AE 316

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Tendo sete chifres”. Que isto signifique que tem a onipotência, vê-se pela significação de ‘chifre’, que é o poder do vero contra o falso, e, quando se trata do Senhor, é todo o poder ou a onipotência. Que o Cordeiro foi visto tendo chifres em número de ‘sete’ era porque ‘sete’ significa todas as coisas e se atribui ao que é santo (vide acima, n. 257. Que o ‘chifre’ e os ‘chifres’ signifiquem poder é porque o poder dos animais de chifres, como o boi, o carneiro, o bode e outros, está nos chifres. Que o ‘chifre’ ou os ‘chifres’ signifiquem o poder do vero contra o falso e, no sentido supremo, onde se trata do Senhor, a onipotência, e, no sentido oposto, o poder do falso contra o vero, vê-se por muitas passagens na Palavra. E visto que daí é evidente o que significam na Palavra os ‘chifres’, de que se faz menção tantas vezes em Daniel e também no Apocalipse, e como ainda se usam na coroação dos reis, quero citar essas passagens aqui.
[2] Em Ezequiel:
“Naquele dia farei crescer um chifre para a casa de Israel, e a ti darei a abertura da boca no meio deles, para que conheçam que Eu [sou] JEHOVAH” (Ez. 29:21);
‘fazer crescer um chifre para a casa de Israel’ significa o vero em abundância; a casa de Israel’ é a igreja; como isto é o que significa o ‘chifre’ e seu crescimento, por isso também se diz: ‘e a ti darei a abertura da boca’, pelo que se entende a pregação do vero.
[3] No Primeiro Livro de Samuel:
“Exaltou-se o chifre em JEHOVAH, dilatou-se a Minha boca contra os meus inimigos, porque me alegro em Tua salvação... Dará força ao Seu Rei, exaltará o chifre do Seu Ungido” (I Sm. 2:1, 10).
Trata-se de uma profecia de Ana. ‘Exaltou-se o chifre em JEHOVAH” significa que o Divino Vero a encheu e a fez poderosa contra os falsos; e como este é o significado, por isso se diz: ‘dilatou-se a Minha boca contra os meus inimigos’; a ‘dilatação da boca’ é a pregação do vero com poder, e os ‘inimigos’ são os falsos que dispersam o Divino Vero; por ‘dará força ao Seu Rei, e exaltará o chifre de Seu Ungido’ é significada a onipotência do Senhor pelo Divino Bem por meio do Divino Vero, pois a ‘força’, na Palavra, se diz do poder do bem e ‘chifre’ do poder do vero; ‘Ungido de JEHOVAH” é o Senhor quanto ao Divino Humano, que tem a onipotência (vide n° 3008, 3009 e 9954).
[4] Em David:
JEHOVAH “exaltou o chifre de Seu povo, o louvor de todos os Seus santos, os filhos de Israel, Seu povo próximo” (Sl. 148:14);
‘Exaltou o chifre de seu povo’ significa que encheu de Divinos veros, pelo que se diz: ‘o louvor de Seus santos, os filhos de Israel, e Seu povo próximo’, pois chamam-se ‘santos’ os que estão nos Divinos veros, porque o Divino Vero é o que se chama ‘santo’ (vide acima, n. 204); ‘Israel’ é a igreja que está nos veros; ‘seus filhos’ são os veros, e ‘povo’ também se atribui aos que estão nos veros; chama-se ‘próximo’ porque pelos veros está conjunto ao Senhor.
[5] No mesmo:
“JEHOVAH Deus Zebaoth... a formosura da força deles és Tu, e pelo Teu beneplácito exaltarás o nosso chifre” (Sl. 89:8, 17);
‘exaltar o chifre’ significa, também aqui, encher de Divino Vero e por este meio conferir poder contra os falsos, pelo que se diz: ‘JEHOVAH Deus Zebaoth... a formosura da força deles és Tu”. Na Palavra também se diz ‘formosura’ a respeito da igreja e da doutrina do vero ali.
[6] No mesmo:
“O varão bom que tem compaixão e que empresta... sua justiça permanece perpetuamente, seu chifre será exaltado com glória” (Sl. 112:5, 9).
Que o ‘chifre’ signifique o Divino Vero, é evidente pelo fato de se dizer que ‘sua justiça permanece perpetuamente, e seu chifre será exaltado com glória’. ‘Justiça’, na Palavra, se diz a respeito do bem, pelo que o ‘chifre’ se diz do vero, porque em cada coisa da Palavra existe o casamento do bem e do vero. A ‘glória’, também, significa o Divino Vero.
[7] Em Habacuque:
“O esplendor” de JEHOVAH Deus “será como a luz; Ele tem chifres saindo de Sua mão, e ali está o esconderijo de Sua força” (Hb. 3:4);
como os ‘chifres’ significam o Divino Vero com poder, por isso se diz ‘O esplendor’ de JEHOVAH Deus ‘será como a luz, e nos chifres está o esconderijo de Sua força’; pelo ‘esplendor’ de JEHOVAH e pela ‘luz’ é significado o Divino Vero; e pelo ‘esconderijo de Sua força nos chifres’ é significada a onipotência do Divino Bem pelo Divino Vero, pois todo poder pertencem ao bem por meio do vero, e no Divino Vero reside a onipotência que pertence ao Divino Bem.
[8] Em David:
“Achei Davi, Meu servo, com óleo de santidade o ungi; a Minha mão será firme com ele, e Meu braço o fortalecerá. ... A verdade e a minha misericórdia estarão com ele, e no Meu nome será exaltado o Seu chifre” (Sl. 89:20, 21, 24);
por ‘David’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero (vide acima, n. 205); e por ‘exaltado será o seu chifre’ se entende o Seu poder Divino, que Ele tem pelo Divino Vero a partir do Divino Bem; por isso se diz: ‘A verdade e a minha misericórdia estarão com ele’; ‘misericórdia’ na Palavra, quando de se trata de JEHOVAH ou o Senhor, significa o Divino Bem do Divino Amor; como por ‘David’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero procedente de Seu Divino Humano, por isso se diz: ‘David, Meu servo’; por ‘servo’ na Palavra não se entende um servo no sentido comum, mas tudo aquilo que serve, e é atribuído ao vero porque ele serve ao bem para o uso, aqui, para o poder.
[9] No mesmo:
“Farei germinar o chifre de David, porei uma lâmpada para o Meu ungido” (Sl. 132:17);
também aqui, por ‘David’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero, e também por ‘Ungido’; por ‘fazer germinar o Seu chifre’ é significada a multiplicação por Ele do Divino Vero nos céus e nas terras, pelo que também se diz: ‘porei uma lâmpada para Meu Ungido’ pelo que se entende o mesmo. Que o Senhor quanto ao Divino Vero procedente de Seu Divino Bem seja chamado ‘Lâmpada’, vê-se acima (n. 62).
[10] No mesmo:
“JEHOVAH, minha força... minha rocha, Minha fortaleza... Deus, meu Rochedo em que confio, meu escudo e chifre de Minha salvação’ (Sl. 18:1-2; 2 Sm. 22:2, 3);
‘força’ e ‘rocha’, quando se trata de JEHOVAH ou o Senhor, como aqui, significam a onipotência; ‘fortaleza’ e ‘rochedo’ em que se confia significa a proteção; ‘escudo’ e ‘chifre de salvação’ significam a salvação daí; ‘força’, ‘fortaleza’ e ‘escudo’, na Palavra, são atribuídos ao Divino Bem; ‘rocha’, ‘rochedo’ e ‘chifre’ são atribuídos ao Divino Vero; assim, por essas palavras são significadas a onipotência, a proteção e a salvação, que pertencem ao Divino Bem por meio do Divino Vero.
[11] Em Lucas:
“Bendito” o Senhor, Deus de Israel, que visitou e remiu o Seu povo, e erigiu um chifre de salvação na casa de David;... para nos salvar de nossos inimigos” (Lc. 1:68, 69, 71);
trata-se de uma profecia de Zacarias a respeito do Senhor e de Seu advento; o ‘chifre de salvação na casa de David’ significa a onipotência de salvar pelo Divino Vero a partir do Divino Bem; o ‘chifre’ é essa onipotência, a ‘casa de David’ é a igreja do Senhor; os ‘inimigos’ de que salvaria são os falsos do mal, pois são esses os inimigos de quem o Senhor salva aqueles que O recebem. É notório que não houve outros inimigos de quem o Senhor guardou aqueles que ali se entendem por Seu povo.
[12] Em Miquéias:
“Levanta e tritura, ó filha de Sião, porque farei de ferro o teu chifre, e tuas unhas farei de bronze, para que esmiúces a muitos povos” (Mq. 4:13);
‘Levanta e tritura, ó filha de Sião’ significa a dissipação do mal naqueles que são da igreja (‘triturar’ é dissipar, e a ‘filha de Sião’ é a igreja que está na afeição do bem); ‘farei de ferro o teu chifre’ significa o Divino Vero forte e poderoso; o mesmo significa ‘tuas unhas farei de bronze’; as ‘unhas’ são os veros nos últimos; ‘para que esmiúces a muitos povos’ significa para disperses os falsos, pois os ‘povos’ são atribuídos aos veros e, no sentido oposto, aos falsos.
[13] Em Zacarias:
“ Vi, e eis quatro chifres... que dispersaram a Jehudah, a Israel e a Jerusalém. Mostrou-me... quatro ferreiros... e disse: Estes chifres que dispersaram Jehudah, de sorte que nenhum varão levantou sua cabeça, eles vieram para aterrorizá-los, para derrubar os chifres das nações, dos que levantam o chifre contra a terra de Jehudah, para dispersá-la” (Zc. 1:18-21).
por estas palavras se descreve a vastação da igreja e, em seguida, a sua restauração; por ‘Jehudah, Israel e Jerusalém’ é significada a igreja e sua doutrina; os ‘chifres’ que os dispersaram significam os falsos do mal que devastaram a igreja; os ‘ferreiros’ significam o mesmo que o ferro, ou seja, o vero nos últimos, que é forte e poderoso; significa, por conseguinte, o mesmo que o ‘chifre de ferro’; por isso se diz deles: ‘eles vieram... para derrubar os chifres das nações, dos que levantam o chifre contra a terra de Jehudah’; ‘chifre das nações’ são os falsos do mal que devastaram a igreja, os quais devem ser dissipados para que ela seja restaurada.
[14] Nas Lamentações:
“O Senhor... em Sua inflamação destruiu as fortificações da filha de Jehudah, lançou por terra, profanou os seus reis e príncipes; na inflamação da ira cortou todo chifre de Israel” (Lm. 2:2, 3);
aí se trata da devastação total da igreja; o último tempo, quando é devastada, é significado pela ‘inflamação da ira do Senhor’; e sua total devastação é descrita por ‘destruiu as fortificações da filha de Jehudah, lançou por terra, profanou seus reis e príncipes’; a ‘filha de Jehudah’ é a igreja, as suas ‘fortificações’ são os veros do bem; os ‘reis e príncipes’ são os veros de sua doutrina. Daí se vê o que é significado por ‘cortou todo chifre de Israel’, ou seja, todo o poder do vero da igreja de resistir aos falsos do mal.
[15] Em Daniel:
Foram vistas em sonho por Daniel “quatro bestas subindo do mar”... a quarta muito robusta, tendo dentes de ferro, comeu e despedaçou... e tinha dez chifres; “e olhei, e eis que outro chifre pequeno subiu entre eles, e diante dele três dos chofres anteriores foram arrancados; nesse chifre havia olhos como olhos de homem, e uma boca que falava grandes coisas;... vi que esse chifre fez guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles... e que falava palavras contra o Altíssimo; quanto aos dez chifres, são dez reis, e três reis [ele] humilhará” (Dn. 7:3, 7-8, 21, 23, 25).
Que pelos ‘chifres’ aqui se entendam os falsos que destroem os veros da igreja, ou o poder dos falsos contra os veros, é evidente; pela ‘besta que sobe do mar’ é significado o amor de si, do qual se originam todos os males, sendo, aqui, o amor de imperar sobre o céu e a terra, ao qual as coisas santas servem de meios; esse amor é o que se entende pela ‘Babilônia’ no Apocalipse. Foi vista subir ‘do mar’ porque o ‘mar’ significa o homem natural separado do espiritual, pois então ele é tal que nada mais cobiça senão imperar sobre todos, e confirmar seu império pelo sentido da letra da Palavra; os ‘dez chifres’ significam os falsos de todo gênero, pois ‘dez’ são todas as coisas; por isso também se diz que ‘dez chifres são dez reis’, pois os ‘reis’ significam os veros e, no sentido oposto, como é aqui, os falsos. O ‘chifre pequeno’ que subiu entre eles, diante do qual três dos chifres anteriores foram arrancados, significa a perversão plenária da Palavra pela aplicação de seu sentido da letra para confirmar o amor de dominar. Diz-se que esse chifre é ‘pequeno’ porque não parece que perverte a Palavra, e o que não aparece diante da vista do espírito do homem ou diante de seu entendimento, passa despercebido ou como nada ou pequeno. No mundo espiritual essa aparência não é perceptível senão por poucos. Os ‘três chifres’ que foram arrancados diante dele significam os veros da Palavra ali, que são assim destruídos por meio de falsificações; esses veros são também significados pelos ‘três reis’ aos quais humilhou; por ‘três’ não são significados três, mas o que é plenário, por conseguinte, que os veros foram plenamente destruídos. Como esse chifre significa a perversão da Palavra quanto ao seu sentido da letra, e esse sentido aparece diante dos olhos dos homens como sendo assim mesmo e não para ser compreendido diferentemente, portanto, não sendo contraditado por ninguém, por isso se diz desse chifre que ‘nele havia olhos como olhos de homem, e uma boca falando grandes coisas’; os ‘olhos’ significam o entendimento, e olhos como olhos de homem’ o entendimento como se fosse do vero; a ‘boca’ significa, daí, o pensamento e a fala. Por essas explicações pode-se agora ver o que se entende por todas e cada uma das coisas aí, por exemplo, o que se entende pela ‘besta que sobre do mar, que tinha dez chifres e dentes de ferro, que comeu e despedaçou’; pelo ‘chifre pequeno ter subido entre os três, diante do qual três dos chifres foram arrancados, e no qual havia olhos como olhos de homem e uma boca falando coisas grandes’; por ‘fez guerra contra os santos e prevaleceu sobre eles; por ‘falava palavras contra o Altíssimo’ e por os ‘chifres’ serem tantos quanto os ‘reis’.
[16] No mesmo:
“Vi em visão... um carneiro... que tinha dois chifres, e os chifres eram altos, todavia um era mais alto do que o outro, mas o alto subiu por último; feria para o ocidente, o norte e o meio-dia. ... Eis que então um bode das cabras veio do ocidente sobre a face de toda a terra; ... o chifre deste era notável entre seus olhos. ... E correu com o carneiro no furor de sua força... e quebrou seus dois chifres, e o lançou por terra e o pisoteou; ...mas quebrou-se o chifre grande do carneiro, e subiram quatro em seu lugar, para os quatro ventos dos céus. Logo, de um deles saiu um chifre do pequeno, e cresceu muito em direção ao meio-dia, e para o nascente e para a formosura, e cresceu mesmo até o exército dos céus, e lançou por terra [parte] do exército... e a pisoteou; mesmo até o Príncipe do exército se exaltou; ...e foi precipitado o habitáculo do Seu santuário, porque lançou por terra a verdade” (Dn. 8:2-12, 21, 25);
aí se descreve outra coisa que devasta a igreja, a saber, a fé só. Pelo ‘carneiro’ é significado o bem da caridade e a fé daí, e pelo ‘bode’ a fé separada da caridade, ou a fé só, ou, o que é o mesmo, aqueles que nelas estão; pelos seus ‘chifres’ são significados os veros do bem e os falsos do mal, em combate (***); os veros do bem pelos ‘chifres do carneiro’ e os falsos do mal pelos ‘chifres do bode’; pelo fato de o carneiro ter ‘dois chifres altos, um mais alto do que o outro, e o mais alto subindo por último’ é significado o vero da fé proveniente do bem da caridade, e isto foi visto segundo o influxo do bem e do vero no homem e no espírito, pois todo bem é recebido por último e todo vero primeiro, porquanto o cerebelo é formado para receber o bem quanto à vontade, e o cérebro para receber o vero quanto ao entendimento. Por ‘ocidente, norte e meio-dia’ para os quais feria são significados os bens e vero que recebem aqueles que estão na caridade e, daí, na fé, pelos quais dispersam os males e falsos; pelo ‘bode das cabras’, que ‘veio sobre a face de toda a terra’ é significada a fé separada da caridade, oriunda do mal da vida; o ‘bode das cabras’ é essa fé, o ‘ocidente’ é o mal da vida, e a ‘terra’ é a igreja; “ele ter um chifre notável entre os olhos’ significa que é da própria inteligência; ele ‘ter corrido com o carneiro no furor de sua força e ter quebrado seus dois chifres, e tê-lo lançado por terra e o pisoteado” significa que foi destruída inteiramente a caridade e a fé daí, pois destruída a caridade a fé também é destruída, visto que esta procede daquela; ‘quebrou-se o chifre grande do bode’ e ‘subiram quatro em seu lugar, para os quatro ventos dos céus’ significa todos os falsos conjuntos aos males daí; os ‘chifres’ significam os falsos do mal, ‘quatro’ significa a conjunção deles, e os ‘quatro ventos dos céus’ significam todas as coisas, tanto falsas quanto más; ‘de um deles saiu um chifre, do exíguo’ significa a justificação por ela, pois esta nasce do princípio da fé só; diz-se ‘do exíguo’ porque isto não parece como falso; o fato de esse chifre ‘ter crescido muito para o meio-dia, e para o nascente e para a formosura, e ter crescido mesmo até o exército dos céus, e ter lançado por terra [ parte] do exército, e a pisoteou’ significa destruiu todos os veros e bens da igreja; o ‘meio-dia’ é onde o vero está na luz; o ‘nascente e a formosura são onde o bem está no claro pelo vero; o ‘exército dos céus’ são todos os veros e bens da igreja, e ‘lançar o exército por terra e o pisotear’ significa destruir completamente. Que se ‘tenha exaltado até o Príncipe do exército’ e que ‘o habitáculo de Seu santuário’ significa a negação do Divino Humano do Senhor e, assim, a devastação da igreja; o ‘Príncipe do exército’ é o Senhor quanto ao Divino Humano, porque dele procedem todos os veros e bens que fazem a igreja; o ‘habitáculo do santuário’ é a igreja onde essas coisas estão. É evidente que se entendem os veros que são destruídos pelos falsos, pois se diz: ‘lançou por terra a verdade’. Que sejam estas as coisas significadas pelo ‘carneiro’, o ‘bode’ e os seus ‘chifres’ é claramente evidente pelas aparências no mundo espiritual, pois ali, quando os tais que se confirmaram na doutrina da fé só e na justificação por ela discutem com os que estão na doutrina da caridade e, daí, na fé, então, para outros que estão de longe, eles aparecem como bodes ou bodes com semelhantes chifres, e com semelhante insulto e furor contra os carneiros ou carneiro, e também parecem que pisoteiam estrelas sob os seus pés. Essas coisas também foram vistas por mim e pelos que estavam ali ao mesmo tempo, os quais assim se confirmaram de que são tais as coisas que se entendem em Daniel e, também, que as mesmos coisas se entendem pelas ‘ovelhas da direita’ e pelos ‘bodes da esquerda’ em Mt. 25:32 ao fim), a saber, pelas ‘ovelhas’ os que estão no bem da caridade, e pelos ‘bodes’ os que estão na fé só. Das coisas que são relatadas por Daniel pode-se ver até certo ponto o que é significado no Apocalipse
pelo dragão que foi visto tendo dez chifres (Ap. 12:3);
pela besta que foi vista subindo do mar e também tendo dez chifres (Ap. 13:1);
e pela mulher que foi vista sentada sobre uma besta escarlate tendo sete cabeças e dez chifres, a cujo respeito o anjo disse: “Os dez chifres que viste são dez reis” (Ap. 12:3, 7, 12);
mas a este respeito ver-se-á na explicação dessas coisas na sequencia.
[17] Que o poder do falso contra o vero seja significado pelo ‘chifre’ e pelos ‘chifres’, é evidente também por estas seguintes passagens. Em Jeremias:
“Foi cortado o chifre de Moabe, e seu braço foi quebrado” (Jr. 48:25);
por ‘Moabe’ são significados os que estão nos bens espúrios e, daí, nos veros falsificados, que em si mesmos são falsos; a destruição desses falsos é significada por ‘foi cortado o chifre de Moabe’, e a destruição daqueles males por ‘seu braço foi quebrado’.
[18] Nas Lamentações:
JEHOVAH “fez que o adversário se alegrasse sobre ti, exaltou o chifre de teus inimigos” (Lm. 2:17);
pelo ‘adversário’ se entende o mal, e pelos ‘inimigos’, os falsos do mal; ‘exaltar o chifre dos inimigos’ é os falsos prevalecerem sobre os veros e destruí-los.
[19] Em Ezequiel:
“Com o lado e o ombro empurrais, com vossos chifres feris todas as ovelhas enfermas, até que as dispersais fora” (Ez. 34:21);
‘empurrar com o lado e o ombro’ é com toda força e todo esforço; ‘ferir com os chifres as ovelhas enfermas até dispersá-las fora’ significa destruir pelos falsos os probos que ainda não estão nos veros do bem, mas, não obstante, desejam estar.
[20] Em Amós:
“No dia em que visitarei as prevaricações de Israel sobre ele, visitarei os altares de Betel, até que sejam cortados os chifres do altar e caiam por terra” (Am. 3:14);
pelos ‘altares de Betel’ é significado o culto pelo mal, e pelos ‘chifres do altar’ são significados os falsos desse mal; que esses devem ser destruídos é significado por ‘os chifres serem cortados e caírem por terra’.
[21] No mesmo:
“Os que se alegram sobre coisa nenhuma; os que dizem: Porventura não é por nossa força que obtivemos chifres para nós?” (Am. 6:13);
‘obter chifres por nossa força’ significa pelo poder da própria inteligência adquirir falsos pelos quais os veros são destruídos.
[22] Em David:
“Eu disse aos arrogantes: Não sejais arrogantes. E aos ímpios: Não levanteis o chifre, não levanteis ao alto o vosso chifre, nem faleis com o pescoço duro. ... Amputarei todos os chifres dos ímpios; serão exaltados os chifres do justo” (Sl. 75:4, 5, 10);
por ‘levantar ao alto o chifre’ é significado defender veementemente o falso contra o vero; por isso também se diz: ‘Não faleis com o pescoço duro’; por ‘amputar os seus chifres’ é significado destruir os seus falsos; e por ‘exaltar os chifres do justo’ é significado tornar poderosos e fortes os veros que pertencem ao bem.
[23] Visto que ‘tornar altos’ e ‘exaltar os chifres’ significa encher de veros e fazê-los poderosos e fortes contra os falsos, por isso também esses veros são chamados ‘chifres de unicórnio’, em razão de eles seres altos. Por exemplo, em Moisés:
“O primogênito do seu boi tem honra, e os chifres do unicórnio são seus chifres; com eles ferirá os povos unidos até os fins da terra; e estes são as miríades de Efraim e os milhares de Manassés” (Dt. 33:17);
estas palavras se referem a José, por quem é representado no sentido supremo o Senhor quanto ao Divino espiritual, ou quanto ao Divino Vero no céu. Daí, por ‘José’ são também significados os que estão no reino espiritual do Senhor (vide n° 3969, 3971, 4669 e 6417). O ‘primogênito do boi tem honra’ significa o bem do amor espiritual; os ‘chifres do unicórnio são seus chifres’ significa os veros em sua plenitude e, daí, em seu poder; ‘ferir os povos até os fins da terra’ significa instruir nos veros todos os que são da igreja e por eles dissipar os falsos; pelas ‘miríades de Efraim’ e pelos ‘milhares de Manassés’ é significada a profusão e a abundância do vero e, daí, de sabedoria, e a profusão e a abundância do bem e, daí, do amor; ‘Efraim’ na Palavra significa o entendimento da igreja, que é do vero, e ‘Manassés’ significa a vontade da igreja, que é do bem (vide n° 3969, 5354, 6222, 6234, 6238, 6267 e 6296); e por ‘miríades e milhares’ são significadas grandes quantidades, assim, a profusão e a abundância.
[24] Em David:
“Salva da boca do leão, e dos chifres dos unicórnios ouve-me” (Sl. 22:21);
pelo ‘leão’ é significado o falso destruindo com força o vero, e pelos ‘chifres dos unicórnios’ são significados os veros que prevalecem contra os falsos.
[25] No mesmo:
“Como o do unicórnio é o meu chifre” (Sl. 92:10);
o ‘chifre como o unicórnio’ significa o vero quanto à plenitude e o poder.
[26] No Apocalipse:
“E o sexto anjo ressoou [a trombeta], e ouvi a voz dos quatro chifres do altar de ouro, que está diante de Deus” (Ap. 9:13);
o altar do incenso, que também era chamado ‘altar de ouro’ era um representativo da audição e da recepção de tudo do culto, que procede do amor e da caridade vindos do Senhor, portanto, um representativo de tais coisas do culto que são elevadas pelo Senhor. Os chifres do altar representavam os veros procedentes do bem do amor. Daí é evidente por que foi ouvida a voz dos quatro chifres do altar, pois é pelos veros que o bem age e fala.
[27] Como os altares representavam o culto do Senhor pelo bem do amor, e todo culto que é verdadeiramente culto se presta pelo bem do amor por meio dos veros, por isso os altares tinham chifres. Que o altar do incenso os tinha, vê-se em Moisés:
“Farás quatro chifres sobre o altar do incenso; dele serão, e os cobrirás de ouro” (Êx. 30:2, 3, 10; 37:25, 26);
e que também os tinha o altar do holocausto, vê-se em outra passagem no mesmo livro:
“Farás chifres sobre os quatro cantos” do altar do holocausto; “dele serão seus chifres” (Êx. 27:2; 38:2);
que os chifres fossem do altar significava que os veros, os quais os chifres representavam, procedem do bem do amor que o próprio altar representava, pois todo vero é proveniente do bem; que houvesse quatro e em cada canto significava que estavam em lugar dos quatro pontos cardeais no céu, pelos quais são significadas todas as coisas do vero proveniente do bem.
[28] Como todas as expiações e purificações se fazem pelos veros do bem, por isso a expiação se fazia sobre os chifres dos altares,
Sobre os chifres do altar do incenso (Êx. 30:10; Lv. 4:7);
E sobre os chifres do altar do holocausto (Lv. 4:25, 30, 34; 8:15; 9:9; 16:18).
E visto que toda proteção Divina é pelos veros do bem,
Por isso também os que faziam o mal e temiam a morte, pegavam nos chifres do altar e eram salvos (Ire 1:50, 51, 52);
Mas os que faziam o mal premeditadamente e por vontade não eram salvos (1 Re. 2:28-31).’
Além disso, como os ‘chifres’ significavam os veros do bem, por isso também, quando os reis eram ungidos, isto se fazia pelo óleo de um chifre. Que David tenha sido ungido assim, vê-se em 1 Sm. 16:1, 13; e assim também Salomão, 1 Re 1:39. O óleo significava o bem do amor. Dessa significação dos chifres, que os antigos conheciam, era costume fazer chifres germinantes e fragrantes. Daí vem a palavra ‘cornucópia’9.

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