. "E o quarto animal semelhante a uma águia voando". Que isto signifique a aparência, nos últimos, da guarda e providência Divinas quanto à inteligência e a circunspecção em toda parte vê-se pela significação de 'águia', que é a inteligência, aqui a inteligência Divina, que é da guarda e da providência do Senhor. Que a 'águia' seja a inteligência é porque a inteligência está na luz do céu, e a águia voa alto para estar ali, e olha para toda parte; assim é que essa face do querubim apareceu semelhante à de uma 'águia voando', pois 'voar' significa a presença e a inspeção ao redor, e, quando se trata do Divino, significa a onipresença. A 'águia' significa a inteligência também porque as 'aves do céu', num sentido bom, significam as coisas intelectuais e racionais, e a águia mais do que as outras, porque não somente voa alto, mas também porque tem visão aguçada. (Que as 'aves do céu' signifiquem as coisas intelectuais e racionais em ambos os sentidos, vê-se nos nºs 745, 776, 866, 988, 991, 3219, 5149 e 7441).
[2] Que a 'águia' signifique a inteligência vê-se por estas passagens na Palavra. Em Ezequiel:
"Uma grande águia, de grandes asas, longas penas, cheia de plumas, que tinha [cores como] bordadura, veio sobre o Líbano e tomou um raminho do cedro; a extremidade [caput] dos seus rebentos arrancou, e a levou para uma terra de negociação, pô-la na cidade dos perfumistas. Tomou da semente da terra e pô-la no campo das sementes; levou-a às grandes águas e colocou-a ali com cuidado; e germinou, e tornou-se uma videira luxuriante de baixa altura, de modo que os seus galhos olhavam para ela, e suas raízes sob eles estivessem; assim tornou-se uma videira que deu galhos e lançou raízes. E houve outra grande águia, de grandes asas e cheia de plumas, e eis que para ela a videira estendeu suas raízes, e seus galhos lançou para ela, do canteiro de sua plantação, para que a irrigasse, no bom campo plantada com muitas águas, para dar ramo e para gerar frutos, a fim de que fosse uma videira de magnificência" (Ez. 17:1-8);
aí se trata da instauração da igreja espiritual pelo Senhor, e aí se descreve, no sentido interno, o processo de sua instauração ou da regeneração de seus homens, do princípio ao fim. Pela primeira águia se descreve o processo da regeneração do homem natural ou externo por meio dos conhecimentos e das cognições da Palavra; e pela segunda águia se descreve o processo de regeneração do homem espiritual ou interno por meio dos veros do bem. Assim, pela primeira águia é significada a inteligência do homem natural, e pela segunda a Inteligência do homem espiritual. Dir-se-á também, em poucas palavras, o que cada coisa significa. Diz-se da primeira águia que tinha 'grandes asas, longas penas e cheia de plumas' e por ela é significada a abundância dos conhecimentos e das cognições do vero e do bem, de que procede a primeira inteligência, que é a inteligência do homem natural. Por isso se diz que 'tinha [cores como] bordadura", pois pela 'bordadura' é significado o conhecimento e o cognitivo (vê-se no nº 9688); "veio sobre o Líbano e tomou um raminho do cedro" significa que tomou da doutrina da igreja que vem da Palavra algumas cognições do vero; o 'Líbano' significa essa doutrina, e o 'raminho do cedo' significa as cognições; a 'extremidade dos seus rebentos arrancou, e o levou para uma terra de negociação' significa as cognições primárias daí, às quais aplicou os conhecimentos; pela 'extremidade [caput] dos rebentos' são significadas as cognições primárias, e pela 'terra de negociação' é significado o homem natural ao qual pertencem os conhecimentos; 'pô-la na cidade dos perfumistas' significa ali entre os veros provenientes do bem; pelos 'perfumes' [aromata] são significados os veros que são aprazíveis porque procedem do bem (nº 4748, 5621, 9474, 9475, 10199 e 10254). 'Tomou da semente da terra, e pô-la no campo da semente; levou-a às grandes águas, e colocou-a ali com cuidado' significa a multiplicação; a 'semente da terra' é o vero da igreja; o 'campo da semente' é o bem do qual o vero cresce; as 'grandes águas' são as cognições do vero e do bem; 'colocar com cuidado' separar dos falsos; 'germinou e tornou-se videira luxuriante... que os seus galhos olhavam para ela, e suas raízes sob eles estivessem' significa a igreja nascendo da ordenação das cognições do vero e da aplicações delas ao uso; 'assim tornou uma videira que deu galhos e lançou raízes' significa a iniciação da igreja espiritual e o contínuo crescimento dos veros (que a 'videira' seja a igreja espiritual vê-se nos nºs 1069, 6375 e 9277). Até aqui foi descrita a iniciação da igreja do homem, o que se dá no homem natural ou externo. A sua instauração espiritual, que se dá no homem espiritual ou interno, se descreve agora pela 'outra águia'. Como ela significa a inteligência espiritual, por isso se diz que a 'videira estendeu para ela', a saber, para a águia, 'as suas raízes e lançou os seus ramos', porque as 'raízes' significam os conhecimentos, e os 'ramos' as cognições do vero e do bem, os quais são todos aplicados os veros que estão no homem espiritual ou interno; sem a aplicação deles o homem espiritual nada sabe. A multiplicação e a frutificação do vero proveniente do bem, assim, o aumento da inteligência, são descritos por 'ela ter sido plantada no bom campo, com muitas águas, para dar ramo e para gerar frutos, para que fosse uma videira de magnificência'; o 'bom campo' é a igreja quanto ao bem da caridade; as 'muitas águas' são as cognições do bem e do vero; 'dar ramo' é multiplicar os veros; 'gerar fruto' é produzir os bens que são dos usos; 'videira de magnificência' é a igreja espiritual, assim interna e externa. (Mas estas coisas, por serem arcanos da regeneração e da instauração da igreja no homem, podem ser mais bem compreendidas pelas coisas que foram citadas na Doutrina da Nova Jerusalém, dos Arcanos Celestes, a respeito dos conhecimentos e das cognições, nº 51, e também a respeito da regeneração, no nº 183 ali).
[3] Que a 'águia' signifique a inteligência pode-se ver também em Isaías:
"Os que esperam em JEHOVAH renovarão a força, e subirão com asa como as águias" (Is. 40:31);
'subir com asa como as águias' é subir à luz do céu, assim, à inteligência.
[4] Em David:
"JEHOVAH, que sacia a tua boca, para que sejas renovado como a águia" (Sl. 103:5);
'ser renovado como águia' é sê-lo quanto à inteligência.
[5] Em Moisés:
"Vistes (...) de que modo vos levei como em asas de águias, e vos trouxe a Mim" (Êx. 19:4);
'levar como em asas de águias e trazer' é também na inteligência, porquanto é no céu e em sua luz.
[6] No mesmo:
JEHOVAH "o encontrou na terra do deserto (...) cercou-o e instruiu, guardou-o como a menina do olho; como a águia desperta o seu ninho, sobre seus filhotes adeja, expande suas asas, toma-os [portat eum], carrega-os sobre a sua asa, assim JEHOVAH somente o conduz" (Dt. 32:10-12);
aí se trata da instauração da Igreja Antiga e da primeira reforma dos que eram daquela igreja. O primeiro estado deles se entende pela 'terra do deserto', na qual os encontrou; a 'terra do deserto' é onde não há bem por não haver vero; a instrução deles nos veros, a guarda contra os falsos e a abertura dos interiores de suas mentes para que viessem à luz do céu e, assim, ao entendimento do vero e do bem, que é a inteligência, é descrita pela 'águia'', seu 'ninho no alto', seu 'adejar sobre os filhos e carregá-los sobre as asas'. Faz-se uma comparação com a águia porque a 'águia' significa a inteligência.
[7] No Segundo Livro de Samuel:
"Saul e Jônatas (...) eram mais velozes que as águias, e mais fortes que os leões" (II Sm. 1:23);
por 'Saul' como rei e por 'Jônatas' como filho do rei é significado o vero da igreja; e como daí vem a inteligência e também o poder, se diz que 'eram mais velozes que as águias e mais fortes que os leões'. A 'velocidade', na Palavra, quando se diz da inteligência, significa a afeição do vero, pois David escreveu sua lamentação sobre Saul e Jônatas 'para ensinar o arco aos filhos de Judah'; pelos 'filhos de Judah' são significados os veros da igreja, e pelo 'arco' a doutrina do vero que combate contra os falsos.
[8] Em Jó:
"Não é por Tua inteligência que voa o gavião, e expande suas asas para o sul? Não é segundo a Tua boca que a águia se remonta, e no alto põe o seu ninho? Na rocha habita e pernoita (...) ali rastreia a comida, de longe seus olhos avistam; (...) e onde estão os mortos, lá ela está" (Jó 39:26-30);
aí se trata da inteligência, que ninguém pode adquirir por si mesmo ou por seu proprium, pelo que se diz: 'Não é por Tua inteligência que voa o gavião, e expande suas asas para o sul?', que significa introduzir-se na luz da inteligência (aqui significada pelo 'sul''), mas, aqui, significa que não se pode fazê-lo. A inteligência mesma, que pertence ao homem espiritual, é descrita pela 'águia que se remonta, põe no alto o ninho, habita e pernoita na rocha, donde rastreia a comida e com os olhos avista de longe'. Que ninguém tenha essa inteligência por si mesmo é significado por 'Não é segundo a tua boca' que a águia faz isso? Mas que pela própria inteligência não se produzem senão os falsos é significado por: 'onde estão os mortos, ali ela está''; os 'mortos', na Palavra, significam aqueles nos quais os veros foram extintos pelos falsos (vê-se no nº 4503).
[9] Por aí se pode ver o que é significado pelas palavras do Senhor quando O interrogaram onde seria o juízo final. Em Lucas:
Os discípulos disseram: "Onde, Senhor? Ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias" (Lc. 17:37);
pelo 'corpo', aí, é significado o mundo espiritual, onde estão juntamente todos os homens, tanto os bons quanto os maus; e pelas 'águias' são significados os que estão nos veros e os que estão nos falsos, assim, os que estão na verdadeira inteligência e os que estão numa inteligência falsa. Esta inteligência vem do proprium do homem, mas a inteligência verdadeira vem do Senhor pela Palavra.
[10] Os falsos que vêm da própria inteligência também foram descritos na Palavra pelas 'águias', como nas passagens seguintes. Em Jeremias:
"Eis que sobe como nuvens, e como a tempestade o seu carro; seus cavalos são mais rápidos que as águias. Ai de nós! porque estamos devastados" (Jr. 4:13);
aí se trata da desolação do vero na igreja, e pela 'nuvem' que sobe são significados os falsos; pelo 'carro', que é como a tempestade, é significada a doutrina do falso; sua cupidez e volúpia de raciocinarem contra os veros e destruí-los são significadas por 'seus cavalos serem mais rápidos que as águias'; 'veloz' e 'ligeiro' na Palavra significa ser excitado pela afeição e pela cupidez (vê-se nos nºs 7695 e 7866); e pelos 'cavalos' é significado o entendimento do vero e, no sentido oposto, o entendimento do falso ou o raciocínio pelos falsos contra os veros (nºs. 2760-2762, 3217, 5321, 6125, 6400, 6534, 7024, 8146, 8148 e 8381); e como aqui os 'cavalos' significam isso, por isso se diz: 'Os seus cavalos são mais rápidos que as águias'.
[11] Nas Lamentações:
"Nossos perseguidores foram mais velozes que as águias dos céus" (Lm. 4:19);
e em Habacuque:
"Cujos cavalos são mais leves que os leopardos, e mais destros [acuti] que os lobos da tarde, para que se espalhem os seus cavaleiros; donde vêm de longe os seus cavaleiros, voam como a águia que se apressa para comer; ele vem todo para violência" (Hb. 1:8, 9);
semelhantemente, aqui a 'águia' está em lugar do raciocínio pelos falsos contra os veros, que é fazê-lo pela própria inteligência.
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