AE 196

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "E andarão comigo em [vestes] brancas, porque são dignos". Que isto signifique a vida espiritual que eles têm pelas cognições do vero e do bem provenientes da Palavra vê-se pela significação de 'andar', que é viver (de que se tratou acima, nºs 97); pela significação de 'em [vestes] brancas', é estar nos veros, pois 'branco' e 'alvo', na Palavra, se dizem dos veros (de que se tratará a seguir); por isso, 'andar comigo em [vestes] brancas' significa a vida espiritual, pois a vida espiritual é a vida do vero, isto é, a vida segundo os veros, ou segundo os preceitos do Senhor na Palavra; e pela significação de 'porque são dignos', que é porque eles têm a vida espiritual proveniente do Senhor. Quanto mais alguém recebe o Senhor, mais digno é; e quanto mais recebe de si, isto é, de seu proprium, menos é digno. Nenhuma outra coisa no homem faz a vida espiritual a não ser as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra aplicadas à vida, e são aplicadas à vida quando o homem as adota como leis de sua vida, pois assim ele considera o Senhor em cada coisa e o Senhor está presente nele e dá ao homem a inteligência e a sabedoria, bem como o prazer e a afeição por elas. Com efeito, o Senhor está em Seus veros no homem, pois todo vero procede do Senhor, e o que procede do Senhor é Ele mesmo, a ponto de ser Ele. Por isso o Senhor disse:
"Eu sou (...) a verdade e a vida" (Jo. 14:5);
"Quem pratica a verdade vem para a luz [a fim de que suas obras se manifestem] porque são feitas em Deus" (Jo. 3:21);
"A Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra, e n'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; (...) Ele era a verdadeira luz, que ilumina todo homem (...) E a Palavra se fez carne" (Jo. 1:1, 4, 9, 14).
O Senhor é chamado 'Palavra', porque a Palavra significa o Divino Vero; e também é chamado 'Luz', porque o Divino Vero é a luz nos céus; e também é chamado 'Vida', porque tudo o que vive, vive por essa luz. Daí é, também, que os anjos têm inteligência e sabedoria, nas quais a vida deles consiste. Muito se engana quem [crê] derivar a vida de outra origem senão do Divino que procede do Senhor, que no céu se chama Divino Vero e aí aparece como luz. A partir disso pode-se ver de que modo se deve entender que 'Deus era a Palavra, e n'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens'.
[2] Que 'branco', na Palavra, se refira aos veros é porque o Divino Vero é a luz do céu, como há pouco se disse, e da luz do céu vêm o branco e o alvo. Assim é
Que o Senhor, quando foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, teve Sua face aparecendo como o Sol, e Sua vestimenta como a luz (Mt. 17:2), e como "branco fulgurante" (Lc. 9:29), e "resplandecente (...) como a neve, tal como nenhum lavandeiro na terra pode alvejar"(Mc. 9:3).
Que os anjos no sepulcro do Senhor estavam vestidos de branco como a neve (Mt. 28:3), e resplandecentes (Lc. 24: 4);
Que a João apareceram sete anjos do templo, vestidos de linho puro e resplandecente (Ap. 15:6);
Que aqueles que se achavam de pé diante do trono do Cordeiro estavam vestidos de compridas vestes brancas (Ap. 6:11; 7:9, 13-14; 19:8);
Que os exércitos d'Aquele que estava assentado no cavalo branco seguiam-No, em cavalos brancos, vestidos de linho branco e puro (Apoc. 19:14).
Assim é
Que as vestes de Aarão eram de linho, e ele as vestia quando ia além do véu, no propiciatório (Lv. 16:1-5, 32).
o 'linho', por sua brancura, também significa o vero (nºs. 7601 e 9959). Visto que 'alvo' significa o vero, e os veros são o que desvendam os falsos e males no homem e, assim, o purificam, por isso se diz em David:
"Eis que desejas a verdade nos rins, e no oculto me dá a conhecer a sabedoria; purificar-me-ás com hissope, e ficarei puro, e lavar-me-ás, e mais alvo que a neve serei" (Sl. 51:6-7).
[3] Como os nazireus representavam o Senhor quanto ao Divino Vero nos últimos, que é, nas terras, a Palavra no sentido da letra, e este sentido foi falsificado e pervertido entre os judeus, por isso se diz nas Lamentações:
"Os nazireus eram mais alvos do que a neve, mais brancos que o leite; seus ossos se avermelharam mais do que pérolas, mais polidos que a safira; mas a forma deles se escureceu, para que não sejam conhecidos nas ruas" (Lm. 4:7, 8).
(Que os nazireus tenham representado o Senhor quanto ao Divino Vero, vê-se no nº 6437; que 'o cimo da cabeça do nazireu' seja o Divino Vero nos últimos, ou a Palavra na letra, nºs 6437 e 9407. Que a 'cabeleira', que era o nazireado e chamado 'cimo da cabeça do nazireu', seja o Divino Vero nos últimos, nºs 3301, 5247 e 10044. Que ao Divino Vero nos últimos pertençam a força e o poder, nº 9836; que, daí, a força de Sansão estava na cabeleira, nº 3301.)
[4] Daí é evidente o que é significado pelo fato de os 'nazireus serem mais alvos que a neve, e mais brancos que o leite, e que seus ossos fossem mais polidos que a safira, mas que a forma deles se escureceu, para que não fossem conhecidos nas ruas'. A 'alvura' e a 'brancura' significam o Divino Vero em sua luz, como foi dito acima; e os 'ossos', porque são os últimos no homem, pois são os sustentáculos de todo o seu corpo, correspondem aos últimos no céu, pois todas as coisas do homem têm correspondência, como se vê na obra O Céu e o Inferno, nºs 87-102. Por isso, os 'ossos' significam os últimos no mundo espiritual, os quais são também os últimos do Divino Vero ou da Palavra, nºs 5560-5564 e 8005; que a 'safira' signifique a transparência dos veros, nº 9407; 'não conhecidos nas ruas' significa que o Divino Vero não aparece mais, pois as 'ruas' significam onde há os veros da doutrina, nº 2336.

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