. (Vers. 15). “E os reis da terra, e os magnatas e os ricos, e os quiliarcas e os poderosos”. Que isto signifique todos os bens e veros internos e todos os bens e veros externos, pelos quais há sabedoria e inteligência vê-se pela significação de ‘reis’, que são os veros do bem em todo o conjunto (de que se tratou acima, n. 31); pela significação de ‘magnatas e ricos’, que são os bens e veros internos (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘quiliarcas e poderosos’, que são os bens e veros externos, ‘quiliarcas’ esses bens e ‘poderosos’ esses veros (de que também se tratará a seguir). Diz-se também que pelos bens e veros há sabedoria e inteligência porque dos bens e veros internos, que são os bens e veros espirituais, há a sabedoria, e dos bens e veros externos, que são os bens e veros naturais provenientes dos espirituais, há a inteligência. A sabedoria se distingue da inteligência nisso, que a sabedoria provém da luz do céu, e a inteligência provém da luz do mundo iluminada pela luz do céu; assim é que a sabedoria é atribuída aos bens e veros espirituais e a inteligência é atribuída aos bens e veros naturais, porque os bens e veros espirituais são procedentes da luz do céu, pois a mente espiritual ou a mente interna está na luz do céu, e os bens e veros naturais são procedentes da luz do mundo, pois a mente natural ou externa está na luz do mundo. Quanto mais, porém, que essa mente recebe a luz do céu pela mente espiritual, mais está na inteligência. Está muito enganado quem acredita que a inteligência seja procedente apenas da luz do mundo, luz essa que se chama lume natural. Pela inteligência se entende ver por si mesmos os veros e os bens, sejam civis, sejam morais, sejam espirituais, enquanto vê-los pelos outros não é inteligência, mas conhecimento. Contudo, para que se saiba de que maneira essas coisas devem ser entendidas, vide o que foi dito no artigo precedente (n. 406), a saber, que o homem tem duas mentes, uma espiritual ou interna e a outra natural ou externa; que a mente espiritual ou interna é aberta naqueles que aplicam à vida os bens e veros da Palavra, e naqueles que não aplicam à vida os bens e veros da Palavra, não é aberta, mas apenas a mente natural ou externa; estes se chamam homens naturais e aqueles espirituais. A isto deve-se acrescentar que quanto mais é aberta a mente espiritual ou interna, mais a luz espiritual, que é a luz do céu, influi desde o Senhor na mente natural ou externa e a ilumina, dando-lhe inteligência. Os bens e veros que fazem a mente espiritual ou interna se entendem pelos ‘magnatas e ricos’, os bens pelos ‘magnatas’ e os veros pelos ‘ricos’. E os bens e veros que fazem a mente natural ou externa se entendem pelos ‘quiliarcas e poderosos’, esses bens pelos ‘quiliarcas’ e os veros pelos ‘poderosos’. Daí é evidente que essas palavras no sentido interno incluem todas as coisas que há no homem, pois na sequência se trata da extinção de todas as coisas. Todas as coisas no homem, assim como todas as coisas no universo, se referem ao bem e ao vero; destes e segundo estes o homem tem toda sabedoria e inteligência.
[2] Quem olha somente para o sentido da letra não pode ver outra coisa senão que se entendem os reis e os principais nos seus reinos, e que são nomeados tantos a fim de que o sentido seja elevado, mas na palavra não há o menor vocábulo em vão, porquanto o Divino está em todas e cada uma das coisas ali, pelo que por elas devem ser entendidas coisas Divinas que são do céu e da igreja e que se chamam, numa expressão comum, celestes e espirituais, pelas quais a Palavra é Divina, celeste e espiritual. Também, a Palavra foi dada a fim de que por ela haja conjunção do céu com a igreja, ou dos anjos do céu com os homens da igreja (vide na obra O Céu e o Inferno, n. 303-310), e essa conjunção não poderia existir se por essas palavras não fosse entendia outra coisas senão o que se apresenta no sentido da letra, ou seja, que os reis da terra, os magnatas, os ricos, os quiliarcas e os poderosos. bem como todo servo e todo livre, se esconderiam nas cavernas e nas rochas dos montes. Também, essas coisas são naturais, mas a conjunção existe quando por elas se entendem ao mesmo tempo coisas espirituais. Com efeito, os anjos não podem ser conjuntos aos homens de outro modo, pois os anjos são espirituais porque estão no mundo espiritual e, assim, pensam espiritualmente e também falam espiritualmente, mas os homens são naturais porque estão no mundo natural e, assim, pensam naturalmente. Estas coisas foram ditas para que se saiba que pelos ‘reis da terra, magnatas, ricos, quiliarcas e poderosos’ são significadas também coisas espirituais. Que por eles se entendam coisas espirituais, a saber, pelos ‘magnatas e ricos’ os bens e veros internos, e pelos ‘quiliarcas e poderosos’ os bens e veros externos, pode-se ver pela significação deles na Palavra, onde são nomeados.
[3] Que os 'magnatas' na Palavra signifiquem os bens internos, que são os bens do homem interno ou espiritual, é porque ‘grande’ [magnum] e ‘magnitude’ na Palavra se diz do bem, e ‘muito’ [multum] e ‘multidão’ se diz do vero (vide acima, n. 336 e 337). Que os bens internos sejam significados pelos 'magnatas' é porque por esses quatro, a saber, 'magnatas', 'ricos', 'quiliarcas' e 'poderosos' são significados todos os bens e veros que há no gomem, assim, os bens e veros do homem interno ou espiritual como também os do homem externo ou natural; pelos 'magnatas e ricos’ os bens e veros do homem interno ou espiritual, e pelos 'quiliarcas e poderosos’ os bens e veros do homem externo ou natural. Por isso também se seque ‘todo servo e todo livre’, e pelo ‘servo’ é significado o externo do homem, que se chamam homem natural, e pelo ‘livre’ o interno do homem, que se chama homem espiritual. Coisas semelhantes são também significadas pelos 'magnatas' em outras passagens na Palavra (a saber, em Jeremias 5:5, em Naum 3:10 e em Jonas 3:7). Que os 'ricos' signifiquem os veros internos, que são os veros espirituais, ou aqueles que estão nesses veros, vê-se pelo que foi mostrado acima (n. 118 e 236). Que os 'quiliarcas' signifiquem os bens externos, que são os bens do homem natural, também se mostrou acima (n. 336), pelo que é dispensável referir mais coisas a respeito deles. Que, porém, os 'poderosos' signifiquem os veros externos ou os veros do homem natural, vê-se por muitas passagens na Palavra, onde são nomeados 'poderosos e fortes’, como também ‘poder e força’. A razão disso é que todo poder pertence aos veros provenientes do bem, e mesmo aos veros que há no homem natural. Que os veros do bem tenha todo o poder é porque o bem não age por si, mas pelos veros, pois o bem se forma nos veros e se reveste deles como a alma de um corpo, e assim age. E age pelos veros no homem natural porque aí estão todas as coisas interiores ao mesmo tempo e em seu pleno. (Que todo poder pertença aos veros do bem, ou ao bem por meio dos veros, vê-se acima, n. 209 e 333, e na obra O Céu e o Inferno, 231, 232 e 539; e que todo o poder esteja nos últimos, porque aí o Divino está em Seu pleno, vê-se acima, n. 346, e nos Arcanos Celestes, n. 9836 e 10044). Por aí se pode ver que pelos 'poderosos' se entendem os veros externos ou os veros do homem natural.
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