AE 78

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "Como morto". - Que isto signifique a falta da vida própria vê-se pela significação de 'como morto', quando se trata da presença Divina no homem, que é a falta da vida própria. Com efeito, a vida própria do homem é aquela em que ele nasce, a qual em si mesma nada é senão o mal, pois é inteiramente invertida, por visar a si e ao mundo somente, e, assim, voltar as costas a Deus e ao céu. A vida que não é própria do homem é aquela à qual ele é conduzido quando é regenerado pelo Senhor. Quando entra nessa vida, ele visa a Deus e ao céu em primeiro lugar e a si mesmo e ao mundo em segundo. Essa vida influi no homem quando o Senhor está presente, pelo que é evidente que quanto mais ela influi, mais se dá a conversão da vida. Essa conversão, quando se dá subitamente, faz com que o homem pareça a si mesmo como morto. Assim é que 'como morto', aqui, significa a falta da vida própria. Mas esses dois estados da vida não podem ser descritos a ponto de serem compreendidos. Além disso, são de uma maneira no homem e de outra maneira no espírito, e diferem inteiramente nos maus e nos bons. O homem não pode viver com o corpo na presença do Divino, e aqueles que vivem são cercados por uma coluna angélica que modera o influxo Divino, pois o corpo de todo homem não é receptivo do Divino, razão pela qual o corpo morre e é rejeitado. Que o homem não possa viver na presença do Divino vê-se pelas palavras do Senhor a Moisés:
"Não podes ver a Minha face, porque o homem não pode Me ver e viver27" (Êx. 23:20),
motivo pelo qual Moisés, quando quis vê-Lo, foi posto na fenda de uma rocha e protegido até que o Senhor passasse. Os antigos também souberam que o homem não pode ver Deus e viver, como se vê pelo livro dos Juízes:
"Disse Manoah à esposa: Certamente morreremos28 porque vimos a Deus" (Jz. 13:22);
e isto foi também confirmado aos filhos de Israel, quando o Senhor foi visto do monte Sinai, a cujo respeito se lê em Moisés:
"Estejais preparados no terceiro dia, porque no terceiro dia JEHOVAH descerá sobre o monte Sinai aos olhos de todo o povo; e marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Cuidai-vos de não subir ao monte e de tocar em sua extremidade; todo aquele que tocar no monte certamente morrera29". E como foram tomados de terror, "disseram a Moisés: Fala tu a nós e ouviremos, mas não fale Deus conosco, para que não morramos" (Êx. 19:11-12; 20:19).
O 'monte Sinai' significa o céu onde está o Senhor, e 'tocar' significa comunicar, transferir e receber; daí vem que lhes foi vedado 'tocar na extremidade do monte', como se vê na explicação desse capítulo nos Arcanos Celestes. Que JEHOVAH tenha sido visto por muitos que são citados na Palavra era porque eles foram então circundados por uma coluna de espíritos e assim preservados, como acima se disse. Assim foi que também vi o Senhor algumas vezes. Mas o estado dos espíritos na presença Divina é diferente do estado dos homens: os espíritos não podem morrer; por isso, se são maus, morrem de morte espiritual, cuja natureza logo se dirá. Os que são bons, porém, são levados a sociedades onde a esfera da presença Divina é abrandada e acomodada à recepção. Assim é que existem três céus e, em cada céu, muitas sociedades; as que estão nos céus superiores estão mais próximas do Senhor, e as que estão nos inferiores estão mais afastadas d'Ele. A este respeito vê-se na obra O Céu e o Inferno os nºs 20-28, 29-40, 41-50 e 206-209. Dir-se-á em poucas palavras o que é a morte espiritual de que morrem os espíritos maus na presença Divina. A morte espiritual é uma aversão e um afastamento do Senhor. Quando os maus espíritos que ainda não foram vastados, isto é, ainda não determinados quanto ao seu amor reinante, entram em alguma sociedade angélica, então, visto que o Senhor está ali, são medonhamente atormentados e não somente se afastam, mas também se lançam nas profundezas em que não entra luz alguma do céu, e alguns em cavernas escuras nas rochas, numa palavra, nos infernos. A este respeito vê-se na obra O Céu e o Inferno os nºs 54, 400, 410, 510, 525 e 527. Essa remoção e esse afastamento do Senhor é o que se chama morte espiritual. O espiritual do céu também está morto neles.

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