. (Vers. 21) "Ao que vencer, dar-lhe-ei sentar-se comigo em Meu trono". Que isto signifique que quem então permanecer até o fim da vida será conjunto ao céu onde está o Senhor vê-se pela significação de 'vencer', que é permanecer na afeição do vero espiritual até o fim da vida (de que se tratou acima, nº 128); mas, aqui, é permanecer no estado da fé proveniente da caridade, porque dela se trata; (que 'vencer' signifique isso é porque o homem, enquanto vive no mundo, está no combate contra os males e os falsos daí, que estão nele, e quem está nesse combate e permanece na fé da caridade até o fim da vida, esse vence; e quem vence no mundo vence na eternidade, porque o homem, após a morte, é tal qual era quanto a vida no mundo); e pela significação de 'sentar-se comido em Meu trono' , que é ser conjunto ao céu, onde está o Senhor, pois o 'trono' significa o céu, e 'sentar-se comigo' significa ser um com o Senhor, assim, ser conjunto a Ele.
[2] Na Palavra se menciona muitas vezes o 'trono', e por ele, quando se trata do Senhor, é significado o céu em geral, o céu espiritual em particular, e, abstratamente, o Divino Vero procedente do Senhor, porque este faz o céu. Daí o 'trono' se referir também ao juízo, porque todo juízo se faz pelos veros. Que essas coisas sejam significadas na Palavra pelo 'trono' pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Isaías:
"Disse JEHOVAH: O céu é Meu trono" (Is. 66:1);
em David:
"JEHOVAH firmou o Seu trono nos céus" (Sl. 103:19);
em Mateus:
"Quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por Aquele que Se assenta nele" (Mt. 23:22);
é evidente que, aqui, o 'trono' significa o céu, pois se diz que 'o céu é Seu trono', 'firmou o Seu trono nos céus' e 'quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus'. Não que JEHOVAH ou o Senhor Se sente ali num trono, mas é que o Seu Divino nos céus se chama 'trono' e, às vezes, aparece como um trono àqueles que se concede ver o céu. Que o Senhor seja visto assim, vê-se em Isaías:
"Vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas [de Sua veste] enchendo o templo" (Is. 6:1);
as 'orlas [de Sua veste] enchendo o templo' significa que o Divino Vero procedendo preenchia o último céu e a igreja, pois pelas 'orlas' do Senhor é significado em geral o Divino Vero procedente e, em particular, o mesmo Divino Vero nos extremos do céu e na igreja (vê-se acima, nº 220).
[3] "Sobre a expansão que havia sobre a cabeça" dos querubins "uma espécie de aparência de pedra safira, à semelhança do trono, e sobre a semelhança do trono uma espécie de aparência de Homem, acima, sobre ele" (Ez. 1:26; 10:1);
o 'trono' apareceu com a semelhança da pedra safira porque a 'safira' significava o Divino Vero procedente de Seu Divino Bem e, assim, o vero espiritual transluzindo do bem celeste (vê-se nos nºs 9407 e 9873); assim, o 'trono' ali significa todo o céu, pois o céu é céu pelo Divino Vero. (Nos nºs 9277, ao fim, e nºs 9509 e 9673 se vê o que os 'querubins' significam).
[4] No Apocalipse:
"Eis um trono posto no céu, e sobre o trono Um assentado; (...) um arco-íris ao redor do trono [semelhante] em aparência à esmeralda; (...) e do trono saíam fumaça, trovões e vozes; (...) diante do trono quatro animais cheio de olhos por diante e por detrás" (Ap. 4:2-6, 9, 10);
que aqui seja descrito o céu quanto ao Divino Vero é o que se verá na explicação dessas palavras no capítulo seguinte. É semelhante nas seguintes passagens no Apocalipse:
"Um rio puro e resplandecente como cristal saía do trono de Deus e do Cordeiro" (Ap. 22:1);
o 'rio puro e resplandecente como cristal' foi visto sair do trono porque o 'rio' significa o Divino Vero, como também o 'cristal'.
[5] O mesmo é significado na Palavra pelo 'trono de David', uma vez que por 'David', na Palavra profética, se entende não David, mas o Senhor quanto à realeza, que é o Divino Vero no céu espiritual, que é o segundo céu. Como em Lucas:
O Anjo disse a Maria: "Este será grande e será chamado Filho do altíssimo, e [Deus] Lhe dará o trono de David, Seu pai" (Lc. 1:32),
e em Isaías:
"Um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu sobre cujo ombro está o principado, e Seu nome se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus, Herói, Pai da eternidade, Príncipe da paz; para multiplicar o principado e a paz não haverá fim; sobre o trono de David e sobre o Seu reino, para o estabelecer (...) em juízo e em justiça, desde agora e pela eternidade" (Is. 9:6, 7).
É evidente que aí não se entende David e seu trono, sobre o qual o Senhor há de Se sentar, pois o Seu reino não foi na terra, mas no céu. Por isso, pelo 'trono de David' se entende o céu quanto ao Divino Vero (vê-se acima, nº 205). O mesmo se entende nos Salmos de David, onde se fala d'Ele e de Seu trono, como em todo o Salmo 89, onde também se diz:
"Jurei a David, Meu servo: Na eternidade estabelecerei a tua semente (...) e de geração em geração o teu trono; (...) juízo e justiça [serão] o fundamento de teu trono; (...) porei (...) seu trono como os dias dos céus" (Sl. 89:3-4, 14, 29);
que por 'David' aí se entenda o Senhor, vê-se acima (nº 205). O mesmo também é significado pelo 'trono de glória' onde se trata do Senhor, pois a 'glória' significa o Divino Vero, como em Mateus:
"Quando vier o Filho do homem em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então assentará sobre o trono de Sua glória" (Mt. 25:31);
que a 'glória' signifique o Divino Vero no céu, vê-se nos nºs 4809, 5922, 8267, 8427 e 9429, e acima, nº 33. Daí é evidente o que é significado pelo 'trono de glória' em Jeremias:
"Não desonre o trono de Tua glória" (Jr. 14:21; 17:12);
'não desonrar o trono da glória' significa não fazê-lo em relação ao Divino Vero. O mesmo é significado pelo fato de Jerusalém ser chamada 'trono de JEHOVAH', pois Jerusalém significa a igreja quanto à doutrina. A doutrina é o Divino Vero. Assim, é evidente de que maneira se deve entender o que se diz em Jeremias:
"Naquele tempo chamarão a Jerusalém trono de JEHOVAH, e todas as nações se ajuntarão a ela" (Jr. 3:17);
em David:
"Jerusalém foi edificada; (...) a ela sobem as tribos, (...) e ali estão postos os tronos para o juízo, o trono da casa de David" (Sl. 122:3-5);
em Ezequiel:
"A glória de JEHOVAH entrou na casa pelo caminho da porta cujas faces [se voltam] para o oriente; (...) Disse-me: Filho do homem, eis o lugar do Meu trono, e o lugar da planta dos Meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel na eternidade" (Ez. 43:4, 7).
(Que 'Jerusalém' signifique a igreja quanto à doutrina, assim, o Divino Vero nos céus e nas terras, pois este faz a igreja, vê-se nos nºs 3654, 9166, e acima, nº 223). Visto que todo juízo se faz por meio dos veros, e o juízo nos céus pelo Divino Vero, por isso o 'trono' também é citado onde se trata do Senhor quanto ao juízo, como acima (em Mateus 25:31 e em David, Salmo 122:3-5) e, além disso, em David:
JEHOVAH, "executaste Meu juízo (...) sentaste sobre o trono como Juiz de justiça, repreendeste as nações, destruíste o ímpio. (...) JEHOVAH permanecerá na eternidade, preparará o Seu trono para o Juízo" (Sl. 9:4, 5, 7).
[6] Em várias passagens na Palavra também se diz que não somente o Senhor assentar-Se-á sobre um trono, mas também outros assentar-se-ão sobre tronos. Todavia, por esses 'tronos' não se entendem tronos, mas o Divino Vero. Como no Primeiro Livro de Samuel:
"Ergue do pó o abatido, e do monturo tira o necessitado, para fazê-los assentar com os príncipes, e para os fazer herdar um trono de glória" (I Sm. 2:8);
no Apocalipse:
"Vinte e quatro anciãos que se assentam sobre seus tronos diante do trono de Deus" (Ap. 11:16);
em outra passagem:
"Vi uns tronos e os que se assentaram sobre eles, e foi-lhes dado o juízo" (Ap. 20:4);
e em Mateus:
"Vós que me seguistes na regeneração, quando o Filho do homem Se assentar sobre o trono de Sua glória, assentar-vos-ei também a vós sobre tronos para julgar as doze tribos de Israel" (Mt. 19:28 e Lc. 22:30);
pelos 'tronos' aí se entendem os Divinos veros, segundo os quais e pelos quais todos devem ser julgados; por 'doze' e por 'vinte e quatro' são significadas todas as coisas e se atribuem aos veros; pelos 'anciãos' e pelos 'discípulos' são também significados os Divinos veros, semelhantemente às 'tribos'. Pelo conhecimento disto pode-se ver o que se entende pelos 'tronos' nas passagens citadas e, também, o que é significado por isto, de que agora se trata: "Ao que vencer, dar-lhe-ei sentar-se comigo em Meu trono". (Que 'doze' signifique todas as coisas e se atribua aos veros, vê-se nos nºs 577, 2089, 2129, 2130, 3272, 3858 e 3913; que o mesmo seja significado por 'vinte e quatro' é porque este é o duplo do número doze, e vem daí, por multiplicação, nºs 5921, 5335, 5708 e 7973. Que pelos 'anciãos de Israel' sejam significados todos os que na igreja estão nos veros provenientes do bem, nºs 6524, 6525, 6890, 7912, 8578, 8585, 9376 e 9404, do mesmo modo que pelos 'doze discípulos do Senhor', nºs 2129, 3354, 3488, 3858 e 6397; semelhantemente ao que é significado pelas 'doze tribos', nºs 3858, 3926, 4060, 6335, 7836 e 7891).
[7] Por aí se pode ver o que foi representado pelo trono edificado por Salomão, de que assim trata no Primeiro Livro dos Reis:
Fez Salomão "um grande trono de marfim e o cobriu de ouro puro, seis degraus [tinha] o trono; a cabeça do trono era redonda, e atrás dele, mãos51 em ambos os lados, junto ao lugar do assente, e doze leões postados ali junto às mãos, sobre os seus degraus, de ambos os lados. Não se fez um igual em nenhum reino" (I Re. 10:18-20);
pelo 'marfim' é significado o Divino Vero nos últimos; pela '[cabeça] redonda', o bem correspondente; pelo 'ouro' de que era coberto é significado o Divino Bem de que procede o Divino Vero; pelos 'seis degraus' são significadas todas as coisas, das primeiras às últimas; pelas 'duas mãos' é significado todo o poder; pelos 'leões' são significados os veros da igreja em seu poder; por 'doze', todas as coisas. Visto que o 'trono', onde se trata do Senhor, significa o céu quanto a todo Divino Vero, por isso, no sentido oposto, o 'trono' significa o inferno quanto a todo falso. Nesse sentido oposto, o trono é citado acima, no cap. 2:13 e em Isaías 14:9, 13; 47:1; Ageu 2:22; Daniel 7:9; Lucas 1:52 e outras passagens).
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