8443 e 8781. E a 'glória' é o Divino Vero mesmo, como está no sentido interno, nºs 4809, 5922, 8267 e 9429).
[8] Por aí se pode ver agora o que é significado por essas palavras no Apocalipse:
"Quando vi, eis uma nuvem branca; e assentado sobre a nuvem um semelhante a Filho do homem, tendo sobre Sua cabeça uma coroa de ouro" (Ap. 14:14);
e em Daniel:
"Vendo eu estava nas visões da noite, e eis que com as nuvens do céu veio um como o Filho do homem" (Dn. 7:13).
Como todo juízo se faz por meio do vero, por isso se diz que ao Senhor será dado
"Fazer juízo, porque é o Filho do homem" (Jo. 5:27);
e que
"O Filho do homem retribuirá a cada um segundo os seus feitos" (Mt. 16:27);
e
"Quando vier o Filho do homem (...) sentará no trono de Sua glória" e julgará (Mt. 25:31).
[9] Em Mateus:
"Quem semeia a boa semente é o Filho do homem, o campo é o mundo, a semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do mal" (Mt. 13:37, 38);
a 'boa semente' é o Vero Divino; por isso se diz que o Filho do homem a semeia; os 'filhos do reino' são os veros Divinos no céu e na igreja, porque 'filho' é o vero (nº 489, 491, 533, 1147 e 2623) e, no sentido oposto, o falso, que também é 'os filhos do mal'.
[10] No mesmo:
"O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt. 8:20);
em lugar de o Divino Vero não ter lugar em parte alguma ou em homem algum daquele tempo. Que o Filho do homem iria padecer e ser morto (Mt. 17:12, 22-23; 26:2, 24, 45; Mc. 8:31; 9:12, 31) significava que assim eles fariam com o Divino Vero, por conseguinte, com o Senhor, que era o Divino Vero mesmo. Isso é o que Ele ensina também em Lucas:
"Antes, importa que o Filho do homem padeça e seja rejeitado por esta geração" (Lc. 17:25).
[11] Em Jeremias:
"Não habitará ali o varão, nem morará ali o filho do homem" (Jr. 49:18, 22);
e no mesmo:
Nas cidades "não habitará varão algum, nem passará por elas o filho do homem" (Jr. 51:43).
Quem não conhece o sentido espiritual da Palavra crê que pelas 'cidades' aqui se entendem cidades, e pelo 'varão' e pelo 'filho do homem', varão e filho, e que as cidades seriam tão desoladas que ninguém haveria neles. Mas é o estado da igreja, quanto à doutrina do vero, que se descreve por essas expressões, porque as 'cidades' são os doutrinais da igreja (vê-se nos nºs 402, 2449, 3216, 4492 e 4493); 'varão' é o seu vero mesmo conjunto ao bem (nºs. 3134, 7716 e 9007); portanto, o 'Filho do homem' é o Vero.
[12] Uma vez que pelo 'Filho do homem' era significado o Divino Vero procedente do Senhor, por isso os profetas, pelos quais o Divino Vero era revelado, foram chamados 'filhos do homem', como Daniel (Dn. 8:17; e Ez. 2:1, 3, 6, 8; 3:1, 3-4, 10, 17, 25; 4:1, 16; 8:5-6, 8, 12, 15; 12:2, 3, 9, 18, 22, 27). E assim como maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, o mesmo ocorre com a significação de 'filho do homem', que, nesse sentido, é o falso oposto ao vero, como em Isaías:
"O que és tu, que temes o homem, que morre, e o filho do homem, que é dado à erva?" (Is. 51:12),
e em David:
"Não confieis em príncipes, em filho de homem, em quem não há salvação" (Sl. 146:3);
'príncipes' são os veros primários (nºs. 2089 e 5044), assim, no sentido oposto, os falsos primários; e 'filho de homem' é o falso mesmo.

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