. "Que está no meio do paraíso de Deus". Que isto signifique que todas as cognições do bem e do vero no céu e na igreja consideram ali e dali procedem vê-se pela significação de 'meio', que é o centro que todas as coisas ao redor consideram e do qual procedem (de que se tratou acima, nº 97); e pela significação de 'paraíso', que são as cognições do bem e do vero e, assim, a inteligência (de que se tratou acima, nºs 100, 108, 1588, 2702 e 3220); e visto que essas coisas são significadas pelo 'paraíso', por isso, pelo 'paraíso de Deus' é significado o céu; e como é significado o céu, também é significada a igreja, pois a igreja é o céu do Senhor nas terras; estes são chamados 'paraíso de Deus' porque o Senhor está no meio ali, e d'Ele vem toda inteligência e sabedoria. Uma vez que até hoje ainda não se soube que todas as coisas na Palavra foram escritas por meio de correspondências, e que, assim, há coisas espirituais encerradas em cada uma das coisas ali ditas, crê-se que pelo 'paraíso', de que se trata no segundo capítulo do Gênesis, se entende um jardim paradisíaco. Mas não se entende ali paraíso terrestre algum, mas o paraíso celeste, que se acha naqueles que estão nas cognições do bem e do vero (vide acima, nº 109, e na obra O Céu e o Inferno, nºs 176 e 185).
[2] Daí se pode ver que o é significado não somente pelo 'paraíso' ou 'jardim em Éden', mas também pelos 'paraísos' ou 'jardins de Deus' na Palavra, como em Isaías:
"JEHOVAH consolará Sião, consolará todos os seus lugares assolados, até tornar o seu deserto em Éden e a solidão em jardim de JEHOVAH; alegria e prazer achar-se-ão nela" (Is. 51:3);
em Ezequiel:
"No Éden, o jardim de Deus, estiveste; de toda pedra preciosa era a tua cobertura" (Ez. 28:13);
estas palavras foram ditas a respeito de Tiro, porque 'Tiro' significa na Palavra a igreja que está nas cognições do vero e do bem, e, assim, na inteligência (vide nos Arcanos Celestes o nº 2201); sua inteligência daí é o 'Éden, jardim de Deus', semelhantemente à 'pedra preciosa' de que era a 'cobertura' (nºs. 114, 9863, 9865, 9868 e 9873). No mesmo:
"Eis a Assíria, um cedro no Líbano (...) os cedros não o ocultavam no jardim de Deus (...) de toda árvore no jardim de Deus, nenhuma se lhe comparava em beleza; tornei-a bela pela multidão de seus ramos, e todas as árvores no Eden, o jardim de Deus, lhe tiveram inveja" (Ez. 31:3, 8, 9);
pela 'Assíria' na Palavra se entendem aqueles que se tornaram racionais por meio das cognições do bem e do vero, portanto, aqueles cuja mente era iluminada do céu. Que a 'Assíria' seja o racional do homem, vide nos nºs 119 e 1186).
[3] Alguma coisa será explicada aqui a respeito da maneira como se deve entender que todas as cognições do bem e do vero se referem ao bem do amor ao Senhor e, também, que daí procedem as coisas que são significadas por 'ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus'. O bem do amor ao Senhor é o Senhor mesmo, uma vez que o Senhor está em Seu bem do amor no homem, espírito e anjo. Que todas as cognições do bem e do vero se refiram a isso ou a Ele, é fato conhecido na Igreja Cristã, pois a doutrina ali ensina que sem o Senhor não há salvação e, também, que no Senhor está toda salvação. As cognições do bem e do vero ou os doutrinais provenientes da Palavra ensinam de que maneira o homem pode vir a Deus e ser conjunto a Ele. Que ninguém possa ser conjunto a Deus senão pelo Senhor e no Senhor, vida na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 283 e 296. Assim, pode-se ver que todas as coisas que a igreja ensina da Palavra se referem ao Senhor e ao amor para com Ele, como o fim. Que todas as cognições do bem e do vero, ou os doutrinais provenientes da Palavra, procedam do Senhor, também é conhecido na igreja, porque ali se ensina que todo amor e toda fé procedem do céu e nada do homem, e que ninguém pode por si mesmo amar a Deus e crer n'Ele. Amar a Deus e crer n'Ele envolve todas as coisas que a igreja ensina, as quais se chamam doutrinais e conhecimentos, uma vez que por eles se ama e se crê no Senhor. Não existe amor e fé sem conhecimentos prévios, pois sem estes o homem seria vazio.
[4] Segue-se daí que, assim como tudo o que é do amor e da fé procede do Senhor, assim também procedem d'Ele todas as cognições do bem e do vero que fazem e formam o amor e a fé. Como todas as cognições do bem e do vero se referem ao Senhor e procedem d'Ele, e isto é significado pela 'árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus', por isso todas as árvores no paraíso se chamam 'árvores da vida' e 'árvores de JEHOVAH'. 'Árvores de vida' no Apocalipse:
"No meio da praça e do rio que saem do trono de Deus e do Cordeiro, de ambos os lados, a árvore de vida dando doze frutos' (Ap. 22:2);
e 'árvores de JEHOVAH' em David:
"Serão saciadas as árvores de JEHOVAH, e os cedros do Líbano que plantou" (Sl. 104:16).
Daí também é evidente que pela 'árvore da vida que está no meio do paraíso' se entende toda árvore ali, isto é, todo homem em cujo meio, isto é, em quem está o Senhor. E por estas e pelas demais coisas que foram mostradas no capítulo precedente, pode-se saber o que é significado pelo fato de que o Senhor dará a quem vencer 'comer da árvore de vida que está no meio do paraíso de Deus'.
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