AE 273

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 5) "E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes". Que isto signifique a iluminação, o entendimento e a percepção do Divino Vero nos céus vê-se pela significação de 'relâmpagos, trovões e vozes', que se atribuem ao Divino Vero; 'relâmpagos', à sua iluminação; 'trovões', ao seu entendimento; e 'vozes', à sua percepção. Que estas coisas sejam significadas por aquelas, ver-se-á pelas passagens na Palavra onde elas são nomeadas. Aqui, porém, dir-se-á primeiro alguma coisa sobre essas significações. Todas as coisas que se mostram visíveis no céu perante os olhos dos homens são correspondências, assim como o sol, a lua, as estrelas, o ar, o éter, a luz, o calor, as nuvens, as neblinas, as chuvas e muitas outras. São correspondências porque todas as coisas que há no mundo natural correspondem às que estão no mundo espiritual. Também no céu, onde estão os anjos, há essas correspondências, porque a eles aparecem coisas semelhantes, porém ali elas não são naturais, mas espirituais (como se pode ver pelo que foi dito e mostrado na obra O Céu e o Inferno, como a respeito do sol e da lua no céu, nºs 116-125, da luz e do calor no céu, nºs 126-140, e, em geral a respeito da correspondência do céu com todas as coisas da terra, nºs 103-115; e a respeito das aparências no céu, nºs 170-176). Assim, também os 'relâmpagos' e 'trovões' são correspondências, e, por serem correspondências, significam coisas semelhantes às que correspondem. Em geral, significam o Divino Vero recebido e enunciado pelos anjos superiores, o qual, ao descer aos anjos inferiores, às vezes aparece como um relâmpago e é ouvido como um trovão com vozes. Assim é que o 'relâmpago' significa o Divino Vero quanto à iluminação, o 'trovão' o Divino Vero quanto ao entendimento e as 'vozes' o Divino Vero quanto à percepção. Diz-se quanto ao entendimento e quanto à percepção porque aquilo que entra pelo ouvido na mente também é aí visto e percebido: visto no entendimento e percebido pela comunicação com a vontade. (O que é propriamente a percepção, tal como é a dos anjos nos céus, vide na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 140).
[2] Daí vem, pois, que os 'relâmpagos' e os 'trovões' significam na Palavra o Divino Vero quanto à iluminação e quanto ao entendimento, como se pode ver por essas seguintes passagens. Em David:
"Redimiste com o braço o Teu povo (...) as nuvens destilaram águas, os céus proferiram uma voz, também as Tuas flechas se foram; a voz de Teu trovão no mundo, os relâmpagos iluminaram o mundo" (Sl. 77:15, 17, 18);
trata-se aí da instauração da igreja; pelas 'nuvens que destilaram águas' são significados os veros do sentido da letra da Palavra; pelos 'céus que proferiram uma voz', ou as nuvens superiores, são significados os veros do sentido espiritual da Palavra; pelas 'flechas que se foram' se entendem os raios, por parecerem como setas lançadas do arco, que se apresentam com os relâmpagos e os trovões, e por eles são significados os Divinos veros; pela 'voz de trovão no mundo' é significado o Divino Vero quanto à percepção e o entendimento na igreja; e pelos 'relâmpagos que iluminaram o mundo é significado [o Divino Vero] quanto à iluminação daí; o 'mundo' é a igreja.
[3] No mesmo:
"O fogo irá diante' de JEHOVAH, 'e inflamará ao redor os Seus inimigos; Seus relâmpagos iluminarão o mundo" (Sl. 97:3, 4),
por aí também é evidente que os 'relâmpagos' significam o Divino Vero quanto à iluminação, pois se diz que 'os relâmpagos iluminarão o mundo'.
[4] Em Jeremias:
"O Feitor da terra, por Seu poder, prepara o mundo por Sua sabedoria, e por Sua inteligência estende os céus. À voz que profere [há] multidão de águas nos céus, e faz subir vapores do fim da terra, e relâmpagos de chuvas" (Jr. 10:12-13; 51:16; Sl. 135:7-8).
também aqui se trata da instauração da igreja. Que pela 'voz do trovão' seja significado o Divino Vero quanto à percepção e ao entendimento, e pelos 'relâmpagos' o Divino Vero quanto à iluminação pode-se ver pelo fato de se dizer 'o Feitor da terra prepara o mundo por Sua sabedoria, e estende os céus por Sua inteligência', e, depois, que 'à voz que profere [há] multidão de águas nos céus', e que faz 'relâmpagos de chuvas'. A 'terra' e o 'mundo' significam a igreja; as 'águas nos céus' significam os veros espirituais; as 'chuvas' são esses veros que descem e se tornam naturais; a iluminação deles é significada pelos 'relâmpagos'.
[5] No Livro Segundo de Samuel:
"JEHOVAH troveja desde o céu, e o Altíssimo proferiu Sua voz, e lançou flechas e os dispersou, relâmpago e os confundiu" (I Sm. 22:14, 15);
os trovões são aqui expressos por 'trovejar desde o céu' e por 'proferir a voz'; os raios que voam pelas 'flechas', e por estas e aqueles são significados os Divinos veros, e pelo 'relâmpago' a luz deles. Estes, assim como vivificam e iluminam os bons, também aterrorizam e cegam os maus, o que se entende por 'lançou as flechas e os dispersou, e o relâmpago e os confundiu'. Com efeito, os maus não suportam os Divinos veros nem absolutamente luz alguma do céu, pelo que fogem à presença destes.
[6] Semelhantemente, em David:
"Trovejou nos céus JEHOVAH, e o Altíssimo proferiu Sua voz (...) e enviou Sua flechas e os dispersou, e muitos raios e os perturbou" (Sl. 18:13, 14);
e, em outra passagem:
"Relampejando relampeja, e dispersa-os; envia Tuas flechas e os perturba" (Sl. 144:6).
Que os 'trovões' e os 'relâmpagos' signifiquem o Divino Vero quanto ao entendimento e quanto à iluminação, vê-se ainda pelas seguintes passagens. Em David:
"Na angústia invocaste, e te resgatei; respondi-te no oculto com trovão" (Sl. 81:7);
no Apocalipse:
"Ouvi um dos quatro animais dizendo, com voz como de trovão: Vem e vê" (Ap. 6:1);
em outra passagem:
"Tomou o anjo o incensário, e o encheu com o fogo do altar, e o lançou à terra; e houve trovões, vozes e relâmpagos" (Ap. 8:5);
em outra passagem:
O anjo "clamou com grande voz, como leão; e, quando clamou, os sete trovões fizeram soar as suas vozes" (Ap. 10:3, 4);
em outra passagem:
"Abriu-se o templo de Deus no céu, e viu-se a arca da aliança no tempo, e houve relâmpagos, e vozes e trovões" (Ap. 11:19);
em outra passagem:
"Ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como o som de um grande trovão" (Ap. 14:2);
e em outra passagem:
"Ouvi o som de grande multidão, e como o som de muitas águas, como o som de um veemente trovão, dizendo: Aleluia, porque começa o reino do Senhor nosso Deus onipotente" (Ap. 19:6).
Porquanto os 'trovões' e os 'relâmpagos' significam os Divinos veros, por isso também, quando JEHOVAH desceu sobre o Monte de Sinai para promulgá-los,
"Houve vozes, e relâmpagos (...) e também uma voz de trombeta" (Êx. 19:16);
a 'voz de trombeta' significa o Divino Vero quanto à revelação, como se vê acima (nºs. 55 e 262).
Uma voz do céu, como de trovão, foi ouvida pelo Senhor (Jo. 12:28, 29).
Tiago e João foram chamados Boanerges, filhos do trovão (Mc. 3:14, 17).

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