. "E o terceiro animal tendo a face como homem". Que isto signifique a aparência nos últimos da guarda e da providência Divinas quanto à sabedoria vê-se pela significação de 'face de homem', que é a afeição do vero; pela 'face' é significada a afeição, e pelo 'homem' o recipiente do Divino Vero; e como por este ele tem o racional, pelo 'homem' é significada a sabedoria, pois que o homem foi criado para ser racional e sábio, e por aí ele se distingue dos animais brutos; assim é que pelo 'homem', na Palavra, é significada a sabedoria. Que o 'homem' signifique a afeição do vero e a sabedoria ao mesmo tempo é porque a afeição do vero e sabedoria agem em comum, pois quem está na afeição do vero espiritual, ou seja, quem é tocado pelo vero e ama o vero porque é vero, esse está conjunto ao Senhor, porque o Senhor está em seus veros e é o Seu vero no homem; daí é que o homem tem sabedoria e daí ele é homem. Alguns acreditam que o homem é homem pela face e pelo corpo, e que por aí é distinguido das bestas; mas estão errados. O homem é homem pela sabedoria; por isso, quanto mais alguém é sábio, mas é homem. Assim é que os que são sábios aparecem como homens no céu e na luz do céu, em formosura e beleza de acordo com a sabedoria. Os que, porém, não são sábios, que são os que não se acham em afeição espiritual alguma, mas meramente na afeição natural - na qual o homem está quando não ama o vero porque é um vero, mas porque daí ele tem glória, honra e ganho - esses, na luz do céu não aparecem como homens, mas como monstros em várias formas (vê-se na obra O Céu e o Inferno nºs 70, 72, 73-77, 80; e sobre o que é sabedoria e o que não é sabedoria, nºs 346-356 ali).
[2] Que pelo 'homem' na Palavra seja significada a afeição do vero e, assim, a sabedoria, vê-se pelas seguintes passagens. Em Isaías:
"Até quando, Senhor? Disse: Até que sejam devastadas as cidades, até que estejam sem habitante; e as casas, até que não haja nelas homem; e a terra seja reduzida à solidão. JEHOVAH removerá o homem, e os desertos serão multiplicados no meio da terra" (Is. 6:11, 12);
estas palavras não foram ditas a respeito da devastação da terra, que não mais haveria nela cidades e casas e, nelas, o habitante e o homem, mas foram ditas a respeito da devastação do bem e do vero na igreja; pelas 'cidades' aí são significados os veros da doutrina; pelo 'habitante', o bem da doutrina; pelas 'casas' são significados os interiores do homem que pertencem à sua mente; e pelo 'homem' a afeição do vero espiritual e a sabedoria; é isto que é significado por 'serem devastadas as casas até que não haja neles homem'; pela 'terra', que 'seria reduzida à solidão' é significada a igreja. Daí é evidente o que é significado por 'remover o homem' e por 'multiplicar os desertos no meio da terra'; o 'deserto' significa onde não há bem, por não haver vero.
[3] No mesmo:
"Farei o homem varão mais raro do que o ouro puro, e o homem mais do que o ouro de Ofir" (Is. 13:12);
pelo 'homem varão' é significada a inteligência, e pelo 'homem' a sabedoria; que elas haveriam de cessar, é significado por 'fazê-los raros'. A inteligência se distingue da sabedoria pelo fato de a inteligência ser o entendimento do vero que é do homem espiritual, e a sabedoria ser o entendimento do vero que é do homem celeste, cujo entendimento procede da vontade do bem. Daí se vê o que é significado aí pelo 'homem varão' e o que é significado pelo 'homem'.
[4] No mesmo:
"Serão queimados os habitantes da terra, e raro será o homem restando nela" (Is. 24:6);
pelos 'habitantes da terra' são significados os bens da igreja, os quais se dizem 'queimados' quando os amores de si e do mundo começaram a reinar. Que, então, a afeição do vero espiritual e, daí, a sabedoria, cessariam, é significado por 'raro será o homem restando".
[5] No mesmo:
"As veredas foram devastadas, cessou o que passa no caminho; tornou nula a aliança; aborreceu as cidades, não considera o homem" (Is. 33:8);
aí também se trata da devastação da igreja; as 'veredas' que foram 'devastadas' e 'cessou o que passa pelo caminho' significam que não há mais os bens e veros que conduzem ao céu; a 'aliança' que 'tornou nula' significa que então não há conjunção alguma com o Senhor; 'aborreceu as cidades' significa que desprezam a doutrina; 'não considera o homem' significa que consideram como nada a sabedoria.
[6] Em Jeremias:
"Vi a terra, e eis, vácua e vazia; e os céus, e não vi sua luz; (...) vi, eis que não havia homem, e todas as aves do céu voaram" (Jr. 4:23, 25);
que aqui não se entenda a terra, que era vácua e vazia, nem os céus, em que não havia luz, nem que na terra não houvesse homem, nem que todas as aves do céu tenham voado, é evidente. O que se entende, porém, não se pode ver de outra parte senão do sentido espiritual da Palavra; nesse sentido, pela 'terra' é significada a igreja; que era 'vácua e vazia' significa que na igreja não havia bem e vero; pelos 'céus' onde 'não havia luz' são significados os interiores da mente do homem, que são os receptáculos da luz do céu (a 'luz' que não havia ali é o Divino Vero e, assim, a sabedoria); por isso se diz: "vi, eis que não havia homem"; pelas 'aves do céu' que voaram é significado o racional e o intelectual.
[7] No mesmo:
"Eis, dias virão em que semearei a casa de Israel e a casa de Judah com semente de homem e com semente de besta" (Jr. 31:27);
pela 'casa de Israel' e pela 'casa de Judah' é significada a igreja quanto ao vero e quanto ao bem; pela 'semente de homem' e pela 'semente de besta' é significada a afeição do vero espiritual e a afeição do vero natural, pois onde na Palavra se diz 'homem e besta' aí é significado o espiritual e o natural, ou o interno e o externo (vê-se nos nºs 7424, 7523 e 7872).
[8] Em Sofonias:
"Consumirei o homem e a besta, consumirei a ave dos céus e os peixes do mar; (...) cortarei o homem das superfícies da terra" (Sf. 1:3);
'consumir o homem e a besta' é a afeição do vero espiritual e a afeição do vero natural; 'consumir a ave dos céus e os peixes do mar' é os veros espirituais e os veros naturais; 'cortar o homem das superfícies da terra' é fazê-lo à afeição do vero e à sabedoria.
[9] Em Ezequiel:
"Vós, Meu rebanho, rebanho de Meu pasto; homem vós sois, Eu sou o vosso Deus" (Ez. 34:31);
'rebanho do pasto' significa o bem e o vero espiritual; 'pasto' é recebê-los do Senhor, pelo que se diz: 'homem vós sois, Eu sou o vosso Deus"; o 'homem' está em lugar da afeição do vero espiritual e da sabedoria.
[10] No mesmo:
"Eis que estou em vós, e olharei para vós, para que sejais lavrados e semeados; então multiplicarei sobre vós o homem, toda casa de toda a Israel, e as cidades serão habitadas, e os lugares devastados serão edificados; (...) farei andar sobre vós o homem, Meu povo Israel. (...) Assim disse o Senhor Jehovih: Porquanto dizeis: Tu que consomes o homem, e foste um que desfilha o Teu povo, por isso não consomes mais o homem" e Tua espada não mais desfilhará; "as cidades devastadas estarão cheias de rebanho de homem" (Ez. 36:9-14, 38);
aí se trata da restauração da igreja; por 'Israel' é significada a igreja espiritual, que é a igreja que está no bem espiritual, em que o bem é o bem da caridade; essa igreja aí se chama 'homem' pela afeição do vero espiritual, que faz a igreja; por isso se diz: 'Multiplicarei sobre vós o homem, toda a casa de Israel... e farei andar sobre vós o homem, Meu povo Israel'; pelo 'rebanho de homem', de que as 'cidades devastadas estarão cheias' são significados os veros espirituais, de que estará cheia a doutrina da igreja; a 'espada' que 'não mais desfilhará' é que o falso não mais destruirá o vero.
[11] No mesmo:
"Tua mãe é uma leoa, entre os leões se deitou; (...) criou um de seus filhotes, que aprendeu a arrebatar o despojo, devorou os homens" (Ez. 19:2, 3, 8);
a 'mãe' é a igreja, aqui a igreja pervertida; o falso do mal que destrói o vero é significado pela 'leoa que se deita entre os leões'; pelo 'seu filhote' que 'aprendeu a arrebatar o despojo' e que 'devorou homens' é significado o falso primário de sua doutrina, que destruiu o vero e consumiu toda a sua afeição. Estas coisas foram ditas a respeito dos príncipes de Israel, pelos quais são significados os veros primários, mas aqui, no sentido oposto, são significados os falsos.
[12] Em Jeremias:
"Hazor se tornará habitáculo de dragões, uma desolação até à eternidade; não habitará ali varão, nem morará nela o filho do homem" (Jr. 49:33);
aí se trata da igreja que está nos falsos e em nada do vero; 'Hazor' significa as cognições do vero; as cognições do falso são significados pelo 'habitáculo de dragões'; que aí não haja vero nem a doutrina do vero é significado por 'não habitará ali varão, nem morará nela o filho do homem' (o 'varão' é o vero, e o 'filho do homem' é a doutrina do vero).
[13] No Apocalipse:
"Mediu o muro" da santa Jerusalém "cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, que é a de anjo" (Ap. 21:17);
ninguém há de entender o significado de o muro da santa Jerusalém ser de 'cento e quarenta e quatro côvados' e de essa medida ser 'de homem, que é a de anjo', a menos que saiba o que significam a 'santa Jerusalém', o seu 'muro', o número 'cento e quarenta e quatro', o 'homem' e o 'anjo'. A 'santa Jerusalém' significa a igreja quanto à doutrina; o 'muro' é o vero que protege; o número 'cento e quarenta e quatro' significa todos os veros do bem em conjunto; o 'homem' significa a recepção deles pela afeição, semelhantemente ao 'anjo', pelo que se diz que é 'medida de homem, que é a de anjo'; (a 'medida' significa a qualidade). Por aí é evidente de que maneira essas palavras devem ser entendidas espiritualmente (mas isto se vê mais claramente explicado na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 1).
[14] Uma vez que o 'homem' significa a afeição do vero espiritual e, assim, a sabedoria, por isso ele também significa a igreja, porque a igreja no homem é igreja pela afeição do vero espiritual e, assim, pela sabedoria. Por aí é evidente o que se entende por 'homem' no primeiro capítulo de Gênesis, a saber, é a primeira igreja desta terra e que foi a Antiqüíssima. Esta é a que se entende por 'Adão' ou 'Homem'. Sua instauração é descrita no primeiro capítulo pela criação do céu e da terra; sua inteligência e sabedoria é descrita pelo paraíso, e sua queda pelo ato de comer da árvore da ciência.
[15] No sentido supremo, porém, pelo 'Homem' se entende o Senhor mesmo, porquanto d'Ele vêm o céu, a igreja, a afeição do vero espiritual e a sabedoria em cada um de que o céu e a igreja são formados. Assim é que somente o Senhor é Homem no sentido supremo, e os homens em ambos os mundos, espiritual e natural, são homens na medida que recebem d'Ele o vero e o bem, por conseguinte, na medida que amam o vero e vivem de acordo com o vero. Assim é, também, que todo o céu angélico aparece como um único Homem, como também cada sociedade ali; e daí também é que os anjos aparecem numa perfeita forma humana. (Mas, a este respeito, vêem-se muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, nºs 59-67, 68-72, 73-77 e 87-102).
[16] Por esta razão é que os quatro querubins, - pelos quais é significada a guarda e a providência do Senhor a fim de que [o céu] não seja accessível senão bem do amor - foram visto como homens, embora cada um deles tivesse quatro faces; e também é a razão pela qual o Senhor foi visto como Homem acima deles. Que os quatro querubins tenham sido vistos como homem, vê-se em Ezequiel:
"Este era o aspecto" dos quatro animais; "tinham semelhança de homem, mas cada um com quatro faces" (Ez. 1:5, 6).
Semelhantemente, os dois querubins sobre o propiciatório eram, quanto à face, como homens. Também se diz no mesmo profeta que o Senhor como Homem foi visto sobre os quatro querubins:
"Acima da expansão que havia sobre a cabeça" dos querubins, "uma espécie de aspecto de pedra safira, à semelhança do trono; e sobre a semelhança do trono, uma semelhança como o aspecto de um Homem, acima, sobre ele" (Ez. 1:26).
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