. “E os vinte e quatro anciãos prostraram-se e adoraram Aquele que vive no século dos séculos”. Que isto signifique a humilhação e o reconhecimento de coração de todos os que estão nos veros do bem de que só o Senhor vive, e que d’Ele somente vem a vida eterna, vê-se pela significação de ‘vinte e quatro anciãos’, que são todos os que estão nos veros do bem (de que se tratou acima, n° 270); pela significação de ‘prostrar e adorar’, que é a humilhação e o reconhecimento de coração de que todo bem e vero que têm vida em si são provenientes do Senhor (de que também se tratou acima, n° 290 e 291); e pela significação de “Aquele que vive”, quando se trata do Senhor, que é que só Ele vive, e que d’Ele vem a vida eterna (de que também se tratou acima, n° 82, 84, 186, 289 e 291).
[2] Visto que hoje em dia se acredita no mundo que a vida que cada um tem foi dada e implantada, e, por conseguinte, é como se fosse própria, e não que influi continuamente, vou dizer alguma coisa a respeito disso. Que se creia que a vida está no homem a ponto de lhe pertencer, é somente uma aparência oriunda da presença perpétua do Senhor e de Seu Divino Amor, que quer conjungir-Se ao homem, estar nele e dar-lhe Sua vida, pois assim é o Divino Amor; e como isto é perpétuo e contínuo, o homem acha que a vida é ínsita nele como própria. É, todavia, fato conhecido que todo bem e todo vero no homem, mas vêm de cima, portanto, coisas que influem. É semelhante em relação ao amor e a fé, porque todo amor do homem procede do bem, e toda fé sua procede do vero, pois aquilo que o homem ama é para ele o bem, e aquilo que crê é para ele o vero. Daí se torna evidente, em primeiro lugar, que nem o bem nem o vero, assim como nem o amor nem a fé estão no homem, mas influem do Senhor. No vero e no bem está a vida mesma e não em outra parte. No homem, o receptáculo do bem do amor é a vontade, e o receptáculo do vero da fé nele é o entendimento, e querer o bem não pertence ao homem, nem crer o vero. É nessas duas faculdades que está toda a vida do homem; fora delas, a vida é nula. Daí também é evidente que a vida dessas faculdades, portanto, a vida de todo o homem, não está no homem, mas influi nele. O fato, porém, de estarem no homem o mal e o falso, ou a vontade e o amor do mal e o entendimento e a fé do falso, é também por influxo, mas esse influxo é procedente do inferno, porque o homem é mantido no livre de escolher, isto é, ou de receber do Senhor o bem e o vero ou de receber do inferno o mal e o falso. O homem é mantido nesse livre por causa da reforma, pois é mantido entre o céu e o inferno e, assim, no equilíbrio espiritual, que é o livre. Esse livre mesmo não está no homem, mas faz um com a vida com influi. (A respeito do livre do homem e de sua origem, vide, na obra O Céu e o Inferno, os n° 293, 537, 540, 541, 546, 589 a 596 e 597 a 603, e, na obra Doutrina da Nova Jerusalém, os n° 141 a 147).
[3] Até os que estão no inferno vivem pelo influxo de vida proveniente do Senhor, pois neles influi semelhantemente o bem e o vero, mas o bem é convertido em mal, e o vero em falso, e isto acontece porque eles inverteram suas formas recipientes interiores por uma vida no mal, e todo influxo varia segundo as formas. É semelhante com o pensamento e a vontade do homem quanto atuam em membros torcidos de nascença, ou nas partes sensórias lesadas. E é também semelhante com a luz do céu quando influi em objetos que são variados quanto às cores, e com o calor do céu nos mesmos objetos que são variados quanto aos odores, segundo as formas recipientes interiores. Mas cumpre saber que não é a vida mesma que muda e varia, mas por ela se apresenta a aparência da forma recipiente pela qual e da qual a vida passa, aproximadamente como cada um aparenta num espelho tal como é, por essa mesma luz.
[4] Além disso, todos os sentidos do homem, a saber, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato, não estão no homem, mas são estimulados e produzidos pelo influxo. No homem estão somente as formas orgânicas, que são os recipientes; neles não há sentido algum antes de o que é adequado influir de fora. É semelhante em relação às partes sensórias internas, que pertencem ao pensamento e à afeição, as quais recebem o influxo do mundo espiritual, assim como as partes sensórias externas que o recebem do mundo natural. Que haja uma única fonte de vida, e que toda vida venha daí e influa continuamente é fato conhecidíssimo no céu e não é posto em dúvida por anjo algum dos céus superiores, pois eles percebem o influxo mesmo. Que todas as vidas sejam como rios de uma única e perene fonte de vida, é um fato que me foi confirmado por muitas experiências e visto no mundo espiritual naqueles que acreditaram viver por si e não querem crer que ela vem do Senhor. Esses, quando o influxo no pensamento foi retirado quanto à alguma parte, caíram como se inconscientes, e tão logo chegava o influxo, ressurgiram como se fosse da morte. E eles mesmo em seguida confessaram que a vida é deles neles, mas influi continuamente neles, e que homens, espíritos e anjos são somente formas recipientes de vida.
[5] Os que são sábios concluem disso que isto é assim pelo fato de que nada pode existir e subsistir por si, mas por um anterior a si, e, assim, que tampouco o anterior por si, a não ser numa ordem sucessiva desde o Primeiro; e que, portanto, a vida considerada em si mesma não é outra coisa senão a que vem d´Aquele que é a Vida em Si. Sabem também daí, e também percebem por uma ideia espiritual, que tudo deve estar em conexão com o Primeiro para que seja alguma coisa, e que o é conforme está em conexão. Por aí é evidente quão insensatamente pensam os que atribuem a vida à natureza e à sua ordem, e não a Deus, que é o Ser mesmo da vida e do Qual existe toda ordem em ambos os mundos, tanto o espiritual quanto o natural, segundo a qual a vida influi, a vida eterna naqueles que podem ser dispostos para receber a vida segundo a ordem Divina e a vida oposto, que se chama morte espiritual, naqueles que não podem ser dispostos, portanto, nos que vivem contra a ordem Divina. O Divino Bem que procede do Senhor é de donde vem a ordem, e os Divinos Veros são as leis da ordem (vide, na obra Doutrina da Nova Jerusalém, o n° 279).
[6] Acautelem-se, para que não creiam que a vida Divina é mudada em alguém. mesmo nos males e nos inferno, pois, como acima se disse, a vida mesa não é mudada nem variada, mas por ela se apresenta uma aparência da forma recipiente e pela e na qual a vida passa; é, aproximadamente, como alguém parece num espelho tal como é pela luz, a qual, todavia, permanece em seu estado e somente produz a forma à vista, e como se a mesma vida se apresenta a ser sentida segundo a forma do órgão do corpo ***, por conseguinte, de uma maneira no olho, de outra na audição e de outra no olfato, no paladar e no tato. Se se crê que a vida é mudada e variada, isso vem da aparência, que é uma falácia, semelhante as falácias da aparência de que existe um influxo físico, quando, todavia, o influxo é espiritual. (Mas, a respeito desde assunto, veem-se muitas coisas na obra O Céu e o Inferno, n° 9, às quais se acrescentam o que foi dito a respeito do influxo da vida na obra Doutrina da Nova Jerusalém, n° 277 e 278, que foi citado dos Arcanos Celestes; e do influxo de vida nos animais, nos Arcanos Celestes, n° 5850 e 6211; e na obra O Céu e o Inferno, n° 39, 108, 110, 435 e 567, como também no opúsculo Do Juízo Final, n° 25).
[7] Estas coisas foram ditas para que se saiba que há uma única fonte de vida, pela qual vivem todos quantos vivem. Agora será mostrado que o Senhor é essa Vida, ou que só Ele vive, visto que isto é significado por ‘Aquele que vive no século dos séculos’. Que haja um único Divino, e este não distinto em três pessoas, segundo a fé de Atanásio, pode-se ver pelo que foi dito muitas vezes acima, e principalmente pelo que se dirá sobre este assunto em particular no fim desta obra. E como o Divino do Senhor, que é o único Divino, assumiu o Humano, e fez este também Divino, pois um e outro são a Vida, da qual todos vivem. Que isto seja assim, é o se pode saber pelas próprias palavras do Senhor mesmo, nas passagens seguintes. Em João:
“ Assim como o Pai levanta e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica os que quer; ... assim como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo” (Jo. 5:21, 26);
por ‘Pai’ se entende aqui o Divino do Senhor que assumiu o Humano, pois esse Divino estava n’Ele pela concepção; e como foi concebido por Ele, por isso chamou ‘Pai’ a este e não a algum outro; por ‘Filho” se entende o Divino Humano do Senhor; que este sejam igualmente a Vida mesma, o Senhor ensina claramente por essas palavras, dizendo: ‘ Assim como o Pai vivifica, também o Filho vivifica os que quer’ e ‘Assim como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo’. ‘ Ter a vida em si mesmo’ é ser a Vida mesma, enquanto os demais não são a Vida, mas têm vida daí.
[8] No mesmo:
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por Mim” (Jo. 14:6);
‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’ foi dito a respeito do Humano do Senhor, pois também diz ‘ninguém vem ao Pai a não ser por Mim’, pois o ‘Pai’ era o Divino n’Ele, que era o Seu Divino. Daí é evidente que o Senhor é a Vida também quanto ao Humano, e, consequentemente, que o Humano é igualmente Divino.
[9] No mesmo:
“Jesus disse: Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que morra, viverá; todo aquele que vive e crê em Mim não morrerá eternamente” (Jo. 11:25, 26);
isto também o Senhor disse a respeito de Seu Humano, e como Ele é a Vida e todos têm vida por Ele, e os que creem n’Ele têm a vida eterna, por isso Ele disse que é ‘a Ressurreição e a Vida’, e ‘quem crê em Mim não morrerá eternamente’. ‘Crer’ no Senhor significa ser conjunto a Ele pelo amor e pela fé, e ‘não morrer’ significa não morrer espiritualmente, isto é, ser condenado, pois a vida dos condenados se chama ‘morte’.
[10] No mesmo:
“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava em Deus, e Deus era a Palavra... n’Ela estava a vida, e a vida era a luz dos homens;... e a Palavra Se fez carne, e habitou em nós” (Jo. 1:1, 4, 14).
Sabe-se que pela ‘Palavra’ se entende o Senhor. Que Seu Humano seja a Palavra, é evidente, pois se diz que ‘a Palavra Se fez carne e habitou em nós’; e que Seu Humano tenha sido feito Divino igualmente ao Divino mesmo que assumiu o Humano, é evidente pelo fato de se fazer uma distinção entre um e outro, e que cada um é chamado ‘Deus’, pois se diz: ‘a Palavra era Deus, e Deus era a Palavra’, e ‘n’Ele estava a Vida’. Que todos vivam por Ele é o que se entende por ‘a Vida era a luz dos homens’; ‘luz dos homens’ é a vida do pensamento e do entendimento deles, porque o Divino procedente, que aí se entende em particular, aparece no céu como luz, a qual dá aos anjos não somente ver, mas também pensar e entender, e, segundo a recepção, saber (vide, nas obra O Céu e o Inferno, os n° 126-140); essa luz procedente do Senhor é a Vida mesma, que não somente ilumina o entendimento, assim como o sol do mundo ilumina o olho, mas também o vivifica segundo a recepção; e quando essa luz é recebida na vida, chama-se então ‘Luz da vida’, como no mesmo livro:
Jesus disse: “Eu sou a Luz do mundo; quem Me segue não anda em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo. 8:12).
[11] E também se chama ‘Pão da vida’, no mesmo:
“O Pão da vida é o que desce do céu e dá vida ao mundo;... Eu sou o Pão da vida” (Jo. 6:33, 35, 47, 48, 51).
Do ‘Pão de Deus’ e ‘Pão da vida’ é que há vida para todos. Como a vida que se chama inteligência e sabedoria procede do Senhor, segue-se também que a vida no geral é proveniente d ‘Ele. Pois as coisas singulares da vida, que fazem a sua perfeição e são insinuadas no homem segundo a recepção, pertencem todas ao geral da vida; quanto mais dela são removidos os males em que o homem nasce, mais ela é aperfeiçoada.
[12] Que aqueles que são conjuntos ao Senhor pelo amor e pela fé tenham a vida eterna, isto é, a vida do céu, que é a salvação, é evidente pelas passagens que se seguem. Em João:
“Eu sou a Videira e vós os ramos; quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora, e como ramos secar-se-á” (Jo. 15:5, 6);
no mesmo:
“Todo aquele que crê em” Mim “...tem a vida eterna”;
no mesmo:
“Quem crê no Filho tem a vida eterna, quem porém não crê no *** Filho, não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele” (Jo. 3:36);
no mesmo:
“Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna, e o ressuscitarei no último dia” (Jo. 6:40, 47, 48, 54);
no mesmo:
“As ovelhas... Me seguem, e Eu lhes dou a vida eterna, não perecerão na eternidade” (Jo. 10:27, 28);
e no mesmo:
“Examinais as escrituras... elas testificam de Mim; mas não quereis vir a Mim para que tenham vida” (Jo. 5:39, 40).
Diz-se na Palavra ‘crer em Deus’ e ‘crer nas coisas que vêm de Deus’; e ‘crer em Deus’ é a fé histórica, que, sem a anterior, não salva, porque não é a verdadeira fé, pois ‘crer em Deus’ é saber, querer e fazer, mas ‘crer nas coisas que vêm de Deus’ é saber, que é possível sem o querer e o fazer. Os que são verdadeiramente cristãos, esses sabem, querem e fazem, mas os que não são verdadeiramente cristãos, esses somente sabem; esses, porém, são chamados ‘insensatos’, mas aqueles, ‘prudentes’ (Mt. 7:24, 26).
* * * * * * *
Capítulo 6
1. E vi quando o Cordeiro abriu o primeiro dos selos, e ouvi um dos quatro animais dizendo com voz como de trovão: Vem e vê.
2. E vi, e eis um cavalo branco, e o que estava sentado sobre ele tendo um arco, e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vencendo e para que vencesse.
3. E quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo animal dizendo: Vem e vê.
4. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava sentado sobre ele foi dado tirar a paz da terra, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
5. E quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro animal dizendo: Vem e vê. E vi, e eis um cavalo preto, e o que estava sentado sobre ele tendo uma balança na sua mão.
6. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais dizendo: Uma medida16 de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário, e não danifiques o óleo e o vinho.
7. E quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal dizendo: Vem e vê.
8. E vi, e eis um cavalo pálido, e o que estava sentado sobre ele tinha por nome morte, e o inferno seguia com ele; e foi-lhe dado poder de causar morte sobre a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com morte, e com as bestas da terra.
9. E quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que davam.
10. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó Senhor, que és Santo e Verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra:
11. E foram dadas, a cada um, estolas brancas, e foi-lhes dito que repousassem ainda por pouco tempo, até que se completassem, e dos seus conservos e seus irmãos, que seriam mortos assim como eles também.
12. E vi quando abriu o sexto selo, e eis que houve um grande terremoto, e o sol tornou-se negro como um saco de cilício, e a luz tornou-se como sangue.
13. E as estrelas do céu caíram na terra, como a figueira, sacudida por grande vento, lança seus figos verdes.
14. E o céu se retirou como um livro enrolado; e todos os montes e ilhas foram removidos de seus lugares.
15. E os reis da terra, e os magnatas e os ricos, e os quiliarcas e os poderosos, e todo servo e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas dos montes.
16. E diziam aos montes e às rochas: Caí sobre nós, e escondei-nos da face d’Aquele que está sentado no trono, e da ira do Cordeiro.
17. Porque veio o grande dia de Sua ira, e quem pode subsistir?