AE 105

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 5) "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras". Que isto signifique a recordação das coisas anteriores e, com isso, a recordação de que se desviaram do vero, para que venha à mente o bem da vida da igreja em seu começo, vê-se pela significação de "lembrar", que é, aqui, a recordação das coisas anteriores; pela significação de 'onde caíste', que é desviar-se dali, assim, desviar-se do vero; pela significação de 'arrepender', que é a fim de que venha à mente; e pela significação de 'fazer as primeiras obras', que é o bem da vida da igreja em seu começo. As 'obras' são todas as coisas da vida que procedem do amor e da fé, como se vê no nº 98; e 'as primeiras obras', que pertencem à caridade, são aquelas da igreja em seu começo, como se vê logo acima, nº 104. Que a vida segundo as cognições seja o essencial da igreja e não as cognições sem a vida de acordo com eles, qualquer um que pondera pode ver. Porque as cognições residem somente na memória enquanto não se vive de acordo com eles, e enquanto residem somente ali, não afetam os interiores do homem, pois a memória do homem foi-lhe dada como um receptáculo de que são tiradas as coisas que são úteis à vida, e elas são úteis à vida quando o homem as deseja e pratica.
[2] Todo o espírito do homem nada mais é que sua vontade; por isso o homem, quando se torna espírito, não pode resistir à coisa alguma que [não] seja contra sua vontade, porque está todo baseado nela. Que isto seja assim é um fato conhecidíssimo no mundo espiritual. E também vi ser examinado algumas vezes se o espírito pode fazer alguma coisa contra sua vontade, da qual ele tem sua existência, e foi constatado que não pode. Assim, tornou-se-me evidente que a vontade do homem é que forma o seu espírito, e que o espírito do homem, após deixar o corpo, é a sua vontade. Quer digas vontade ou amor, é a mesma coisa, pois o que o homem ama, isso ele quer; por isso, também, quer digas que o espírito do homem não pode resistir à sua vontade, ou digas que não pode resistir ao seu amor, é a mesma coisa. As cognições do vero e do bem, antes de entrarem na vontade ou no amor do homem, nada fazem, absolutamente, para a sua salvação, pois não estão dentro do homem, mas fora dele. Não obstante, as cognições são necessários, pois sem eles o homem nada pode saber a respeito da vida espiritual. Aquilo que o homem sabe, nisso pode pensar e isso pode querer e pode fazer, mas não aquilo que ele não sabe. No entanto, se não entram além da memória e, daí, no pensamento, não o afetam e, por conseguinte, não salvam.
[3] Hoje, no mundo - principalmente entre aqueles que fazem a fé, só, constituir o essencial da igreja - acredita-se que o fato de saber os doutrinais e, pela ciência, crer que são verdadeiros, salva o homem, de qualquer modo que viva, mas posso afirmar que ninguém é salvo por isso somente. Vi muitos, até uns muito instruídos, serem lançados no inferno, e, ao contrário, os que viveram segundo as cognições do vero e do bem serem elevados ao céu. Daí é evidente que as cognições nada fazem, mas a vida segundo eles; as cognições apenas ensinam de que modo se deve viver. Viver segundo as cognições do vero e do bem é pensar que se deve fazer assim, e não de outra maneira, porque assim foi prescrito pelo Senhor na Palavra. Quando o homem pensa assim e assim quer e faz, então se torna espiritual. Importa, porém, que aqueles que estão dentro da igreja creiam no Senhor e, quando pensarem n'Ele, pensem de Seu Divino no Humano, pois que do Seu Divino Humano procede tudo o que é da caridade e da fé.

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