. Até aqui foi mostrado que o ‘óleo’ significa o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor; agora será mostrado também que o ‘vinho’ significa o bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo e o bem da fé. E como esse bem em sua essência é o vero, por isso na explicação geral foi dito: ‘não danifiqueis o óleo e o vinho’, significando que não se deve causar dano ao sentido interno ou espiritual da Palavra, nem quanto ao bem nem quanto ao vero; ou, o que é o mesmo, que não se deve causar dando aos bens e veros que estão no sentido interno ou espiritual da Palavra. Que o bem da caridade e o bem da fé em sua essência sejam o vero é porque esse bem é implantado pelo Senhor na parte intelectual do homem por meios dos veros que se chamam da fé. E quando o homem vive segundo eles, então os veros se tornam bens, pois pelos veros naquela parte é formada uma vontade nova, e tudo o que procede dessa vontade se chama bem. Essa vontade é, também, a mesma que a consciência, e a consciência é a consciência do vero, porque é formada por veros de todo gênero, que vêm da doutrina da igreja e do sentido da letra da Palavra. (A respeito desse assunto, porém, veem-se muitas coisas na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 130-138 e n. 139-141, nos [extratos] dos Arcanos Celestes,). Daí vem, agora, que pelo ‘vinho’ é significado o vero.
[2] Além disso, há bens e veros internos e externos; os bens e veros internos são significados pelo ‘óleo e o vinho’, que não deviam ser danificados, enquanto os bens e veros externos são significados pelo ‘trigo e a cevada’. Os bens e veros externos são os que se encontram no sentido da letra da Palavra, mas os bens e veros internos são os que se encontram no sentido interno ou espiritual da Palavra; ou, os bens e veros externos são tais os que se encontram nos céus inferiores, com os anjos ali, isto é, nos últimos do céu, mas os bens e veros internos são tais os que se acham nos céus superiores, com os anjos ali, isto é, no terceiro e no segundo céus. Esses últimos bens e veros são os bens mesmos e os veros genuínos, mas os anteriores são veros e bens porque correspondem; assim, são correspondências. Os genuínos têm comunicação imediata com os anjos do céu, mas os outros não a têm imediata, mas mediata, por meio de correspondências. Daí é que os judeus, porque estiveram somente no sentido da letra e não na cognição do significado das coisas no sentido espiritual, não puderam causar dano ao sentido espiritual da Palavra, nem quanto ao bem nem quanto vero, por conseguinte, quantos aos genuínos bens e veros. Por semelhante modo, a Igreja Cristã de hoje não pode causar dano aos bens e veros genuínos que estão no sentido espiritual da Palavra, pois ignorou esse sentido e, com ele, também ignorou os bens e veros genuínos.
[3] Que o sentido espiritual da Palavra não tenha sido desvendado aos cristãos foi porque os bens e veros genuínos, tais os que estão céus superiores, encerram-se no sentido espiritual da Palavra, e enquanto esses bens e veros não foram percebidos nem conhecidos esse sentido não pôde ser aberto, pois os bens e veros não puderam ser vistos. Que os bens e veros genuínos nas igrejas cristãs não tenham sido percebidos nem conhecidos foi porque essas igrejas se dividiras, em geral, em Católica e Evangélica. Na Católica os vero foram completamente ignorados, porque os que nela estão não dependem da Palavra, por conseguinte, do Senhor que é Palavra, isto é, o Divino Vero, mas do papa, de cuja boca dificilmente procede alguma senão o que vem do amor de dominar, e esse amor procede do inferno; por isso dificilmente existe com eles algum vero que seja da igreja. Nas igrejas Evangélicas, porém, a fé, só, foi tomada como meio essencial de salvação, e por esse modo o bem do amor e da caridade foi rejeitada como não essencial, e onde o bem é rejeitado tampouco pode haver aí algum vero que em si seja vero, porque todo vero é proveniente do bem, pois o Senhor influi no bem do homem e pelo bem o ilumina e lhe dá a luz para que perceba os veros; por isso, sem essa luz, que é a própria vida espiritual do homem, não há vero, por mais que pareça ser um vero, por ser procedente da Palavra. É um vero falsificado pelas ideias que se tem a respeito dele, pois nenhuma outra coisa resulta da fé separada da caridade, ou dos veros sem o bem. Daí é, pois, que o sentido espiritual da Palavra não pôde ser revelado às igrejas cristãs, pois se fosse revelado eles o teriam falsificado e pervertido por ideias vindas das falácias e, assim, profanariam. Daí é, também, que ninguém foi admitido, e também não será, daqui em diante, no sentido espiritual da Palavra a menos que esteja nos veros genuínos provenientes do bem. e ninguém pode estar nos veros genuínos provenientes do bem a menos que de coração reconheça o Senhor, só, como Deus do céu e da terra, pois dele procede todo bem e, daí, o vero. Que o sentido espiritual da Palavra tenha sido hoje revelado, e com este os veros e bens genuínos tenham sido desvendados, é porque o juízo final foi concluído pelo Senhor e, assim, todas as coisas nos céus e nos infernos foram repostas em ordem. Por este meio pode ser provido pelo Senhor que nenhum dano seja feito aos veros e bens genuínos que estão no sentido espiritual da Palavra, coisas que não pôde ser provida antes (vide, no opúsculo Do Juízo Final, o n. 73).
[4] Que o ‘vinho’ signifique o bem espiritual, ou o bem da caridade e o bem da fé, que, em sua essência, é o vero, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Isaías:
“Ó vós, todos os que tendes sede, ide às águas; e os que não têm prata, ide, comprai, e comei; comprai, sem prata e sem preço, vinho e leite” (Is. 55:1).
Qualquer um pode ver que não se entendem vinho e leite que eles comprariam sem prata, porque ‘vinho e leite’ significam coisas espirituais, a saber, o ‘vinho’, o bem espiritual, que em sua essência é o vero, como se disse acima, mas o ‘leite’, o bem desse vero. Que eles sejam dados de graça pelo Senhor aos que estão na ignorância a respeito do vero e do bem e, todavia, os desejam, é significado por ‘os que não têm prata, ide, comprai, e comei; comprai sem prata’; ‘comprar’ significa adquirir para si, e ‘comer’ significa apropriar-se, o que se faz pela aplicação como se por si mesmo. Que se entendam os que estão na ignorância a respeito do vero e do bem, e, todavia, os desejam é evidente, pois se diz: ‘Ó vós, todos os que tendes sede, ide às águas’; ‘ter sede’ significa desejar, e ‘águas’ significam os veros, aqui, a Palavra, onde se acham os veros.
[5] Em Joel:
“Será naquele dia que os montes destilarão mosto, e as colinas fluirão leite; todos os ribeiros de Judá fluirão com águas” (Jl. 3:18);
aí se trata do advento do Senhor e de uma novo céu e uma nova igreja criados por Ele. É notório que então na terra de Canaan ou em Judah os montes não destilaram mosto nem as colinas fluíram leite, e nem então os ribeiros de Judah fluíram com águas mais do que tempos anteriores. Por isso, por essas palavras se entendem coisas diferentes que o mosto, o leite e as águas, e também diferentes de montes, colinas e ribeiros, a saber, pelos ‘montes que destilarão mosto’ ou vinho se entende que do bem do amor ao Senhor vem todo vero genuíno; pelas ‘colinas que fluirão leite’ se entende que do bem da caridade para com o próximo vem a vida espiritual; e por ‘todos os ribeiros de Judah que fluirão com águas’ se entende que de cada particular da Palavra vêm os veros. (Pois ‘Judah’ significa o reino celeste do Senhor e, também, a Palavra; vê-se nos n. 3881 e 6363; assim, pelos ‘ribeiros’ são significadas todos os seus particulares; que pelos ‘montes’ sejam significados o bem do amor ao Senhor, n. 795, 4210, 6435, 8327, 8758, 10438 e 10608; e pelas ‘colinas’ o bem da caridade para com o próximo, n. 6435 e 10438; pelo fato de que, no céu, sobre os montes habitam os que estão no bem do amor ao Senhor, e sobre as colinas os que estão no bem da caridade para com o próximo, n. 10438; e na obra O Céu e o Inferno, n. 188).
[6] Em Amós:
“Eis que dias virão... o que lavra tocará o que sega, e o que pisa as uvas o que separa a semente, e os montes destilarão mosto, e todas as colinas se derreterão. Trarei de volta o cativeiro do Meu povo Israel, e edificarão as cidades devastadas, e assentar-se-ão; e plantarão as vinhas e beberão o vinho delas; e farão jardins, e comerão o fruto deles; então os plantarei sobre a sua terra” (Am. 9:13-15).
Nesse capítulo, trata-se em primeiro lugar da devastação da igreja e, em seguida, de sua restauração pelo Senhor. Pelo ‘povo Israel’ não se entende aquele povo, mas aqueles nos quais a igreja seria instaurada; ‘o que lavra tocará o que sega’ significa que quem recebe o bem e o vero também fará o uso ou fruto, assim, que estarão simultaneamente no homem da igreja; ‘os montes destilarão mosto, e todas as colinas se derreterão’ significa como logo acima, que do bem do amor ao Senhor e do bem da caridade para com o próximo haverá veros em abundância; o ‘mosto’ ou ‘vinho’ aí é o vero; pelo ‘cativeiro do povo Israel’, que ‘será trazido de volta’ é significada a restauração da igreja entre as nações, porque pelo ‘cativeiro’ se entende o cativeiro espiritual, que existe naqueles que estão afastados dos bens e dos meros e, todavia, os desejam (vide n. 9164); pelas ‘cidades devastadas’ que eles ‘edificarão’ são significados os doutrinais do vero e do bem provenientes da Palavra que estavam até então destruídos e seriam restaurados; pelas ‘vinhas’ que eles plantarão e das quais ‘beberão o vinho’ são significadas todas as coisas da igreja de que vem a inteligência; pela ‘vinha’ é significada a igreja espiritual e, daí, pelas ‘vinhas’ são significadas todas as coisas da igreja; pelo ‘vinho’ é significado em geral o seu vero, e por ‘bebê-lo’ é significado tornar-se instruído e inteligente, portanto, a inteligência; e pelos ‘jardins’ que eles farão são significadas todas as coisas que são significadas todas as coisas que pertencem à inteligência, e pelo ‘seu fruto’ são significados os bens da vida; assim, ‘comer de seu fruto’ significa a apropriação do bem, por conseguinte, a sabedoria, pois a sabedoria surge quando os veros são aplicados na vida; e como são estas as coisas que se entendem, por isso se diz de Israel: ‘Plantá-los-ei sobre a sua terra’.
[7] Em Moisés:
“Amarra à vide o seu jumentinho, à vide excelente o filho de sua jumenta; lava no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas a sua cobertura; o vermelho dos olhos por causa do vinho, e o branco dos dentes por causa do leite” (Gn. 49:11, 12);
estas palavras estão na profecia de Israel, pai de Judah, por em não se entende aí Judah, mas o Senhor quanto ao reino celeste; e pelo ‘vinho’, assim como ‘sangue das uvas’ se entende o Divino Vero. (O que as demais coisas significam, e que o ‘vinho’ signifique o Divino Vero, porque se refere ao Senhor, vê-se nos Arcanos Celestes, n. 6375-6381).
[8] No mesmo:
Jacob trouxe de sua caça ao pai Isaque, “e comeu; e trouxe-lhe vinho, e bebeu”, e Isaac o abençoou, dizendo: “Deus te dará do orvalho do céu, e das gorduras da terra, e a multidão do grão e do mosto” (Gn. 27:25, 27-28, 37).
Os que não sabem que a Palavra é espiritual em cada particular podem crer que por ‘Isaque’ aí se entende Isaque, e por ‘Jacob’, Jacob; assim, que pelas ‘gorduras da terra’ e pelo ‘grão e o mosto’ não se entendem outras coisas acima dessas. Mas ‘Isaque’ aí representava o Senhor, e Jacob a igreja; assim, pelas ‘gorduras da terras’ eram representadas as coisas celestes que são do bem do amor , e pelo ‘ grão e o modo’ todo bem e vero da igreja. (Mas essas coisas se veem explicadas nos Arcanos Celestes, n. 3570, 3579 e 3580).
[9] No mesmo:
“Se ouvirdes os Meus preceitos... darei a chuva da vossa terra no seu tempo, a tempestiva e a serôdia, e colherás o teu fruto, e o teu mosto, e o teu óleo” (Dt. 11:13-14)
Essas bênçãos da terra foram prometidas aos filhos de Israel se eles ouvissem e fizessem os preceitos de JEHOVAH, as quais também sucederam, pelo fato de que a igreja com eles era representativa, e as coisas que foram ditas e ordenadas por JEHOVAH correspondiam a coisas espirituais, assim como essas bênçãos da terra correspondiam às bênçãos do céu. As bênçãos do céu, às quais correspondiam as bênçãos da terra, se referem todas às coisas que são do bem do amor e do vero da fé; por isso, pela ‘chuva tempestiva e serôdia’ são significadas essas bênçãos, pois pela ‘chuva’ em particular é significado o Divino Vero que influi do céu, do qual nascem, crescem e são produzidas todas as coisas da igreja e do céu no homem. Assim, o ‘grão, mosto e óleo’ que eles colheriam são significados todo bem e vero externo e interno do homem.
[10] No mesmo:
“Assim Israel habitou seguramente, solitário à fonte de Jacob, na terra do grão e do mosto; também os seus céus destilavam orvalho” (Dt. 33:28).
Essa era a conclusão das bênçãos dos filhos de Israel, por Moisés, nas quais todas as coisas eram proféticas, e por cada um de seus filhos ou por cada uma das tribos de Israel foi significado algo da igreja (do mesmo modo que em Gn. 49). Por ‘Israel’ aqui é significada a igreja mesma; ‘habitar seguramente, solitário à fonte de Jacob’ significa viver sem a infestação dos males e falsos, e ser conduzido somente pelo Senhor, pelo Divino Vero (a ‘fonte de Jacob’ é o Divino Vero e a Palavra); ‘viver na terra do grão e do mosto’ significa em todo bem e vero da igreja; e ‘também os seus céus destilavam orvalho” significa o influxo do céu.
[11] No mesmo:
“Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra”... e deu “manteiga da manada e leite do rebanho, com gordura dos cordeiros e dos carneiros dos filhos de Basan, e dos bodes, com a gordura dos runs do trigo, e bebes o sangue da uva, o vinho puro” (Dt. 32:13-14);
estas palavras foram ditas a respeito da Igreja Antiga, a igreja que também existiu antes da Israelita, e esteve no bem da caridade e nos veros da fé; os bens de todo gêneros, nos quais estava, se entendem por essas coisas, isto é, ‘manteiga da manada’, ‘leite do rebanho’, ‘gordura dos cordeiros’, ‘gordura dos carneiros’, ‘gordura dos bodes’, ‘gordura dos rins do trigo’; e os veros espirituais, pelo ‘sangue da uva’ e pelo ‘vinho puro’.
[12] Em Jeremias:
“Virão e cantarão na altura de Sião, e correrão para o bem de JEHOVAH, para o trigo, e para o mosto, e para o óleo, e para os filhos do rebanho e da manada” (Jr. 31:12);
‘trigo, mosto e óleo’ significam os bens e veros de todo gênero. (O que eles significam especificamente, vê-se acima, n. 374). Em Isaías:
“Jurou JEHOVAH pela Sua direita, e pela força de Seu braço: Se Eu der de novo o teu grão por comida aos adversários, e se os filhos da estrangeira beberem o teu mosto, pelo qual trabalhaste; mas aqueles que o colheram comê-lo-ão, e louvarão a JEHOVAH; e aqueles que o ajuntam bebê-lo-ão nos átrios de santidade” (Is. 62:8, 9);
essas palavras são a respeito de Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina; por isso, pelo ‘grão’ que ‘não mais seria dado por comida aos adversário’ e pelo ‘mosto’ que ‘os filhos da estrangeira não beberiam’ é significado em geral o bem e o vero da igreja, que não mais seriam consumidos pelos males e falsos; ‘adversários’ aí são os males, e ‘filhos da estrangeira’ são os falsos, e ‘comer’ ou ‘dar-lhes por comida’ e ‘beber’ é consumir; ‘aqueles que o colheram comê-lo-ão, e aqueles que o ajuntam bebê-lo-ão’ significa que os bens e veros permanecerão naqueles que os recebem e fazem daí usos; o culto por esses bens e veros é significado por ‘louvar a JEHOVAH’ e ‘beber nos átrios de santidade’.
[13] No mesmo:
“O contentamento e a exaltação foram tomados do Carmelo, e nas vinhas não se canta, não se jubila; o que pisa não pisa o vinho no lagar; fiz cessar a exultação [hedad]” (Is. 16:10);
assim se descreve que o prazer celeste vindo do bem é daí tomado porque o bem e o vero mesmos o foram. O bem celeste se entende por ‘Carmelo’ e os veros daí pelas ‘vinhas’ e pela ‘pisa do vinho no lagar’; o prazer deles, que foi tomado, entende-se por ‘contentamento’, ‘exaltação’, ‘júbilo’, ‘exultação’, ‘canto’, ‘regozijo’ e exultação [hedad], porque se costumava cantar nas vinhas e no lagar, quando se pisava a uva para o vinho, por causa da representação dos prazeres vindos dos veros, que eram significados pelo ‘vinho’.
[14] Em Jeremias:
“Mais do que o choro de Jaeser chorarei por ti, ó vinha de Sibma; teus ramos passaram o mar, estenderam-se até o mar de Jaeser; sobre os frutos de teus outonos, e sobre a tua vindima o devastador caiu, pelo que foi tomada a alegria e o prazer do Carmelo e da terra de Moabe; e o vinho; e fiz cessar o vinho nos lagares; não pisará hedad, hedad não hedad“ ????? (Jr. 48:32, 33).
aqui também se trata do arrebatamento do prazer celeste proveniente do bem do amor e dos veros daí, pois todo prazer celeste está neles e vem deles; a lamentação sobre isso se entende por ‘chorar o choro’; a sua privação por ‘foi tomada a alegria e o prazer do Carmelo’ e também por ‘sobre a tua vindima o devastador caiu’, por ‘ter cessado’ e por ‘hedad não hedad’; o bem que foi tomado, motivo pelo qual se faz a lamentação, entende-se pelos ‘frutos do outo’, e os veros do bem que foram tirados pela ‘vindima’ e pelo ‘vinho nos lagares’; que os veros tenham sido banidos e tenham perecido pelos conhecimentos entende-se pela ‘vide de Sibma’ e por ‘seus ramos que passaram o mar até o mar de Jaeser’ (o ‘mar’ significa o conhecimento).
[15] Nas Lamentações:
“A criancinha e a lactente desfalecem nas ruas da cidade; dizem às suas mães: Onde estão o grão e o vinho? quando desfalecem como feridos nas ruas da cidade, quando as suas almas são derramadas sobre o seio de suas mães” (Lm. 2:11, 12);
essas palavras contêm uma lamentação sobre a Igreja Judaica, porque se perdeu todo o seu bem e vero, e a lamentação é descrita por ‘a criancinha e a lactente, que desfalecem nas ruas, e dizem às suas mães: Onde estão o grão e o vinho?’; a ‘criança’ e a ‘lactente’ são significados os que estão no bem da inocência e, abstratamente, o bem mesmo da inocência; por esse bem se entende todo bem celeste, porque este é o essencial de todos os seus bens (vide, na obra O Céu e o Inferno, os n. 276-283, 285, 288, 341 e 382); as ‘ruas da cidade’ significam os veros da doutrina; as ‘mães’ significam todas as coisas da igreja; e o ‘grão’ e o ‘vinho’ significam em geral todo seu bem e vero; diz-se que ‘desfalecem como feridos nas ruas da cidade, quando a alma deles se derrama sobre o seio de suas mães’ porque ‘feridos’ significa aqueles que espiritualmente perecem pela privação do vero, e pela ‘alma’ é significada a vida espiritual. (Que as ‘ruas da cidades’, nas quais desfalecem, signifiquem os veros da doutrina, vê-se no n. 2336; e que a ‘mãe’, em cujo seio se derrama a alma, signifique a igreja, n. 2691, 2717, 3703, 4257, 5581 e 8897.)
[16] Em Sofonias:
“As suas riquezas serão por presa, e suas casas por devastação, para que edifiquem casas mas [nelas] não habitem, e plantem vinhas mas não bebam o vinho delas” (Sf. 1:13);
pelas ‘riquezas’, que serão por presa, são significadas as riquezas espirituais, que são as cognições do bem e do vero; pelas ‘casas’ que serão por devastação, são significadas as coisas da igreja que estão no homem, as quais, quando são devastadas, então nenhum proveito têm nem nada recebem, ainda que eles as ouçam e as vejam na Palavra; isto é o que significa ‘edificar e não habitar, e plantar vinhas e não bebe o vinho delas’ (‘casas’ são os bens da igreja, e ‘vinhas’, com o ‘vinho’, são os seus veros).
[17] Coisas semelhantes se entendem em Miquéias:
“Tu semearás, mas não segarás; tu pisarás a oliva, mas não te ungirás com o óleo; e o mosto, mas não beberás o vinho” (Mq. 6:15);
em Amós:
“Vinhas de desejo plantarás, mas não beberás o vinho delas” (Am 5:11);
e em Oséias:
“A eira e o lagar não os apascentarão, e o mosto lhes mentirá; não farão libação de vinho a JEHOVAH, e não serão gratas a Ele [as suas libações]” (Os. 9:2, 4);
pela ‘eira e o lugar’ são significadas coisas semelhantes que o ‘grão e o vinho’, porque se ajuntam deles ali; ‘não os apascentarão’ e ‘o mosto lhes mentirá’ significa que não lhes trarão proveito o que ouvirem deles; e ‘não oferecerão libação de vinho a JEHOVAH, e não serão gratas a Ele (isto é, as suas libações)’ significa que o culto deles não será aceito.
[18] Em Joel:
“Despertai-vos, bêbados, e chorai; e gemei, todos os que bebem vinho, por causa do mosto que foi cortado de vossa boca;... o campo foi devastado, a terra chora, porque o grão foi devastado; secou-se o mosto, enfraquece-se o óleo, os lavradores ficaram envergonhados, os vinicultores gemeram” (Jl. 1:5, 10, 11);
o que é significado por essas palavras no sentido espiritual vê-se acima, no n. 374, onde elas são explicadas; pelo ‘vinho’ e o ‘mosto’ se entenda o vero da igreja, e pelos ‘vinicultores’ aqueles que estão nos veros e os ensinam. Trata-se aí da igreja devastada, onde os bens e veros pereceram.
[19] Em Ezequiel:
“Damasco, tua negociadora pela multidão de tuas obras, pela multidão de todas as riquezas, em vinho de Hesbon e lã de Zacar” (Ez. 27:18);
essas palavras foram ditas a respeito de Tiro, por quem é significada a igreja quanto às cognições do bem e do vero; por ‘Damasco’, que era uma cidade da Síria, é significado o conhecimento concordante; pelas ‘negociações’, de que se trata nesse capítulo, são significadas a aquisição e a comunicação delas, e os usos. Visto que o conhecimento concordante é significado por ‘Damasco’, por isso se diz que ela é ‘negociadores na multidão de todas as obras e riquezas, e as ‘obras’, pelas quais se faziam os usos, significam as cognições do bem, e as ‘riquezas’ significam as cognições do vero. E visto que as cognições do vero e bem estão no homem natural, pois nele está todo cognitivo perceptível e o conhecimento, por isso se diz: ‘em vinho de Hesbon e em lã de Zacar’; o ‘vinho de Hesbon’ significa o vero natural, e a ‘lã de Zacar’ o bem natural.
[20] Em Isaías:
“Maldição comerá a terra... o mosto chorará, a videira enfraquecerá, todos os alegres de coração gemerão; com canto não beberão vinho; amarga será a bebida forte dos que a bebem; quebrada está a cidade de desolação; todas as casas estão fechadas para que ninguém entre” (Is. 24:6, 7, 9, 10).
A perversão da igreja é descrita por essas palavras. Perversão é quando o falso reina em lugar do vero, onde não há mais bem, pois pelos veros o homem tem o bem; a ‘terra que a maldição comeria’ significa a igreja; a ‘maldição’ é a sua perversão; o ‘mosto que chorará’ e a ‘videira que enfraquecerá’ significam todo vero da igreja; ‘chorar’ e ‘enfraquecer’ significa a sua privação do vero; ‘todos os alegres de coração gemerão; com canto não beberão vinho’ significa não haverá mais prazer algum bem bem-aventurança celeste; ‘amarga será a bebida forte dos que a bebem’ significa que terão aversão a todas as coisas que concordam com os veros; ‘bebida forte’ significa as coisas que vêm dos veros e concordam com eles; mas que a doutrina do falso será destruída, é significado por ‘quebrada está a cidade de desolação’; ‘cidade’ é a doutrina, e ‘desolação’ é o falso; e ‘todas as casas estão fechadas para que ninguém entre’ significa que não haverá mais bem nem sabedoria no homem, o que acontece quando não há o vero, mas o falso.
[21] Em Amós:
“Os que bebem vinho em taças, e se ungem das primícias dos óleos; mas não são afetados pela dor por causa da quebradura de José” (Am 6:6);
por essas palavras e pelas que precederam nesse capítulo se descrevem os que estão no culto externo sem o interno, quais foram outrora e ainda hoje são os judeus; as ‘taças de vinho em que bebem’ são os externos do vero de que vem o culto, e as ‘primícias dos óleos com que se ungem’ são os externos do bem de que também vem o culto; ‘José’ significa o interno da igreja ou seu espiritual; ‘não são afetados pela dor por causa da quebradura’ significa que nada lhes afeta que isso pereça. (Que o culto externo sem o interno não seja culto, vê-se nos n. 1094, 1175 e 7724; que com judeus outrora e ainda hoje o culto tenha sido externo sem um interno, n. 1200, 3147, 3479 e 8871; que ‘José’ signifique a igreja espiritual e, daí, também o espiritual da igreja, n. 3969, 3971, 4669 e 6417).
[22] Em Zacarias:
“Farei poderosa a casa de Judah, e a casa de José salvarei;... então serão como o poderoso Efraim, e coração deles se alegrará como pelo vinho” (Zc. 10:6, 7);
a ‘casa de Judah’ significa a igreja celeste do Senhor, e a ‘casa de José’ a igreja espiritual do Senhor; ‘fazer poderosas a suas casas’ significa multiplicar neles os veros que procedem do bem, pois todo poder vem do vero procedente do bem; daí se diz que ‘serão como o poderoso Efraim’; ‘Efraim’ significa o entendimento do vero proveniente do bem, por conseguinte, ‘poderoso’ se diz de sua multiplicação; o prazer celeste daí é significado por ‘o coração deles se alegrará como pelo vinho’; o ‘vinho’ é o vero procedente do bem, do qual vem esse prazer. (Que as verdades tenham todo o poder pelo bem, vê-se na obra O Céu e o Inferno, ns. 228-233, e também acima, n. 209 e 333; que ‘Judah’, na Palavra, signifique o reino celeste do Senhor, nos Arcanos Celestes n. 3881 e 6363; e que ‘Efraim’ signifique o entendimento da igreja, n. 3969, 5354, 6222, 6234, 6238, 6267 e 6296).
[23] Em Daniel:
Belshazar, rei da Babilônia, e seus grandes, e suas esposas, e suas concubinas, beberam vinho nos vasos do templo de Jerusalém, e louvarão a deuses de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra. Por isso foi escrito na parede: Contado, pesado e dividido, e ele48 foi em seguida expulso dentre os filhos de homem e teve sua habitação com jumentos selvagens (Vide Dn. 5:2-5, 21);
por essas palavras, no sentido interno, se descreve a profanação do bem e do vero, a qual também é ‘Babel’ ou ‘Babilônia’, pois ‘beber vinho dos vasos do templo hierosopolitano’ significa haurir da Palavra os veros da igreja; ‘beber vinho’ é haurir os veros, e os ‘vasos do templo hierosopolitano’ são as coisas que pertencem à doutrina da igreja e que são provenientes da Palavra; e ‘louvar aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra’ significa o culto pelo amor de si e do mundo, pois por esses deuses é significado o culto idolátrico de todo gênero e a profanação; que por isso tenha sido escrito na parede ‘contado, pesado, dividido’ significa a separação de tudo do céu e da igreja; que ‘ele tenha sido expulso em seguida e feito a sua habitação com jumentos selvagens’ significa que foi separado de todo vero, e que teve a sorte de sua vida com os infernais, pois ‘filhos do homem’ são os veros da igreja, ‘jumentos selvagens’ são os que estão em falsos medonhos tais como os que estão nos infernos, e a ‘habitação’ é a sorte da vida.
[24] Em Joel:
“Sobre o Meu povo lançaram sorte, porque deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina pelo vinho que beberam” (Jl. 3:3);
‘lançar sorte sobre o povo’ significa dissipar os veros da igreja; ‘lançar sorte’ significa dissipar, e ‘povo’ significa a igreja quanto aos veros, assim, também os veros da igreja; ‘dar um menino por uma meretriz’ significa falsificar o vero, pois o ‘menino’ é o vero da igreja e a ‘meretriz’ é o falso; e ‘vender uma menina pelo vinho que beberam’ significa perverter o bem da igreja pelo vero falsificado, pois ‘menina’ é o bem da igreja, e ‘vinho’ é o vero falsificado.
[25] Porquanto o ‘vinho’ significava o vero da igreja, o qual procede do bem, por isso foi ordenado que sobre o altar com os sacrifícios também oferecessem minchah e libação, e minchah era de pão, libação era de vinho, os quais significavam o culto do Senhor pelo bem do amor e pelos veros daí, porque disso procede todo culto. (A respeito das libações, da quantidade de vinho nelas para os sacrifícios, Êx. 29:40, 41; Lv. 23:13, 18; Nm. 6:1-4, 15, 17; 15:4-7, 10, 24; 28:7-10, 24, 31; 29:6, 11, 16, 19, 22, 25, 27, 28, 31, 34, 38, 39; e, além disso, Gn. 35:14). Daí é evidente o que é significado em Joel:
“O minchah e a libação foram cortados da casa de JEHOVAH; choraram os sacerdotes e os ministros” do altar (Jl. 1:9),
ou seja, que pereceu o culto do bem do amor e dos veros daí. Quem não pode ver que o minchah e a libação, que eram pão e vinho, não seriam um culto agradável a JEHOVAH, a menos que significassem coisas tais que são do céu e da igreja?
[26] Por aí se pode ver o que o pão e o vinho na Santa Ceia envolvem, a saber, o pão é o bem do amor ao Senhor vindo do Senhor, e o vinho é o bem da fé, que, em sua essência, é o vero. (Mas, a respeito da Santa Ceia e do pão e do vinho ali, vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n. 210-222). E como o vinho significa o bem da fé que, em sua essência, é o vero, por isso o Senhor disse, quando instituiu a Santa Ceia:
“Digo-vos que desde agora não beberei deste fruto da videira, até aquele dia, quando o beber de novo convosco no reino de Meu Pai” (Mt. 26:29);
“Digo-vos que não beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus” (Lc. 22:18);
pelo ‘fruto da vieira’ ou ‘ vinho’ que o Senhor beberá de novo com eles ‘no reino de Sei Pai’, ou ‘até que venha o reino de Deus’ entende-se que então todo Divino Vero no céu e na igreja virá do Seu Divino Humano, pelo que Ele o chama ‘novo’ e também ‘Novo Testamento no Seu sangue’ (vers. 20), pois o ‘sangue do Senhor’ significa o mesmo que o ‘vinho’ (vide acima, n. 30, 328 e 329). Visto que, após o Senhor ter ressurgido, todo Divino procede d’Ele, por isso diz que o beberia com eles quando viesse o reino de Deus, e veio quando Ele repôs todas as coisas em ordem nos céus e nos infernos. Que o reino de Deus viria quando o Senhor viesse, e viria d’Ele, pode-se ver em Mt. 3:2; 4:8; 10:7; 12:28; 16:28; Mc. 1:14, 15; 9:1; Lc. 1:32, 33; 9:11, 27, 60; 10:11; 16:16; 17:20, 21; 23:42, 51; Jo. 18:36. Ora, uma vez que o ‘pão’ significa o bem do amor, e o bem da fé, que em sua essência é o vero proveniente desse bem, e, no sentido supremo, ‘pão’ é o Senhor quanto ao Divino Bem e ‘vinho’ o Senhor quanto ao Divino Vero, e visto que há uma correspondência entre as coisas espirituais e as naturais, e uma correspondência tal que, quando no pensamento do homem estão o pão e o vinho, no pensamento dos anjos estão o bem do amor e o bem da fé, e visto que todas as coisas do céu e da igreja se referem ao bem do amor e ao bem da fé, por isso foi instituída pelo Senhor a Santa Ceia, para que por ela haja conjunção dos anjos do céu com os homens da igreja.
[27] Porquanto no céu se entendem essas coisas pelo ‘pão e o vinho’, por isso
Melquisedeque, Rei de Salém, saindo ao encontro de Abrahão, trouxe pão e vinho; e ele era sacerdote do Deus altíssimo; “e abençoou a Abraão” (Gn. 14:18-19);
por ‘Melquisedeque’ foi representado aí o Senhor quanto ao Divino Bem e quanto ao Divino Vero; por ele como sacerdote, o Divino Bem, e por ele como rei, o Divino Vero; por isso ‘trouxe pão e vinho’, porque o ‘pão’ significa o Divino Bem e o ‘vinho’ o Divino Vero; ou, aplicando-se ao homem, o ‘pão’ significa o bem do amor ao Senhor, e o ‘vinho’ o bem da fé, que existe pela recepção do Divino Vero.
[28] O mesmo foi significado pelo ‘vinho’ mencionado pelo Senhor nas seguintes passagens. Em Mateus:
“Não se põe vinho novo em odres velhos; do contrário rompem-se os odres e o vinho se derrama; ... mas põe vinho em odres novos, e ambos são conservados”. “E ninguém que bebe o velho quer logo o novo, pois diz: O velho é mais útil’ (Lc. 5:39)
Visto que todas as comparações na Palavra são provenientes das correspondências, assim também esta comparação; pelo ‘vinho’ é significado o vero; pelos ‘vinho velho’ a igreja velha ou judaica; e pelos ‘odres’ são significadas as coisas que contêm, como os ‘odres velhos’, que são os estatutos e juízos da Igreja Judaica, pelos ‘odres novos’ os preceitos e mandamentos do Senhor; que os estatutos e juízos da Igreja Judaica, os quais consistiam principalmente em sacrifícios e no culto representativo, não concordem com os veros da Igreja Cristã, é o que se entende por ‘Não se põe vinho novo em odres velhos; do contrário rompem-se os odres e o vinho se derrama; ... mas põe-se vinho em odres novos, e ambos são conservados juntos’; ‘E ninguém que bebe o velho quer logo o novo, pois diz: O velho é mais útil’ significa que aqueles que nasceram e foram ensinados nas coisas externas que eram da Igreja Judaica não poderiam ser trazidos de imediato às coisas internas que são da Igreja Cristã.
[29] O mesmo é significado pela ‘água transformada em vinho’ em Caná da Galiléia, a cujo respeito assim está em João:
Numas núpcias em Caná da Galiléia, como faltasse o vinho, “estavam postos ali seis potes de pedra conforme a purificação dos judeus;... disse Jesus: Enchei os potes; encheram-nos até em cima; então lhes disse: Tirai agora e levai ao mordomo, e levaram. Quando o mordomo provou a água feita em vinho... chamou o noivo [e] disse-lhe: Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando tiveram o bastante, o inferior; tu reservaste o bom vinho até agora” (Jo. 2:1-10).
Cumpre saber que todos os milagres feitos pelo Senhor, assim como todos os milagres vindos d’Ele relatados no Velho Testamento, significaram coisas tais que pertencem ao céu e à igreja, isto, contiveram-nas interiormente, e daí Seus milagres foram Divinos (vide nos Arcanos Celestes, n. 7337, 8364 e 9051). Este milagre é semelhante, e pelas ‘núpcias’ aí é significada a igreja, como em outra passagem na Palavra; ‘em Caná da Galiléia’ significa entre os gentios [gentes]; e pela ‘água’ é significado o vero da igreja externa, como foi o vero da Igreja Judaica do sentido da letra da Palavra; pelo ‘vinho’ é significado o vero da igreja interna, como é o vero da Igreja Cristã. Assim, o fato de o Senhor ter ‘feito a água em vinho’ significa que os veros da igreja externa Ele fez veros da igreja interna, abrindo as coisas internas que se encerravam neles; os ‘seis potes de pedras postos ali conforme a purificação dos judeus’ significam todas elas na Palavra e, assim, na Igreja Judaica e no seu culto, as quais eram, todas, representativas e significativas dos Divinos no Senhor e provenientes do Senhor, e que continham as coisas internas; por isso, também, ‘eram seis, de pedra, postas para a purificação dos judeus’. O número seis significa todas as coisas e é atribuído aos veros; ‘pedra’ significa o vero, e ‘purificação dos judeus’ significa a purificação dos pecados, assim, todas as coisas da Igreja Judaica, pois a igreja considera a purificação dos pecados como o seu todo, porque quanto mais alguém é purificado deles, mais é uma igreja. Pelo ‘mordomo’ se entendem os que estão nas cognições do vero; o fato de ele ter dito ao noivo ‘todo homem põe primeiro o bom vinho, e, quando tiveram o bastante, o inferior; tu reservaste o bom vinho até agora’ significa que toda igreja começa dos veros provenientes do bem, mas termina nos veros não do bem, e que agora, no fim da igreja, o vero do bem ou o vero genuína é dado, a saber, pelo Senhor.
[30] Visto que o ‘vinho’ significa o vero da igreja, e o ‘óleo’ o seu bem, por isso o Senhor diz na parábola daquele que foi ferido pelos ladrões:
Que o samaritano derramou óleo e vinho nas feridas dele (Lc. 10:33, 34);
onde pelo ‘ferido pelos ladrões’ se entendem os que são infestados e magoados pelos males dos homens, que são os ladrões; e pelo ‘samaritano’ se entendes os gentios que estão no bem da caridade. Assim, por ‘derramar óleo e vinho nas suas feridas’ são significadas coisas espirituais que curam o homem assim lesado; o ‘óleo’ é o bem do amor, e o ‘vinho’ o bem da fé ou vero; o que as demais coisas significam, ou seja, o que significa ‘ergueu-o sobre o próprio jumento e o trouxe a uma estalagem, e disse aos que ali estavam que tivessem cuidado dele’, vide acima (n. 375), onde essas palavras são explicadas. Que o ‘vinho’ signifique o vero da igreja, pode-se ver não somente pelas passagens referidas, mas também por outras passagens na Palavra (como Is. 1:21, 22; 25:6; 36:17; Os. 7:4, 5, 14; 14:5-7; Am. 2:8; Zc. 9:15, 17; Sl. 104:14-16).
[31] Uma vez que a maioria das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, assim se dá também com o ‘vinho’, e nesse sentido significa o vero falsificado e também o falso, como nas passagens que se seguem. Em Isaías:
"Ai da coroa de soberba, dos bêbados de Efraim, da flor de sua glória decadente, que está sobre a cabeça do vale dos gordos perturbados pelo vinho;... com os pés pisarão a coroa de soberba dos bêbados de Efraim;... eles erram pelo vinho, e pela bebida forte vagueiam; o sacerdote e o profeta erram pela bebida forte, são absorvidos pelo vinho, vagueiam pelo vinho, erram entre os videntes, titubeiam no juízo" (Is. 28:1, 3, 7).
Essas palavras foram pronunciadas a respeito dos que são insanos nas coisas espirituais pelo fato de se crerem inteligentes e daí se gloriarem. O estado deles é descrito aqui por meras correspondências; os que são insanos nas coisas espirituais ou nos veros se entendem pelos ‘bêbados’, e os que daí se creem inteligentes, pelos ‘de Efraim’; e a glória da inteligência ou da erudição daí, pela ‘coroa de soberba’. Os que estão nos falsos da doutrina e se confirmaram neles, quando são iluminados para que vejam os veros, na outra vida se tornam como de fossem bêbados; assim se tornam os eruditos que se confirmaram nos falsos, e confirmar-se nos falsos vem de si e não do Senhor. Daí é evidente o que é significado por ‘ai da coroa de soberba, dos bêbados de Efraim’. A ‘flor da glória decadente que está sobre a cabeça dos vales dos gordos perturbados de vinho’ significa o vero da igreja destruído, em seu nascimento, pela glória da própria inteligência, que pertence ao homem natural separado do espiritual, que então vê o falso em lugar do vero; a ‘flor de glória’ é o vero decadente ou destruído em seu nascimento; a ‘cabeça do vale dos gordos’ é a inteligência do homem natural; ‘perturbados pelo vinho’ são os que vem falsos em lugar de veros; ‘pisarão com os pés a coroa de soberba dos bêbados de Efraim’ significa que essa inteligência deve perecer completamente; ‘eles erram pelo vinho, e pela bebida forte vagueiam’ significa pelos falsos e pelo que vem destes; ‘o sacerdote e o profeta erram pela bebida forte, são absorvidos pelo vinho, vagueiam pelo vinho49” significa que os que são tais devem estar na doutrina do bem e do vero, e, abstratamente das pessoas, que a doutrina mesma deles é tal; ‘erram entre os videntes, titubeiam no juízo’ significa que não veem os veros que são da inteligência. Ninguém pode ver, a não ser pelo sentido espiritual, que tais coisas são significadas por essas palavras; sem esse sentido não se sabe que ‘coroa’ e ‘cabeça’ significam a inteligência; que os ‘bêbados’ significam os que que são insanos nas coisas espirituais; que ‘Efraim’ aqui é o proprium entendimento do homem ou o que vem de si mesmo; que os ‘vale’ significa os inferiores da mente que são naturais e sensuais; e que ‘o sacerdote e o profeta’ significam a doutrina do bem e do vero.
[32] No mesmo:
“Parai, admirai, admirai e clamai; embriagados estão, mas não de vinho; cambaleiam, mas não de bebida forte. Porque JEHOVAH derramou um espírito de sonolência, e fechou os vossos olhos, os profetas, e cobriu as vossas cabeças, os videntes” (Is. 29:9, 10).
estas palavras foram ditas a respeito daqueles nada absolutamente podem ver do vero, quando ouvem, e da Palavra quando a leem. Dos que são assim se diz ‘embriagados, mas não de vinho; cambaleiam, mas não de bebida forte’; o ‘vinho’, em particular, significa o vero espiritual, e assim, do homem racional, e a ‘bebida forte’ significa o vero natural do homem daí. Como são esses que se entendem aí, por isso se diz: ‘JEHOVAH derramou sobre vós um espírito de sonolência, e fechou os vossos olhos’; ‘espírito de sonolência’ e a percepção nula, e ‘olhos fechados’ são um entendimento nulo; ‘os profetas, e cobriu vossas cabeças [os videntes]’, significa aqueles que estão na doutrina do vero e, daí, que fossem sábios e inteligentes; ‘profetas’ significam os que estão na doutrina do vero e, abstratamente, a doutrina mesma, e ‘cabeças’ significam os que são sábios e, abstratamente, a sabedoria; e ‘videntes’ significam os que são inteligentes e, abstratamente, a inteligência. A admiração a respeito de uma estupidez tão crassa é descrita por ‘parai, admirai, admirai’, e a lamentação a respeito dela por ‘clamai’. Tais são os que se acham na vida do mal e ao mesmo tempo em princípios do falso, por mais que se creiam eruditos, porque pela vida do mal fecha-se a percepção do bem, da qual vem a vida e a luz do pensamento, e pelos princípios do falso se fecha o entendimento do vero, pelo que veem somente pelo sensual do homem e nada pelo espiritual.
[33] No mesmo:
“Cães obstinados de alma, não conhecem saciedade; e eles são pastores que não sabem entender;... vinde, trarei vinho, e embriaguemo-nos com bebida forte” (Is. 56:11-12);
estas palavras foram ditas a respeito daqueles que não se importam senão de coisas mundanas e terrestres, pelo que se fecha o homem interno espiritual; por não terem percepção do bem nem entendimento do vero eles são chamados de ‘cães obstinados de alma, que não conhecem saciedade’, isto é, que não podem receber o bem; ‘saber’, aqui, significa poder, e ‘saciedade’ é a recepção do bem, pois saciedade se atribui à comida, pela qual é significada a nutrição espiritual. Que tampouco tenham entendimento do vero, entende-se por ‘e eles são pastores que não sabem entender’; ‘pastores’ se diz dos que se creem poder instruir os outros, pois ‘pastorear’ é instruir; e como esses amam os falsos e as coisas falsificadas, por isso se acrescenta ‘vinde, trarei vinho, e embriaguemo-nos com bebida forte’.
[34] Em Jeremias:
“Assim disse JEHOVAH, Deus de Israel: Todo odre se encherá de vinho... Eis que Eu encho de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis que se assentam por David sobre o seu trono, e aos sacerdotes e aos profetas, a todos os habitantes de Jerusalém” (Jr. 13:12, 13);
aqui também, pelo ‘vinho’ é significado o falso, e por ‘todo odre, que se encherá de vinho’ é significada a mente do homem, porquanto ela é recipiente do vero ou do falso, assim o odre para o vinho; pelos ‘reis que se assentam por David sobre o seu trono’ são significados aqueles que de outro modo estariam nos veros Divinos; pelos ‘sacerdotes’, os que estão nos Divinos bens; pelos ‘profetas’, os que estão na doutrina; pelos ‘habitantes de Jerusalém’, todos os que são da igreja; e pela ‘embriaguez’ da qual seriam cheios é significada a insanidade nas coisas espirituais.
[35] No mesmo:
“Fiquei como um bêbado, e como o varão em quem o vinho penetrou, por causa de JEHOVAH e por causa da palavra de Sua santidade, porque a terra está cheia de adúlteros” (Is. 23:9, 10).
Esta é uma lamentação a respeito da adulteração do bem e da falsificação do vero na igreja. Isto é significado por ‘a terra está cheia de adúlteros’; elas ??? são significadas pelos ‘adultérios’, e a igreja pela ‘terra’. A insanidade nas coisas espirituais pelos raciocínios dos males contra os Divinos bens e pelos falsos contra os Divinos veros é significada por ‘fiquei como um bêbado, e como um varão em quem o vinho penetrou, por causa de JEHOVAH, e por causa da palavra de Sua santidade’; ‘fiquei como um bêbado, e como o varão em quem o vinho penetrou’ significa a perturbação da mente e a insanidade pelos raciocínios a partir dos males e falsos; ‘por causa de JEHOVAH’ significa por causa dos Divinos bens; ‘e por causa da palavra de Sua santidade’ significa por causa dos Divinos veros.
[36] Em Isaías:
“Ora, ouve isto, ó aflita, e bêbada, mas não de vinho” (Is. 51:21);
por ‘bêbada, mas não de vinho’ se entendem os que estão nos falsos pela ignorância a respeito do vero.
Noah bebeu do vinho e ficou bêbado, e, daí jazia nu no meio de sua tenda (Gn. 9:21).
Nesse relato entende-se no sentido espiritual coisa completamente diversa do que se entende no sentido da letra. Do mesmo modo que
Loth foi embebedado por suas filhas e elas então se deitaram com ele (Gn. 19:32-34).
O que se entende pela embriaguez de Noah, no sentido espiritual, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 1070-1081); e o que se entende pela embriaguez de Loth, n. 2465 ao fim). Pela ‘embriaguez’ também em outras passagens na Palavra é significada a insanidade nas coisas espirituais e a queda em erros (como em (Is. 19:11, 12, 14; Jr. 25:27; Jl. 1:5-7; Jr. 51:7; Lv. 10:8, 9).
[37] Que pelo ‘vinho’ no sentido oposto seja significado o falso, vê-se também em Isaías:
“Ai dos que se levantam de manhã, pela aurora, que correm atrás de bebida forte, que se demoram até o crepúsculo, que o vinho lhes abrase;… mas não olham para a obra de JEHOVAH, e não veem o feito de Sua mão; … ai dos que são sábios aos seus [próprios] olhos, e inteligentes diante de suas [próprias] faces; ai dos valentes para beber vinho, e do varão de força para misturar bebida forte” (Is. 5:11, 12, 21, 22);
estas coisas se dizem dos que fazem para si doutrinais tirados da própria inteligência e não do Senhor ou da Palavra que vem d’Ele, donde surgem meras falsidades; por isso, ‘ai dos que se levantam de manhã, pela aurora, que correm atrás de bebida forte, que se demoram até o crepúsculo, que o vinho lhes abrase;… mas não olham para a obra de JEHOVAH, e não veem o feito de Sua mão’ significa o estado perverso dos que se creem iluminados por si mesmos; daí surgem os falsos da doutrina; ‘levantar de manhã pela aurora e demorar-se até o crepúsculo’ significa iluminar-se; e ‘correr atrás da bebida forte e ser abrasado pelo vinho’ significa fazer sair doutrinais de si mesmo; ‘não olhar para a obra de JEHOVAH e não ver o feito de Sua mão’ significa não se importar com a Palavra e dos bens da vida e veros da doutrina ali revelados; diz-se ‘obra de JEHOVAH’ a respeito dos bens da vida, e ‘feito de Sua mão’ a respeito dos veros da doutrina, ambos provenientes da Palavra. Como são esses que se entendem ali, por isso se diz: ‘ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, e inteligentes diante de sua própria face’; pelos ‘sábios aos seus próprios olhos’ são significados os que o são pela própria inteligência, e pelos ‘inteligentes diante de sua própria face’ são significados os que o são pela própria afeição, porque os ‘olhos’ significam o entendimento, e as ‘faces’ a afeição. ‘Ai dos valentes para beber vinho, e do varão de força para misturar bebida forte’ significa que os que aspiram coisas grandes e são engenhosos para confirmar os falsos que favoreçam os amores de si e os seus próprios princípios; ‘valentes’ são os que aspiram coisas grandes, ‘varão de força’ são os que são engenhosos e veem a si mesmos como inteligentes; ‘beber vinho’ é absorver os falsos, e ‘misturar bebida forte’ é confirmá-los. Todos esses são tais os que se acham no amor de si e ambicionam a fama da erudição, pelo que o pensamento deles está no corpóreo sensual, ao qual não aparece vero algum nem bem espiritual algum é percebido. Os que, porém, não se acham no amor de si e ambicionam a inteligência por causa dos usos da vida, esses são elevados do proprium pelo Senhor até a luz do céu sem que o percebam, e são iluminados.
[38] Em Oséias:
“Escortação... e mosto ocupou50 o coração; Meu povo pergunta à madeira, e seu cajado lhes responde, porque um espírito de escortação os seduziu, e praticaram escortação sob o seu Deus.... Efraim se associou a ídolos... afastado o vinho deles, escortando praticam escortação’ (Os. 4:11, 12, 17, 18);
trata-se aqui daqueles que falsificam os veros; a falsificação do vero é significada pela ‘escortação’, e o falso proveniente daí é significado pelo ‘mosto’; daí é evidente o que é significado por ‘escortação e mosto ocupou o coração’; ‘porque um espírito de escortação os seduziu, praticaram escortação sob o seu Deus, e afastado o vinho escortando praticam escortação’, ou seja, que falsificam os Divinos veros e daí não têm vero algum; ‘escortar sob seu Deus’ significa falsificar os Divinos veros, e ‘afastado o vinho’ significa que daí eles não têm vero algum; por ‘Efraim’, que ‘se associou a ídolos’, são significados aqueles que o fazem pela própria inteligência, e pelos ‘ídolos’ com os quais se associou são significados os falsos da religião; ‘Meu povo pergunta à madeira, e o seu cajado lhes responde’ significa que consultam o amor próprio e o favorecem pela própria inteligência, porque a ‘madeira’ ou o ídolo que vem da madeira, ao qual pergunta, significa o amor próprio, e o ‘cajado’ que responde significa o poder que vem do proprium, assim, a inteligência.
[39] No Apocalipse:
“Caiu, caiu Babilônia, grande cidade, porque do vinho da ira de sua escortação deu a beber todas as nações;... se alguém adora a besta... esse beberá do vinho da ira de Deus, vinho puro misturado no cálice da ira de Deus e será atormentado com fogo e enxofre” (Ap. 14:8-10);
em outra passagem:
“Mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz, que se assenta sobre muitas águas, com qual praticaram escortação os reis da terra, e os habitantes da terra se embriagaram com o vinho de sua escortação” (Ap. 17:1, 2);
e em outra passagem:
“Porque do vinho da escortação beberam todas as nações, e os reis da terra praticaram escortação com ela” (Ap. 18:3);
pelo ‘vinho da ira de Deus’ é significado o falso do mal, e pelo ‘vinho da escortação’ é significado o vero falsificado. O que se entende pelas demais coisas, ver-se-á na explicação delas, como o que se entende por estas palavras no Apocalipse:
“Da grande Babilônia se fez lembrança diante de Deus, para lhe dar o copo do vinho do furor da ira de Deus” (Ap. 16:9),
o mesmo que é significado pelo ‘vinho da ira de Deus’ é também significado pelo ‘cálice’ ou ‘copo’ da ira de Deus.
[40] Em Jeremias:
“Um cálice de ouro é Babel, na mão de JEHOVAH, embriagando toda a terra; de seu vinho beberão as nações, pelo que as nações se tornam insanas” (51:7);
e em David:
“Um cálice na mão de JEHOVAH, e misturou o vinho, encheu com mistura, e derramou, mas as suas fezes sorverão, todos os ímpios da terra beberão” (Sl. 75:8);
Uma vez que pelo ‘minchah’ e pela ‘libação’, que eram pão e vinho, é significado o culto pelo bem do amor e pelos veros da fé, por isso, no sentido oposto, pelo ‘minchah’ e pela ‘libação’ é significado o culto pelos males que são do amor do mal e pelos falsos da fé, os quais eram significados pelo ‘minchah’ e pela ‘libação’ que eram oferecidos aos ídolos e deuses ((Is. 57:6; 65:11; Jr. 7:18; 44:17-19; Ez. 20:28; Dt. 32:38; e outras passagens). Pela significação do vinho pode-se ver o que é significado na Palavra pela ‘vinha’, pela ‘vide’, pelos seus ‘ramos’ e também pelas ‘uvas’, a saber, pela ‘vinha’, a igreja espiritual ou a igreja que está nos veros e bens da doutrina proveniente da Palavra; pela ‘vide’, a doutrina mesma; pelos seus ‘ramos’ os veros de que vem a doutrina; e pelas ‘uvas’ que são os frutos da vinha e das vides, os bens da caridade e os bens da fé. Mas tratar-se-á disso em outro lugar.
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