AE 375

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E não danifiqueis o óleo e o vinho”. Que isto signifique que foi provido que não se causasse dando ao sentido interno ou espiritual da Palavra, nem quanto ao bem nem quanto ao vero, vê-se pela significação de ‘óleo’, que é o bem do amor (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘vinho’, que é o vero desse bem, pois todo bem tem o seu vero, ou todo vero pertence a um bem; assim, qual é o bem, tal é o vero; e pela significação de ‘danificar’, que é causar-lhes dano. É o sentido interno ou espiritual da Palavra quanto ao bem e ao vero que aqui é significado especialmente pelo ‘óleo’ e pelo ‘vinho’. Isto se vê pelo fato de que o ‘trigo’ e a ‘cevada’ significam o bem e o vero igualmente ao ‘óleo’ e ao ‘vinho’, mas pelo ‘trigo’ e pela ‘cevada’ é significado o bem e o vero da igreja em geral, assim, os que estão no sentido da letra da Palavra, pois os bens e veros que estão nesse sentido são bens e veros em geral, uma vez que o sentido da letra inclui o sentido espiritual e, assim, os bens e veros espirituais. Por isso, o ‘trigo’ e a ‘cevada’ significam os bens e veros da igreja em geral, os quais estão no sentido da letra da Palavra, ao passo que o ‘óleo’ e o ‘vinho’ significam os veros do sentido interno ou espiritual da Palavra; estes são bens e veros interiores, mas aqueles, exteriores.
[2] Que haja bens e veros interiores e exteriores, estes no homem natural ou externo e aqueles no homem espiritual ou interno, pode-se ver pelo que dito e mostrado na obra O Céu e o Inferno, a saber, que há três céus; que o céu íntimo ou terceiro está nos bens e veros íntimos ou do terceiro grau; que o céu médio ou segundo está nos bens e veros inferiores ou do segundo grau; e que o céu mais externo ou primeiro42 está nos bens e veros mais externos ou do primeiro grau. Os bens e veros mais externos ou do primeiro grau são tais que estão contidos no sentido da letra da Palavra. Por causa disso, os que se detêm nesse sentido – e daí fazem para si doutrina e vivem segundo ela – estão nos bens e veros mais externos, porquanto não veem os interiores, por não serem puramente espirituais como os anjos dos céus superiores, mas espirituais naturais, esses, ainda assim, estão no céu, porém no mais externo, pois os bens e veros que extraem do sentido da letra da Palavra e que estão neles, têm, em si, os bens e veros interiores que são do sentido espiritual da Palavra, já que se correspondem e, pela correspondência, fazem um.
[3] Seja, como exemplo, aquele que pelo sentido da letra da Palavra acredita que Deus Se encoleriza, condena e lança no inferno os que vivem no mal. Isto, apesar de não ser verdadeiro em si, porque Deus nunca Se encoleriza nem condena o homem e o lança no inferno, todavia, naqueles que vivem no bem e creem dessa maneira porque a Palavra na letra assim o disse, é aceito pelo Senhor como vero, pois o vero se encerra interiormente ali, o que também é evidente perante os anjos interiores, ainda que eles mesmos não o vejam. Seja também, como exemplo, aquele que crê que viverá muitos anos se amar o pai e a mãe, segundo o preceito do decálogo. Se os ama por causa disso e vive no bem, ele é aceito do mesmo modo que se cresse no vero mesmo, pois ignora que por ‘pai e mãe’ se entende, no sentido supremo, o Senhor e Seu reino; pelo ‘pai’, o Senhor, e pela ‘mãe’, o Seu reino, e ‘prolongar os dias’ ou viver muito anos significa ser feliz na eternidade. Dá-se de modo semelhante em relação a mil outros exemplos. Estas coisas foram ditas para que se saiba o que se entende pelos bens e veros exteriores e pelos bens e veros interiores da Palavra, porque pelo ‘trigo’ e pela ‘cevada’ são significados os bens e veros exteriores, isto é, os que são do sentido da letra da Palavra, mas pelo ‘óleo’ e pelo ‘vinho’ são significados bens e veros interiores, isto é, os que são do sentido espiritual da Palavra.
[4] Que o ‘trigo’ e a ‘cevada’ signifiquem os bens e verso exteriores, ou os bens e veros do sentido da letra da Palavra é porque são da ceifa do campo, e não servem para alimento antes de se tornem pães, e pelos ‘pães’ na Palavra são significados os bens interiores. Assim, pelo ‘trigo’ e pela ‘cevada’ são significadas as coisas de que procedem esses bens; assim são, também, os bens e veros do sentido da letra da palavra. Que, porém, pelo ‘óleo’ e pelo ‘vinho’ sejam significados os bens interiores, que são do sentido interno ou espiritual da Palavra, pode-se ver pela significação deles na Palavra, como se verá pela sequência. Que eles ‘não devem ser danificados’ é porque não devem ser profanados, pois se forem conhecidos e cridos e, em seguida, negados, ou também se se viver contra eles, são então profanados. Profanar os bens e veros interiores é conjuntar-se com o céu e, ao mesmo tempo, com o inferno, o que é destruir completamente a vida espiritual, pois os bens e veros que são cridos permanecem, e também os falsos e falsos que os sucedem em lugar deles por causa da negação ou por uma vida contra eles. Há, assim, uma conjunção do bem e do vero, que são do céu, com os males e falsos, que são do inferno, os quais não podem ser separados, mas dilacerados, e quando são dilacerados, toda a vida espiritual é destruída. Daí é que, após a morte, os profanadores não são uma forma humana como os outros, mas apenas fantasias, e a si mesmos aparentam voar de cá para lá, sem pensamento algum; são, finalmente, separados dos outros e lançados no inferno mais baixo de todos. E visto que não apresentam fora humana como os outros espíritos, por isso a respeito deles não se diz mais “ele” ou “ela”, mas “aquilo” isto é, não-homem. (Todavia, muitas coisas a respeito da profanação do bem e do vero se veem na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 169 e 172).
[5] Visto que tal sorte esperam os que profanam os bens e veros interiores do céu e da igreja, por isso o sentido interno ou espiritual da Palavra, no qual eles estão contidos, não foi aberto aos judeus, porque, se fosse aberto, eles o teriam profanado. E, por isso, tampouco foi aberto aos cristões, porque também eles o teriam profanado, se fosse aberto. Por isso, também, foi-lhes oculto que houvesse interiormente algum sentido interno ou espiritual no sentido da letra da Palavra, que é natural. E para que ficassem na ignorância a respeito disso, foi provido que a ciência das correspondências fosse perdida, ciência essa que era a principal ciência dos antigos, para que assim não se soubesse absolutamente o que é correspondência e, daí, o que é o sentido espiritual da Palavra. Com efeito, a Palavra foi escrita por meras correspondências, e, por isso, sem a ciência delas não se pode saber o que é o sentido interno. Isto foi provido pelo Senhor para não fossem profanados os genuínos bens e veros mesmos, nos quais estão os céus superiores.
[6] Que, no entanto, o sentido interno ou espiritual da Palavra esteja hoje aberto é porque o juízo final foi concluído e, daí, todas as coisas nos céus e nos infernos foram repostas na ordem, e assim pode ser provido pelo Senhor que não existam profanações. Que o sentido interno ou espiritual seria aberto após o juízo final ter sido concluído, foi predito pelo Senhor no Apocalipse (assunto de que se vê no opúsculo Do Cavalo Branco). Que não se faria dano ao sentido interno ou espiritual da Palavra, é também significado pelo fato de as vestes do Senhor terem sido divididas pelos soldados e não a túnica, que era sem costura, toda tecida de alto a baixo (João 19:23, 24), pois pelas ‘vestes’ do Senhor é significada a Palavra; pelas ‘vestes que foram divididas’, a Palavra na letra; pela ‘túnica’, a Palavra no sentido interno; e pelos ‘soldados’, os que combateriam por causa dos veros e bens da igreja. (Que os ‘soldados’ signifiquem esses, vê-se acima, n. 64, ao fim; e que as ‘vestes’, na Palavra, signifiquem os veros que vestem o bem, e que as ‘vestes do Senhor’ signifiquem o Divino Vero, assim, a Palavra, vê-se também acima, n. 64 e 195).
[7] Que o ‘óleo’ signifique o bem do amor, pode-se ver principalmente pelas unções entre os filhos de Israel, ou na igreja deles, as quais se faziam com óleo, porque todas as coisas da igreja eram consagradas com óleo, e uma vez consagradas eram chamadas santas, assim como o altar e seus vasos, a tenda da assembleia e todas as coisas que havia ali, bem como as coisas que eram oficiadas pelo sacerdócio e as vestes destes, e principalmente os profetas e, finalmente, os reis. Qualquer um pode ver que o óleo mesmo não santifica, mas aquilo que é significado pelo óleo, que é o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor. É isto que é significado pelo ‘óleo’. Por causa disso, quando eram ungidas ou ungidos, a partir desse momento tinham representação, pois o óleo introduzia a representação do Senhor e do bem do amor que vem d’Ele. Com efeito, o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor é o santo mesmo do céu e da igreja, e por este influi todo Divino. Por isso que as coisas que são do céu e da igreja, que se chamam espirituais, são santas na medida que se conservam no que é santo ???.
[8] A razão da representação do que é santo pelo óleo é esta: Somente o Senhor quanto ao Divino Humano é o Ungido de JEHOVAH, porque n’Ele, pela concepção, estava o Divino Bem mesmo do Divino amor, e por este o Seu Humano era o Divino Vero mesmo quando esteve no mundo e, em seguida, pela união com o Divino mesmo em si O fez também Divino Bem do Divino Amor. E como todas as coisas que eram da igreja representavam coisas Divinas que vinham do Senhor, e, no sentido supremo, o Senhor mesmo - pois a igreja instituída com os filhos de Israel era uma igreja representativa – por isso o óleo, pelo qual era significado o Divino Bem do Divino Amor, era empregado para introduzir as representações e, depois de terem sido ungidas ou ungidos, eram consideradas como santas o santos. Não que houvesse por isso alguma santidade neles, mas para que a santidade no céu fosse por isso representada quando eles estivessem no culto. Estas coisas foram ditas para que se saiba que o ‘óleo’ significa o bem do amor.
[9] Mas, para que se veja isto mais claramente, quero expor cada coisa em ordem, a saber:
[Primeiro] Nos tempos antigos ungiam-se com óleo as pedras erigidas como marcos.
[Segundo] Também as armas de guerra, como os escudos e broquéis.
[Terceiro] E, depois, o altar e todos os seus vasos, e a tenda da assembleia e todas as coisas que havia ali.
[Quarto] E, além disso, as coisas que eram oficiadas pelo sacerdócio, e as vestes deles.
[Quinto] E, também, os profetas.
[Sexto] E, finalmente, os reis, que daí eram chamados ‘ungidos’.
[Sétimo] Também era um hábito comum aceito que se ungisse a si mesmo e aos outros, para testificar alegria da mente e benevolência.
[Oitavo] E daí se vê que o ‘óleo’, na Palavra, significa o bem. O ‘óleo de santidade’, que era preparado para ungir as coisas que serviriam ao culto na igreja significava o Divino Bem do Divino Amor; e o ‘óleo’ em geral, o bem e seu prazer.
[10] Primeiro. No que concerne ao primeiro item, que tenham sido ungidas as pedras erigidas como estátuas, vê-se no livro de Gênesis:
“Jacó levantou-se de manhã cedo, e tomou a pedra que pôs por seu travesseiro e pô-la como estátua, e derramou óleo sobre a cabeça sua cabeça43; e chamou o nome daquele lugar Bethel... e disse: Se eu retornar em paz à casa de meu pai... esta pedra que pus por estátua será casa de Deus” (Gn. 28:18-22).
A razão de terem ungido assim as pedras era porque as ‘pedras’ significavam os veros, e os veros sem o bem não têm vida espiritual, isto é, vida proveniente do Divino; quando, porém, as pedras eram ungidas com óleo santo, então representavam os veros provenientes do bem e, no sentido supremo, o Divino Vero procedente do Divino Bem do Senhor, que daí foi chamado de “Pedra de Israel”. As pedras mesmas que eram erigidas eram estátuas e reputadas como santas; vem daí o uso de estátuas entre os antigos e, em seguida, nos templos deles. Como, então, essa pedra representativa erigida por Jacob era santificada, por isso Jacob chamava o nome do lugar ‘Bethel’ e disse que aquela pedra seria ‘casa de Deus’. Bethel significa ‘casa de Deus’, e ‘casa de Deus’ significa a igreja quanto ao bem e, no sentido supremo, o Senhor quanto ao Seu Divino Humano (Jo. 2:19-22). (As demais coisas se veem explicadas nos Arcanos Celestes. Além disso, também nos Arcanos Celestes se vê que as está tuas erigidas pelos antigos eram para sinal, para testemunho e para culto, n. 3727; que, no começo, eram limites santos, n. 3727; que, depois, foram usadas no culto, n. 4580; o que elas tinham significado, n. 4580 e 10643. Que as ‘pedras’ signifiquem os veros, e a ‘Pedra de Israel’ signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, n. 643, 1298, 3720, 6426, 8609, 9388, 9389 e 10376. Que tenham derramado óleo sobre a cabeça da estátua ou a tenham ungido, o que era feito para que se introduzisse o representativo do vero proveniente do bem e, assim, empregadas no culto, n. 3728 e 4090).
[11] Segundo. Que tenham sido ungidas as armas de guerra, como os escudos e os broquéis, vê-se em Isaías:
“Levantai-vos, ó príncipes, ungi o escudo” (Is. 21:5);
e, no Segundo Livro de Samuel:
“Foi contaminado o broquel dos heróis, o broquel de Saul não foi ungido com óleo” (2Sm 1:21).
As armas de guerra eram ungidas porque significavam os veros em luta contra os falsos, e contra estes são os veros provenientes do bem que têm poder, mas não os veros sem o bem. Por esse motivo, as armas de guerra representavam os veros pelos quais o Senhor mesmo luta no homem contra os falsos provenientes do mal, os quais provêm do inferno. (Que as ‘armas de guerra’ signifiquem os veros em luta contra os falsos, vê-se nos n. 1788, 2686 e, acima, n. 131 e 367; e que as ‘guerras’ em geral signifiquem as lutas espirituais, n. 1664, 2686, 8273 e 8295; e que os ‘adversários’ signifiquem os males e falsos, e, em geral, os infernos, n. 2851, 8289 e 9314).
[12] Terceiro. Que tenham sido ungidos o altar e todos os seus vasos, bem como e a tenda da assembleia e todas as coisas que havia ali, vê-se em Moisés:
Disse JEHOVAH a Moisés: “Ungirás” o altar “e o santificarás” (Êx. 29:36);
no mesmo:
“Farás o óleo da unção de santidade... com que ungirás a tenta da assembleia, e a arca do testemunho, e a mesa e todos os seus vasos, e o castiçal e todos os seus vasos, e o altar do incenso, e o altar do holocausto e todos os seus vasos, e as pias, e a base; assim as santificará, para que sejam santo dos santos; todo aquele que nelas tocar se santificará” (Êx. 30:25-29; 40:9-11; Lv. 8:10-12; Nm. 7:1).
O motivo para que fossem ungidos os altares e a tenda da assembleia com todas as coisas que havia ali era para que representassem as coisas Divinas e santas da igreja e, consequentemente, as coisas santos do culto. Elas não poderiam representar a menos que tivessem sido consagradas por algo que significasse o bem do amor, pois o Divino entra pelo bem do amor e por este está presente; por conseguinte, também no culto, e sem isto o Divino não entra nem está presente. (Que o altar tenha sido o principal representativo do Senhor e, daí, do culto pelo bem do amor, vide nos n. 2777, 2811, 4489, 4541, 8935, 8940, 9388, 9389 e 9714; e que a tenta com a arca tenha sido o principal representativo do céu, onde está o Senhor, n. 9457, 9481, 9485, 9594, 9596, 9632 e 9784).
[13] Quarto. Que tenham sido ungidas as coisas que foram oficiadas pelo sacerdócio, e as vestes deles, vê-se em Moisés:
“Toma o óleo da unção e derrama sobre a cabeça” de Aarão, “e o ungirás” (Êx. 29:7; 30:30);
no mesmo:
“Veste Aarão com as vestes de santidade e ungi-lo-ás, e santificá-lo-ás, para que o sacerdócio seja oficiado a Mim;.. e os seus filhos... ungirás do mesmo modo que ungiste o pai;... e será para que seja para eles sua unção no sacerdócio perpétuo nas suas gerações” (Êx. 40:13-15);
no mesmo:
Moisés “derramou do óleo... sobre a cabeça de Aarão, e o ungiu para o santificar. ... E depois tomou do óleo da unção, e do sangue que estava sobre o altar, e espargiu sobre Aarão, sobre as suas vestes, sobre os seus filhos, e sobre as vestes dos seus filhos com ele, e santificou Aarão, suas vestes, e seus filhos, e as vestes dos seus filhos com ele” (Lv. 8:12, 30).
A razão por que Aarão foi ungido, e também por que seus filhos foram ungidos, e as suas próprias vestes, era para que representassem o Senhor quanto ao Divino Bem e quanto ao Divino Vero daí proveniente; Aarão, o Senhor quanto ao Divino Bem, e seus filhos, quanto ao Divino Vero daí. E, em geral, para que o sacerdócio representasse o Senhor quanto à Sua obra de salvação. Que tenham sido ungidos nas vestes (Êx. 29:29) era porque as ‘vestes’ representavam as coisas espirituais que revestem. (Que Aarão tenham representado o Senhor quanto ao Divino Bem, vê-se no n. 9806; que seus filhos tenham representado o Senhor quanto ao Divino Vero procedente do Divino Bem, n. 9807; que o sacerdócio em geral tenham representado ao Senhor quanto à Sua obra de salvação, n. 9809; que as vestes de Aarão e de seus filhos tenham representado coisas espirituais, n. 9814, 9942 e 9952).
[14] Uma vez que a consagração para representar se fazia pela unção, e por Aarão e seus filhos era representado o Senhor e o que vem d´Ele, por a Arão e aos seus filhos eram dadas as coisas santas dos filhos de Israel, as quais eram ofertas doadas a JEHOVAH, e as chamavam “[ofertas] alçadas”, e se diz que eram ‘unção’ ou ‘para unção’, isto é, que eram representação ou para representação do Senhor e dos Divinos que vêm d´Ele, como se vê por estas palavras em Moisés:
“O peito do movimento e a coxa da [oferta] alçada tenho tomado dos filhos de Israel... Esta é a unção de Aarão e a unção dos seus filhos, do que foi queimado a JEHOVAH... que ordenou que se lhes desse, no dia em que os ungiu dentre os filhos de Israel” (Lv. 7:34-36);
e em outra passagem, no mesmo:
“Falou JEHOVAH a Aarão: Eis que te dei a guarda das Minhas [ofertas] alçadas quanto a todas as coisas santas dos filhos de Israel; a ti as tenho dado por unção, e aos teus filhos em estatuto perpétuo;... todas as dádivas deles, todo minchah deles, quanto a todo sacrifício de pecado e de culpa... toda oferta movida44 dos filhos de Israel, toda gordura de óleo puro, e toda gordura do mosto e do grão, as suas primícias que darão a JEHOVAH, a ti as tenho dado;... também tudo o que é consagrado [devotum] em Israel... toda abertura de útero... assim, toda [oferta] alçada de coisas santas... Na terra deles não terás herança, nem haverá parte para ti no meio deles; Eu sou a tua parte e a herança no meio dos filhos de Israel” (Nm. 18:8-20).
Por aí se vê que a unção é uma representação, porque pela unção eram consagrados para representar; e por ela é significado que toda consagração no que é santo do céu e da igreja é pelo bem do amor que vem do Senhor, e o bem do amor é o Senhor neles. Visto que é assim, foi dito que ‘JEHOVAH é sua parte e herança’.
[15] Quinto. Que também os profetas tenham sido ungidos, vê-se no Primeiro Livro dos Reis:
Disse JEHOVAH a Elias: “Unge a Hazael como rei sobre ao Síria, e a Jehu... unge como rei sobre Israel, e a Eliseu... unge como profeta em lugar de ti” (I Re. 15:16);
e em Isaías:
“O Espírito do Senhor JEHOVAH está sobre mim, por isso JEHOVAH me ungiu para evangelizar aos pobres” (Is. 61:1);
Que fossem ungidos os profetas era porque os profetas representavam o Senhor quanto à doutrina do Divino Vero, por conseguinte, quanto à Palavra, pois a Palavra é a doutrina do Divino Vero. (Que os profetas tenham representado e, assim, significado a doutrina da Palavra, vê-se nos n. 2534 e 7269; em particular Elias e Eliseu, n. 2762, 5247 ao fim e 9372). Que seja o Senhor quanto ao Divino Humano que foi representado, por conseguinte, por quem JEHOVAH ungiu, o Senhor mesmo o ensina em Lucas (4:18-21).
[16] Sexto. Que, depois, tenham sido ungidos os reis e que eles tenham sido chamados “ungidos de JEHOVAH”, vê-se em muitas passagens na Palavra (como 1 Sm. 10:1; 15:1; 16:3, 6, 12; 24:6, 10; 26:9, 11, 16, 23; 2 Sm. 1:16; 2:4, 7; 5:3; 19:22; 1 Re. 1:34, 35; 19:15, 16; 2 Re. 9:3; 11:12; 23:30; Lm. 4:20; Hb. 3:13; Sl. 2:2, 6; 20:6; 28:8; 45:7; 84:9; 89:20, 38, 51; 132:17 e outras passagens). A razão por que tenham sido ungidos os reis era para que representassem o Senhor quanto ao juízo pelo Divino Vero. Por esse motivo, na Palavra, pelos ‘reis’ são significados os Divinos veros (vide acima, n. 31). Que os reis tenham sido chamados ‘ungidos de JEHOVAH’ e que causar-lhes dano tenha sido um sacrilégio era porque pelo ‘Ungido de JEHOVAH’ se entende o Senhor quanto ao Divino Humano, ainda que isso se aplique, no sentido da letra, ao rei que era ungido com óleo. Com efeito, quando esteva no mundo, o Senhor foi o Divino Vero mesmo quanto ao Humano, e foi o Divino Bem mesmo do Divino Amor quanto ao Ser mesmo de Sua vida, que no homem é chamado de alma vinda do pai, pois Ele foi concebido de JEHOVAH. JEHOVAH, na Palavra, é o Divino Bem do Divino Amor, que é o Ser da vida de todos. Daí é que somente o Senhor foi Ungido de JEHOVAH na essência mesma e no ato mesmo, porque o Divino Bem do Divino Amor estava n´Ele, e o Divino Vero procedente desse Bem mesmo no Seu Humano quando esteve no mundo (vide acima, n. 53, 200, 228 e 328; e na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 293-295, 303-305). Os reis da terra, porém, não foram ungidos de JEHOVAH, mas foi dito assim porque representavam o Senhor, que é, somente Ele, o Ungido de JEHOVAH. Por isso era sacrilégio causar dano aos reis da terra, por causa da unção. e a unção dos reis da terra se fazia com óleo, enquanto a unção do Senhor quanto ao Divino Humano foi feita pelo Divino Bem mesmo do Divino Amor que o ‘óleo’ significava e a ‘unção’ representava. Daí é que o Senhor foi chamado Messias e Cristo; “Messias” significa Ungido, na língua hebraica, semelhantemente a “Cristo”, na língua grega (Jo. 1:41, 4:25).
[17] Por aí se pode ver que onde na Palavra se diz “Ungido de JEHOVAH” entende-se o Senhor, no sentido representativo, como em Isaías:
O Espírito do Senhor Jehovih está sobre Mim; por isso JEHOVAH Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para ligar os quebrantados de coração, para pregar a liberdade dos cativos” (Is. 61:1).
Que seja o Senhor quanto ao Divino Humano que JEHOVAH ungiu, vê-se em Lucas, onde o Senhor o diz abertamente com essas palavras:
Foi trazido a Jesus “o livro do profeta Isaías; e desenrolou o livro, e achou a passagem onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu, para evangelizar aos pobres Me enviou, para curar os contritos de coração, para anunciar a remissão aos presos, e aos cegos a visão, para deixar ir com remissão os feridos, para pregar o ano aceitável do Senhor. Em seguida, enrolando o livro, deu-o ao ministro, e sentou-Se. Mas os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele; começou a lhes dizer: Hoje foi cumprida esta escritura em vossos ouvidos” (Lc. 4:17-21).
Em Daniel:
“Sabe, pois, e percebe; da saída da Palavra até à restituição para edificar Jerusalém, até o Príncipe Messias, sete semanas” (Dn. 9:25);
‘edificar Jerusalém’ é instaurar a igreja (‘Jerusalém’ é a igreja); ‘Príncipe Messias’ ou ‘Ungido’ é o Senhor quanto ao Divino Humano.
[18] No mesmo:
“Setenta semanas foram determinadas... para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos” (Dn. 9:24);
‘selar a visão e a profecia’ é concluir as coisas que foram ditas na Palavra a respeito do Senhor e cumpri-las; ‘ungir o Santo dos santos’ é o Divino Humano do Senhor, no qual este o Divino Bem do Divino Amor, ou JEHOVAH.
[19] Pelo ‘Ungido de JEHOVAH’ entende-se o Senhor nas passagens que se seguem. Em David:
“Os reis da terra se levantaram, e os dominadores juntos tomaram conselho contra JEHOVAH e contra o Seu Ungido;... Eu ungi Meu Rei sobre Sião, monte de Minha santidade” (Sl. 2:2, 6);
os ‘reis da terra’ são os falsos, e os ‘dominadores’ são os males que procedem dos infernos, contra os quais o Senhor lutou quando esteve no mundo, e os venceu e subjugou; ‘Ungido de JEHOVAH’ é o Senhor quanto ao Divino Humano, pelo qual lutou; ‘Sião, monte de santidade’ sobre o qual se diz que foi Ungido como Rei, é o reino celeste, que está no bem do amor; esse reino é o íntimo do céu e o íntimo da igreja.
[20] No mesmo:
“Achei David, Meu servo; com óleo de santidade o ungi” (Sl. 89:20);
aí, por ‘David’ se entende o Senhor, como também em outra passagem (vide acima, n. 205); o ‘óleo de santidade’ com que JEHOVAH O ungiu é o Divino Bem do Divino Amor. Que seja o Senhor que aí se entende por ‘David’, vê-se pelas expressões que precedem e pelas que seguem ali, pois se diz:
“Falaste em visão a respeito do Teu Santo... porei no mar a Sua mão, e nos rios a Sua direita. Ele Me chamará Meu Pai. Também Eu O farei Primogênito, mais alto que os reis da terra;... porei na eternidade a Sua semente, e o Seu trono como os dias dos céus” (Sl. 89:19, 25-27, 29, além de outras passagens).

Lê-se, semelhantemente, em outra passagem no mesmo livro:
Em Sião “farei germinar o chifre de David; prepararei uma lâmpada ao Meu Ungido; os seus adversários vestirei de vergonha, e sobre Ele florescerá a Sua coroa” (Sl. 132:17, 18).
Que também aí por ‘David’ se entenda o Senhor, é evidente pelas expressões que precedem, onde se diz:
“Ouvimos a respeito d´Ele em Efrata, encontramo-Lo nos campos da floresta; entraremos em Seus habitáculos, curvar-nos-emos no escabelo dos Seus pés. ... Teus sacerdotes serão vestidos em justiça, e os Teus santos jubilarão; por causa de David, Teu servo, não desvies a face de Teu Ungido” (Sl. 132:6-10),
pelas quais se pode ver que por ‘David,, ‘Ungido de JEHOVAH’, aí se entende o Senhor quanto ao Seu Divino Humano aí
[21] Em Jeremias:
“Sobre os montes nos perseguiram, no deserto armaram ciladas para nós; o fôlego de nossas narinas, o Ungido de JEHOVAH, foi capturado nas covas deles, o mesmo de quem disséramos: Na sombra d’Ele viveremos entra as nações” (Lm. 4:19, 20);
aí também, por ‘Ungido de JEHOVAH’ se entende o Senhor, porque aí se trata do assalto ao Divino Vero feito pelos falsos e males, o que é significado por ‘sobre os montes nos perseguiram, e no deserto armaram ciladas’; o ‘fôlego das narinas’ é a vida celeste mesma que vem do Senhor (n. 9818).
[22] Por aí agora se pode ver por que era tanto sacrilégio causar dano a um ungido de JEHOVAH, como também se vê pela Palavra. Por exemplo, no Primeiro Livro de Samuel:
Disse David: “JEHOVAH me guarde que eu faça essa palavra ao meu senhor, o ungido de JEHOVAH, e estenda minha mão nele, porque ele é ungido de JEHOVAH” (1 Sm. 24:6, 10);
e, em outra passagem,
“Disse David a Abisai: Não o destrua, pois quem estende a mão contra um ungido de JEHOVAH e fica inocente?” (1 Sm. 26:9).
No Segundo Livro de Samuel:
Disse David àquele que dissera ter matado a Saul: “Teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque disseste: Matei um ungido de JEHOVAH” (2 Sm. 1:16);
e, em outra passagem,
“Disse Abisai... Por isso não será morto Simei, que amaldiçoou um ungido de JEHOVAH?” (2 Sm. 19:21).
Que por esse motivo Simei tenha sido morto por ordem de Salomão, vê-se em 1 reis 2:36 ao fim.
[23] Sétimo. Que tenha sido um hábito comum aceito que se ungisse a si mesmo e aos outros, para testificar alegria da mente e benevolência, vê-se pelas seguintes passagens. Em Amós:
“Que bebem o vinho em taças, e se ungem das primícias dos óleos, mas não são afetados pela dor por causa da quebradura de José” (Am. 6:6);
em Miquéias:
“Pisarás a oliva, mas não te ungirás com o óleo” (Mq. 6:15),
em lugar de ‘não te alegrarás’. Em Moisés:
“Terás oliveiras em todo o teu termo, mas com óleo não te ungirás” (Dt. 38:40),
semelhantemente. Em Isaías:
“Para lhes dar uma tiara em lugar de cinza, óleo de regozijo em lugar de luto” (Is. 61:3);
em David:
“Ungiu-te... o teu Deus com o óleo da alegria mais do que aos teus companheiros” (Sl. 45:7);
no mesmo:
“Exaltará o meu chifre como o do unicórnio; crescerei no óleo verde” (Sl. 92:10);
no mesmo:
“O vinho alegra o coração do homem, para alegrar a face com óleo” (Sl. 104:15);
em Lucas:
Jesus a Simão: “Entrei em tua casa... e não ungiste Minha cabeça com óleo; esta, porém, com unguento ungiu os Meus pés” (Lc. 7:44, 46).
Em Mateus:
“Tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava a tua face, para não parecer aos homens que jejuas” (Mt. 6:17, 18).
[24] ‘Jejuar’ significa estar de luto, porque no luto se jejuava; e como então evitavam demonstração de alegria, por isso tampouco costumavam se ungir com óleo. Como em Daniel:
“Eu, Daniel, esteve de luto por três semanas; o pão dos desejos não comi, e carne e vinho não vieram à minha boca, e nem me ungi com unção, até quando se completassem as três semanas de dias” (Dn. 10:2-3).
Por aí se vê que era um costume aceito urgir-se a si mesmos e aos outros com óleo, não o óleo de santidade com que eram ungidos os sacerdotes e reis, o altar e o tabernáculo, mas um óleo comum, em virtude de que esse óleo significava o que é alegre e faustoso, pertencente ao amor do bem, mas o óleo de santidade significava o Divino Bem. Desse óleo se diz:
“Sobre a carne de homem não será derramado, e não farás como ele na sua qualidade; santo será para vós. Aquele que o preparar como ele, ou aquele que pôr dele sobre um estranho será cortado de seu povo” (Êx. 30:32, 33, 38).
[25] Oitavo. Que daí seja evidente que o ‘óleo’, na Palavra, significa o bem (o ‘óleo de santidade’, que era preparado para com eles ungirem-se as coisas que servissem ao culto na igreja significando o Divino Bem do Divino Amor, e o ‘óleo’ em geral significando o bem e o seu prazer), pode-se ver também por outras passagens na Palavra onde o óleo é citado, como nas que se seguem.
[26] Em David:
“Eis, quão bom e quão prazeroso os irmãos habitarem juntos! É como o bom óleo sobre a cabeça de Aarão, que, descendo na barba, a barba de Aarão, desce sobre a boca de suas vestes. É como o orvalho de Hermon que desce sobre os montes de Sião; ali JEHOVAH ordenou a bênção da vida até à eternidade” (Sl. 133:1-3).
Ninguém pode saber o que essas coisas significam a menos que saiba o que significam ‘irmãos’, o que significa o ´óleo’ sobre a cabeça de Aarão, o que significa a sua ‘barba’ e a ‘boca de suas vestes’, e o que significam ‘orvalho de Hermon’ e ‘monte de Sião’. Pelos ‘irmãos’ aí são significados o bem e o vero, pois esses se chamam irmãos na Palavra; por isso, ‘Eis, quão bom e quão prazeroso os irmãos habitarem juntos’ significa que na conjunção do bem e do vero está todo bem e todo prazer celeste, pois todo bem e prazer celeste procedem da conjunção do bem e do vero; o ‘óleo sobre a cabeça, que desce na barba, a barba de Aarão, que desce sobre a boca de suas vestes’ significa que daí vem todo bem e todo prazer do céu, desde os íntimos até os últimos, porque a ‘cabeça’ significa o íntimo, a ‘barba’ o último, e ‘descer sobre a boca das vestes’ significa o influxo e a conjunção do bem celeste e do bem espiritual. (Que o bem e o vero se chamem na Palavra ‘irmãos’, vê-se nos n. 367, 3160 e 9806; que ‘cabeça’ signifique o íntimo, n. 4938, 4939, 9656, 9913, 9914; que ‘barba’ signifique o último, n. 9960; que a ‘boca das vestes’ signifique o influxo e a conjunção do bem celeste e espiritual, assim, do bem e do vero, n. 9913 e 9914; e se diz ‘Aarão’ que ele representava o Senhor quanto ao Divino Bem, pois todo bem e toda conjunção do bem e do vero procedem d’Ele, n. 9806, 9946 e 10017). O ‘orvalho de Hermon’ significa o Divino Vero, e os ‘montes de Sião’ significam o Divino Bem; assim, ‘como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião’ significa a conjunção do vero e do bem, de que se trata ali. E visto que dessa conjunção os anjos e os homens têm toda vida espiritual, também se diz: “ali JEHOVAH ordenou a bênção da vida até à eternidade’. (Que o ‘orvalho’ signifique o Divino Vero, vê-se nos n. 3579 e 8455; que os ‘montes’ signifique o Divino Bem, e de onde isso vem, n. 795, 4210, 6435, 8327, 8758, 10438 e 10608; e que ‘Sião’ signifique a igreja onde há o bem do amor, n. 2362 e 9055, ao fim). Daí é evidente como é a Palavra em seu espiritual, ainda que assim pareça na letra.
[27] Em Ezequiel:
“Entrei em aliança contigo... para que fosses Minha, e lavei-te com águas, e limpei os teus sangues de sobre ti e ungi-te com óleo, e te vesti de bordado, e calcei-te de texugo... flor de farinha, mel e óleo comeste, pelo quem te fizeste muito bela, e prosperaste até o reino” (Ez. 16:8-10, 13).
Estas palavras se referem a Jerusalém, que significa a igreja; por isso, cada uma dessas coisas significa coisas espirituais que são da igreja. É evidente que tais coisas não foram ditas a respeito dos habitantes de Jerusalém, a saber, que JEHOVAH ‘os tenha lavado com águas’, ‘limpado os sangues deles’, ‘vestido de bordado’ e ‘calçado de texugo’; mas, ‘lavar com águas’ significa reformar e purificar pelos veros; ‘limpar os sangues’ significa remover os falsos do mal; ‘ungir com óleo’ significa dotar de bem do amor; ‘vestir de bordado e calçar de texugo’ significa instruir nas cognições do vero e do bem provenientes do sentido da letra da Palavra ou último; ‘comer flor de farinha, mel e óleo’ significa apropriar-se do vero e do bem; ‘daí fazer-se bela’ significa que tem entendimento, e ‘próspera até o reino’ significa que assim se tornou uma igreja (o ‘reino’ é a igreja).
[28] Em Jeremias:
“JEHOVAH redimiu Jacob... pelo que virão e cantarão nas alturas de Sião, e correrão para o bem de JEHOVAH, para o trigo, para o mosto e para o óleo, e para os filhos do rebanho e da manada; e a alma deles se tornará como um jardim irrigado” (Jr. 31:11, 12);
‘mosto e óleo’ significam o vero e o bem, (O que as demais coisas significam, vê-se logo acima, n. 374).
[29] Em Joel:
“Filhos de Sião, regozijai, e alegrai-vos em JEHOVAH vosso Deus, porque vos deu em justiça a chuva tempestiva45... para que as eiras se encham de grão puro, transbordem os lagares com o mosto e o óleo” (J. 2:23, 24);
aí, também, o ‘mosto’ e o ‘óleo’ significam vero e o bem da igreja, pois pelos ‘filhos de Sião’, aos quais essas coisas foram ditas, são significados os que são da igreja; pela ‘chuva tempestiva em justiça’ é significado o Divino Vero influindo no bem, pelo que há a conjunção deles, a frutificação e a multiplicação; e a plenitude daí proveniente é significada pelas ‘eiras cheias de grão puro’.
[30] No mesmo:
“O campo foi devastado, a terra chora, porque o grão foi devastado, o mosto se secou, o óleo enfraquece” (Jl. 1:10);
estas palavras significam que foram devastadas todas as coisas da igreja, as quais, em geral, se referem ao bem do amor e ao vero da fé; o ‘campo’ é a igreja, como também o é a ‘terra’; ‘campo’ é a igreja por causa da recepção do vero, e ‘terra’ por causa da percepção do bem; ‘grão’ é tudo o que é seu; ‘mosto’ é o vero, e ‘óleo’ é o bem.
[31] Em Isaías:
“Cantarei ao meu Dileto um cântico do meu amigo... meu Dileto tinha uma vinha no chifre dos filhos do óleo, a qual cercou e tirou as pedras, e a plantou com uma vide nobre;... e esperou que desse uvas, mas deu videira selvagem” (Is. 5:1, 2);
pela ‘vinha que o Dileto tinha no chifre dos filhos do óleo’ é significada a igreja espiritual, cujos veros procedem do amor, sendo, assim, excelentíssimos, porque a ‘vinha’ significa a igreja espiritual, ou a igreja que está nos veros provenientes do bem; sua consagração se entende pelo ‘chifre de óleo’, pois as consagrações se faziam por meio de um óleo de um chifre, e os ‘filhos do óleo’ são os veros provenientes do bem; por ‘Dileto’ se entende o Senhor, porque Ele instaura a igreja, pelo que se diz, por isso, que ‘Ele a cercou, e tirou as pedras, e plantou uma videira nobre’; ‘videira nobre’ é o vero espiritual proveniente do celeste, ou vero proveniente do bem do amor; as ‘uvas’, que esperava que a vinha desse, significam os bens da caridade, como são os bens da vida; e as ‘videira selvagens’ que significam os males opostos aos bens da caridade, ou os males da vida.
[32] Em Oséias:
“Naquele dia... ouvirei os céus, e eles ouvirão a terra, e a terra ouvirá o grão, e o mosto, e o óleo, e estes ouvirão Jisreel; e a semearei na terra” (Os. 2:21-23);
estas palavras foram ditas a respeito da Nova Igreja a ser instaurada pelo Senhor, e por ‘ouvir’ se entende obedecer e receber; a obediência e a recepção se seguem e sucedem na ordem assim descrita. Que os céus haveriam de receber do Senhor, entende-se por ‘ouvirei os céus’; que a igreja haveria de ser recebida pelos céus, portanto, pelos céu desde o Senhor, entende-se por ‘os céus ouvirão a terra’; que o bem e o vero haveriam de ser recebidos pela igreja, entende-se por ‘a terra ouvirá o grão, e o mosto e o óleo’; (‘mosto’ é o vero, e ‘óleo’ é o bem); e que aqueles que são da igreja, em que estão o bem e o vero, seriam daí recebidos, entende-se por ‘estes ouvirão Jisreel’. Que não seja terra, o seu grão, mosto e óleo que se entenda aí, mas a igreja com seus bens e vers, é evidente, porque se diz: ‘semearei Jisreel para Mim na terra’.
[33] Em Isaías:
“Porei no deserto o cedro de shitta, e a murta, e a oliveira [arborem olei]; porei no ermo o abeto, e o olmeiro e o buxo” (Is. 41:19);
estas palavras foram ditas a respeito da instauração pelo Senhor de uma igreja entre as nações; o ‘deserto’ e o ‘ermo’ significam onde antes não havia o bem, por não haver o vero; o ‘cedro de shitta’, a ‘murta’, e a ‘oliveira’ significam o bem espiritual e celeste, e o ‘abeto’, o ‘olmeiro’ e o ‘buxo’ significam o bem e o vero daí, no natural. Com efeito, cada árvore significa na Palavra algum bem e vero da igreja, e as coisas da igreja que no homem espiritual ou interno são significadas pelo ‘cedro de shitta’, a ‘murta’ e a ‘oliveira’, enquanto as coisas da igreja que estão no homem natural ou externo, pelo ‘abeto’, o ‘olmeiro’ e o buxo’.
[34] Em David:
“Meu Pastor, de nada carecerei. Em pastos de ervas me fará deitar, às águas de quietude me conduzirá; porá diante de mim uma mesa, perante meus inimigos; engorda com óleo a minha cabeça, meu copo transbordará” (Sl. 23:1, 2, 5).
No sentido interno, por estas palavras se entende que confia no Senhor é conduzido em todos os bens e veros do céu e terá os prazeres daí em abundância; por ‘meu Pastor’ se entende o Senhor; pelos ‘pastos de erva’ são significadas as cognições do vero e do bem; pelas ‘águas de repouso’ são significados os veros do céu provenientes daí; pela ‘ mesa’ é significada a nutrição espiritual; por ‘engordar com óleo a cabeça’ significa a inteligência que vem dos veros, pois o ‘copo’ significa o mesmo que o ‘vinho’. São citados os ‘pastos de erva’ e as ‘águas de repouso’, como se fossem comparações, pelo fato de o Senhor ser chamado Pastor, e o rebanho é conduzido pelo pastor aos pastos de ervas e às águas límpidas, mas, ainda assim, são correspondências.
[35] Em Ezequiel:
“Judah e a terra de Israel foram os teus negociantes, em trigo minnith e pannag46, e em mel e óleo e bálsamo” (Ez. 27:17);
estas palavras foram ditas a respeito de Tiro, pela qual é significada a igreja quanto às cognições do vero e do bem; assim por ‘Tiro’ são significadas as cognições do vero e do bem da igreja; e por ‘Judah’ e pela ‘ terra de Israel’, que eram os negociantes, é significada a igreja; por ‘Judah’, a igreja quanto ao bem, e pela ‘terra de Israel’ a igreja quanto aos veros do bem; ‘negociar’ significa adquirir para si e comunicar aos outros; ‘trigo minnith e pannag’ significa os bens e veros em geral, e ‘mel’, ‘óleo’ e ‘bálsamo’ os bens e veros em particular; pelo ‘mel’ e pelo ‘óleo’, os bens, e pelo ‘bálsamo’, os veros agradáveis que procedem do bem. De fato, todos os veros que procedem do bem são percebidos no céu como fragrâncias e, assim, são agradáveis; essa era a razão pelo qual o óleo da unção era feito de várias fragrâncias (de que se trata em Êx. 30:22-33), e também o óleo para as lâmpadas (de que se trata em Êx. 27:20, 21).
[36] Em Moisés:
JEHOVAH “o alimentou com o produto dos campos, e o fez sugar mel da rocha, e óleo do seixo da pedra” (Dt. 32:13);
estas palavras são a respeito da Igreja Antiga; ‘sugar óleo do seixo da pedra” está em lugar de imbuir-se do bem por meio dos veros da fé; ‘mel’ é o bem e o prazer natural, ‘óleo’ é o bem e o prazer espiritual, e ‘rocha’ e ‘seixa da pedra’ é o vero da fé proveniente do Senhor. Se coisas espirituais não fossem entendidas por essas palavras, o que seria então ‘sugar mel da rocha e óleo do seixo de pedra’?
[37] Em Habacuque:
“A figueira não florescerá, nem haverá produto das videiras; a obra da oliveira mentirá, e os campos não darão comida” (Hb. 3:17);
aqui não se entendem figueira, nem videira, nem videira nem campos, mas coisas celestes às quais eles correspondem; a ‘figueira’ correspondente ao bem natural e, daí, o significa; a ‘videira’ corresponde ao bem espiritual, que em sua essência é o vero; a ‘oliveira’, assim como o fruto de que vem o óleo, corresponde ao bem do amor no ato; e os ‘campos’ correspondem a todas as coisas da igreja; ‘produto’ e ‘comida’ daí significam todas as coisas que são da nutrição espiritual. Daí se vê o que elas em ordem significam.
[38] Em Oséias:
“Efraim, que se apascenta de vento... fazem aliança com a Assíria, e o óleo é levado ao Egito” (Os. 12:1),
palavras essas que não são absolutamente compreendidas se não sabe o que é ‘Efraim’, o que é ‘Assíria’ e o que é ‘Egito’. Aí se descreve o proprium intelectual do homem que, por meio de raciocínios vindos dos conhecimentos, perverte e adultera os bens da igreja; ‘Efraim’ o entendimento, ‘Assíria’ é o raciocínio e ‘Egito’ é o conhecimento; assim, ‘levar o óleo ao Egito’ é perverter os bens da igreja por meio de raciocínios vindos dos conhecimentos.
[39] Em Zacarias:
“Vi um castiçal de ouro... duas oliveiras junto a ele, uma à direita do vaso e uma à sua esquerda;... Estes são os dois filhos do óleo que estão juntos ao Senhor de toda a terra” (Zc. 4:2, 3, 14);
‘duas oliveiras’ e ‘dois filhos do óleo’ são o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo, este à Sua esquerda e aquele à Sua direita.
[40] Semelhantemente, no Apocalipse:
Duas testemunhas profetizavam por mil duzentos e sessenta47 dias; “elas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra” (Ap. 11:3, 4);
‘duas oliveiras’ e ‘dois castiçais’ são esses mesmos bens, que, porque procedem do Senhor, chamam-se ‘duas testemunhas’. Mas a respeito disso haverá mais detalhes na sua explicação.
[41] Visto que o ‘óleo’ significava o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo, por isso
O Senhor assemelhava o reino dos céus a dez virgens, das quais cinco tinham óleo nas lâmpadas e cinco não o tinham; por isso estas foram chamadas insensatas, e aquelas prudentes (Mt. 25:1-11);
pelas ‘dez virgens’ são significados todos os que são da igreja, e por ‘cinco’ são significados alguns, ou uma parte delas, pois tais coisas são significadas pelos números ‘dez’ e ‘cinco’ na Palavra, e pela ‘virgem’ ou ‘filha’ é significada a igreja; pelo ‘óleo’ é significado o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo, e pelas ‘lâmpadas’ são significados os veros que se chamam da fé. Daí se pode saber o que se entende por essas palavras no sentido espiritual, a saber, que aqueles que conhecem os veros da Palavra ou da doutrina da igreja mas não estão no bem do amor e da caridade, isto é, não vivem segundo eles, são as virgens que não têm óleo nas lâmpadas e que, por isso, não são admitidas no céu. Aqueles, porém, que estão no bem do amor e da caridade e, assim, nos veros da Palavra ou da doutrina da igreja são as virgens que têm óleo nas lâmpadas e são recebidas no céu. Daí se vê de onde vem que essas últimas virgens se chamam ‘prudentes’, mas as primeiras ‘insensatas’.
[42] Visto que o ‘óleo’ significava o bem do amor e da caridade, e o ‘vinho’ significava o vero, por isso
O Senhor disse a respeito do samaritano que, fazendo uma jornada, viu no caminho um que foi ferido por ladrões, e derramou óleo e vinho em sua ferida, e depois o ergueu sobre o próprio jumento e o conduziu a uma estalagem, e disse que tivessem cuidado dele (Lc. 10:33-35).
Estas palavras são assim percebidas no sentido espiritual: pelo ‘samaritano’ se entendem as nações que estavam no bem da caridade para com o próximo; pelo ‘ferido por ladrões’ se entendem os que são infestados pelos que são procedentes do inferno, pois esses são ladrões, porquanto ferem e matam a vida espiritual do homem; pelo ‘óleo e o vinho’ que derramou na sua ferida se entendem as coisa espirituais que curam o homem, pelo ‘óleo’ o bem e pelo ‘vinho’ o vero; ‘erguê-lo sobre o próprio jumento’ significa que fez isso tanto quanto possível segundo a sua inteligência, pois o ‘cavalo’ significa o entendimento, igualmente ao ‘jumento’; ‘conduziu-o a uma estalagem e disse que tivessem cuidado dele’ significa [conduzir] aos que são instruídos na doutrina da igreja proveniente da Palavra, para que pudessem curá-lo melhor do que ele, que ainda estava na ignorância. Assim são entendidas essas apalavras no céu, pelo que também se vê que o Senhor, quando esteve no mundo, falou por meras correspondências; assim, falou para o mundo e o céu ao mesmo tempo.
[43] Visto que o ‘óleo’ significava o bem do amor e da caridade, e por ele são curados os que são espiritualmente doentes, por isso o se diz dos discípulos do Senhor
Que eles ungiram com óleo a muitos e os curou (Mc. 6:13).
(Além disso, o que é significado em particular pelo ‘óleo preparado para lâmpadas’ e o que é significado pelo ‘óleo preparado para as unções’, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 9778-9789, e n. 10250-10288, onde são explicados). Por aí se pode ver agora que o ‘óleo’ significa o bem celeste e o bem espiritual, ou o bem do amor ao Senhor e o bem da caridade para com o próximo; o ‘óleo da unção’, o bem do amor ao Senhor proveniente do Senhor; e o ‘óleo das lâmpadas’, o bem da caridade, proveniente do Senhor, para com o próximo.

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