AE 77

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "Caí aos Seus pés". - Que isto signifique a adoração pela humilhação de coração diante do Divino vê-se pela significação de 'cair aos pés', que é a adoração pela humilhação. Que seja uma humilhação de coração é porque a humilhação que vem do coração por causa do Divino produz a prostração. Todas as afeições, quaisquer que sejam, têm gestos correspondentes no corpo. Nelas o corpo cai como por si mesmo quando está interiormente na afeição. A humilhação por causa do homem produz a inclinação26 segundo a estima, mas por causa do Divino produz inclinação total, principalmente quando o homem pensa que o Divino é tudo quanto ao poder e à sabedoria, e o homem relativamente nada é, ou que o Divino é todo o bem, enquanto de si nada procede senão o mal. Quando o homem está neste reconhecimento de coração, então sai de si, por assim dizer, e abate-se na face. E quando o homem está assim fora de si, também está afastado do proprium, que em si mesmo é meramente o mal. Quando está assim afastado, o Divino o enche e o ergue. Não que o Divino queira tal humilhação por causa de si, mas porque então o mal é removido, e quanto mais o mal é removido do homem, mais o Divino influi, porque somente o mal impede o influxo. Um exemplo dessa humilhação é visto no opúsculo Das Terras no Universo, nº 91. O estado do homem, quando a presença Divina remove dele o próprio e, em seguida, o enche, é descrito neste versículo: 'Quando O vi, caí aos Seus pés, como morto; e impôs a Sua mão direta sobre mim, dizendo-me: Não temas'. Esse estado é descrito mais amplamente em Daniel:
"Levantei os meus olhos e vi: eis um Varão vestido de linho (...) cuja face era como a aparência do relâmpago, e Seus olhos como as faces do fogo; (...)os Seus pés como o esplendor do bronze polido; (...)só eu vi a visão, mas os varões que estavam comigo não viram, porém um grande temor caiu sobre eles, e fugiram; (...) não restaram forças em mim, e fiquei espantado; e minhas faces em terra. Mas eis que uma mão me tocou e me levantou sobre os joelhos e sobre as palmas de minhas mãos, e disse: Não temas" (Dn. 10:5-12).
Esse estado é também descrito em Ezequiel, quando o profeta viu os querubins, pelos quais é significado o Senhor quanto à providência:
Quando vi a glória de JEHOVAH, "caí sobre as minhas faces; e ouvi uma voz falando, que disse: Filho do homem, põe-te sobre os teus pés, para que Eu fale a ti; e veio a mim o espírito, quando falava comigo, e me pôs sobre os meus pés, e ouvi o que me falava" (Ez. 1:28; 2:1-2; 3:24).
E, também quando Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, de que assim se fala em Mateus:
"Pedro ainda falava, e eis que uma nuvem luminosa os envolveu, e eis que uma voz saiu da nuvem, dizendo: Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo; a Ele ouvi. E quando os discípulos ouviram essas palavras, caíram em sua face e temeram muito. Então Jesus, aproximando-Se, tocou-os e disse: Erguei-vos, não temais. E levantaram os olhos e a ninguém viram a não ser Jesus somente" (Mt. 17:5-8).
Por aí fica aparente como é a presença do Divino Humano do Senhor no homem que está na humilhação de coração, a saber, cai sobre sua face e, pelo toque da mão do Senhor, é erguido sobre seus pés. Que tenha sido a presença do Senhor quanto ao Divino Humano, pode-se ver pelo fato de que assim apareceu diante de João o 'Filho do homem' que estava no meio dos castiçais. Que o 'Filho do homem' seja o Senhor quanto ao Divino Humano, vê-se acima, nº 63. De modo semelhante o Senhor apareceu diante dos discípulos quando foi transfigurado; por causa disso também se diz que 'levantaram os olhos e a ninguém viram a não ser Jesus somente'. Que tenha sido também o Senhor quanto ao Divino Humano que foi visto por Daniel e Ezequiel, pode-se ver pelas palavras do Senhor, que
Nunca ouviram a voz do Pai, nem viram a Sua forma (Jo. 5:37; 1:18).
E, também, adorava-se o Senhor, quando esteve no mundo, prostrando-se sobre a face, aos Seus pés. Vê-se em Mt. 28:9; Mc. 7:25-26; Lc. 8:41; 17:15-16, 18; e Jo. 11:32.

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