AE 405

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E todos os montes e ilhas foram removidos de seus lugares”. Que isto signifique que todo bem e vero da fé pereceu, vê-se pela significação de ‘monte’, que é o bem do amor ao Senhor (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘ilhas’, que é o vero da fé (de que se tratará no artigo seguinte); e pela significação de ‘ser removido dos lugares’, que é ser tirado e perecer, porque se entende o bem do amor e o vero da fé, pois quando são movidos de seus lugares então sucedem os males e falsos, e os bens e veros perecem pelos males e falsos. Que o ‘monte’ signifique o bem do amor é porque no céu sobre os montes habitam os que estão no bem do amor ao Senhor, e sobre as colinas os que estão na caridade para com o próximo. Ou, o que é o mesmo, sobre os montes habitam os que são do reino celeste do Senhor, e sobre as colinas os que são do Seu reino espiritual. O reino celeste se distingue do reino espiritual nisso, que os do reino celeste estão no amor ao Senhor e os do reino espiritual na caridade para com o próximo (a respeito destes e daquele, porém, vide a obra O Céu e o Inferno, n. 20 a 28). Daí é que pelo ‘monte’ é significado o bem do amor ao Senhor.
[2] Que o bem do amor ao Senhor seja entendido abstratamente pelo ‘monte’ é porque todas as coisas que estão no sentido interno da Palavra são espirituais, e as coisas espirituais devem ser entendidas abstratamente de pessoas e lugares. Por isso, os anjos também, por serem espirituais, pensam e falam abstratamente desses, pois a ideia de pessoas e de lugares limita o pensamento porque determina a ideia neles e, assim, limita. Essa ideia do pensamento é propriamente natural, mas a ideia abstrata de pessoas e de lugares se estende no céu em toda direção e não se limita, diferentemente da visão do olho quando olha o céu sem algo intermediário. Tal é a ideia propriamente espiritual. Daí é que o ‘monte’ no sentido espiritual da Palavra significa o bem do amor. É o mesmo com a significa de ‘terra’, que é a igreja, pois a ideia abstrata de lugares, nações e povos sobre a terra é a respeito da igreja ali ou com eles; por isso ela é significada pela ‘terra’, na Palavra. É o mesmo em relação às outras coisas que são mencionadas no sentido espiritual da Palavra, como as colinas, as rochas, os vales, os rios, os mares, as cidades, as casas, os jardins, as florestas e outras.
[3] Que o ‘monte’ signifique o amor ao Senhor e, daí, todo bem que procede desse amor, bem esse que se chama bem celeste, e quem no sentido oposto, signifique o amor de si e, daí, todo mal que procede desse amor, vê-se pelas passagens que se seguem na Palavra. Em Amós:
“Prepara-te para com teu Deus, ó Israel, pois eis que é formador dos montes e criador do espíritos, e que declara ao homem qual é o seu pensamento” (Am. 4:12, 13);
diz-se que Deus é ‘formador dos montes’ porque ‘montes’ significam os bens do amor; e ‘criador do espírito’ porque espírito significa a vida proveniente deles; e como por eles Ele dá inteligência ao homem, foi acrescentado: ‘e declara ao homem qual é o seu pensamento’, porque a inteligência que o homem tem é de seu pensamento, que influi desde o Senhor pelo bem do amor na sua vida, pelo que ‘declarar’ aqui é influir.
[4] Em David:
Deus “que firma os montes em Sua força, está cingido de poder” (Sl. 65:6);
também aqui, pelos ‘montes’ são significados os bens do amor; estes o Senhor firma no céu e na igreja pelo Seu Divino Vero, que tem todo o poder, pelo que se diz: ‘firma os montes em Sua força, está cingido de potência’; pela ‘força de Deus’, na Palavra, é significado o Divino Vero, e pelo ‘poder’, quando se trata do Senhor, todo o poder ou a onipotência. (Que todo o poder pertença ao Divino Vero que procede do Senhor, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 228 a 233, e acima, n. 209 e 333; e que o poder, quando se trata do Senhor, seja a onipotência, acima, n. 338).
[5] No mesmo:
“Ergo os meus olhos para os montes, de onde vem o auxílio” (Sl. 121:1);
pelo ‘montes’ aqui entendem-se os céus; e como nos céus habitam sobre montes e colinas os que estão no bem do amor e da caridade, como se disse acima, e nesses bens está o Senhor, por isso, ‘erguer os olhos para os montes’ entende-se também para o Senhor, de Quem procede todo auxílio. Quando os ‘montes’ são referidos no plural, entendem-se montes e colinas, por conseguinte, tanto o bem do amor ao Senhor quanto o bem da caridade para com o próximo.
[6] Em Isaías:
“Sobre todo monte alto e sobre toda colina elevada haverá ribeiros, canais de águas, no dia grande matança, quando cairão as torres” (Is. 30: 25);
o juízo final, de que se trata aí, entende-se pelo ‘dia da grande matança, quando cairão as torres’; a ‘grande matança’ é a destruição dos males; as ‘torres’ que cairão são os falso da doutrina que vêm do amor de si e do mundo; que estes sejam significados pelas ‘torres’ é por causa das aparências no mundo espiritual, pois aqueles que buscam dominar por coisas tais que são da igreja edificam para si torres nos altos (a cujo respeito se vê no opúsculo Do Juízo Final, n. 56, 58). Que então os que se acham no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo sejam elevados ao céu e imbuídos de inteligência e sabedoria, entende-se por ‘sobre todo monte alto e colina elevada haverá rios, dutos de águas’; ‘monte alto’ significa onde se acham estão os que estão no amor ao Senhor, e ‘colina elevada’ onde se acham os que estão na caridade para com o próximo; ‘rios’ significam a sabedoria, e ‘dutos de aguas’ a inteligência, pois ‘águas’ são os veros de que procedem a inteligência e a sabedoria.
[7] Em Joel:
“Acontecerá naquele dia que os montes destilarão mosto, e as colinas fluirão leite, e todos os rios de Judah fluirão águas” (Jl. 3:18);
aí se trata do advento do Senhor e, então, de uma novo céu e uma nova terra; e pelos ‘montes’ que ‘destilarão mosto’ entende-se que do bem do amor ao Senhor virá todo vero; pelas ‘colinas’ que ‘fluirão leite’ entende-se que do bem da caridade com o próximo virá a vida espiritual; e por ‘todos os rios de Judah’ que ‘fluirão águas’ entende-se que de cada coisa da Palavra virão os veros, pelos quais há a inteligência. (Mas estas coisa se veem mais plenamente explicadas acima, n. 376).
[8] Em Naum:
“Eis sobre os montes os pés do que evangeliza a paz” (Na. 1:15);
em Isaías:
“Quão agradáveis são os pés do que evangeliza, do que faz ouvir a paz, do que diz a Sião: Teu Rei reina” (Is. 52:7);
no mesmo:
“Sobre um monte alto sobe tu, ó evangelizadora Sião; levanta com força a tua voz, ó evangelizadora Jerusalém” (Is. 40:9);
palavras estas que são a respeito do advento do Senhor e da salvação daqueles que então estiverem no bem do amor a Ele e, daí, nos veros da doutrina provenientes da Palavra; e como se trata da salvação deles, por isso se diz: ‘eis sobre os montes os pés do que evangeliza a paz’ e ‘sobre a um monte alto, ó evangelizadora Sião’; por ‘evangelizar a paz’ é significado pregar o advento do Senhor, pois pela ‘paz’, no sentido supremo, é significado o Senhor, e, no sentido interno, todo bem e vero que vem do Senhor (vide acima, n. 365); por ‘evangelizadora Sião’ se entende a igreja que está no bem do amor ao Senhor, e por ‘evangelizadora Jerusalém’ a igreja que daí está nos veros da doutrina provenientes da Palavra.
[9] Em Isaías:
“Farei de todos os Meus montes um caminho, e Minhas veredas serão exaltadas; ... Cantai, ó céus! e exulta, ó terra! e ressoai com cântico, ó montes, porque JEHOVAH consolou o Seu povo” (Is. 49:11, 13);
pelos ‘montes’ no plural se entendem montes e colinas, por conseguinte, tanto o bem do amor quando o bem da caridade; que ‘dos montes e as colinas sejam feitos caminho e as veredas exaltadas’ significa que aqueles que estão nesses bens estarão nos veros genuínos; ‘ser feito caminho’ significa estar nos veros, e ‘serem exaltadas as veredas’ significa estar nos veros genuínos, porque ‘caminhos’ e ‘veredas’ significam os veros, que se dizem ‘exaltados’ pelo bem; e os veros que vêm do bem são veros genuínos. Por isso, o prazer de coração deles, daí, é significado por ‘cantai, ó céus; exulta, ó terra’; o prazer interno por ‘cantai, ó céus’, o prazer externo por ‘exulta, ó terra’. As confissões pelo prazer oriundo do bem do amor são significadas por ‘ressoai com cântico, ó montes’. Que isto seja por causa da reforma e da regeneração, é significado por ‘ porque JEHOVAH consolou o Seu povo’. Que aqui não se entendam os montes no mundo, é evidente, pois, nesse caso, o que seria isso de os montes serem feitos caminho e as veredas serem exaltadas, e também que os montes ressoassem com cântico?
[10] No mesmo:
“Cantai, ó céus! … jubilai, ó inferiores da terra! ressoai, ó montes, com cântico, a floresta e toda árvore nela, porque JEHOVAH redimiu a Jacob, e mostrou-Se glorioso em Israel” (Is. 44:23);
por ‘cantai, ó céus! jubilai, ó inferiores da terra! ressoai, ó montes, com cântico’ são significadas coisas semelhantes que logo acima, mas, aqui, pelos ‘montes’ são significados os bens da caridade, pelo que também se diz ‘floreta e toda árvore nela’, pois pela ‘floresta’ se entende o homem externo ou natural quanto a todas as suas coisas, e por ‘toda árvore’ se entende o cognitivo e o conhecimento aí. A reforma deles é significada por ‘JEHOVAH redimiu a Jacob, e mostrou-Se glorioso em Israel’; por ‘Jacob’ e ‘Israel’ se entende a igreja externa e interna, assim, o externo e o interno naqueles em quem está a igreja.
[11] No mesmo:
“Os montes e as colinas ressoarão... com cântico, e todas as árvores do campo baterão as mãos62” (Is. 55:12);
em David:
“Louvai a JEHOVAH... ó montes e Colinas, árvore de fruto e todos os cedros” (Sl. 148:7, 9);
nestas passagens se descreve o regozijo de coração proveniente do bem do amor e da caridade, e dos ‘montes’, ‘colinas’, ‘árvores’, ‘cedros’, se diz ‘ressoar com cântico’, ‘bater as mãos’ e ‘louvar’ porque por estas coisas são significados os bens e veros, que fazem o regozijo no homem, pois o homem não se regozija de si, mas dos bens e veros que há nele; essas coisas regozijam porque fazem o regozijo do homem.
[12] Em Isaías:
“Levantem a voz o deserto e as suas cidades, e as vilas em que habita a Arábia. Cantai, ó habitantes da rocha, clamem desde a cabeça dos montes” (Is. 42:11);
o ‘deserto’ significa o obscuro do vero; as ‘suas cidades’ significam as coisas doutrinais; as ‘vilas’, as cognições e os conhecimentos naturais; a ‘Arábia’ significa o homem natural, pois o ‘árabe no deserto’ é o homem natural; pelos ‘habitantes da rocha’ são significados os bens da fé; pela ‘cabeça dos montes’ é significado o bem do amor ao Senhor. É evidente daí o que significa cada coisa em ordem, a saber, a confissão e o culto alegre pelo bem do amor naqueles que foram mencionados, pois ‘clamar desde a cabeça dos montes’ é prestar culto pelo bem do amor.
[13] Em David:
“Monte de Deus o monte de Basan; monte das colinas o monte de Basan. Por que saltais, ó montes, ó colinas do monte? Deus deseja habitar nele, também JEHOVAH habitará perpetuamente” (Sl. 68:15, 16);
pelo ‘monte de Basan’ é significado o bem voluntário qual existe naqueles que estão nos externos da igreja, porque Basan era uma região de além do Jordão que foi dada em herança à meia tribo de Manassés (vide Js. 13:29 a 32), e por ‘Manassés’ é significado o bem voluntário do homem externo ou natural. Esse bem voluntário é o mesmo que o bem do amor no homem externo, pois todo bem do amor é da vontade, e todo vero daí é do entendimento; por isso, ‘Efraim’, o seu irmão, significa o vero intelectual desse bem. Visto que o ‘monte de Basan’ significa esse bem, por isso as ‘colinas’ desse monte significam os bens na ação. Porque é a vontade que age, pois todo ativo da mente e do corpo vem da vontade, assim como todo ativo do pensamento e da fala vem do entendimento; por isso, o regozijo oriundo do bem do amor é descrito e entendido por ‘saltar’63. Daí é evidente o que é significado por ‘monte de Deus o monte de Basan; monte das colinas o monte de Basan. Por que saltais, ó montes, ó colinas do monte?’. Visto que o Senhor habita no homem em seu bem voluntário, donde vêm os bens na ação, por isso se diz: ‘Deus deseja habitar nele, também JEHOVAH habitará perpetuamente’.
[14] No mesmo:
“Judah tornou-se um santuário” de JEHOVAH. “O mar viu e fugiu, o Jordão tornou atrás, os montes saltaram como carneiros, as colinas como filhos do rebanho. Que tens, ó mar, que foges? Jordão, que te tornas atrás? Montes, que saltais como carneiros? Colinas, como filhos de rebanho? Diante do Senhor parirás, ó terra, diante o Deus de Jacob, que converteu a rocha em lago de águas, e a pederneira em fonte de águas” (Sl. 114:2-8).
Assim se descreve a saída dos filhos de Israel do Egito. Entretanto, sem explicação pelo sentido interno ninguém pode saber o que significa isso, que então ‘os montes tenham saltado como carneiros, e as colinas como filhos do rebanho’, como também o que se entende por ‘o mar viu e fugiu, e o Jordão tornou atrás’, pelo que isto será explicado. No sentido interno entende-se a instauração da igreja ou a regeneração dos homens da igreja, porque a igreja que devia ser instaurada é significada pelos ‘filhos de Israel’, a sua instauração pela ‘saída’ deles, a dispersão dos maus pela ‘passagem pelo mar Suph’, do que se diz quer ‘fugiu’, e a introdução na igreja pela ‘passagem no Jordão’, do qual se diz que ‘tornou atrás’. Mas, quanto a cada uma delas, que ‘Judah tornou-se santuário , e Israel um domínio’ significa que o bem do amor ao Senhor é o santo mesmo do céu e da igreja, e o governo é pelo vero desse bem, pois ‘Judah’ significa o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, o Seu ‘santuário’ o santo mesmo do céu e da igreja; ‘Israel’ é o bem espiritual, que é o vero desse bem, pelo qual há o governo. Com efeito, todo governo do Senhor é pelo Divino Vero procedente do Divino Bem. ‘O mar viu e fugiu, o Jordão tornou-se atrás’ significa que, sendo dispersos os males e falsos que há no homem natural, sucederam os verdadeiros conhecimentos e as cognições do vero e do bem. ‘Os montes saltaram como carneiros, as colinas como filhos do rebanho’ significa que o bem celeste, que é o bem do amor, e o bem espiritual, que é o vero desse bem, fazem os bens ou produzem o efeito por prazer; os ‘montes’ significam o bem do amor, as ‘colinas’ os bens da caridade, que em sua essência são os veros desse bem; ‘saltar’, por se tratar destes, significa fazer os bens por prazer. Diz-se ‘como carneiros’ e como ‘filhos do rebanho’ porque ‘carneiros’ significam os bens da caridade, e ‘filhos do rebanho’ os veros daí. A instauração da igreja por eles ou a regeneração dos homens da igreja é significada por ‘diante de Deus parirás, ó terra, diante do Deus de Jacob, que converteu a rocha em lago de águas, e a pederneira em fonte de águas’; ‘terra’ é a igreja, e dela se diz ‘parir’ quando é instaurada ou o homem da igreja é gerado de novo; diz-se ‘diante do Senhor’ e ‘diante do Deus de Jacob’ porque na Palavra onde se trata do bem do amor o Senhor é chamado ‘Senhor’, e quando se trata dos bens na ação, ‘Deus de Jacob’. A regeneração pelos veros do bem é significada por ‘converteu a rocha em lago de águas, e a pederneira em fonte de águas’; pelo ‘lago de águas’ são significadas as cognições do vero, e pela ‘fonte de águas’ é significada a Palavra da qual elas procedem, e pela ‘rocha’ o homem natural quando ao vero antes da reforma, e a ‘pederneira’ o homem natural quanto ao bem antes da reforma.
[15] No mesmo:
“Fizeste sair do Egito uma videira, expeliste as nações e a plantaste... os montes foram cobertos por sua sombra, e os cedros de Deus por seus ramos’ (Sl. 80:8, 10);
pela ‘videira saída do Egito’ é significada a igreja espiritual, que começa no homem pelos conhecimentos e cognições no homem natural; a ‘videira’ é a igreja espiritual, e o ‘Egito’ é o conhecimento que há no homem natural; ‘expeliste as nações e a plantaste’ significa que, depois que os males foram expelidos dali, a igreja foi instaurada; as ‘nações’ são os males, e ‘plantar a videira’ é instaurar essa igreja. ‘Os montes foram cobertos por sua sombra, e os cedros de Deus por seus ramos’ significa ela toda vem dos bens e veros espirituais; os ‘montes’ são os bens espirituais, e os ‘cedros de Deus’ são os veros espirituais. É evidente que por essas expressões se entendem a retirada dos filhos de Israel do Egito e a introdução na terra de Canaan, de onde foram expulsas as nações. Todavia, por essas mesmas coisas no sentido interno se entendem aqueles que foram agora explicadas, porque pela introdução dos filhos de Israel na terra de Canaan e a expulsão das nações dali nenhuma outra coisa é representada e as, porquanto todos os relatos históricos da Palavra, igualmente às partes proféticas, envolvem coisas espirituais.
[16] Em Isaías:
“Todos os montes que forem lavrados com enxada, ali não chegarás, por temor das sarças e dos espinheiros, mas será [lugar para] envio de bois e pisada de ovelhas” (Is. 7:25);
pelos ‘montes que forem lavrados com enxadas’ se entendem os que fazem os bens pelo amor. (O que é significado pela demais coisas, vê-se acima, n. 304, onde se acham explicadas.) No mesmo:
“Produzirei de Jacob uma semente, e de Judah uma herança dos Meus montes, para que a possuam os Meus eleitos, e os Meus servos habitem ali” (Is. 65:9);
‘Jacob’ e ‘Judah’ significam a igreja, ‘Jacob’ a igreja externa. que está nas cognições do bem e do vero, e ‘Judah’ a igreja [interna]. que está no bem do amor ao Senhor; por isso, a ‘semente de Jacob’ significa as cognições do bem e do vero e, daí, os que estão nelas; os ‘montes’ dos herdeiros de Judah, significa o bem do amor ao Senhor e, daí, os que estão nesse bem; pelos ‘eleitos’ que possuirão o monte são significados os que estão no bem, e pelos ‘servos’ os que estão nos veros do bem.
[17] Em Jeremias:
“Trarei de volta” os filhos de Israel “sobre a terra deles...; eis que Eu envio a muitos pescadores que os pescarão, e enviarem a muitos caçadores que os caçarão sobre todo monte e de cima de toda colina, e das fendas das rochas” (Jr. 16:15, 16);
trata-se aí da instauração de uma nova igreja, o que era representado e significado pelo retorno dos judeus da terra de Babel64 à terra de Canaan. Quem não sabe o que significa ‘pescar’ e ‘caçar’ e o que significam ‘monte’, ‘colinas’ e ‘fendas das rochas’ não obtém dessas palavras coisa alguma que possa ser compreendida. Que a igreja deva ser instaurada por meio daqueles que estão no bem natural e no bem espiritual é o que se entende por ‘envio pescadores que os pescarão, e caçadores que os caçarão’; congregar os que estão no bem natural entende-se ‘enviar pescadores que os pescarão’, e congregar aqueles que estão no bem espiritual entende-se por ‘caçadores que os caçarão’. Como se entendem essas coisas, também se diz: ‘de sobre todo monte e de sobre toda colina, e das fendas das rochas’; pelos que o serão de ‘sobre o monte’ se entendem os que estão no bem do amor; os de ‘sobre a colina’, os que estão no bem da caridade; e os que o são ‘das fendas das rochas’, os que estão nas obscuridades do vero.
[18] Em Ezequiel:
“Vós, ó montes de Israel, dareis vosso ramo, e produzireis vosso fruto para o Meu povo Israel, quando vierem próximos” ??? (Ez. 36:8);
pelos ‘montes de Israel’ são significados os bens da caridade; que daí venham os veros da fé e os bens da vida é significado por ‘dareis vosso ramo e produzireis vosso fruto’ (‘ramo’ é o vero da fé, e ‘fruto’ é o bem da vida).
[19] Em Amós:
“Eis que dia vêm... que o lavra tocará o que sega, e o que pisa as uvas o que tira [a semente], e os montes destilarão mosto, e todas as colinas se derreterão, porque trarei de volta do cativeiro o Meu povo” (Am. 9:13, 14).

O que é significado por essas palavras, vê-se acima (n. 376), onde são explicadas. Dos ‘montes’ se diz ‘destilarem mosto’ e das ‘colinas’ que ‘derreterão’, porque pelos ‘montes’ é significado o bem do amor ao Senhor, pelas ‘colinas’ o bem da caridade para com o próximo e pelo ‘mosto’ os veros. Assim, por essas palavras é significado que de um e outro bens eles terão os veros em abundância, pois o retorno do povo do cativeiro, de que essas coisas tratam, significa a instauração de uma nova igreja.
[20] Em David:
“JEHOVAH, Tua justiça é como os montes de Deus; Teus juízos como grandes abismos” (Sl. 36:6);
como a ‘justiça’ na Palavra se diz do bem e os ‘juízos’ do vero, por isso se diz que a ‘justiça de JEHOVAH é como os montes de Deus, e os Seus juízos como grandes abismos’, porque ‘montes de Deus’ significa o bem da caridade, e ‘abismo’ significa os veros em geral, que se chamam veros da fé. (Que a ‘justiça’ se diga do bem e o ‘juízo’ do bem, vê-se nos n. 2235 e 9857).]
[21] No mesmo:
JEHOVAH “fundou a terra sobre suas bases... com um abismo a cobriu como com um vestido; sobre os montes estão as águas. À tua repreensão fogem, à voz de Teu trovão se precipitam. Sobem os montes, descem os vales ao lugar que fundaste para eles; puseste limite, para que não passem, não voltem a cobrir a terra. Que envia fontes em rios, vão entre os montes... Que irriga os montes de suas câmaras; do fruto de Tuas obras a terra está saciada” (Sl. 104:5-10, 13);
por essas palavras entendidas espiritualmente se descreve o processo de regeneração ou da formação da igreja no homem; por ‘fundou a terra sobre suas bases’ significa que [fundou] a igreja no homem com seus limites e termos; ‘com um abismo a cobriu como com um vestido’ significa que os conhecimentos no homem natural que circundaram os seus interiores, onde residem os espirituais da igreja; ‘abismo’ significa os conhecimentos no geral, e ‘vestido’ significa os conhecimentos verdadeiros envolvendo e revestindo; ‘sobre os montes estão as águas’ significa que os falsos estão sobre os prazeres dos amores naturais, prazeres que em si são males; os ‘montes’ são os males desses amores e as ‘águas’ são os falsos daí. Que ‘à Tua repreensão fujam, à voz do Teu trovão se precipitem’ significa que os falsos são dissipados pelos veros, e os males pelos bens; ‘sobem os montes, e descem os vales, ao lugar que fundaste para eles’ significa que em lugar dos amores naturais e dos males provenientes deles seriam inseridos os amores celestes e os bens provenientes destes, e em lugar dos falsos insinuados os veros gerais; ‘puseste limite, para que não passem, não voltem a cobrir a terra’ significa que os falsos e males seriam mantidos fora, separados dos veros e bens e limitados, para que não retornem e destruam; ‘enviou fontes nos rios, vão entre os montes’ significa que o Senhor, pelo veros da Palavra, dá inteligência, cujas coisas são todas provenientes do bem do amor celeste; pelas ‘fontes’ são significados os veros da Palavra; pelas ‘fontes enviadas nos rios’ é significada a inteligência daí; ‘vão entre os montes’ significa que vêm desses bens do amor celeste (‘montes’ são esses bens); ‘que irriga os montes de suas câmaras’ significa que todos os bens são provenientes do céu por meio dos veros; ‘irrigar’ se diz dos veros porque as ‘águas’ são os veros; ‘montes’ são os bens do amor, e ‘câmaras’ são do céu de onde vêm; ‘do fruto de Tuas obras a terra está saciada’ significa que a igreja no homem cresce continuamente pela Divina operação; ‘fruto das obras’, quando se trata do Senhor, é a Divina operação, e ‘terra’ é a igreja no homem, de cuja formação se trata, e dela se diz ‘estar saciada’ pelo contínuo crescimento. São estes os arcanos que se acham encerrados nessas palavras; mas quem os vê, a não ser que as conheça pelo sentido interno e a não ser que esteja nas cognições e, aqui, na cognição do homem interno e externo e dos bens e veros que fazem a igreja neles?
[22] Em Zacarias:
“Ergui os meus olhos e vi, eis que quatro carros saindo de entre... os montes, e os montes eram montes de bronze” (Zc. 6:1).
Trata-se neste capítulo de uma nova igreja que devia ser instaurada entre as nações, pois se trata do novo templo, pelo qual é significada a nova igreja. Pelos ‘carros que saíam de entre os montes’ é significada a doutrina que deve ser formada do bem por meio dos veros; os ‘carros’ significam as coisas doutrinais, os ‘montes’ os bens do amor, ‘entre os montes’ os veros inferiores, que são os veros do homem natural. Para que se saiba que os ‘montes’ significam os bens do homem natural, foi dito ‘e os montes são montes de bronze’, pois o ‘bronze’ significa o bem do homem natural.
[23] Em Zacarias:
“JEHOVAH sairá e lutará contra as nações. Naquele dia os Seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, ante a face de Jerusalém para o oriente, e o Monte das Oliveiras será fendido, uma parte sua para a nascente e para o mar com o grande vale, e uma parte do monte se retirará para o norte, e uma parte sua para o meio-dia. Então fugireis pelo vales dos Meus montes, e o vale dos montes chegará até Azal” (Zc. 14:3-5).
Essas palavras foram proferidas a respeito do juízo final que o Senhor efetuou quando esteve no mundo, pois o Senhor, quando esteve no mundo, repôs em ordem todas as coisas nos céus e nos infernos, pelo que então fez o juízo sobre os maus e sobre os bons. É esse juízo que na Palavra do Velho Testamento se entende pelo ‘dia da ira’, ‘da inflamação’, ‘da vingança de JEHOVAH’ e pelo ‘ano das retribuições’. (A respeito desse juízo, vida a obra Do Juízo Final, n. 46). Que nesse capítulo se trata do advento do Senhor e, então, do juízo, é evidente por essas palavras ali:
“Então JEHOVAH meu Deus virá, [Tu e] todos os santos contigo. E será que naquele dia não haverá luz, esplendor e cintilação; e será um dia que será conhecido de JEHOVAH, não dia nem noite, porque por volta do tempo da tarde haverá luz” (Zc. 14:5-7);
o ‘tempo da tarde’ é o último tempo da igreja, quando há o juízo; então, ‘tarde’ é do mal, mas ‘luz’ é do bem. Tão logo se sabe essas coisas, torna-se evidente pelo sentido espiritual o que cada uma delas aí significa, a saber, ‘JEHOVAH sairá e lutará contra as nações’ significa o juízo final sobre os maus; ‘sair e lutar’ é executar o juízo, e ‘nações’ são os males; ‘os Seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras ante a face de Jerusalém para o oriente’ significa que o fará pelo Divino Amor por meio dos Divinos veros procedentes do Seu Divino Bem, porque o ‘Monte das Oliveiras’, quando se trata do Senhor, significa o Divino Amor, ‘Jerusalém’ a igreja quanto aos veros e, daí, os Divinos veros da igreja, e ‘oriente’ o Divino Bem; ‘o Monte das Oliveiras fendido, uma parte sua para o nascente e para o mar com o grande vale’ significa a separação daqueles que estão no bem daqueles que estão no mal, pois o ‘Monte das Oliveiras, como foi dito, é o Divino Amor, ‘nascente’ é onde se acham os que estão no Divino Bem, e ‘mar’ onde se acham os que estão no mal, porque o mar na região ocidental no mundo espiritual faz a separação; ‘uma parte do monte se retirará para o norte e uma parte sua para o meio-dia’ significa a separação daqueles que estão nos falsos do mal daqueles que estão nos veros do bem; o ‘norte’ é onde se acham os que estão nos falsos do mal, porque estão nas trevas, e o ‘meio-dia’ é onde se acham os estão nos veros do bem, porque estão na luz; ‘então fugireis pelo vale dos Meus montes’ significa que então os que se acham nos veros do bem seriam arrebatados; ‘fugir’ significa ser arrebatado, ‘vale dos montes’ significa onde se acham os que estão nas cognições do vero e, daí, nos veros do bem, pois nos vales habitam os que estão nas cognições do vero, e sobre os montes os que estão no bem; ‘e o vale dos montes chegará até Azal’ significa a separação dos falsos do mal, pois ‘Azal’ significa a separação e a libertação.
[24] Visto que o ‘Monte das Oliveiras’, que estava defronte Jerusalém para o oriente significava o Divino Amor, e ‘Jerusalém do oriente’ o Divino Vero procedente do Divino Bem (como acima foi mencionado), por isso o Senhor costuma ficar sobre aquele monte, como é evidente em Lucas:
Jesus “ficava de dia no templo ensinando, mas de noite, saindo, pernoitava no monte que se chama das Oliveiras” (Lc. 21:37; 22:39; Jo. 8:1),
e ali falou com os discípulos a respeito de Seu advento e da consumação do século, isto é, do juízo final (Mt. 24:3 e seq., Mc. 13:3 e seq.); e também dali foi para Jerusalém e sofreu (Mt. 21:1; 26:30; Mc. 11:1; 14:26; Lc. 19:29, 37; 21:37; 22:39), e por isto era significado que faria todas as coisas pelo Divino Amor, porque o ‘Monte das Oliveiras’ significava isso. Com efeito, tudo o que o Senhor fez no mundo era representativo, e tudo o que falou tinha significação. Que tenha estado nos representativos e nos significativos quando esteve no mundo era a fim de que estivesse nos últimos do céu e da igreja ao mesmo tempo que em seus primeiros, e, assim, nos últimos pelos primeiros, e assim governasse e dispusesse todas as coisas intermediárias desde os primeiras por meio das últimas. Os representativos e significativos estão nos últimos.
[25] Uma vez que o ‘monte’ significava o bem do amor, e, quando se trata do Senhor, o Divino Bem do Divino Amor, e desse Bem procede o Divino Vero, por isso JEHOVAH, isto é, o Senhor, desceu sobre o Monte Sinai e promulgou a Lei, pois lê-se que
Desceu sobre aquele monte, o cabeça dos montes (Êx. 19:20; 24:16-17).
Daí, pelo ‘Sinai’ na Palavra é significado o Divino Vero do Divino Bem, do mesmo modo que a ‘Lei’ ali promulgada. E por isso, também,
O Senhor tomou a Pedro, Tiago e João a um alto monte quando foi transfigurado (Mt. 17:1; Mc. 9:2),
e quando foi transfigurado apareceu no Divino Vero do Divino Bem, pois ‘Sua face que era como o sol’ representava o Divino Bem, e as ‘vestes, que eram como luz’, representavam o Divino Vero; e ‘Moisés e Elias’, que apareceram, significavam a Palavra, que é o Divino Vero do Divino Bem.
[26] Visto que o ‘monte’ significava o bem do amor, e, no sentido supremo, o Divino Bem, e do Divino Bem procede o Divino Vero, por isso o ‘Monte Sião’ foi edificado acima de Jerusalém ???, e pelo ‘Monte Sião’ na Palavra é significada a igreja que está no bem do amor ao Senhor, e ‘Jerusalém’ a igreja que está nos veros desse bem, ou a igreja quanto à doutrina. Por isso, também, Jerusalém se chama ‘monte de santidade’ e também ‘colina’, pois ‘monte de santidade’ significa o bem espiritual, que em sua essência é o vero do bem, do mesmo modo que a ‘colina’, como se pode ver pelas seguintes passagens. Em Isaías:
“Acontecerá na posteridade dos dias que será o monte de JEHOVAH por cabeça dos montes, e mais elevado que as colinas, pelo que afluirão a ele todas as nações, e irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte de JEHOVAH, à casa do Deus de Jacob” (Is. 2:2, 3);
e no mesmo:
“Naquele dia se tocará uma grande trombeta, e virão os que perecem na terra da Assíria, e os desterrados na terra do Egito, e curvar-se-ão a JEHOVAH no monte da santidade, em Jerusalém” (Is. 27:13);
em Joel:
“Tocai a trombeta desde Sião, e clamai no monte da santidade” (Jl. 2:1);
em Daniel:
“Retorne a Tua ira e a Tua inflamação de Tua cidade, Jerusalém, monte de Tua santidade” (Dn. 9:16);
em Isaías:
“Trarão todos os vossos irmãos de todas as nações... a JEHOVAH... ao monte de Minha santidade, Jerusalém” (Is. 66:20);
no mesmo:
“O que confiar em Mim possuirá a terra por herança, e receberá herdade no monte de Minha santidade” (Is. 57:13);
em Ezequiel:
“No monte de Minha santidade, no monte das alturas de Israel... Me servirão todas as casas de Israel, todas na terra” (Ez. 20:40);
em Miquéias:
“No fim dos dias o monte da casa de JEHOVAH será estabelecido por cabeça dos montes, e mais elevado que as colinas, e a ele afluirão os povos” (Mq. 4:1, 2);
além de muitas outras passagens onde se nomeiam ‘monte de santidade’, ‘Monte Sião’ e ‘monte de JEHOVAH’. Onde se nomeia ‘monte de santidade’: Is. 11:9; 56:7; 65:11, 25; Jr. 31:23; Ez. 28:14; Dan. 9:20; 11:45; Joel 2:1; 3:17; Ob. verse 16; Sf. 3:11; Zc. 8:3; Ps. 15:1; 43:3. E onde se nomeia ‘Monte Sião’: Is. 4:5; 8:18; 10:12; 18:7; 24:23; 29:8; 31:4; 37:32; Joel 3:5; Ob. verses 17, 21; Mq. 4:7; Lm. 5:18; Sl. 48:11; 74:2; 78:68; 125:1. Visto que o ‘Monte Sião’ significava o Divino Bem e a igreja quanto a este, por isso se diz em Isaías:
“Enviai [cordeiro] aos dominadores da terra desde a rocha, para o deserto, ao monte da filha de Sião” (Is. 16:1);
e, no Apocalipse:
“O Cordeiro em pé, sobre o Monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil” (Ap. 14:1).
[27] Por aí se pode ver também de donde vem que a nova Jerusalém, na qual estava o templo, foi vista por Ezequiel construída sobre um alto monte, a cujo respeito assim se lê:
“Em visões de Deus fui conduzido sobre a terra de Israel; pôs-me sobre um monte muito alto, sobre qual havia como que a estrutura de uma cidade para [a direção] do meio-dia” (Ez. 40:2),
do que se tratará muitas vezes nos capítulos que se seguirão. Em David:
“Grande é JEHOVAH e muito louvado na cidade de nosso Deus, no monte de Sua santidade; belo na situação, regozijo de toda a terra o Monte Sião, dos lados do norte, a cidade do grande Reis. Deus é conhecido em seus palácios como um refúgio” (Sl. 48:1-3).
Por essas palavras se descreve o culto do Senhor pelos veros que procedem do bem; o Seu culto pelos veros e bens espirituais e a amenidade da alma que vem daí é significado por ‘grande é JEHOVAH e muito louvado na cidade de nosso Deus, no monte de santidade, belo na situação’; o culto se entende por ‘ser grande’ e ‘muito louvado’; o vero espiritual que procede do bem espiritual por ‘na cidade de nosso Deus, o monte de Sua santidade’; a amenidade da alma vinda daí por ‘belo na situação’; o culto do Senhor pelos bens e veros celestes é descrito por ‘regozijo de toda a terra, o Monte Sião dos lados do norte, a cidade do grande Rei’; o culto pelo bem celeste se entende por ‘regozijo de toda a terra, o Monte Sião’; e os veros desse bem se entendem por ‘dos lados do norte, a cidade do grande Rei’ (os ‘lados do norte’ são os veros provenientes do bem celeste, e a ‘cidade do grande Rei’ é a doutrina do vero daí). Que os veros sejam inscritos naqueles que estão no bem celeste é o que significa ‘Deus é conhecido nos seus palácios’. Que os ‘lados do norte’ signifiquem os veros provenientes do bem celeste é porque os que estão no reino celeste do Senhor habitam no oriente, no céu, e os que ali estão nos veros desse bem, para o norte ali.
[28] Em Isaías:
Lúcifer, “tu disseste em teu coração: Subirei aos céus, exaltarei meu trono acima das estrelas de Deus, e sentar-me-ei no monte da assembleia, nos lados do norte” (Is. 14:13);
por ‘Lúcifer’ se entende a Babilônia, como se vê pelo que antecede e o que se segue naquele capítulo. O seu amor de imperar sobre o céu e a igreja é descrito por ‘subir aos céus e exaltar o seu trono acima das estrelas de Deus’, pelo que se entende o esforço de dominar sobre os céus que constituem o reino espiritual do Senhor, pois os veros e as cognições do vero neles aparecem como estrelas; e por ‘sentar-se-á no monte da assembleia, nos lados do norte’ é significado o esforço de dominar sobre os céus que constituem o reino celeste do Senhor, pois o ‘monte da assembleia’ e ‘os lados do norte’ são os bens e veros ali (como acima). Como o Monte Sião e Jerusalém foram edificados tanto quanto possível à forma do céu, pode-se ver o que é significado pelas palavras citadas acima em David: ‘o Monte Sião, dos lados do norte, a cidade do grande Reis’, e pelas palavras em Isaías: ‘monte da assembleia nos lados do norte’.
[29] Em Isaías:
Senaqueribe, o rei da Assíria, disse: “Pela multidão de meus carros Eu subirei à altura dos montes, dos lados do Líbano, onde cortarei a elevação dos seus cedros, a escolha de seu abeto” (Is. 37:24),
palavras pelas quais se descreve, no sentido interno, a altivez daqueles que através de raciocínios pelos falsos querem destruir os bens e veros da igreja; o ‘rei da Assíria’ significa o racional pervertido; a ‘multidão de seus carros’ significa os raciocínios pelos falsos da doutrina; ‘subir a altura dos montes, dos lados do Líbano, e cortar a elevação de seus cedros e a eleição de seu abeto’ significa o empenho de destruir os bens e veros da igreja, tanto interna quanto externa; os ‘montes’ são os bens da igreja, os ‘lados do Líbano’ são onde esses bens foram conjuntos aos veros, o ‘Líbano’ é a igreja espiritual, os ‘cedros’ são os seus veros internos que procedem do bem e os ‘abetos’ são os seus veros externos que procedem do mesmo bem. Estas são as coisas que se entendem por essas palavras no sentido espiritual, por conseguinte, no céu.
[30] ‘Monte’ e ‘montes’ também significam os bens do amor e da caridade nas seguintes passagens. Em David:
JEHOVAH, “que cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, e que faz germinar a erva para os montes” (Sl. 147:8);
pelas ‘nuvens’ com que JEHOVAH cobre os céus são significados os veros externos, tais como são os do sentido da letra da Palavra, pois os veros que estão nesse sentido chamam-se ‘nuvens’ na Palavra, e os que estão no sentido interno chamam-se ‘glória’; pelos ‘céus’ se entendem os veros internos, porque neles estão aqueles que estão nos céus; pela ‘chuva’ que Ele prepara para a terra é significado o influxo do vero (‘terra’ é a igreja e, assim, aqueles que recebem o vero, pois desses consiste a igreja); pelos ‘montes’ para os quais faz germinar a era são significados os bens do amor e, assim, aqueles que estão no bem do amor; ‘erva’ significa o nutrimento espiritual que eles têm, pois se entende a erva para as bestas, e as ‘bestas’ significam as afeições do bem do homem natural.
[31] Em Moisés:
“De José, disse: Abençoada por JEHOVAH seja a terra” de José, “de preciosidades do céu, de orvalho, do abismo que jaz embaixo... de primícias dos montes do orientes e de preciosidades das colinas de eternidade” (Dt. 33:13-15).
Esta é a bênção de José, ou da tribo nomeada como José, por Moisés, e tal bênção foi proferida a ele porque ‘José’ significa o reino espiritual do Senhor e, ali, o céu que se comunica mais de perto com o reino celeste do Senhor. Pela ‘terra de José’ se entende esse céu e também a igreja que consiste daqueles que estarão nesse céu; pelas ‘preciosidades do céu’, pelo ‘orvalho’ e pelo ‘abismo que jaz embaixo’ são significados os Divinos espirituais e os espirituais naturais de origem celeste; pelas ‘preciosidades do céu’, os Divinos espirituais, pelo ‘orvalho’, os espirituais que comunicam, e pelo ‘abismo que jaz embaixo’, os espirituais naturais; pelas ‘primícias dos montes do oriente’ e pelas ‘preciosidades das colinas de eternidade’ são significados os bens genuínos, tanto do amor ao Senhor quanto da caridade para com o próximo; ‘montes do oriente’ são os bens do amor ao Senhor, ‘primícias’ são os genuínos, e ‘colinas de eternidade’ são os bens da caridade para com o próximo. Que não sabe o que é representado por José e por sua tribo, e, além disso, o que é representado por ‘orvalho’, ‘abismo que jaz embaixo’, ‘montes do oriente’ e ‘colinas de eternidade’ dificilmente saberá que o que tais palavras envolvem e, em geral, dificilmente saberá o que significam todas as coisas que foram ditas por Moisés naquele capítulo a respeito das tribos de Israel, e o que foi dito pelo patriarca Israel no capítulo 49 de Gênesis.
[32] Em Mateus:
“Vós sois a luz do mundo; não pode estar oculta a luz65 ??? que foi posta num monte” (Mt. 5:14);
essas palavras foram ditas aos discípulos, pelos quais se entenda a igreja que está nos veros do bem, porque se diz: ‘Vós sois a luz do mundo’; a ‘luz do mundo’ é o vero da igreja; que este não seja [vero] a menos que proceda do bem, é o que significa ‘não pode estar oculta a luz que foi posta num monte’; ‘luz no monte’ é o vero do bem.
[33] No mesmo:

“Se alguém tivesse cem ovelhas, e extraviasse uma delas, não deixaria as noventa e nove nos montes e, saindo, buscaria a errante?” (Mt. 18:2);
diz-se ‘não deixaria as noventa e nove nos montes’ porque as ‘ovelhas nos montes’ significam os que estão no bem do amor e da caridade, mas pela ‘extraviada’ é significado aquele que não está nesse bem, por estar nos falsos provenientes da ignorância, porque onde há o falso aí não há o bem, porquanto o bem é do vero.
[34] Nos Evangelistas:
“Quando virdes a abominação da devastação, que foi dita pelo profeta Daniel, então, os que estiveram na Judeia, fujam para os montes, e os que estiveram no telhado, não desçam à casa” (Mc. 13:14, 15; Mt. 24:15-17; Lc. 21:21).
Nesses capítulos é descrita pelo Senhor a devastação sucessiva da igreja, mas descrita por meras correspondências. ‘Quando virdes a abominação da devastação’ significa quando os discípulos, isto é, os que estão nos veros do bem, perceberem que a igreja está devastada, o que acontece quando não há mais vero por não haver bem, ou quando não houver mais fé por não haver caridade; ‘então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes’ significa que os que são da igreja do Senhor devem permanecer no bem do amor; pela ‘Judeia’ é significada a igreja do Senhor, e pelos ‘montes’ os bens do amor; ‘fugir’ para eles é permanecer neles; ‘os que estiveram no telhado não desçam à casa’ significa que os que estiverem nos veros genuínos permaneçam neles; a ‘casa’ significa o homem quanto a todos os interiores que são de sua mente, e, assim, o ‘telhado da casa’ significa a inteligência que vem dos veros genuínos, assim, também os veros genuínos pelos quais há a inteligência. Se o sentido espiritual não esclarecesse cada uma das coisas que foram ditas naqueles capítulos dos Evangelhos pelo Senhor, dificilmente se saberia algo do que ali está contido, por conseguinte, o que seria isso, que ‘quem estiver no telhado não desça à casa’, e, em outra passagem, ‘quem estiver no campo não volta atrás para apanhar sua vestimenta’, além de muitas outras coisas.
[35] Até aqui se mostrou que os ‘montes’ na Palavra significam os bens do amor, e como a maioria das coisas na Palavra também tem um sentido oposto, por isso também os ‘montes’, que, nesse sentido, significam os males do amor, ou os males que brotam dos amores de si e do mundo. Nesse sentido os montes são mencionados nas seguintes passagens na Palavra. Em Isaías:
“O dia de JEHOVAH Zebaoth virá sobre todo soberbo e altivo, e sobre todos os montes altos, e sobre todas as colinas elevadas” (Is. 2:12, 14);
pelo ‘dia de JEHOVAH Zebaoth’ se entende o juízo final, quando foram expulsos os maus que tinham ocupado no mundo espiritual os montes e colinas, como se falou no início deste artigo. E como esses estavam sobre montes e colinas antes do juízo final, por isso pelos ‘montes e colinas’ se entendem os amores e, daí, os males em que estiveram; pelos ‘montes’, os males do amor de si, e pelas ‘colinas’, os males do amor do mundo. Cumpre saber que todos os que estão no amor de si, principalmente no amor de imperar, estão na maior cobiça, quando vêm ao mundo espiritual, de se postarem em lugares altos, porque têm esse ínsito do amor. Daí vem o fato de se dizer, na linguagem comum, ‘ser alto e exaltado de espírito’ e ‘aspirar as alturas’. A causa mesma de o amor de imperar insinuar tal cobiça é que eles se fazer deuses, e Deus está nos altíssimos. Que os ‘montes’ e as ‘colinas’ signifiquem esses amores e os males daí, é evidente, porque se diz: ‘o dia de JEHOVAH Zebaoth virá sobre todo soberbo e altivo, e sobre todos os montes altos e sobre todas as colinas elevadas’. De outro modo, o que seria isso, que ‘virá sobre os montes e as colinas’?
[36] No mesmo:
“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho de JEHOVAH, aplainai... uma vereda ao nosso Deus. Todo vale será elevado, e será humilhado todo monte e colina” (Is. 40:3, 4).
Aí também se trata do advento do Senhor e, então, do juízo final; e pela ‘voz do que clama no deserto: Preparai o caminho de JEHOVAH e uma vereda a nosso Deus’ é significado que se preparassem para receber o Senhor; ‘deserto’ significa onde não há bem por não haver vero, assim, onde ainda não há a igreja; ‘todo vale será elevado, e todo monte e colina humilhado’ significa quer todos os humildes de coração, que são os que estão nos bens e veros, serão recebidos, pois os que são recebidos pelo Senhor são elevados ao céu; e por ‘todo monte e colina será humilhado’ é significado que todos os são de ânimo elevado, que são os que se acham no amor e de si e do mundo, são rebaixados.
[37] Em Ezequiel:
“Porei a terra em desolação e vastação, para que cesse a soberba da força; e os montes de Israel foram desolados, para que ninguém passe” (Ez. 33:28);
por essas palavras se descreve a desolação e a vastação da igreja espiritual, que os israelitas representaram, pois os judeus representaram o reino celeste do Senhor ou a igreja celeste, enquanto os israelitas representaram o reino espiritual do Senhor ou a igreja espiritual. Sua ‘desolação e vastação’ significa o último estado dessa igreja, que era quando não havia mais vero por não haver o bem, ou quando não havia mais fé por não haver caridade; diz-se ‘desolação’ a respeito do vero que é da fé, e ‘vastação’ a respeito do bem que é da caridade. A jactância e a altivez da mente pelos falsos que se têm como veros é significada pela ‘soberba da força’; ‘força’ e ‘poder’ se diz dos veros do bem, porque esses têm toda força e todo poder; aqui, porém, como vem da jactância e da elevação da mente, refere-se aos falsos. Que não haja mais o bem da caridade e da fé é o que significa ‘os montes de Israel foram desolados’. Que isto tenha ocorrido tão completamente que não haja bem, mas o mal, é o que significa ‘para que ninguém passe’.
[38] No mesmo:
“Filho do homem, dirige as Tua face para os montes de Israel e profetiza contra eles, e dize: Montes de Israel, ouvi a palavra do Senhor Jehovih. Assim diz o Senhor Jehovih aos montes e colinas, ravinas e vales: Eis que eu trago sobre vós a espada” (Ez. 6:2, 3);
também aqui, pelos ‘montes de Israel’ são significados os males que procedem do amor de si e do mundo, os quais, naqueles que estão na igreja espiritual, passam a existir quando eles não têm mais o bem da vida, mas o mal o da vida e, daí, o falso da doutrina; pelos ‘montes, colinas, ravinas e vales’ são significadas todas as coisas da igreja, tanto as interiores ou espirituais quanto as exteriores ou naturais; ‘montes e colinas’ significam as interiores ou espirituais, ‘ravinas e vales’ as exteriores ou naturais. Que elas se pereceriam pelos falsos, é o que significa: ‘Eis que Eu trago sobre a vós a espada’; ‘espada’ é a destruição do falso pelos veros e, no sentido opostos, como é aqui, a destruição do vero pelos falsos.
[39] No mesmo:
“Naquele dia, quando Gog vier sobre a terra de Israel... tremerão diante de Mim os peixes do mar, e a ave dos céus, e a fera do campo, e todo réptil que rasteja sobre a terra, e todo homem que há sobre a face da terra. E os montes sejam derrubados, e cairão os precipícios [gradus] e todo muro na terra cairá; então chamarei sobre ele a espada sobre todos os Meus montes” (Ez. 38:18, 20, 21).
O que é significa por todas essas coisas, vê-se acima (n. 400), onde se acham explicadas, a saber, o que é significado por ‘Gog’, por ‘peixes do mar’, ‘ave dos céus’, ‘fera do campo’, ‘réptil que rasteja sobre a terra’; e vê-se também que pelos ‘montes de Israel’ são significados os bens do amor espiritual, mas, aqui, os males do amor opostos a esses bens.
[40] Em Miquéias:
“Levanta-te, contende com os montes; que as colinas ouçam a tua voz. Ouvi, montes, a demanda de JEHOVAH, e [vós,] fundamentos fortes da terra, porque JEHOVAH tem uma demanda com o Seu povo, e contesta com Israel” (Mq. 6:1, 2);
também aqui, estas coisas foram ditas a respeito da igreja espiritual, a qual os israelitas separados dos judeus representavam, e pelos ‘montes’ se entendem os bens da caridade, pelas ‘colinas’, os bens da fé, mas aí os males e falsos opostos a esses bens, pelo que se diz: ‘contendei com os montes, e que as colinas ouçam a tua66 voz’; os ‘fundamentos fortes da terra’ são os princípios do falso nessa igreja; ‘terra’ é a igreja, e ‘fundamentos’ são os princípios sobre os quais são fundadas as demais coisas. Diz-se ‘com o Seu povo, com Israel’ porque pelo ‘povo’ se entendem os que estão nos veros e os que estão nos falsos, e por ‘Israel’ os que estão nos bens e os que estão nos males.
[41] Em Jeremias:
“Eis que Eu estou contra ti, monte que destrói... que destrói toda a terra; e estenderei a mão contra ti, e te farei rolar das rochas, e tornar-te-ei um monte de incêndio” (Jr. 51:25);
essas palavras foram ditas a respeito da Babilônia, pela qual se entendem os que estão nos falsos do mal e nos males do falso pelo amor de si, pois abusam das coisas santas da igreja como meios de imperarem; por causa desse amor e dos falso e males daí é que se diz: ‘monte que destrói, que destrói toda a terra’; a ‘terra’ é a igreja. A destruição e a danação deles pelos falsos do mal são significadas por ‘te farei rolar das rochas’; ‘rochas’ são onde há os veros da fé, aqui, os falsos do mal; e a destruição e a danação deles pelos males do falsos é significada por ‘tornar-te-ei um monte de incêndio’; diz-se ‘incêndio’ do amor de si, porque o ‘fogo’ significa esse amor (vide na obra O Céu e o Inferno os n. 566-573). Por aí se vê claramente que pelos ‘montes’ são significados os males do amor de si e do mundo, pois Babilônia se chama ‘ monte que destrói’ e que ‘tornar-se-á monte de incêndio’. Em Naum:
“Os montes estremecem diante de Mim, e as colinas se derretem; e toda a terra está queimada diante de Mim;... diante de Tua repreensão, quem subsistirá?” (Na. 1:5, 6).
O que essas palavras significam em série, vide acima (n. 400), onde cada uma das coisas é explicada, bem como que os ‘montes e colinas’ ali são os males do amor de si e do mundo.
[42] Em Miquéias:
“JEHOVAH, saindo de Seu lugar, desce e pisa sobre os lugares elevados da terra, pelo que os montes se derreteram sob Ele, e os vales se fenderam, como cera diante do fogo, como águas derramadas numa descida, tudo isso por causa das prevaricações de Jacob e por causa dos pecados da casa de Israel” (Mq. 1:3-5);
também essas palavras foram ditas a respeito do juízo final e, então, daqueles que sobre montes e colinas fizeram para si uma semelhança de céu (dos quais se tratou acima algumas vezes). O juízo final se entende por ‘JEHOVAH, saindo de Seu lugar, desce e pisa sobre os lugares elevados da terra’; ‘sobre os lugares elevados da terra’ significa sobre aqueles que estão nos altos, a saber, sobre os quais se fez o juízo. Com efeito, no mundo espiritual há igualmente terras, montes, colinas e vales como no mundo natural. A aniquilação daqueles que estavam sobre os montes e nos vales, que são os que estavam nos males pelo amor de si e do mundo, e nos falsos daí, é significada por ‘derreteram-se os montes sob Ele, e os vales se fenderam, como cera diante do fogo, como águas espalhadas numa descida’; os ‘montes’ significam os males dos amores de si e do mundo, e os ‘vales’, os falsos dai. A respeito dos males dos amores de si e do mundo, que são significados pelos ‘montes’, se diz que ‘derreteram-se como cera diante do fogo’ porque o ‘fogo’ significa esses amores. E a respeito dos falsos, que são significados pelos vales, se diz que ‘como águas espalhadas numa descida’, porque as ‘águas’ significam o falsos. Que seja por causa dos males e falsos, é evidente, pois se diz ‘tudo isso por causa da prevaricação de Jacob, e por causa dos pecados da casa de Israel’.
[43] Em Jeremias:
“Vi a terra, e eis que era vácua e vazia; e os céus, e não tinham luz; vi os montes, e eis que foram abalados, e todas as colinas derribadas. Vi, e eis que não havia homem, e todas as aves do céu voaram” (Jr. 4:23-25);
pelo ‘abalo dos montes’ é significada a destruição daqueles que estão nos males do amor de si, e pela ‘derrubada das colinas’ a destruição daqueles que estão nos males do amor do mundo e nos falsos. (As demais coisas se veem explicadas acima, n. 280 e 304). Em Isaías:
JEHOVAH, “tomara que rompesses os céus, descesses, os montes se dissolvessem diante de Ti” (Is. 64:1);
essas palavras significam coisas semelhantes às que foram explicadas acima, de Miquéias 1:3-5.
[44] Em David:
“JEHOVAH, inclina os Teus céus e desce! Toca os montes para que fumeguem! Envia raio e os dispersa” (Sl. 144:5, 6);
por ‘inclinar os céus e descer’ é significado o mesmo que acima por ‘romper os céus e descer e por ‘sair de seu lugar, descer e pisar os altos da terra’, a saber, visitar e julgar; por ‘tocar os montes para que fumeguem’ é significado destruir, pela presença, os que estão nos males dos amores de si e do mundo e, daí, nos falsos; ‘fumegar’ significa deixar-se levar ao males desses amores e nos seus falsos, foi o ‘fogo’ significa esses amores e a ‘fumaça’ os seus falsos; por ‘mandar raio e dispersá-los’ é significado o Divino Vero pelo qual são dissipados, pois pela presença do Divino Vero são revelados os males e os falsos, e por causa da colisão aparecem então como raios.
[45] Em Moisés:
‘Um fogo foi aceso na Minha ira, e arderá até o inferno mais baixo, e comerá a terra e o seu produto, e inflamará os fundamentos dos montes” (Dt. 33:22).
Diz-se que ‘um fogo foi aceso por JEHOVAH na Sua ira que arderá até o inferno mais baixo’ embora JEHOVAH não tenha ira alguma, e ainda menos uma que arderá no inferno mais baixo, porque JEHOVAH, isto é, o Senhor, com ninguém se ira e a ninguém faz mal. Que Ele tampouco lance alguém no inferno, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 545-550. Mas diz-se assim no sentido da letra da Palavra porque assim parece ao homem mau e também ao homem simples, pois a Palavra na letra é segundo a aparência, porque é segundo a compreensão dos homens naturais. Como, todavia, os anjos, que são espirituais, não veem os veros mesmos da Palavra aparentemente, segundo a compreensão do homem, mas espiritualmente, por isso o sentido de trais palavras é invertido com eles, o que também é o sentido internou ou espiritual, a saber, que o amor infernal no gomem é tal fogo, e arde até o inferno mais baixo. E como esse fogo, isto é, esse amor, destrói todas as coisas da igreja desde embaixo até em cima, por isso se diz que ‘comerá a terra e o seu produto, e inflamará os fundamentos dos montes’; ‘terra’ é a igreja, ‘produto’ é tudo da igreja, ‘fundamentos dos montes’ são as coisas em que estão fundados os bens do amor, que se dizem ‘inflamados’ por causa do fogo do amor de si e do mundo’. Em David:
“Sacudida e abalada foi a terra, e os fundamentos dos montes tremeram e abalaram-se, quando Ele Se indignou” (Sl. 18:7);
por essas palavras se entendem coisas semelhantes, mas para uma explicação delas em detalhes, vide acima (n. 400). No mesmo:
“Deus é nosso refúgio, pelo que não temeremos quando for mudada a terra, e quando os montes forem removidos para o coração dos mares; as suas águas se tumultuem e se perturbem, os montes estremeçam em sua exaltação’ (Sl. 18:7);
também essas se veem explicadas antes (n. 304), onde também se mostrou o que é significado por ‘os montes serem removidos para o coração dos mares’ e ‘os montes estremecerem em exaltação’, a saber, que os males dos amores de si e do mundo oprimem ??? conforme aumentam.
[46] Em Isaías:
“A ira de JEHOVAH contra todas as nações, e a inflamação contra todo o exército delas; cedeu-as, entregou-as à matança, de modo que os mortos delas sejam arrojados, e dos cadáveres delas subirá mau cheiro; e os montes se derreterão pelo sangue delas” (Is. 34:2, 3);
essas palavras foram ditas a respeito do juízo final, e pela ‘ira de JEHOVAH contra todas as nações’, como também por ‘Sua inflamação contra todo o exército delas’ é significada a destruição e a danação de todos os que estão nos males e nos falsos daí, de propósito e de coração; as ‘nações’ significam esses males, e o ‘exército’ significa todos os falsos daí. Que os que se acham nesses hão de ser condenados e perecerão, é o que significa ‘cedeu-as, entregou-as à matança’. A danação dos que perecerão pelos falsos é significada por ‘seus mortos sejam arrojados’; ‘mortos’, na Palavra, se diz dos que perecem pelos falsos, e ‘ser arrojado’ significa ser condenado. A danação dos que perecerão pelos males é significada por ‘dos cadáveres delas subirá mau cheiro’; ‘cadáveres’, na Palavra, se diz dos que perecem pelos males, e ‘mau cheiro’ significa a danação deles. Que os ‘montes se derreterão pelo sangue delas’ significa que os males desses amores neles estão cheios de falsos; ‘montes’ são os males dos amores de si e do mundo, ‘sangue’ é o falso.
[47] No mesmo:
“Devastarei os montes e as colinas, e toda a erva deles farei secar; e tornarei os rios em ilhas, e secarei as lagoas” (Is. 42:15);
por ‘vastar montes e colinas’ é significado destruir todo bem do amor ao Senhor e para com o próximo; por ‘fazer secar toda erva’ é significado daí perecerem todos os veros; ‘erva’ significa os veros nascendo do bem; por ‘fazer dos rios ilhas, e secar as lagoas’ é significado aniquilar todo entendimento e toda percepção do vero; os ‘rios’ significam a inteligência que pertence ao vero, e as ‘ilhas’ onde não há inteligência; as ‘lagoas’ significam a percepção do vero. O entendimento do vero vem da luz do vero, mas a percepção do vero vem do calor ou do amor do vero.
[48] No mesmo:
“Eis”, Jacob, “fiz de ti um trilho, trilho novo, dotado de pontas, para que tritures e moas os montes, e faça das colinas pragana; padejá-los-á para que o vento os leve e a procela os dissipe” (Is. 41:15, 16);
por ‘Jacob’ se entende a igreja externa quanto ao bem e ao vero e, daí, também o bem e o vero externos, bem e vero esses que são do sentido da letra da Palavra; nesses estão os que são da igreja externa. A comparação com os ‘trilho novo, dotado de ponta’ é porque o trilho trilha o trigo, a cevada e as demais colheitas de espigas, e por estes são significados os bens e veros da igreja (vide acima, n. 374 e 375); aqui, por conseguinte, que esmigalhará e moerá os males e falsos, pelo que se diz ‘trilho dotado de pontas, para que tritures e moas os montes, e faça das colinas pragana’ pelo que é significada a destruição dos males oriundos dos amores de si e do mundo e também dos falsos daí. E também se diz ‘padejá-los-á, para que o vento os leve w a procela os dissipe’, pelo que é significado que serão como nada, pois se diz ‘vento e procela’, porque se entendem os falsos e males, pois ‘vento’ se diz dos veros e, no sentido oposto, dos falsos, e ‘procela’ se diz dos males do falso.
[49] No mesmo:
“Os montes se retirarão e as colinas serão removidas, mas a Minha misericórdia para contigo não se retirará” (Is. 54:10);
que ‘os montes se retirarão, e as colinas serão removidas’ não se entende que os montes e colinas que há na terra hão de se retirar e serem removidos, mas os que estão nos maus amores e nos falsos daí, pois nesse capítulo se trata dos gentios67, dos quais deve ser formada uma nova igreja. Por isso, pelos ‘montes e colinas’ se entendem em particular os que são de uma igreja anterior, por conseguinte os judeus, nos quais houve meros males do falso falsos do mal, por estarem nos amores de si e do mundo.
[50] Em Jeremias:
“Por causa dos montes tirarei o choro e o lamento, e por causa dos habitáculos do deserto, a lamentação, porque foram devastadas, de modo que não há varão que passe” (Jr. 9:10);
os ‘montes’, sobre os quais há o choro e o lamento, são os males de todo gênero brotando dos dois amores acima mencionados, e pelos ‘habitáculos do deserto’ são significados os falsos daí, pois pelo ‘deserto’ é significado onde não há bem por não haver vero, e pelos ‘habitáculo’ há [os falsos]; aqui, também, os ‘habitáculos do deserto’ são os falsos dos males acima citados. Que não haja absolutamente bem nem vero algum, entende-se por ‘foram devastadas, de modo que não varão que passe’. É costume na Palavra se dizer, onde há devastação, ‘de modo que não haja varão que passe’ e por isto é significado que não há mais vero algum e, assim, não há inteligência alguma. É evidente que não são os montes e habitáculos do deserto sobre os quais há choro e lamento.
[51] No mesmo:
“Ovelhas perdidas foram o Meu povo, seus pastores os seduziram, os montes [os] desviaram; do monte vieram sobre a colina, esqueceram-se de seus lugares de descanso” (Jr. 50:6);
em Ezequiel:
“Erram as Minhas ovelhas em todos os montes e sobre toda alta colina, e sobre toda a face das terras Minhas ovelhas foram dispersas, e não há quem as procure nem busque” (Ez. 34:6);
que as ovelhas ‘tenham ido do monte sobre a colina’ e que ‘errem sobre todos os montes e sobre toda alta colina’ significa que buscam os bens e veros, mas não os encontram, e tomam em lugar destes os males e falsos. Que os ‘montes se tenham desviado’ significa em lugar dos bens há os males.
[52] Em Jeremias:
“Dai a JEHOVAH Deus a vossa glória, antes que induza as trevas, e antes que vossos pés tropecem nos montes do crepúsculo” (Jr. 13:16);
por essas palavra é significado que o Divino Vero deve ser reconhecido, a fim de que os falsos e, daí, os males não irrompam do homem natural; ‘dar a Deus a glória’ significa reconhecer o Divino Vero; ‘glória’, na Palavra, significa o Divino Vero, e reconhecer o Divino Vero e viver segundo este é a glória que o Senhor quer e que Lhe é dada; ‘antes que induza as trevas’ significa a fim de que os falsos não invadam; ‘trevas’ são os falsos; ‘e antes que vossos pés tropecem nos montes do crepúsculo’ significa a fim de que, daí, os males do natural [não invadam]; ‘montes do crepúsculo’ são os males do falso, pois ‘montes’ são os males e ‘crepúsculo’ é quando não se vê o vero mas, em lugar deste, o falso, e ‘pés’ significam o homem natural. No homem natural estão todos os males e, daí, os falsos, porque ele, pelo hereditário, é levado a amar a si mesmo mais do que a Deus, o mundo mais do que o céu e os males aderentes a esses amores derivados dos pais. Esses males e o falsos daí não são removidos senão pelo Divino Vero e pela vida segundo este; por esse modo abre-se a mente superior ou interior do homem, a qual vê pela luz do céu, e por esse luz o Senhor dissipa os males e os falsos daí que estão na mente natural. (Que os ‘pés’ signifiquem o homem natural, vê-se acima, n. 65 e 69, e nos Arcanos Celestes, n. 2162, 3147, 3761, 3986, 4280 e 4938-4952).
[53] Nos Evangelhos:
Jesus disse aos discípulos: “Tende a fé de Deus. Amém vos digo, quem quer que disse ao monte... Toma e lança-te no mar, sem duvidar em seu coração, mas crer que as coisas que diz ocorrerão, o que disse lhe será feito” (Mc. 11:22, 23; Mt. 17:20).
Quem não conhece os arcanos do céu e o sentido espiritual da Palavra pode crer que o Senhor falou estas coisas não a respeito da fé salvífica, mas de uma outra fé que se chama histórica e miraculosa. Mas o Senhor falou isto a respeito da fé salvífica, fé essa que faz com um com a caridade e vem toda do Senhor. Por isso o Senhor chama essa fé de ‘fé de Deus’. E visto que por essa fé, que é a fé da caridade vinda d’Ele, o Senhor remove todos os males que brotam dos amores de si e do mundo e os lança no inferno de onde são, por isso Ele diz que, se ‘se disser ao monte: Toma e lança-te no mar, será feito o que disse’, porque pelo ‘monte’ são significados os males desses amores, e pelo ‘mar’ é significado o inferno. Assim, ‘dizer ao monte: Toma’, significa removê-los, e ‘ser lançado no mar’ significa serem lançados no inferno de onde são. Dessa significação de ‘monte’ e de ‘mar’ veio essa locução comum com os antigos, quando a conversa era a respeito do poder da fé; não que por esse poder os montes na terra possam ser lançados no mar, mas que os males possam ser lançados no inferno de onde vêm. Na realidade, os montes sobre os quais habitam os maus no mundo espiritual costumam ser revirados e lançados à distância pela fé que vem do Senhor, pois quando os maus que há neles são lançados fora, também são lançados os montes sobre os quais habitam, como foi dito algumas acima e como também vi frequentemente. Que aqui não se entenda outra fé senão a fé da caridade proveniente do Senhor, é evidente pela continuação da fala do Senhor em Marcos, onde foi dito:
“Por isso vos digo, todas as coisas que, orando, pedirdes, crede que o recebereis, e então vos será feito. Quando, porém, estiverdes orando, perdoai, se tiverdes algo contra alguém, para que também o vosso Pai, que está nos céus, perdoe as vossas faltas” (Mc. 11:24-26),
pelo que é evidente que a ‘fé de Deus’ de que o Senhor falou é a fé da caridade, isto é, a fé que faz um com a caridade, e, assim, é toda proveniente do Senhor. Além disso, o Senhor disse essas coisas aos discípulos quando eles acreditavam que podiam fazer milagres por sua fé, por conseguinte, por si mesmos, quando, todavia, eles se fazem pela fé que vem do Senhor, portanto, pelo Senhor (como também é evidente em Mateus 17:19, 20, onde foram ditas coisas semelhantes).
[54] Visto que os ‘montes’ significavam os bens do amor celeste e as ‘colinas’ os bens do amor espiritual, por isso os antigos, com os quais a igreja era representativa, tiveram o seu culto Divino sobre os montes e colina, e por isso Sião ficava sobre um monte e Jerusalém sobre as regiões montanhosas abaixo dele. Assim, a fim de que os judeus e israelitas, que eram dados à idolatria, não fizessem do culto Divino um culto idolátrico, foi-lhes ordenado que tivessem culto somente em Jerusalém e não em outro lugar. Como, porém, foram idólatras de coração, não se contentavam em ter o culto em Jerusalém, mas, segundo o costume trazido dos gentios pelos antigos, fizeram o culto sobre quaisquer montes e colinas e ali sacrificaram e ofereceram incenso. Por esse motivo, como esse idolátrico estava neles, pelo seu culto sobre outros montes e colinas é significado o culto pelos males e falsos, como nas passagens que se seguem. Em Isaías:
“Sobre um monte alto e elevado puseste o teu leito; também ali subiste para sacrificar sacrifícios” (Is. 57:7);
em Oséias:
“Sobre as vertentes dos montes sacrificam, e sobre as colinas oferecem incenso” (Os. 4:13);
em Jeremias:
“Israel desviado, que vai sobre todo monte alto, e sob toda árvore verde, e ali tu praticaste escortação” (Jr. 3:6);
‘praticar escortação’ significa falsificar o culto. Que este tenha sido idolátrico, é evidente por estas palavras em Moisés:
“Destruireis os lugares onde as nações serviram... seus deuses, sobre os montes e sobre as colinas, e sob toda árvore verde” (Dt. 12:2);
por isso, nessas passagens, pelo culto sobre os montes e colinas é significado o culto pelos males e falsos. Daí também se originou que os gentios na Grécia puseram o Hélicon num alto monte e o Parnaso numa colina abaixo dele, e acreditaram que seus deuses e suas deusas ali habitavam. Isto foi derivado dos antigos na Ásia e principalmente na terra de Canaan não distante dali, com os quais havia o culto pelos representativos.
[55] Diz-se nos Evangelhos
Que o diabo tomou Jesus sobre um alto monte e mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a glória, e ali O tentou (Mt. 4:8; Lc. 4:5),
pelo que é significado que o diabo tentou o Senhor por meio do amor de si, pois este é significado pelo ‘alto monte’. Com efeito, as três tentações descritas nessas passagens significam e envolvem todas as tentações que o Senhor suportou quanto esteve no mundo, pois o Senhor, pelas tentações vindas dos infernos admitidas em Si mesmo e, então, pelas vitórias, repôs em ordem todas as coisas nos infernos e também glorificou o Seu Humano, isto é, fê-Lo Divino. Que toda as tentações do Senhor tenham sido descritas por tão poucas palavras é porque Ele não as revelou de outro modo, mas no sentido interno da Palavra elas são descritas mais amplamente. (Mas, a respeito das tentações do Senhor, vide as coisas que foram referidas na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 201, 293 e 302).

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