. "Vestido de uma veste talar". Que isto signifique o Divino Vero procedente d'Ele vê-se pela significação das 'vestes', que são os veros que revestem o bem (sobre isso, nºs 1073, 2576, 5248, 5319, 5954, 9212, 9216, 9952 e 10536). Aqui é nomeado o 'talar' somente18, que é uma vestimenta comum, pela qual, porque se refere ao Senhor, é por isso significado em geral todo Divino Vero. Como aqui se descreve o Senhor quanto ao Divino Humano, que aqui é o 'Filho do homem que aparece no meio dos castiçais' e de quem se diz estar 'vestido de veste talar', e 'cingido no seio com um cinto de ouro', e, em seguida, que 'Sua face resplandecia como o sol em seu poder', quero dar uma explicação sobre as coisas que foram relatadas nos Evangelistas quando o Senhor foi transfigurado, onde há algumas semelhanças, e, depois, sobre os relatos de os soldados terem dividido Sua vestimenta e terem lançado sorte sobre a túnica.
[2] A respeito do Senhor transfigurado assim se lê:
Jesus tomou a Pedro, Tiago e João a um monte muito alto e foi transfigurado diante deles; e Sua face resplandeceu como o sol, e Sua vestimenta tornou-se branca como a luz; e eis que lhes apareceram Moisés e Elias falando com Ele (...) e eis que uma nuvem luminosa os envolveu, e eis que uma voz saiu da nuvem, dizendo: Este é Meu Filho amado, em quem [Me] comprazo; a Ele ouvi' (Mt. 17:1-6; Mc. 9:2-8; Lc. 9:28-36).
O Senhor tomou a 'Pedro, Tiago e João' porque por eles era representada a igreja quanto à fé, à caridade e às obras de caridade. Foram 'a um monte alto' porque pelo monte é significado o céu. 'Sua face resplandeceu como sol' porque a 'face' significa os interiores que, por serem Divinos, resplandeceram como Sol, porque 'sol' é o Divino Amor. 'Sua vestimenta se tornou branca como a luz' porque as 'vestimentas' significam o Divino Vero procedente d'Ele, assim também a 'luz'. 'Moisés e Elias' apareceram porque ambos significam a Palavra: 'Moisés', a Palavra histórica, e 'Elias', a Palavra profética. 'Uma nuvem luminosa os envolveu' porque a 'nuvem luminosa' significa a Palavra na letra, na qual está o sentido interno. 'Uma voz disse da nuvem: Este é Meu Filho amado, em Quem [Me] comprazo; a Ele ouvi' porque a 'voz vindo da nuvem' significa o Divino Vero proveniente da Palavra, e o 'Filho amado' é o Seu Divino Humano; e como o Divino Vero procede d'Ele e, por conseguinte, todo o vero da igreja, foi dito a partir da nuvem: 'Em Quem [Me] comprazo; a Ele ouvi'.
[3] Que seja o Divino Humano do Senhor que tenha sido visto assim, é evidente, porque o Divino Mesmo não pode aparecer a ninguém senão por meio do Divino Humano, o que o Senhor também ensina em João:
"Deus, ninguém jamais viu; o Filho Unigênito, Que está no seio do Pai, O manifestou" (Jo. 1:18);
e, em outra passagem:
"Não ouvistes jamais a voz do Pai, nem vistes a Sua aparência" (Jo. 5:37).
(Que tais coisas sejam significadas por essas palavras nos Evangelhos, pode-se ver pelos Arcanos Celestes, onde foram mostradas quanto a cada uma delas, a saber, que por 'Pedro', 'Tiago' e 'João', na Palavra, sejam significadas a fé, a caridade e as obras da caridade, nº 3750, e acima, nº (8 e) 9. Pelo 'monte alto' é significado o céu, nºs 8327, 8805, 9420, 9422, 9434 e 10608. Pela 'face' são significados os interiores que pertencem à mente, nºs 1999, 2434, 3527, 4066, 4796, 5102, 9306 e 9546; e pela 'Face do Senhor' a misericórdia, a paz e todo o bem, nºs 222, 223, 5585, 9306, 9546 e 9888. Pelo 'Sol' é significado o Divino Amor, nºs 2495, 4060 e 7083, e, na obra O Céu e o Inferno, nºs 116-125. Pela 'vestimenta', quando se trata do Senhor, é significado o Divino Vero, nºs 9212 e 9216; o mesmo é significado pela 'Luz', nºs 3195, 3222, 5400, 8644, 9399, 9548 e 9684 e, na obra O Céu e o Inferno, nºs 126-140. 'Moisés' e 'Elias' significam a Palavra: 'Moisés', nºs 5922, 6723, 6752, 6771, 6827, 7010, 7014, 7089, 7382, 9372 e 10234; 'Elias', nºs 2762 e 5247). A 'nuvem' significa a Palavra, como se viu acima, nº 36. Que o 'Filho amado' seja o Divino Humano do Senhor é evidente. Pelo fato de a 'vestimenta do Senhor' significar o Divino Vero pode-se saber o que é significado pela ação dos soldados de dividirem entre si as vestes do Senhor e lançarem sorte sobre a Sua túnica, do que se fala assim em João:
"Os soldados (...) tomaram Sua vestimenta e a fizeram em quatro partes, para cada soldado uma parte, e a túnica. Mas a túnica era sem costura, toda tecida desde o alto; disseram, pois, entre si: Não a dividamos, mas lancemos sorte sobre ela, de quem será (para que se cumprisse a Escritura, que diz: Dividiram entre si as Minhas vestes, e sobre Minha vestimenta lançaram sorte); assim fizeram, pois, os soldados" (Jo. 19:23, 24).
[4] Quem não sabe que em cada uma das coisas da Palavra há um sentido interno que é espiritual não pode ver arcano algum nelas. Sabe somente que os soldados dividiram as vestes e não a túnica, e nada mais sabe além disso, quando, todavia, existe um arcano Divino não somente nessa expressão, mas também em cada uma das coisas que são relatadas a respeito da paixão do Senhor. O arcano que existe nessa expressão é que as 'vestes do Senhor' significaram o Divino Vero, assim, a Palavra, porque a Palavra é o Divino Vero. As 'vestes' que eles dividiram, a Palavra na letra, e a 'túnica', a Palavra no sentido interno. Dividi-las significa dissipar e falsificar, e os 'soldados' significam os que são da igreja, que militaram pelo Divino Vero; por isso se diz que 'assim fizeram, pois, os soldados'. Por isso é evidente que, por essas palavras, no sentido espiritual, entende-se que a Igreja Judaica dissipou o Divino Vero que está no sentido da letra, e não puderam dissipar o Divino Vero que está no sentido interno. Que as 'vestes do Senhor' signifiquem o Divino Vero, assim, a Palavra, mostrou-se acima. Sua 'túnica' significa o Divino Vero ou a Palavra no sentido interno; vê-se nos nºs 9826 e 9942. 'Dividir' é dissipar e separar do bem e vero, assim, falsificar, nºs 4424, 6360, 6361 e 9094. Os 'soldados' significam aqueles que são da igreja, sendo aqui os da Igreja Judaica, que militaram pelo Divino Vero; isto é evidente pelo sentido espiritual de 'milícia' e 'guerra'. A 'guerra' significa os combates espirituais que são do vero contra o falso; vê-se nos nºs 1659, 1664, 8295 e 10455. Por isso é que se diz a respeito dos levitas, cuja função era pertinente às coisas tais que são da igreja, que 'serviram a milícia'19 e 'militaram na milícia', exercendo o ministério na tenda da congregação (Nm. 4:23, 35, 39, 43, 47; 8:23, 24).
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