. "E o segundo animal semelhante a um bezerro". Que isto signifique a aparência do Divino Bem, nos últimos, quanto à proteção vê-se pela significação de 'bezerro' ou 'novilho' que é o bem do homem natural, em particular o seu bem da inocência e da caridade. E como é o bem do homem natural, também é o bem do último céu, pois esse céu é espiritual natural (vê-se na obra O Céu e o Inferno, nºs 29-31); e visto que esse bem é daí, por isso ele é a guarda ou a proteção, a fim de que os céus superiores não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade. Assim é que um querubim era semelhante a um bezerro. Que essa aparência tenha sido nos últimos, vê-se logo acima (nº 278). O 'bezerro' ou 'novilho' significa o bem do homem natural porque os animais que eram de manada significavam afeições do bem e do vero no homem externo ou natural, e os que eram de rebanho significavam as afeições do bem e do vero no homem interno ou espiritual. Os que eram de rebanho eram os cordeiros, as cabras, as ovelhas, os carneiros e os bodes; e os que eram de manada eram os bois, os novilhos e os bezerros.
[2] Que os 'novilhos' e 'bezerros' signifiquem o bem do homem natural, vê-se pelas passagens da Palavra onde eles são nomeados. Primeiramente, pela descrição dos querubins quanto aos pés, em Ezequiel:
"Seus pés [eram] retos, e a sola dos seus pés como a sola do pé de bezerro, e reluziam como a aparência de bronze polido" (Ez. 1:7);
os seus pés foram vistos assim, 'pés retos', porque os querubins representavam a guarda Divina do Senhor, e os pés e as solas dos pés a representavam nos últimos, ou seja, no céu espiritual natural e no mundo natural. Com efeito, pelos 'pés' em geral é significado o natural; pelo 'pé reto' o natural quanto ao bem; pela 'sola dos pés', o último ali; e pelo 'bronze polido' é igualmente significado o bem no natural. Daí é evidente que o bem no natural é significado pelo 'bezerro', e que aí é o bem último que guarda e protege a fim de que os céus não sejam accessíveis senão pelo bem do amor e da caridade. (Que os 'pés' signifiquem o natural vê-se nos nºs 2162, 3147, 3761, 3986, 4280, 4938-4952, 5327 e 5328; que o pé que está à direita signifique o bem do qual procede o vero, nºs 9604, 9736 e 10061. Assim, o 'pé reto' significa o natural quanto ao bem. Que as 'solas dos pés', as 'plantas dos pés' e os 'cascos' signifiquem o último no natural, nºs 4938 e 7729; que o 'bronze polido' signifique o bem natural, acima, nº 70).
[3] Em Oséias:
"Voltai-vos para JEHOVAH. Dizei a Ele: Tira toda iniqüidade, e aceita o bem, e retribuamos os novilhos de nossos lábios" (Os. 14:2);
ninguém pode saber o que é 'retribuir os novilhos dos lábios' a menos que saiba o que significam os 'novilhos' e os 'lábios'. É evidente que é a confissão e a ação de graças pelo bem de coração, mas se diz assim porque os 'novilhos' significam o bem externo, e os 'lábios' significam a doutrina. Assim, 'retribuir os novilhos dos lábios' significa confessar e dar graças pelos bens da doutrina. (Que os 'lábios' signifiquem a doutrina vê-se nos nºs 1286 e 1288).
[4] Em Amós:
"Atraíste a habitação da violência; deitam sobre leitos de marfim; (...) e devoram os cordeiros do rebanho, e os bezerros do meio do cevadouro" (Am. 6:3, 4);
trata-se aí dos que estão na abundância das cognições do bem e do vero e, todavia, vivem no mal. 'Devorar os cordeiros do rebanho' significa haurir cognições do bem interno ou do homem espiritual; e 'devorar os bezerros do meio do cevadouro' significa haurir as cognições do bem externo ou do homem natural; e 'atrair a habitação da violência' é viver uma vida contrária à caridade.
[5] Em Malaquias:
"Nascerá de vós, os que temem o Meu nome, o sol da justiça, e a cura nas asas, para que saiais e cresçais como bezerro cevado" (Ml. 4:2);
o 'sol da justiça' que nasce dos que temem o nome de JEHOVAH significam o bem do amor; e a 'cura nas asas' significa o vero da fé; assim, 'sair e crescer como bezerro cevado' significa o aumento de todo bem; 'cevado' e 'gordo' também significam o bem.
[6] Em Lucas:
O pai disse a respeito do filho pródigo, que voltou ao praticar a penitência de coração: "Trazei o melhor manto e vesti-o, e ponde um anel em sua mão e calçados nos pés, e trazei um bezerro cevado, matai, para que, comendo, nos alegremos" (Lc. 15:22, 23);
quem conhece somente o sentido da letra crê que aí não se encerram coisas mais elevadas senão as que se acham nesse sentido, quando, todavia, cada uma das palavras envolvem coisas celestes, assim como que 'o vestissem do melhor manto', que 'pusessem um anel em sua mão e calçados nos pés, e trouxessem um bezerro cevado para que, comendo, se alegrassem'. Pelo 'filho pródigo' se entendem os que dissipam as riquezas espirituais, que são as cognições do vero e do bem; pelo 'retorno ao pai e a confissão de que não era digno de ser chamado seu filho' é significada a penitência de coração e a humilhação; pelo 'melhor manto' de que foi vestido são significados os veros gerais e primários; pelo 'anel na mão' é significada a conjunção do vero e do bem no homem interno ou espiritual; pelos 'calçados nos pés' é significada a mesma conjunção no homem externo ou natural; por uma e outra, a regeneração; pelo 'bezerro cevado', o bem do amor e da caridade; e por 'comer e alegrar-se' a consociação e o prazer celeste.
[7] Em Jeremias:
"Darei os varões transgressores de Minha aliança, que não estabeleceram as palavras da aliança que fizeram diante de Mim, do bezerro que cortaram em duas [partes] para que passassem entre suas partes os príncipes de Judah e os príncipes de Jerusalém, ministros reais e sacerdotes, e todo o povo da terra, passando entre as partes do bezerro, e os darei na mão dos seus adversários, para que o cadáver deles seja para comida da ave dos céus" (Jr. 34:18-20);
ninguém pode saber o que é 'aliança do bezerro' e o que é passar entre as suas partes, a menos que saiba o que significam a 'aliança', o 'bezerro', a 'sua separação em duas partes' e também o que significam os 'príncipes de Judah e de Jerusalém', 'ministros reais', 'sacerdotes' e 'povo da terra'. É vidente que aqui há um arcano celeste. Mas pode-se compreender isto quando se sabe que a 'aliança' é a conjunção, o 'bezerro' é o bem, o 'bezerro separado em duas partes' é o bem procedente do Senhor de uma parte e o bem recebido do homem de outra parte, donde há a conjunção; que os 'príncipes de Judah e de Jerusalém, os ministros reais, os sacerdotes e o povo da terra' são os bens e veros que pertencem à igreja; e que 'passar entre as partes' é conjuntar-se. Por se conhecer isto pode-se saber o sentido interno dessas palavras: que não havia naquela nação a conjunção por meio dos bens e veros da igreja, mas disjunção.
[8] A 'aliança do bezerro' com Abraão, de que se trata no livro de Gênesis, envolve coisa semelhante:
JEHOVAH disse a Abraão: "Toma para ti (...) um bezerro de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rolinha e uma pomba. E tomou para si todos estes, e os partiu ao meio, e pôs uma parte delas em frente a outra, e a ave não foi partida. E desceu a ave sobre os corpos, e Abraão a tangeu; e foi-se o sol para o poente, e um sono profundo caiu sobre Abraão, e eis que um terror de grandes trevas caiu sobre ele (...) e naquele dia JEHOVAH estabeleceu aliança com Abraão" (Gn. 15:9-12, 18);
o 'terror de grandes trevas caindo sobre Abraão' significava o estado da na nação judaica, que estava nas maiores trevas quanto aos veros e bens da igreja; esse estado daquela nação é o que se entende pela 'aliança do bezerro' que eles 'dividiram em duas partes', entre as quais passaram, descrito no profeta. Uma vez que o 'bezerro' significa o bem do homem natural e o seu vero, que é o conhecimento, e também o homem natural e seu conhecimento é significado pelo 'Egito', por isso na Palavra o Egito é chamado 'bezerra' e 'bezerro'. Por isso, também, após terem aplicado os conhecimentos da igreja às coisas mágicas e idolátricas, fizeram do bezerro um ídolo. Daí é que os filhos de Israel no deserto foram atraídos a fazerem para si um bezerro e a ele adoraram. E daí também é que tinham um bezerro em Samaria.
[9] Que o Egito seja chamado 'bezerra' e 'bezerro', é evidente em Jeremias:
"Bezerra formosíssima é o Egito; a ruína veio do norte, e seus mercenários em seu meio como bezerros cevados" (Jr. 46:20, 21).
Sobre o bezerro de que os filhos de Israel fizeram para si no deserto, vide Êxodo 32, e sobre o 'bezerro de Samaria', vide 1 Reis 12:28-32, do qual assim se fala em Oséias:
"Fizeram um rei, mas não de Mim; fizeram príncipes, mas não os conheci; de sua prata e seu ouro fizeram para si ídolos, para que fosse cortado. Desertou o teu bezerro, ó Samaria;... pois ele era de Israel; um artífice o fez, não Deus; o bezerro de Samaria será feito em pedaços" (Os. 8:4-6);
aí se trata da explicação tortuosa da Palavra, cujo sentido da letra é torcido em favor de seus amores e dos princípios da religião daí concebidos. 'Fazer um rei mas não de Mim, e fazer príncipes, mas não os conheci" significa os doutrinais da própria inteligência que em si são falsos, mas fazem como se fossem veros, pois o 'rei' é o vero e, no sentido oposto, o falso; e os 'príncipes' são os veros ou falsos primários, que se chamam princípios da religião; 'fazer ídolos de sua prata e seu ouro' significa perverter os veros e bens da igreja, e mesmo venerá-los como santos, embora não tenham vida, por serem da própria inteligência; a 'prata' é o vero e o 'ouro' é o bem, os quais vêm do Senhor; os 'ídolos' significam o culto pela doutrina que vem da própria inteligência; 'um artífice o fez, não Deus' significa proceder do proprium e não do Divino; 'ser feito em pedaços' significa ser dissipado; daí é evidente o que significa o 'bezerro de Samaria'. Visto que os 'bezerros' significam o bem do homem natural, por isso também os bezerros eram sacrificados (de se trata em Êx. 29:11, 12 seq.; Lv. 4:3 seq.; 13 seq.; 8:15 seq.; 9:2; 16:3; 23:18; Nm. 8:8 seq.; 15:24; 28:19, 20; Jz. 6:25-29; 1 Sm. 1:25; 16:2; 1 Re. 18:23-26, 33), pois todos os animais que eram sacrificados significam os vários gêneros dos bens da igreja.
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