a. (Vers. 4) "Tens também uns poucos nomes em Sardes que não contaminaram suas vestes". Que isto signifique aqueles que vivem a vida moral por uma origem espiritual, pelo fato de aplicarem as cognições do vero e do bem aos usos de sua vida, vê-se pela significação de 'nomes', que é a qualidade do estado da vida do homem (de que se tratou acima, nº 148); assim, os 'nomes' significam os homens que são tais; pela significação de 'Igreja em Sardes', que são os que vivem uma vida moral mas não espiritual, porque fazem pouco das cognições do vero e do bem provenientes da Palavra (de que também se tratou acima, nºs 148 e 182); aqui, porém, se entendem aqueles que vivem uma vida moral por uma origem espiritual, pois se diz: 'que não contaminaram suas vestes'; e pela significação de 'vestes', que são os verdadeiros conhecimentos e as cognições que há no homem natural (de que se tratará a seguir). Assim, por 'não contaminar as suas vestes' é significado não viver como homem moral por causa de si e do homem, que é somente por causa do corpo e de sua vida, mas por causa do Senhor e do céu, que é por causa de sua alma e vida. Daí é evidente que 'tens também uns poucos nomes em Sardes que não contaminaram suas vestes' significa aqueles que são tais que vivem a vida moral por uma origem espiritual, pelo fato aplicarem às suas vidas as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra.
[2] Como, porém, poucos sabem o que é viver uma vida moral por uma origem espiritual e o que é aplicar as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra aos usos de sua vida, por isso se dirá algo a respeito. O homem vive uma vida moral por uma origem espiritual quando a vive pela religião. Por conseguinte, quando pensa, ao se deparar com algo que é mal, insincero ou injusto, que isso não deve ser feito porque é contra as leis Divinas. Visto que se abstém de fazê-los por causa das leis Divinas, ele adquire para si a vida espiritual e daí então procede a sua vida moral, pois o homem, por esse pensamento e fé, comunica-se com os anjos do céu, e por essa comunicação com o céu é aberto o seu homem interno espiritual, cuja mente é a mente superior tal como a dos anjos do céu, e daí se imbui da inteligência e da sabedoria celeste. Assim se pode ver que viver a vida moral por uma origem espiritual procede da religião e, na igreja, procede da Palavra, porque os que vivem a vida moral pela religião e pela Palavra são elevados acima de seu homem natural e, assim, acima de seu proprium, e são conduzidos pelo Senhor através do céu. Assim é que eles têm fé, temor de Deus e consciência, como também afeição do vero espiritual, que é a afeição das cognições do vero e do bem provenientes da Palavra, pois estas são para eles leis Divinas, segundo as quais vivem. Muitos gentios vivem essa vida moral, pois pensam que o mal não deve ser feito porque é contra sua religião; daí é que muitos deles são salvos.
[3] Por sua vez, viver uma vida moral não pela religião, mas somente pelo temor das leis no mundo e pelo temor de perder a reputação, a honra e o ganho é viver a vida moral não por uma origem espiritual, mas somente por uma origem natural. Para os que vivem assim não há comunicação alguma com o céu. E como eles pensam insincera e injustamente sobre o próximo, ainda que falem e ajam de modo diferente, por isso seu homem interno espiritual é fechado e somente o homem externo natural é aberto, e quando este é aberto, eles estão na luz do mundo e não na luz do céu. Por isso, também, esses tais fazem pouco das coisas Divinas e celestes, e até as negam, enquanto crêem que a natureza e o mundo são tudo. Por aí se pode ver o que é viver uma vida moral por uma origem espiritual e o que é viver essa vida por uma origem natural. (Mas, essas coisas se vêem expostas numa luz mais clara na obra O Céu e o Inferno, nºs 528-535). Dos que vivem a vida moral por uma origem somente natural se diz que 'contaminaram suas vestes', pois pelas 'vestes' se entende o que está fora do homem e o reveste, assim, seu homem natural com as coisas que há ali, que são os conhecimentos e as cognições. Estes, quando provêm da Palavra, são contaminados pelo fato de ele as aprender e conservar somente por causa da reputação, para que seja tido como erudito e culto, ou para com eles alcançar honras e obter riquezas, e não os considera além desses fins. Desta maneira as cognições da Palavra são contaminados e poluídos pelos amores de si e do mundo, pois residem em união com os males e falsos que brotam desses amores como de suas fontes.
[4] Foi dito acima que o homem se torna espiritual por meio das cognições do vero e do bem provenientes da Palavra, aplicadas aos usos da vida. Agora se dirá por que motivo o homem se torna espiritual pelas coisas que vêm da Palavra e não por outras. Todas as coisas que há na Palavra são Divinas, e são Divinas pelo fato de terem em si um sentido espiritual e, por esse sentido, comunicarem com o céu e com os anjos ali. Por isso, quando o homem tem cognições da Palavra e as aplica à vida, então se comunica por elas com o céu e por essa comunicação se torna espiritual, pois o homem se torna espiritual pelo fato de estar nos veros semelhantes aos dos anjos do céu, ou nos que são correspondentes. Diz-se nos que são correspondentes porque todas e cada uma das coisas que há no sentido da letra da Palavra são correspondências, pois correspondem aos veros que há nos anjos. Mas as cognições que provêm de outros livros, que transmitem doutrinais da igreja e os estabelecem por vários modos, não fazem comunicação com o céu a não ser por meio das cognições da Palavra ali. Estas comunicam se foram verdadeiramente entendidas e não forem aplicadas somente à fé, mas à vida. Ninguém pode deixar de saber que isto é assim, porque a Palavra é Divina em si, e o que é Divino em si pode se tornar Divino no homem se este o aplica à vida. Por tornar-se Divino no homem entende-se que o Senhor pode fazer morada nele (João 14:23), assim, habitar nele no que é Seu. (Que o Senhor habite no que é Seu no homem e no anjo, e não no proprium deles, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nº 12); e o Senhor habita no que é Seu quando habita nas coisas que, no homem, provêm da Palavra, pois o Senhor é a Palavra (João 1:1, 2 , 14); e as palavras que Ele falou, isto é, que estão na Palavra,
"São espírito e vida" (Jo. 6: 63, 68; 12:50).
[5] Que as 'vestes' signifiquem as coisas que estão no homem natural, que são os conhecimentos verdadeiros ou falsos, ou as cognições, isto vem do mundo espiritual. Todos ali, quaisquer que sejam, aparecem vestidos segundo a sua vida moral. Assim, os que viveram a vida moral por uma origem espiritual aparecem vestidos de um branco brilhante, como o do linho fino; mas aqueles que viveram a vida moral só por uma origem natural aparecem vestidos segundo a qualidade de seu estado; os que contaminaram a vida com os males e os falsos aparecem com vestes escuras, vis, rasgadas e são horríveis à vista. (Sobre as vestes deles, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 177-182). Daí vem, então, que as 'vestes' na palavra significam os veros do bem e, no sentido oposto, os falsos do mal, e uns e outros no homem natural, em quem os veros e falsos se chamam conhecimentos e cognições.
[6] Que as 'vestes', na Palavra, signifiquem os veros ou os falsos pode-se ver claramente pelas seguintes passagens. Em Isaías:
"Desperta! Desperta! Veste a tua força, Sião! veste as tuas vestes de formosura, Jerusalém! (...) porque não mais virá a ti o incircunciso e o imundo" (Is. 52:1);
'Sião', na Palavra, significa o reino celeste do Senhor, assim, também a igreja celeste, e 'Jerusalém' significa o reino espiritual e a igreja espiritual. (O que é o reino celeste e o que é o reino espiritual vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 20-28); as 'vestes de formosura' de Jerusalém se veste são os Divinos veros; os 'incircuncisos e imundos' que não virão mais a elas são os que estão nos males e falsos.
[7] Em Ezequiel:
Jerusalém, 'vesti-te de bordados, calcei-te de pele, cingi-te de linho fino (...) e te ornamentei de ornamentos, e pus braceletes nas tuas mãos, e um colar em teu pescoço, e um anel em teu nariz, e brincos em tuas orelhas, até uma coroa ornamentada em tua cabeça. Assim foste vestida de ouro e de prata, e tuas vestes de linho, seda e bordado (...) pelo que ficaste muito formosa e prosperaste até o reino (...) Mas tomaste as tuas vestes e fizeste para ti altos de várias cores, para praticares escortação sobre eles; (...) tomaste também as tuas vestes de bordado e teceste" imagens de macho, com as quais praticaste escortação (Ez. 16:10-13, 16-18).
aqui se descreve como é a igreja assim que é instaurada pelo Senhor; as 'vestes' que são nomeadas são os veros do bem; 'bordado' é o conhecimentos verdadeiro; 'linho fino' e 'seda' são os veros de origem celeste; 'bracelete', 'colar', 'anel', 'brincos' e 'coroa' são enfeites pelos quais são significados espirituais de vários gêneros; 'ouro e prata', de que estava vestida, são o bem do amor e o seu vero. Descreve-se depois a mesma igreja, quando se perverteu, por esta expressão: "tomaste as tuas vestes e fizeste para ti altos de várias cores" pelo que são significados os veros falsificados; e "tomaste as vestes de bordado e teceste imagens de macho" significa que tinham aplicado as verdades do sentido da letra da Palavra pra confirmar os falsos até à aparência; 'praticar escortação com eles' e 'sob eles' significa formar doutrina e prestar culto pelos falsos (que isto seja 'praticar escortação, vê-se acima, nºs 141 e 161). (Que 'Jerusalém' seja a igreja onde há a verdadeira doutrina, vê-se nos nºs 402, 3654 e 9166. Que o 'bordado' seja o conhecimento, nº 9688. Que o 'linho fino' seja o vero de origem celeste, nºs 5319 e 9469. Que os 'braceletes' sejam os veros e bens da igreja, nºs 3103 e 3105. Que o 'colar' seja o representativo da conjunção dos interiores com os exteriores, nº 5320. Que os 'pendentes' e os 'brincos' sejam representativos da percepção e da obediência, nº 4551. Que a 'coroa' seja a sabedoria, acima, nº 126. Que o 'ouro' seja o bem do amor, nºs 1551, 1552, 5658, 6914, 6917, 9510, 9874 e 9881. Que a 'prata' seja o vero desse bem, nºs 1551, 1552, 2954 e 5658. Que os 'altos de várias cores' sejam os veros falsificados, nºs 796 e 4005. Que o 'macho' ou 'másculo' seja o vero, nºs 749, 2046, 4005 e 7838; daí, 'imagens de macho' são representativos do vero).
[8] No mesmo:
"Linho fino em bordado do Egito foi a tua expansão; (...) o azul e a púrpura das ilhas de Elischa foram a tua cobertura; (...) A Síria foi tua negociadora (...) pela púrpura e pelo bordado e linho fino, com crisoprásio; (...) Dedan foi tua negociadora com vestidos de liberdade para o carro; (...) Assíria e Kilmad (...) com novelos de azul e de bordado, e com tesouros de vestes preciosas" (Ez. 27:7, 16, 20, 23, 24);
aí se trata de Tiro e de seu comércio; 'Tiro' significa as cognições do vero e do bem, e 'comercializar' e 'negociar' significam adquirir para si e comunicar essas cognições. Pela 'púrpura' e o 'azul' é significado o amor celeste do bem e do vero; pelo 'Egito', o conhecimentos do homem natural, semelhantemente ao que é significado pelo 'bordado' que procede dali; pela 'Síria', a igreja quanto às cognições do vero e do bem; pela 'Assíria', o racional dessa igreja; por 'Dedan', os que estão nas cognições celestes. Daí se pode ver que pelo 'comércio de Tiro' de que se trata em todo essa capítulo não se entende comércio algum, mas que por todas e cada uma das coisas se entendem coisas espirituais que devem ser adquiridas, imbuídas e comunicadas. (Que 'Tiro' signifique as cognições do vero e do bem, vê-se no nº 1201. Que 'Egito' signifique o conhecimentos do homem natural, nºs 1164, 1165, 1186, 1462, 5700, 5702, 6015, 6651, 6679, 6682, 6683, 6692, 7296, 9340 e 9391. Que 'Síria' signifique a igreja quanto às cognições do vero e do bem, nºs 1232, 1234, 3664, 3680 e 4112. Que 'Dedan' signifique aqueles que estão conhecimentos celestes, nºs 3240 e 3241. Que 'Assíria' signifique o racional daí, nºs 119 e 1186. Que a 'púrpura' signifique o amor celeste do bem, nº 9467. Que 'azul' signifique o amor celeste do vero, nºs 9466, 9687 e 9833; o mesmo com 'crisoprásio', nº 9868. O que é significado pelo 'linho fino' e o 'bordado', vê-se logo acima).
[9] Em David,
"Dentro, toda gloriosa, está a filha do rei, e de tecidos de ouro é sua vestimenta; em bordados, será trazida ao rei" (Sl. 45:13-14);
pela 'filha do rei' é significada afeição do vero espiritual e, daí, a igreja daqueles que estão nessa afeição; 'rei' significa o Senhor quanto ao Divino Vero; 'vestimenta de tecido de ouro é a inteligência e a sabedoria desse vero; os 'bordados' em que será 'trazida ao rei' são as cognições do vero. (Que 'filha' signifique a afeição do vero e, assim a igreja, vê-se nos nºs 2362, 2623, 3373, 3963, 4257, 6729, 6775, 6779, 8649, 9055 e 9807; que o 'rei' signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, acima, nº 31.)
[10] No Livro Segundo de Samuel,
"Filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestiu de púrpura [dibapho] com delicadezas, e pôs ornamento de ouro sobre a vossa veste" (II Sm. 1:24);
estas palavras estão na lamentação de David por Saul, que ele escreveu
Para ensinar o arco aos filhos de Judah" (II Sm. 1:18)
pelo 'arco' é significado o vero que combate contra falso (vê-se nos nºs 2686 e 11709); por 'Saul', ali, como rei, é significado esse vero; pelos 'filhos de Judah' são significados os que estão nos veros do bem; por 'vestir de escarlate as filhas de Israel' e por 'pôr ornamento de ouro sobre a veste' é conceder a inteligência e a sabedoria àqueles que estão na afeição do vero espiritual.
[11] Em Mateus:
"Entrando o rei para ver os convidados, viu ali um homem não vestido com veste nupcial, e disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, sem teres a vestimenta nupcial? Ele emudeceu. Disse, então, o rei: Atai os pés e as mãos e lançai-[o] nas trevas exteriores" (Mt. 22:11-13);
'veste nupcial' significa inteligência espiritual do homem, que vem das cognições do vero e do bem; mas 'não estar vestido de veste nupcial' significa o hipócrita que, pela vida moral, simula a espiritual, quando, todavia, é meramente natural; 'atar os pés e as mãos' significa a privação das cognições da Palavra, pelas quais o homem simulou o espiritual; 'ser lançado nas trevas exteriores' significa entre aqueles que estão nos falsos do mal ('trevas exteriores' são os falsos do mal).
[12] Em Sofonias:
"Visitarei sobre os príncipes e sobre filhos do rei, e sobre todos os que estiverem vestidos de vestes estrangeiras" (Sf.1:8);
'príncipes' e 'filhos do rei' significam aqueles que estão nos veros, e, no sentido oposto, como é o caso aqui, aqueles que estão nos falsos; desses se diz que estão 'vestidos de vestes estrangeiras' porque a 'vestimenta' significa o falso, e 'estrangeira' são aqueles que estão fora da igreja e não reconhecem os veros da igreja.
[13] Em Mateus,
"Acautelai-vos contra os falsos profetas, que vêm em vestes de ovelhas; por dentro são lobos devoradores" (Mt.7: 15);
'falsos profetas em vestes de ovelhas' que 'por dentro são lobos devoradores' são os que ensinam falsos como se fossem veros e vivem a vida moral na aparência, mas em si, quando por seu espírito, não pensam senão em si mesmos e no mundo, e se dedicam a privar a todos dos seus veros.
[14] Em João,
Jesus disse a Pedro: "Quando eras jovem, cingia-te a ti mesmo e andavas onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá, e te levará aonde não queres" (Jo. 21:18);
o que estas palavras significam no sentido espiritual, vê-se acima (nº 9), a saber, por 'Pedro' se entende a fé da igreja; por ele 'quando jovem', quando 'se cingia a si mesmo e andava onde queria' é significada a fé da igreja no começo, quando as pessoas estão no bem da caridade e, então, pelo homem espiritual pensam a respeito dos veros da igreja, e pensar desse modo é fazê-lo por seu espírito, portanto, pela afeição do vero espiritual, que é pelo livre. Mas, por ele 'quando for velho', quando 'estenderá as mãos e outro o cingirá' se entende a fé da igreja em seu término, quando a fé estará sem a caridade; então, as pessoas não pensarão nos veros da igreja por si mesmas, mas pelos outros, por conseguinte, pela doutrina somente e não pela Palavra, que é, relativamente, uma condição servil. Pois crer no que o outro diz é o servil, mas crer no se pensa pela Palavra é o livre, segundo as palavras do Senhor em João:
"Se permaneceres em Minha Palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres" ( Jo. 8:31, 32).
[15] Em Lucas:
"Ninguém põe um remendo de veste nova numa vestimenta velha, do contrário o novo romperá o velho, e o velho não condiz com o remendo do novo. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, do contrário o vinho novo rompe os odres e se derrama, e os odres perecem" (Lc. 5:36-38; Mt. 9:16, 17; Mc. 2:21, 22);
como a 'vestimenta' significa o vero, por isso comparam-se os veros da igreja anterior, que era uma igreja representativa de coisas espirituais, a um remendo de vestimenta velha, e os veros da igreja nova, eram veros espirituais mesmos, a um remendo de vestimenta nova. De modo semelhante, faz-se comparação com odres de vinho, porque pelo 'vinho' é significado igualmente o vero, e 'odres' são as cognições que o contêm. (que o 'vinho', na Palavra, signifique o vero, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 219).
[16] Por aí se pode ver agora o que é significado pelas 'vestes' em outras passagens da Palavra, pois muitas vezes é nomeada ali, como nas seguintes passagens. No Apocalipse:
"Sobre o trono, vinte e quatro anciãos sentados, vestidos de vestes brancas" (Ap. 4:4);
em outra passagem:
Os exércitos do Que estava assentado sobre o cavalo branco "O seguiam (...) vestidos de linho fino, branco e puro" (Apoc. 19:4);
em outra passagem:
Os que estavam diante do trono, à vista do Cordeiro, estavam "vestidos de compridas vestes brancas" (Ap. 7:9);
em outra passagem:
Os sete anjos do templo "estavam vestidos de linho branco e brilhante" (Ap. 15:6);
em outra passagem:
"Foram dadas compridas vestes brancas a cada um" dos que estavam sob o altar (Ap. 6:11);
em outra passagem:
"Compra ouro (...) e vestes brancas"(Apoc. 3:18);
em Ezequiel:
"Dê o seu pão ao faminto e cubra o nu com vestimenta" (Ez. 18:16);
'dar pão ao faminto' significa, no sentido espiritual, instruir pelo bem da caridade aqueles que desejam os veros; 'cobrir o nu com vestido' significa igualmente os que não estão nos veros.
[17] No mesmo:
Os inimigos "tirar-te-ão as vestes, e tomarão os vasos de teu ornamento" (Ez. 23:26);
em Zacarias:
"Josué, vestido de vestes sujas, e assim estava diante do anjo, que disse aos que estavam de pé diante dele: Removei as vestes sujas de sobre ele. E disse: Fiz passar de sobre ti a tua iniqüidade, vestindo-te de vestidos mudados" (Zac. 3:5);
nas Lamentações:
"Errarão cegos nas ruas, contaminados estão pelo sangue; as coisas que não podem [tocar], tocam com suas vestes" (Lm. 4:14).
Pela significação de 'vestes' pode-se saber o que se entende por muitos estatutos entre os filhos de Israel, tais como:
Que não deviam vestir vestes misturadas (Lv.19:19; Deut. 22:11);
Que os trajes do varão não estivessem na mulher, nem o varão se vestisse com vestes de mulher (Deut. 22:5);
Que lavassem as vestes para que se purificassem e, assim, se santificassem (Ex. 19:14; Lv. 11:25, 28, 40; 14:8, 9: Nm. 19:11 ao fim);
e em outras passagens:
Que, de luto por causa da prevaricação contra os Divinos veros, tirassem as vestes e se vestissem de saco (Is. 15:3; 22:12; 37:1, 2; Jr. 4:8; 6:26; 48:37; 49:3; Lm. 2:10; Ez. 27:31: Am. 8:10: Jn. 3:5, 6, 8);
E rasgassem as vestes (Is. 37:1 e outras passagens).
Depois, o que significa o fato de os discípulos terem posto suas vestimentas sobre a jumenta e o filhote, quando o Senhor ia para Jerusalém, e povo ter espalhado suas vestimentas no caminho (Mt. 21:7-9; Mc. 11:7, 8; Lc. 19:35-36), conforme se vê acima, nº 31.
[18] Que as 'vestes' signifiquem os veros, isto tem origem no fato de a luz do céu ser o Divino Vero procedente do Senhor como Sol ali, e todas as coisas que existem nos céus, existem pela luz ali. Dá-se o mesmo com as vestes com que os anjos aparecem vestidos. Assim é
Que os anjos que estavam sentados no sepulcro do Senhor estavam vestidos de uma vestimenta branca como a neve (Mt. 28:3);
E suas vestes eram brilhantes (Lc. 24:4).
(Que as vestes com as quais os anjos aparecem vestidos correspondam à sua inteligência, e que eles tenham inteligência segundo a recepção dos Divinos Veros provenientes do Senhor, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 177-182; e que Divino Vero procedente do Senhor seja a Luz no céu, nºs 126-135 ali.) Daí se pode ver o que é significado pelas 'vestes' onde se trata do Senhor, ou seja, é o Divino Vero procedente d'Ele. E como é significado o Divino Vero, também é significada a Palavra, pois a Palavra é o Divino Vero do Senhor nas terras e nos céus. Isto foi representado pelas 'vestes' do Senhor quando Se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, a cujo respeito assim se lê nos Evangelhos:
Quando Jesus foi transfigurado, "Sua face brilhou como o sol, e [Suas] vestes tornaram-se [brancas] como a luz" (Mt. 17:2);
E "de um branco resplandecente" (Lc. 9:29);
E "de um branco brilhante como a neve, tal como nenhum lavandeiro sobre a terra pode alvejar" (Mc. 9:3).
Lê-se algo semelhante a respeito do 'Ancião dos dias', em Daniel:
"O Ancião dos dias Se assentou, e Suas vestes eram como a branca neve" (Dn. 7:9);
O 'Ancião dos dias' é o Senhor de eternidade. Como a 'luz' é o Divino Vero, e este é significado pelas 'vestes' quando se trata do Senhor, por isso se diz em David:
JEHOVAH "Cobre-Se de luz como de uma vestimenta" (Sl. 104:2).
[19] Por aí se pode ver o que é significado pelas 'vestes do Senhor' em outras passagens na Palavra, como em David:
"Ungiu (...) com mirra, aloé e cássia todas as Tuas vestes" (Sl. 45:7-8);
onde se trata do Senhor. Em Moisés:
"Lavará no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas a sua vestidura" (Gn. 49:11);
estas palavras também se referem ao Senhor; 'vinho' e 'sangue de uvas' significam o Divino Vero. Uma vez que as 'vestes do Senhor' significavam o Divino Vero, por isso, também,
Aqueles que tocavam a orla de Sua veste ficavam curados (Mt. 9:20, 21: Marc. 5:27, 28, 30; 6:56: Lc. 8: 44).
Em Isaías,
"Quem é este que vem de Edom, com as vestes tintas, de Bozra? Este que é honorável em Seu traje? (...). Por que estás vermelho quanto a Tua veste, e Tuas vestes são como as daquele que pisa no lagar? (...) a vitória sobre eles salpicou as Minhas vestes, e toda a Minha vestimenta manchei" (Is. 63:1-3);
estas palavras, também, são a respeito do Senhor; pelas 'vestes', aqui, é significada a Palavra, que, como se disse, é o Divino Vero procedendo do Senhor nas terras e no céus; a violência feita ao Divino Vero ou Palavra por aqueles que então eram da igreja foi descrita por estar 'vermelho quanto à veste, como as daquele que pisa no lagar' e por 'a vitória sobre eles salpicou as Minhas vestes' e 'toda a Minha vestimenta manchei'.
[20] No Apocalipse:
Aquele que estava sentado sobre o cavalo branco "estava vestido com uma vestimenta tinta de sangue, e Seu nome se chama Palavra de Deus" (Ap. 19:13);
aqui se diz claramente que Aquele que estava assentado sobre o cavalo branco era chamado 'Palavra de Deus'; que ele seja o Senhor é evidente, pois logo depois se diz que Ele
"Tem sobre Sua vestimenta e sobre Sua coxa um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap. 19:16);
é, por conseguinte, a Palavra na letra que é significada pela 'vestimenta tinta de sangue,' porquanto fizeram violência a ela, mas não à Palavra em seu sentido espiritual, nem poderiam fazer violência a esse sentido, porquanto ignoravam que existisse.
[21] Que Palavra no sentido da letra tenha sofrido violência, mas não a Palavra no sentido espiritual, isso também foi significado pelas 'vestes do Senhor' que foram dividas pelos soldados, mas não a 'túnica', conforme se lê em João:
"Os soldados (...). tomaram Suas vestes e a fizeram em quatro partes, para cada soldado uma parte, e a túnica; a túnica, porém, era sem costura, toda tecida desde o alto. Disseram, pois, consigo: Não a dividamos, mas lancemos sorte sobre ela, quanto a de quem será (...) E, os soldados fizeram, pois, assim" (Jo. 19:23, 24);
e em David,
"Dividiram entre si as Minhas vestes, e sobre Minha vestimenta lançaram sorte" (Sl. 22:18);
pelas 'vestes do Senhor', que eles dividiram, é significada a Palavra na letra; por Sua 'túnica', a Palavra no sentido espiritual; por 'soldados' são significados aqueles da igreja que militavam pelo Divino Vero; por isso se diz: 'os soldados fizeram, pois, assim'. (Que a 'túnica' signifique o Divino Vero ou a Palavra no sentido espiritual, vê-se nos nºs 9826 e 9942; que os 'soldados' signifiquem os da igreja que militavam pelo Divino Vero, vê-se acima, nº 64, no fim, onde essas expressões são mais plenamente explicadas). Cumpre saber que todas e cada uma das coisas que se acham relatadas nos Evangelhos sobre a paixão do Senhor envolvem e significam de que maneira a igreja, que então estava entre os judeus, tratou o Divino Vero, assim, a Palavra, pois ela é o Divino Vero. E o Senhor era a Palavra, porque era o Divino Vero (Jo.1:1, 2, 14). Mas, o que cada coisa envolve e significa não se pode saber senão pelo sentido interno. No momento se relata somente o que significavam as vestes do Senhor, porque se trata aqui da significação das 'vestes', ou seja, elas significam os veros e, onde se trata do Senhor, significam o Divino Vero.
[22] As vestes de Aarão e de seus filhos significaram o mesmo que as vestes do Senhor, porquanto Aarão e os seus filhos representaram o Senhor quanto ao Divino Bem, e as vestes deles representaram o Senhor quanto ao Divino Vero. (Mas estas coisas se vêem explicadas e mostradas nos Arcanos Celestes, por exemplo, que Aarão representou o Senhor quanto ao Divino Bem, nºs 9806, 9946 e 10017, e o que representava cada coisa de suas vestes, a saber, o peitoral o éfode, o manto, a túnica bordada, a mitra e o cinto, nºs 9814, 9823-9828 e seqüência .)
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