AE 260

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 1) "Depois destas coisas, vi". Que isto signifique o entendimento iluminado vê-se pela significação de 'ver', que é entender. Que 'ver' signifique entender é porque a visão do olho corresponde à visão da mente, que é o entendimento. Essa correspondência vem daí, porque o entendimento vê as coisas espirituais, e a visão do olho vê as naturais. As espirituais são os veros provenientes do bem, e as naturais são os objetos em várias formas. Os veros do bem, que são espirituais, são vistos claramente no céu, do mesmo modo que os objetos diante do olho, mas com muitas diferenças, pois os veros são vistos intelectualmente, isto é, são percebidos, e o que é visto, ou a qualidade da percepção, não pode ser descrito por palavras humanas; são compreendidos somente pelo fato de haver aí um consenso ou uma confirmação desde o íntimo de que assim é. Com efeito, há razões confirmatórias em grande abundância que se apresentam como se fossem uma só à vista do entendimento; esse um é como uma conclusão de muitas. Essas razões confirmatórias têm em si a luz do céu, que é o Divino Vero ou a Divina Sabedoria procedente do Senhor, a qual opera em cada anjo segundo o estado de sua recepção. Esta é a visão espiritual ou o entendimento. Uma vez que essa visão opera na visão dos olhos nos anjos, e apresenta os veros do entendimento em formas correspondentes que aparecem no céu em formas não diferentes das formas no mundo natural, as quais se chamam objetos, por isso, 'ver', no sentido da letra da Palavra, significa entender. (Quais são as qualidades das aparências no céu e que elas correspondam aos objetos da visão interior dos anjos, vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 170-176).
[2] Que na Palavra não se diga entender, mas 'ver', é em virtude de a Palavra em seus últimos ser natural, e o natural é a base em que são fundamentadas as coisas espirituais. Por isso, se a Palavra na letra também fosse espiritual, não haveria a base; seria, assim, como uma casa sem a fundação. (Sobre este assunto, vide a obra O Céu e o Inferno, nºs 303-310). Que 'ver', na Palavra, signifique entender, é evidente pelas seguintes passagens. Em Isaías:
"Os que disseram aos videntes: Não vejais; e aos que têm visão: Não vejais para nós coisas direitas; falai-nos coisas aprazíveis, vede ilusões" (Is. 30:10);
no mesmo:
"Não se fecharão os olhos dos videntes, e os ouvidos dos ouvintes escutarão" (Is. 32:3);
no mesmo:
"Cegos, olhai, para ver (...) para ver coisas grandes que [tu] não guardas" (Is. 42:18, 20);
no mesmo:
"O sacerdote e o profeta (...) erram entre os videntes, tropeçam no juízo" (Is. 28:7);
e, em outra passagem:
"Vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem" (Mt. 13:13-15; Mc. 4:11-12; 8:17-18; Is. 6:9-10; Ez. 12:2);
além de muitíssimos outros exemplos em passagens que não precisam ser citadas, porque é sabido por cada um que 'ver' significa entender, até mesmo pelo costume de se falar aceito em toda parte, pois se diz: "Vejo que isto é assim" ou "que não é assim", em lugar de se dizer "entendo".
260 1/2. "E eis uma porta aberta no céu". Que isto signifique os arcanos do céu revelados, vê-se pela significação de 'porta', que é a admissão (de que se tratou acima, nº 208) e, aqui, a introspecção, que é admissão da visão, e a visão é admitida no céu quando a visão dos olhos do corpo é turvada e a visão dos olhos do espírito é iluminada. Por essa visão foram vistas todas as coisas vistas pelos profetas. Que a 'porta aberta no céu' signifique aqui os arcanos do céu revelados é porque então aparecem as coisas que estão nos céus e, diante dos profetas, as coisas que são arcanos da igreja; aqui, os arcanos a respeito das coisas que haveriam de acontecer perto do juízo final, coisas essas que ainda não foram reveladas e que não puderam ser reveladas antes que o juízo fosse cumprido, e a menos que fossem reveladas por alguém no mundo a quem o Senhor concedesse vê-las e, ao mesmo tempo, a quem fosse revelado o sentido espiritual da Palavra. Porque todas as coisas que foram escritas nesse Livro Profético foram escritas a respeito do juízo final, mas por meio de representativos e correspondências, pois tudo o que é dito pelo Senhor e percebido pelos anjos se muda em representativos quando desce e assim se apresenta diante dos olhos, tanto dos anjos nos últimos céus quanto dos homens profetas quando os seus olhos espirituais foram abertos. Por aí se pode ver o que se entende por 'uma porta aberta no céu'.

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