AE 272

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. "E tinham coroas de ouro em suas cabeças". Que isto signifique todos os veros em ordem, dispostos pelo Divino Bem, como também todos os céus anteriores vê-se pela significação de 'vinte e quatro anciãos que estavam nos vinte e quatro tronos, vestidos de vestes brancas", que são todos os veros dos céus, assim, todos os céus, tanto os superiores quanto os inferiores (de que se tratou há pouco acima, nºs 270 e 271); e pela significação de 'coroas de ouro', que é o Divino Bem do qual os veros procedem (de que se tratará a seguir). Todos os veros do céu e da igreja são provenientes do Divino Bem; os veros que não procedem daí não são veros. Os veros que não procedem do bem são como crostas sem o núcleo e como uma casa em que não habita pessoa alguma, mas feras. Tais são, também, os veros que se chamam da fé sem o bem da caridade; o bem da caridade é o bem proveniente do Senhor, portanto, o Bem Divino. Ora, visto que os 'anciãos nos tronos' significam os veros dos céus, e as 'coroas de ouro' o bem de que eles procedem, por isso os anciãos foram vistos com coroas. O mesmo é significado pelas coroas dos reis, pois os 'reis', no sentido representativo, significam os veros, e as 'coroas' sobre suas cabeças significam o bem de que os veros procedem. (Que os 'reis' signifiquem os veros, vê-se acima, no nº 31. Assim é que as coroas são de ouro, pois o 'ouro' significa igualmente o bem (acima, nº 242).
[2] Que as 'coroas' signifiquem o bem e, assim, a sabedoria, e que os veros são as coisas que são coroadas, pode-se ver pelas por estas seguintes passagens. Em David:
"Farei germinar o chifre de David; disporei uma lâmpada para Meu Ungido; seus inimigos vestirei de vergonha, mas sobre Ele florescerá a Sua coroa" (Sl. 132:17-18);
aí, por 'David' e pelo 'Ungido' se entende o Senhor (vê-se acima, nº 205); pelo 'chifre', o Seu poder; a 'lâmpada' é o Divino Vero de que procede a Divina inteligência; pela 'coroa' o Divino Bem do qual procede a Divina Sabedoria e do qual procede Seu governo; os males e falsos são os 'inimigos' que seriam vestidos de vergonha.
[3] No mesmo:
"Exerces a ira com Teu Ungido (...) condenaste na terra até a Sua coroa" (Sl. 89:38, 39),
onde também o 'Ungido' está em lugar do Senhor; a 'ira', em lugar do estado de tentações, no qual se achava quando em combate contra os infernos; a lamentação então é descrita pela 'ira' e pela 'condenação', como a última [tentação] do Senhor na cruz, em que foi abandonado, porquanto a cruz era a última das tentações ou das lutas contra os infernos, e após essa última Ele Se revestiu do Divino Bem do Divino Amor e, assim, uniu o Seu Divino Humano ao Divino que estava n'Ele.
[4] Em Isaías:
"Naquele dia JEHOVAH Zebaoth será por coroa de ornamento e por diadema de formosura para os restos de Seu povo" (Is. 28:5);
a 'coroa de ornamento' está em lugar da sabedoria, que é do bem proveniente do Divino; o 'diadema de formosura' está em lugar da inteligência, que é do vero proveniente desse bem.
[5] No mesmo:
"Por causa de Sião não [Me] calarei, e por causa de Jerusalém não repousarei, até que saia sua justiça como esplendor, e sua salvação como lâmpada ardente; (...) e tu serás coroa de ornamento na mão de JEHOVAH, e diadema real na mão de teu Deus" (Is. 62:1, 3);
por 'Sião' e por 'Jerusalém' se entende a igreja; por 'Sião' a igreja que está no bem, e por 'Jerusalém' a igreja que está nos veros desse bem; daí se diz 'coroa de formosura na mão de JEHOVAH, e diadema real na mão de Deus'; a 'coroa de formosura' é a sabedoria que é do bem, e o 'diadema real' é a inteligência que é do vero; e como pela 'coroa' é significada a sabedoria que é do bem, por isso se diz 'na mão de JEHOVAH'; e como pelo 'diadema' é significada a inteligência que é do vero, por isso se diz 'na mão de Deus', pois onde se trata do bem se diz 'JEHOVAH', e onde se trata do vero se diz 'Deus' (vê-se nos nºs 2586, 2769 e 6905).
[6] Em Jeremias:
"Dize ao rei e à que domina: Abaixa-vos, sentai, porque desci o ornamento de vossas cabeças, a coroa de vossa formosura" (Jr. 13:18);
a 'coroa de formosura' está em lugar da sabedoria que é do bem (a 'formosura' é o Divino Vero da igreja, nº 9815).
[7] No mesmo:
"Cessou a alegria de nossos corações, converteu-se em luto a nossa dança; caiu a coroa de nossas cabeças" (Lm. 5:15, 16);
a 'coroa das cabeças' que caiu está em lugar da sabedoria que tinham os da igreja por meio do Divino Vero, a qual cessou juntamente com a bem-aventurança interna.
[8] Em Ezequiel:
"Pus um pendente em teu nariz, e brincos em tuas orelhas, e uma coroa de ornamento em tua cabeça" (Ez. 16:12);
trata-se, aí, de Jerusalém que é a igreja, de sua primeira instauração; pelo 'pendente no nariz' é significada a percepção do bem; pelos 'brincos nas orelhas' são significadas a percepção do vero e a obediência; pela 'coroa sobre a cabeça' é significada a sabedoria daí. Em Jó:
"Tirou de mim a glória, e removeu a coroa de minha cabeça' (Jó 19:9);
a 'glória' está em lugar da inteligência pelo Divino Vero; a 'coroa da cabeça' em lugar da sabedoria daí.
[9] No Apocalipse:
"Vi, e eis um cavalo branco, e o Que estava sentado sobre ele tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa; Ele saiu vencendo e para vencer" (Ap. 6:2);
o 'cavalo branco e o Que estava sentado sobre ele' é o Senhor quanto à Palavra; o 'arco' é a doutrina do vero pelo qual se combate. Daí é evidente que a 'coroa', por se tratar do Senhor, é o Divino Bem, de que Se revestiu também quanto ao Humano, como prêmio de vitória.
[10] E, em outra passagem:
"Depois, vi, e uma nuvem [branca], e sobre a nuvem estava sentado um semelhante ao Filho do homem, tendo sobre Sua cabeça uma coroa de ouro, e em Sua mão uma foice afiada" (Ap. 14:14);
a 'nuvem branca' está em lugar do sentido literal da Palavra (nºs. 4060, 4391, 5922, 6343, 6752, 8281 e 8781); o 'Filho do homem' em lugar do Divino Bem de que procede o Divino Vero; a 'foice afiada' em lugar da dissipação do mal e do falso.
[11] A 'coroa' é o Divino Bem de que procede o Divino Vero; isso era representado pela lâmina de ouro na face do diadema que Aarão usava, lâmina essa que também era chamada 'coroa' e 'decoração' [coronamentum], de que assim se trata em Êxodo:
"Farás uma lâmina de ouro, e gravarás nela a gravura de selo: Santidade a JEHOVAH; e a porás num fio de azul, e estará sobre o diadema, da parte da face" (Êx. 28:36, 27).
Essa lâmina se chama 'coroa de santidade' e 'decoração', como se vê no Êx. 39:30 e Lv. 8:9. (Mas, o que é significado em particular por ela, vê-se nos Arcanos Celestes nºs 9930 a 9936, onde cada uma dessas coisas foi explicada).

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