. "E Sua voz como a voz de muitas águas". Que isto signifique o Divino Vero nos últimos vê-se pela significação de voz, quando se trata do Senhor, que é o Divino Vero, de que se tratou nos nºs 219, 220, 3563, 6971, 8813 e 8914, e acima, nº 55; e pela significação de 'águas', que são os veros da fé e, também, as cognições do vero (de que se tratou nos nºs 2702, 3058, 5668, 8568 e 10238); e como as cognições do vero estão nos últimos, por isso, pela 'voz como de muitas águas', visto que se trata do Senhor, é significado o Divino Vero nos últimos. (Que os conhecimentos e as cognições sejam do homem natural ou externo, pois estão na luz do mundo, portanto, nos últimos, como se vê no nº 5212 e, em geral, onde se tratou a respeito deste assunto na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 51. Uma vez que ainda não se sabe que as 'águas' na Palavra significam os veros da fé e as cognições do vero, porque talvez pareça estranho22, vou mostrar aqui em poucas palavras que pelas 'águas' na Palavra se entendem essas coisas. Isto também é necessário porque sem a cognição do que as 'águas' significam não se pode saber o que significa o batismo nem as abluções na Igreja Israelita, das quais se faz menção tantas vezes na Palavra. As 'águas' significam os veros da fé, porque o 'pão' significa o bem do amor. As 'águas' e o 'pão' têm essas significações porque as coisas que pertencem ao nutrimento espiritual são exprimidas no sentido da letra pelas que pertencem à nutrição natural. Com efeito, a água e o pão, pelos quais se entendem toda bebida e toda comida em geral, nutrem o corpo, e os veros da fé e o bem do amor nutrem a alma. Isto também vem da correspondência, pois quando se lêem 'pão' e 'água' na Palavra, os anjos, por serem espirituais, entendem as coisas que os nutrem, que são os bens do amor e os veros da fé.
[2] Quero referir aqui algumas passagens, para que se saiba que 'águas' significam os veros da fé e, também, as cognições do vero. Em Isaías:
"A terra está cheia da ciência de JEHOVAH, como as águas cobrem o mar" (Isa. 11:9).
No mesmo:
"Então com alegria tirareis águas das fontes de salvação" (Isa. 12:3).
No mesmo:
"O que anda em justiça e fala com retidão (...) dar-se-lhe-á o pão, e as águas serão fiéis" (Is. 33:15, 16).
No mesmo:
"Os pobres e necessitados buscam a água, mas não há; sua língua sente sede (...) abrirei nas alturas os rios, e porei fontes no meio dos vales, [tornarei] o deserto num lago de águas, e a terra seca em águas espalhadas (...) para que vejam, e conheçam, e considerem, e compreendam" (Is. 41:17, 18, 20).
No mesmo:
"Derramarei águas sobre o sedento, e correntes sobre a [terra] árida; derramarei Meu espírito sobre a tua semente, e Minha bênção sobre a tua descendência" (Is. 44:3).
No mesmo:
"Tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão como o meio-dia (...) para que sejais como um jardim irrigado e como uma nascente de águas, cujas águas não falham" (Isa. 58:10, 11).
Em Jeremias:
"Meu povo praticou dois males; abandonaram a Mim, a fonte de águas vivas, para cavarem para si poços que não contêm águas" (Jr. 2:13).
No mesmo:
"Os grandes mandaram os jovens buscar água, [estes] chegaram aos poços, não acharam águas, voltaram com seus vasos vazios, ficaram envergonhados e confundidos (Jr. 14:3).
No mesmo:
"Abandonaram a fonte de águas vivas, JEHOVAH " (Jr. 17:13).
No mesmo:
"Com choro virão, e com choro23 os levarei; guiá-los-ei às fontes de águas num caminho direito" (Jr. 31:9).
Em Ezequiel:
"Quebrarei o báculo de pão, e comerão o pão por peso e com solicitude, e beberão água por medida e com espanto, para que careçam de pão e água, e sejam desolados um varão e o irmão, e definhem por causa das iniqüidades" (Ez. 4:16-17; 12:18-19; Is. 51:14).
Em Amós:
"Eis, dias vêm em que enviarei fome sobre a terra; não uma fome de pão, nem sede de águas, mas de ouvir a Palavra de JEHOVAH ; vaguearão de mar a mar, e correrão para buscar a Palavra de JEHOVAH, e não acharão; naquele dia as virgens belas e os jovens desmaiarão de sede" (Am. 8:11-13).
Em Zacarias:
"Naquele dia sairão águas vivas de Jerusalém" (Zc. 14:8).
Em David:
"JEHOVAH é meu Pastor, nada me faltará; às águas tranqüilas me conduzirá" (Sl. 23:1,2).
Em Isaías:
"Não terão sede. Farei fluir água da rocha para eles, e fenderei a rocha para que as águas fluam" (Is. 48:21).
Em David:
"Ó Deus, pela manhã Te busco; minha alma tem sede... cansado sem águas" (Sl. 63:2).
No mesmo:
JEHOVAH "manda a Sua Palavra, faz soprar o vento para que fluam as águas" (Sl. 147:18).
No mesmo:
"Louvai JEHOVAH, céus dos céus, e vós águas que estão sobre os céus" (Sl. 148:4).
Em João:
Jesus veio à fonte de Jacob. "Veio uma mulher de Samaria para tirar águas. Jesus lhe disse: Dá-Me de beber; se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz, dá-Me de beber, tu Lhe pedirias água, para que te desse a água viva. Disse-Lhe a mulher: Donde tens água viva? Disse-lhe Jesus: Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo; mas o que beber da água que Eu darei, não terá sede pela eternidade; e a água que Eu darei tornar-se-á nele uma fonte de águas que jorram na vida eternal" (Jo. 4:7-15).
No mesmo:
Jesus disse: "Se alguém tem sede, venha a Mim e beba; quem crer em Mim, como diz a Escritura, rios de água viventes fluirão de seu ventre" (Jo. 7:37, 38).
No Apocalipse:
"Ao que tem sede, de graça lhe darei da fonte de água da vida" (Ap. 21:6).
E em outra passagem:
O anjo mostrou-lhe "o rio de água da vida, resplandecente como cristal, saindo do trono de Deus e do Cordeiro" (Ap. 22:1).
E, ainda, ali:
"O Espírito e a Esposa dizem: [Vem;] quem ouve, diga: Vem; e quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Ap. 22:17).
[3] Estas passagens foram citadas para que se saiba que pelas 'águas', na Palavra, são significados os veros da fé e, assim, o que é significado pela água do batismo a cujo respeito o Senhor assim ensina em João:
"Se o homem não for gerado da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus" (Jo. 3:5);
'águas', aí, são os veros da fé, e 'espírito' é a vida segundo os veros (vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 202-209 e seqüência). Porquanto não se soube que as 'águas' significaram os veros da fé, nem que todas as coisas instituídas entre os filhos de Israel eram representativos espirituais, por isso se acreditou que pelas abluções que lhes foram ordenadas ficaram limpos dos seus pecados, quando não o foram absolutamente. Elas somente representavam a purificação dos males e falsos por meio dos veros da fé e da vida segundo os veros (vê-se nos Arcanos Celestes, nºs 3147, 5954, 10237 e 10240). Por estas explicações torna-se agora evidente que pela 'voz' que era como 'voz de muitas águas' se entende o Divino Vero, como também em Ezequiel:
"Eis a glória do Deus de Israel que veio do caminho do oriente, e Sua voz é como a voz de muitas águas, e a terra foi iluminada por Sua glória" (Ez. 43:2) .
Em David:
"A voz de JEHOVAH sobre as águas (...) JEHOVAH sobre as muitas águas" (Sl. 29:3);
e, na seqüência, no Apocalipse:
"Ouvi uma voz do céu como a voz de muitas águas" (14:2).
[4] Sei que alguns ficarão admirados de que na Palavra sejam nomeadas 'águas' e não os veros da fé, quando, todavia, a Palavra deve ensinar ao homem sobre a sua vida espiritual. E, se fossem ditos veros da fé em vez de 'águas', o homem saberia que as águas do batismo e das abluções nada fazem para purificar o homem dos males e falsos. Mas cumpre saber que a Palavra, para que seja Divina e sirva ao mesmo tempo para o céu e para igreja, deve necessariamente ser natural na letra, pois, se não fosse natural na letra, não haveria por ela a conjunção do céu com a igreja, porque seria como uma casa sem fundação e como uma alma sem o corpo, pois os últimos encerram todas as coisas interiores e as fundamentam (vê-se acima, nº 41). O homem também está nos últimos e sobre a igreja nele está fundamentado o céu. Assim é, pois, que há tal estilo na Palavra. Por isso, quando o homem pensa espiritualmente pelos naturais que estão no sentido da letra da Palavra, ele é conjunto ao céu, com o qual não se pode ser conjunto de outro modo.
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