. “Porque foste morto, e nos remiste para Deus em Teu sangue”. Que isto signifique a separação de todos pelo Divino e a conjunção com o Divino pelo reconhecimento d’Ele e pela recepção do Divino Vero proveniente d’Ele, vê-se pela significação de ‘ser morto’, quando se trata do Senhor, que é a separação de todos pelo Divino, porque ‘matar’, na Palavra, significa matar espiritualmente, isto é, destruir pelos males e falsos (como se mostrou acima, n. 315); e como o Senhor não está com eles, pois é negado, por isso, ‘ser morto’, quando se trata do Senhor, significa não ser reconhecido (como se viu acima, n. 315) e também negado. Quando é negado o Senhor está, por assim dizer, morto neles, e eles são por isso separados do Divino, pois os que negam o Senhor, isto é, o Seu Divino, esses se separam inteiramente do Divino. Com efeito, Ele é o Deus do universo e Ele é um com o Pai, e o Pai está n’Ele e Ele no Pai, e ninguém vem ao Pai senão por Ele, como o Senhor mesmo ensina. Por isso, aqueles que na igreja não reconhecem o Seu Divino, e ainda mais aqueles que O negam de coração, são separados completamente do Divino.
[2] Por ‘negá-Lo’ se entende aqui matá-Lo consigo. É isto que também se entende no sentido interno da Palavra por crucificarem o Senhor, como se vê acima, n° 83 e 195, pois os judeus, com quem havia então a igreja, negaram que Ele fosse o Cristo e, por isso, separaram-se do Senhor, pelo que O entregaram à morte ou crucificaram. Hoje, também, fazem isso aqueles que negam o Seu Divino, donde vem a afirmação comum dos pregadores que aqueles que levam uma vida má e blasfemam contra Ele crucificam-No consigo mesmos. É isto, também, que é significado por ‘foste morto’. E vê-se também pela significação de ‘nos redimiste para Deus no Teu sangue’, ou seja, que nos conjungiste ao Divino pelo reconhecimento d’Ele e pela recepção do Divino Vero proveniente d’Ele, pois ‘redimir’ significa libertá-los do inferno e por esse meio apropriá-los a Si, conjungindo-os, assim, ao Divino, conforme se verá pelas passagens na Palavra a serem citadas abaixo, nas quais se fala de ‘redimir’ e ‘redenção’; e o ‘sangue do Senhor; significa o Divino Vero procedente d’Ele; e como homem é liberto do inferno pela recepção do Divino Vero procedente do Senhor e é conjunto a Ele, por isso, ‘nos redimiste para Deus no Teu sangue’ significa a conjunção com o Divino pela recepção do Divino Vero proveniente d’Ele.
[3] Ninguém que se detém somente no sentido da letra pode ver que aqui se encerra esse sentido, pois no sentido da letra não se pode ver outra coisa senão que ‘foste morto’ quer dizer que foi crucificado, e que ‘nos redimiste em teu sangue’ quer dizer que nos reconciliou com Seu Pai pela paixão da cruz. E como esse sentido é o sentido da letra, e até aqui se ignorou que em cada coisa da Palavra existe um sentido interno que é espiritual, por isso, por esse sentido, a saber, o sentido da letra, formulam essa doutrina de que o Divino mesmo, ao que chamam Pai, rejeitou de Si todo o gênero humano, e o Senhor, pela paixão da cruz, os reconciliou, e assim são salvos aqueles pelos quais Ele intercede. Quem não pode ver, tendo um entendimento esclarecido, que esse doutrinal é contra o Divino mesmo? Pois o Divino mesmo nunca rejeita de Si homem algum, porque ama a todos e, assim, quer a salvação de todos. E também é contra o Divino mesmo reconciliar pelo derramamento de sangue, e ser levado à misericórdia pela visão da paixão da cruz que o Seu Filho suportou, e daí ter misericórdia e não de Si mesmo. E ainda que isto seja contra a essência Divina, chamam-no, no entanto, a fé mesma ou a fé justificante.
[4] Quem é, também, que pode, por uma razão iluminada, pensar que os pecados de todo o mundo foram transferidos para o Senhor, e são tirados de cada um que somente tenha essa fé? Mas ainda que essa doutrina esteja naqueles que não pensam além do sentido da letra, todavia os anjos que estão com o homem não a percebem segundo esse sentido, mas segundo o sentido espiritual, pois são espirituais, e, assim, pensam espiritualmente e não naturalmente. Por ‘redimir o homem em Seu sangue’ eles percebem libertar o homem do inferno, e assim adjudicá-lo e conjuntá-Lo a Si pelo reconhecimento d’Ele e pela recepção do Divino Vero que vem d’Ele. Que isto seja assim, é o que também pode saber a igreja, pois pode saber que ninguém é conjunto ao Divino por meio do sangue, mas pela recepção do Divino Vero e pela aplicação deste na vida.
[5] O Senhor libertou do inferno pelo fato de ter assumido o Humano e ter, por esse modo, subjugado os infernos e reposto na ordem todas as coisas nos céus, o que não poderia ser feito por ninguém senão pelo Humano, pois o Senhor opera desde os primeiros por meio dos últimos, portanto, de Si pelas coisas que de Si estão nos últimos, as quais estão no Humano. Esta é a operação do poder Divino no céu e no mundo. (Mas, a respeito deste assunto, vida alguma coisa acima, n. 41, e também na obra O Céu e o Inferno, n. 315; e nos Arcanos Celestes, n° 5897, 6239, 6451, 6465, 8603, 9215, 9216, 9824, 9828, 9836, 10044, 10099, 10329, 10335 e 10548). O Senhor libertou do inferno também pelo fato de ter glorificado o Seu Humano, isto é, por tê-lo feito Divino, porque assim, e não de outro modo, pode manter os infernos subjugados eternamente. E como a subjugação dos infernos e a glorificação de Seu Humano aconteceram pelas tentações admitidas em Seu Humano, a Sua paixão da cruz foi a última tentação e a plena vitória. Pela expressão ‘levou os pecados de todos’ é significado que Ele admitiu em Si todos os infernos quando foi tentado, pois dos infernos todos os pecados ou males sobem, entram e estão no homem; por isso, ‘levou os pecados significa que admitiu em Si os infernos quando foi tentado; e pela expressão ‘carregou os pecados’ é significado que subjugou os infernos, de modo que assim os males não podem mais se levantar naqueles que reconhecem o Senhor e O recebem, isto é, os que recebem na fé e na vida o Divino Vero procedente d’Ele, e são assim conjuntos ao Senhor. Foi dito que ‘nos redimiste para Deus em Teu sangue’ significa a conjunção com o Divino pelo reconhecimento d’Ele e pela recepção do Divino Vero procedente d’Ele. E visto que a igreja está fundamentada neste ponto, quero dizer umas poucas palavras a respeito de que maneira se faz por aí a conjunção.
[6] O principal é reconhecer o Senhor, Seu Divino no Humano, e Sua onipotência para salvar o gênero humano, porque por esse reconhecimento o homem é conjunto ao Divino, uma vez que em nenhuma outra parte o Divino está; de fato, aí está o Pai, pois o Pai está n’Ele e Ele no Pai, como o Senhor mesmo ensina. Por causa disso, aqueles que se voltam para outro Divino junto d’Ele ou ao lado d’Ele, como fazem os que oram ao Pai para que tenha misericórdia por causa do Filho, esses se deviam do caminho e adoram o Divino em outra parte que não n’Ele. Além disso, eles então nada pensam a respeito do Divino do Senhor, mas somente do Humano, os quais, todavia, não podem ser separados, pois o Divino e o Humano não são dois, mas uma única Pessoa, conjuntas como a alma e o corpo, segundo a doutrina da Fé Atanasiana recebida pelas igrejas. Por conseguinte, reconhecer o Divino no Humano do Senhor, ou o Divino Humano, é a primeira coisa da igreja, pela qual há a conjunção. E como é o principal, é também a primeira coisa da igreja. Porquanto esta é a primeira coisa da igreja, por isso o Senhor, quando estava no mundo, disse tantas vezes àqueles que Ele curava: “Crês que posso fazer isto?” e quando respondiam que criam, dizia: “Faça-se segundo a tua fé”. Se disse isso tantas vezes foi para que em primeiro lugar cressem que pelo Seu Divino Humano tem a Divina onipotência, pois sem essa fé a igreja não pode começar, e sem essa fé não seriam conjuntos ao Divino, mas separados d’Ele, e assim nada de bem poderiam receber d’Ele.
[7] Em seguida o Senhor ensinou de que maneira seriam salvos, a saber, recebendo o Divino Vero procedente d’Ele, e este é recebido quando é aplicado e implantado na vida por praticá-lo. Por isso o Senhor disse tantas vezes que praticassem as Suas palavras. Por aí se pode ver que esses dois, a saber, crer no Senhor e praticar as Suas Palavras, fazem um, e não podem de modo algum ser separados, pois quem não pratica as palavras do Senhor não crê n’Ele. Também, quem acha que crê n’Ele e não pratica as palavras d’Ele, tampouco crê n’Ele. Com efeito, o Senhor está em Suas palavras, isto é, em seus veros, e por eles dá ao homem a fé. Por estas poucas explicações pode-se saber que a conjunção com o Divino é pelo reconhecimento do Senhor e pela recepção do Divino Vero procedente d’Ele. Isto é, pois, o que é significado pela expressão: ‘O Cordeiro nos redimiu para Deus no Seu sangue’. Que pelo ‘Cordeiro’ seja significado o Senhor quanto ao Divino Humano, vê-se acima (n. 314). (Mais a este respeito pode-se ver na Doutrina da Nova Jerusalém, n° 293-297, e [nos extratos] dos Arcanos Celestes, ali, n° 300-306, como também no final daquela obra, onde se trata especialmente do Senhor. Que o ‘sangue’ signifique o Divino Vero procedendo do Senhor, e que a salvação pelo ‘Seu sangue’ signifique a salvação pela recepção do Divino Vero procedente d’Ele, é o que se dirá no artigo seguinte.
[8] Que, porém, ‘redimir’ signifique resgatar e libertar, e, quando se trata do Senhor, resgatar e libertar do inferno, e assim adjudicar a conjungir a Si, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Isaías:
“Quem é [esse] que vem de Edom... que marcha na multidão de Sua força? Eu, que falo em justiça, grande para salvar;... pois o dia da vingança13 está em Meu coração, e o ano dos Meus redimidos chegou. ... Em toda angústia deles Ele teve angústia, e o Anjo de Sua face os guardou; por Seu amor e por Sua clemência Ele os redimiu, e os tomou, e os levou todos os dias da eternidade” (Is. 63:1, 4, 9);
aí se trata do Senhor e de Suas lutas de tentações, pelas quais subjugou os infernos. Por ‘Edom’, de onde veio, é significado o Seu Humano, do mesmo modo que pelo ‘Anjo de Sua face’; Seu poder Divino, pelo qual lutou, é significado por ‘que marcha na multidão de Sua força’’; a precipitação no inferno daqueles que insurgiram e a elevação dos bons ao céu se entende pela ‘justiça’, por conseguinte, por estas palavras: ‘Eu, que falo em justiça, grande para salvar, pois o dia da vingança está em Meu coração, e o ano dos Meus redentores chegou’; o Seu Divino Amor, pelo qual fez essas coisas, é descrito por ‘em toda angústia deles Ele teve angústia, e o Anjo de Sua face os guardou; por Seu amor e por Sua clemência Ele os redimiu, e os tomou, e os levou todos os dias da eternidade’. Daí se vê que pelos ‘redimidos’ e por ‘aqueles a quem redimiu’ são significados aqueles aos quais resgatou do furor dos que são dos infernos, e aos quais salvou.
[9] No mesmo:
“Assim disse” Jehovah, “teu Criador, ó Jacob, e teu Formador, ó Israel: [Não temas], pois te redimi, chamei-te por teu nome, tu és Meu” (Is. 62:11, 12).
Que ‘redimir’ signifique libertar do inferno, adjudicar e consagrar a Si para que seja Seu é evidente, pois é dito: ‘Redimi-te, chamei-te por teu nome, tu és Meu’. Visto que isto se faz pelo Senhor por meio da reforma e da regeneração, por isso é dito: Jehovah, ‘teu Criador, ó Jacob, e teu Formador, ó Israel’. Ele é chamado ‘Criador’ porque ‘criar’, na palavra, significa regenerar (vide acima, n. 294); ‘Jacob’ e ‘Israel’ significam os que são da igreja e estão nos veros do bem.
[10] No mesmo:
“Dizei à filha de Sião: Eis que tua salvação vem; eis a Sua recompensa com Ele, e o preço das obras diante d’Ele, e os chamarão: povo de santidade, redimidos de JEHOVAH” (Is. 62:11, 12);
aqui também se trata do advento do Senhor e da instauração da igreja por Ele; a ‘filha de Sião’ significa a igreja que está no amor ao Senhor; o advento do Senhor se entende por ‘Eis que tua salvação vem; eis a Sua recompensa com Ele, e o preço das obras diante d’Ele’; os reformados e regenerados por Ele se entendem por ‘redimidos de JEHOVAH’.
[11] Que eles sejam chamados ‘redimidos’ é porque foram libertos dos males pela regeneração e adjudicados e conjuntos ao Senhor. No mesmo:
“Não haverá leão, nem o predador das feras... será achado nela, mas os redimidos irão; assim os redimidos de JEHOVAH voltarão, e virão a Sião com cântico, [e] regozijo de eternidade sobre a sua cabeça” (Is. 35:9-10);
também aí se trata do advento do Senhor e da salvação daqueles que se deixam regenerar pelo Senhor; neles não haverá mais falso que destrua o vero nem mal que destrua o bem, o que é significado por ‘não haverá leão’ e por ‘nem o predador das feras será achado nela’; que sejam resgatados dos males e libertos dos falsos, é significado por ‘os redimidos irão; assim os redimidos de JEHOVAH voltarão’; a felicidade eterna deles é significada por ‘virão a Sião com cântico, e regozijo de eternidade [haverá] sobre a sua cabeça’; ‘Sião’ é a igreja; o que o ‘cântico’ significa, viu-se logo acima (n. 362). Há duas palavras na língua original pelas quais se exprime “redimir”: uma significa o resgate dos males, a outra a libertação dos falsos; essas duas palavras estão aqui, pelo que se diz ‘irão os redimidos’ e ‘os redimidos de JEHOVAH voltarão’. (Essas duas palavras se acham semelhantemente em Oséias 13:14 e em David, Salmos 69:18 e 107:2).
[12] Que ‘redimir’ signifique resgatar dos males e libertar dos falsos, como também resgatar e libertar dos infernos, é porque dos infernos brotam todos os males e falsos no homem; e como esses males e falsos são removidos pelo Senhor por meio da reforma e da regeneração, também a reforma e a regeneração são significadas por ‘redimir’ ou pela ‘redenção’, como nas passagens que se seguem.
[13] Em David:
“Levanta em nosso auxílio, e redime-nos por causa de Tua misericórdia” (Sl. 44:26);
‘redimir’ está em lugar de libertar e reformar. No mesmo:
“Deus redimiu minha alma da mão do inferno, e me aceitará” (Sl. 49:15);
‘redimir da mão do inferno’ está em lugar de libertar; ‘aceitar-me’ está em lugar de adjudicar e conjungir a Si, ou fazer com que sejam Seus, assim como os escravos são vendidos e redimidos. Em Oséias:
“Da mão do inferno os redimirei, da morte os redimirei” (Os. 13:14);
‘redimir’ está em lugar de resgatar e libertar da danação. No mesmo:
“Bendize, ó minha alma, a JEHOVAH... que redimiu a tua vida da cova” (Sl. 104:1, 4);
‘redimir da cova’ está em lugar de libertar da danação (‘cova’ é a danação). No mesmo:
“Aproxima[-Te] da minha alma, redime-a, e por causa dos meus inimigos, me redime” ( Sl. 69:18);
‘aproximar da alma’ significa conjuntá-la a Si; ‘redimi-la’ significa resgatar dos males; ‘por causa dos inimigos, redime’ significa libertar dos falsos (‘inimigos’ são os falsos). No mesmo:
“Digam os redimidos de JEHOVAH, os quais redimiu da mão de angustiantes inimigos” (Sl. 107:2);
‘redimidos de JEHOVAH’ está em lugar dos que são resgatados dos males; ‘os quais redimiu da mão de angustiantes inimigos’ está em lugar dos que Ele libertou dos falsos. Em Jeremias:
“Contigo Eu [estou] para te guardar, e para te resgatar... e te resgatarei da mão dos maus, e te redimirei da mão dos violentos” (Jr. 15:20, 21);
‘redimir da mão dos violentos’ está em lugar de libertar dos falsos que causam violência ao bem da caridade; ‘violentos’ significam esses falsos, por conseguinte também aqueles os que estão nesses falsos.
[14] Em David:
“Que Israel espere em JEHOVAH, porque com JEHOVAH há misericórdia, e n’Ele há copiosa redenção; e Ele redimirá Israel de todas as suas iniquidades” (Sl. 130:7, 8);
‘redenção’ está em lugar de libertação e ‘Israel’ em lugar da igreja; reformar e libertar dos falsos aqueles que são da igreja é significado por ‘Ele redimirá Israel de todas as suas iniquidades’. No mesmo:
“A integridade e a retidão me guardem, porque esperei em Ti. Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angústias” (Sl. 25:21, 22);
‘redimir Israel das angústias’ é, também aqui, libertar de falsos que angustiam os que são da igreja. Em Isaías:
“Porventura está encolhida a Minha mão, para que não haja redenção? Ou não há em Mim poder para resgatar?” (Is. 50:2);
é evidente que ‘redenção’ é a libertação, pois também foi dito: ‘Porventura está encolhida a Minha mão? Ou não há em Mim poder para resgatar?’ Em David:
Deus “ouvirá a minha voz, redimirá com paz a minha alma” (Sl. 55:17, 18);
‘redimir’ está em lugar de libertar. No mesmo:
“Cantarei a Ti na cítara, ó Santo de Israel. Meus lábios louvarão... e a minha alma, que redimiste” (Sl. 71:22, 23);
‘redimir a alma’ está em lugar de libertar dos falsos, pois pela ‘alma’, na Palavra, é significada a vida da fé, e pelo ‘coração’ a vida do amor; por isso, ‘redimir a alma’ significa libertar dos falsos e dar a vida da fé.
[15] No mesmo:
“Redime-me da opressão do homem, para que eu guarde os Teus mandados” (Sl. 119:134);
‘redimir da opressão do homem’ significa libertar dos falsos do mal, pois ‘homem’ significa a afeição do vero espiritual e, daí, a sabedoria, mas no sentido oposto, como é aqui, significa a cupidez do falso e, daí, a insanidade; sua ‘opressão’ significa a destruição do vero pelos falsos. No mesmo:
“Na Tua mão encomendo o meu espírito; redimiste-me, ó JEHOVAH, Deus da verdade” (Sl. 31:6);
‘redimir’ está em lugar de libertar dos falsos e reformar pelos veros; como isto é significado por ‘redimir’ aqui, por isso também se diz: ‘JEHOVAH, Deus da verdade’. No mesmo:
“Na mão” dos pecadores “há malefícios, e a destra deles está cheia de suborno; eu, porém, ando na minha integridade; redime e tem misericórdia de mim” (Sl. 26:10, 11);
‘redimir’ está em lugar de libertar dos falsos e reformar. No mesmo:
“Do dolo e da violência redimirá as suas almas, e precioso será o sangue deles aos Seus olhos; e viverá, e lhe dará do ouro de Scheba, e rogará por ele continuamente, todo dia lhe abençoará” (Sl. 72:14, 15)
aí se trata dos ‘necessitados’, pelos quais são significados aqueles que desejam os veros pela afeição espiritual; deles se diz: ‘do dolo e da violência redimirá as suas almas’, que significa a libertação dos males e falsos que destroem os bens do amor e os veros da fé.; a recepção do Divino Vero por eles é significada por ‘precioso será o sangue deles aos Seus olhos’; a sua reforma e regeneração é descrita por ‘viverá e lhe dará do ouro de Scheba, e rogará por ele continuamente, todo dia lhe abençoará; o ‘ouro de Scheba é o bem da caridade; ‘rogar por ele continuamente’ significa que serão constantemente desviados dos falsos e mantidos nos veros, e ‘todo dia lhe bendirá’ significa que estarão continuamente no bem da caridade e da fé, pois esta é a ‘bênção’ Divina, e aquela é a ‘orar por ele continuamente’.
[16] No mesmo:
“Assim disse JEHOVAH: Gratuitamente fostes vendidos, e não por prata sereis redimidos;... ao Egito desceu o Meu povo, para peregrinar ali, mas a Assíria por nada o oprimiu” (Is. 52:3, 4);
aí se trata da desolação do vero pelos conhecimentos e, por meio destes, pelos raciocínios do homem natural, pois ‘ao Egito desceu o Meu povo, para peregrinar ali’ significa a instrução do homem natural por meio dos conhecimentos e das cognições do vero; o ‘Egito’ significa os conhecimentos e também cognições, mas tais os que procedem do sentido da letra da Palavra, e ‘peregrinar’ significa ser instruído; ‘Assíria por nada os oprimiu’ significa a falsificação dos conhecimentos pelos raciocínios do homem natural; ‘Assíria’ significa os raciocínios, e ‘oprimir por nada’ significa a falsificação, pois os são nada, uma vez que nada há de veros neles, o que acontece quando o homem natural tira conclusões separadamente do homem espiritual. Daí é que se diz inicialmente: ‘Gratuitamente fostes vendidos, e não por prata sereis redimidos’; ‘vendidos gratuitamente’ significa afastar-se dos falsos por si mesmo ou por seu proprium e rejeitá-los; *** e ‘não por prata sereis redimidos’ significa que não podem pelo vero serem resgatados dos falsos do mal (‘prata’ significa o vero, e ‘ser redimido’ significa ser resgatado dos falsos do mal e ser reformado).
[17] Em Zacarias:
“Congregá-los-ei, porque os redimirei; então serão multiplicados, e os semearei entre os povos, e os trarei de volta da terra, e congregá-los-ei da Assíria, e à terra de Gileade e ao Líbano os levarei” (Zc. 10:8, 10);
aqui se trata da restauração da igreja e da reforma pelos veros do bem; ‘congregá-los-ei, porque os redimirei’ significa a dissipação dos falsos e a reforma pelos veros, pelo que se diz: ‘serão multiplicados, e os semearei entre os povos’, pelo que é significada a multiplicação e a inseminação do vero do bem; ‘trazer de volta do Egito e congregar da Assíria’ significa retirar da falsificação do vero em que estão pelos raciocínios provenientes dos conhecimentos (como acima); ‘levá-los à terra de Gileade e ao Líbano’ significa levar ao bem da igreja, que é o bem da caridade, e ao bem e vero da fé; este é o ‘Líbano’ e aquele é a ‘terra de Gileade’.
[18] Por aí se pode ver o que é significado no sentido espiritual pelo fato de JEHOVAH ‘ter tirado o povo do Egito’ e ‘tê-los redimido’, como em Moisés:
“Livrar-vos-ei da servidão, e vos redimirei com braço estendido e com grandes juízos” (Êx. 6:6);
Tirei-vos da terra do Egito com braço estendido, e vos redimi da casa dos servos (Dt. 7:8; 9:26-29; 13:5; 15:15; 24:18);
“Conduziste em misericórdia o Teu povo, a quem redimiste, e o guiaste na fortaleza de Tuas mãos para o habitáculo de Tua santidade” (Êx. 15:13);
e em Miquéias:
“Fiz-te subir da terra do Egito, e da casa da servidão te redimi” (Mq. 6:4).
No sentido da letra, aqui se entende que pelo poder Divino foram tirados do Egito, onde tinham-se tornado servos, porém no sentido interno ou espiritual não se entende isso, mas que os que são da igreja, que são aqueles que são reformados pelo Senhor por meio dos veros e por uma vida segundo eles, são resgatados e libertos dos males e, daí, dos falsos, pois estas são as coisas que fazem um homem ser servo. Este é o sentido espiritual dessas palavras, no qual os anjos estão quando o homem está no sentido da letra.
[19] Os anjos, também, pela ‘redenção’ entendem o resgate dos males e a libertação dos falsos, nas seguintes passagens. Em Moisés:
“Porei a redenção entre o Meu povo e o povo” de Faraó (Êx. 8:23);
em David:
“Redenção enviou ao Seu povo, ordenou eternamente a Sua aliança, santo e venerável é o Seu nome” (Sl. 111:9);
em Mateus:
“O que aproveita ao homem se ganhar o mundo todo, mas perder a alma? E o que dará o homem por preço suficiente da redenção de sua alma?” (Mt. 16:26; Mc. 8:36-37;
a ‘redenção’ está em lugar do livramento da danação.
[20] Por aí se pode ver o que significa o Senhor ter redimido o gênero humano, a saber, Ele os resgatou e libertou do inferno e dos males e falsos que brotam continuamente daí e levam o homem à danação, como também continuamente os resgata e liberta. O resgate e a libertação foram efetuados pelo fato de o Senhor subjugar os infernos, e Ele resgata e vence continuamente pelo fato de ter glorificado o Seu Humano, isto é, tê-lo feito Divino, pois desse modo os infernos são mantidos continuamente subjugados. Isto é, também, o que é significado por Ele redimir o homem e por Ele ser chamado “Redentor”, na Palavra, como nas passagens que se seguem:
“Não temas, ó verme de Jacob, ó moribundos de Israel; Eu te ajudo... e teu Redentor, o Santo de Israel” (Is. 41:14);
no mesmo:
“Assim disse JEHOVAH, Redentor de Israel, o seu Santo... por causa de JEHOVAH, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu” (Is. 49:7);
no mesmo:
“Nosso Redentor, JEHOVAH Zebaoth [é] o Seu nome, o Santo de Israel” (Is. 47:4);
no mesmo:
“Assim disse JEHOVAH, vosso Redentor, o Santo de Israel” (Is. 43:14);
no mesmo:
“Para que saibam14 toda carne que Eu [sou] JEHOVAH, teu Salvador e teu Redentor, o forte de Jacob” (Is. 49:26);
no mesmo:
Para que saibas “que Eu [sou] JEHOVAH, teu Salvador e teu Redentor, o Poderoso de Jacob” (Is. 60:16);
por ‘Santo de Israel’ e por ‘Poderoso de Jacob’, que nessas passagens é chamado ‘Redentor’, entende-se o Senhor quanto ao Divino Humano, e por ‘JEHOVAH’ o Seu Divino mesmo. Que o Senhor quanto ao Divino Humano seja nomeado ‘Santo de Israel’, ‘Forte’ e ‘Poderoso de Jacob’ é porque por ‘Israel’ e ‘Jacob’ é significada a igreja, assim, os que são regenerados e reformados, isto, os que são redimidos pelo Senhor, pois somente esses são da igreja, ou fazem a igreja do Senhor.
[21] Que o Divino Humano do Senhor seja chamado ‘Santo’, é evidente em Lucas:
O anjo disse a Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá de sombra, pelo que o Santo que nascerá de ti será chamado Filho de Deus” (Lc. 1:35);
e que o Senhor quanto ao Divino Humano seja chamado ‘Forte’ e ‘Poderoso de Jacob’, no mesmo:
O anjo disse a Maria: ‘Eis que conceberás no útero e parirás um Filho;... Ele será grande... e reinará na casa de Jacob eternamente, e Seu reino não terá fim” (Lc. 1:31-33);
pela ‘casa de Jacob’ se entende a igreja do Senhor. Que não seja a não a nação judaica, é vidente.
[22] Visto que o Humano do Senhor foi Divino igualmente ao seu Divino mesmo que tomou o Humano, por isso também JEHOVAH é referido como ‘Redentor’ nas passagens que se seguem. Em Isaías:
“Assim disse JEHOVAH, teu Redentor, o Santo de Israel: Eu [sou] JEHOVAH teu Deus” (Is. 48:7);
no mesmo:
“JEHOVAH Zebaoth é o Seu nome, e teu Redentor, o Santo de Israel, será chamado Deus de toda a terra” (Is. 54:5);
em David:
“JEHOVAH, minha Rocha e meu Redentor” (Sl. 19:14);
em Jeremias:
“O Redentor deles é forte, JEHOVAH Zebaoth é o Seu nome” (Jr. 50:34);
em Isaías:
“Tu, JEHOVAH nosso Pai, Redentor nosso desde o século é o Teu nome” (Is. 53:16);
Por aí agora se pode ver de que modo se deve entender o que o Senhor disse:
O Filho do homem veio “para entregar a alma em redenção de muitos” (Mt. 20:28; Mc. 10:45),
ou seja, para que fossem resgatados e libertos do inferno. Com efeito, a paixão da cruz foi a última luta e a completa vitória, pela qual subjugou os infernos e glorificou o Seu Humano (vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n° 293-297 e 300-306).