. “E todo servo e todo livre”. Que isto signifique o homem natural e o homem espiritual, vê-se pela significação de ‘servo’. que é o homem natural (de que se tratará a seguir), e pela significação de ‘livre’, que é o homem espiritual. Que o homem espiritual se entenda pelo ‘livre’ e o homem natural pelo ‘servo’ é porque o homem espiritual é conduzido desde o céu pelo Senhor, e ser conduzido pelo Senhor é o livre, ao passo que o homem natural lhe obedece e lhe serve, pois faz as coisas que o homem espiritual quer e pensa. Em muitas passagens na Palavra se diz ‘servo’, e quem não sabe que nessas passagens pelo ‘servo’ se entende o que serve e efetua as coisas que o homem espiritual quer e pensa, pode achar que pelo ‘servo’ aí se entende o servo que está na servidão, por conseguinte, conforme a noção comum de servo; mas que seja entendido o que serve e efetua, ver-se pelas passagens na Palavra serão logo referidas. Quando se diz ‘servo’ nesse sentido na Palavra, então o homem natural, que se entende por ele, não é servo de outro modo senão como o corpo é servo de sua alma; e como o que serve e efetua se entende pelo ‘servo’, por isso também o ‘servo’ se diz não somente do homem natural em relação ao espiritual, mas também de homens que prestam serviço aos outros, do anjos que executam os mandamentos de Deus e até do Senhor mesmo quanto ao Se Divino Humano quando esteve no mundo. E também se diz dos veros do bem porque o bem age e efetua pelos veros, e porque os veros prestam serviço ao bem que quer e que ama, e assim por diante. Além disso, ‘servo’ se diz do homem natural por obediência e efeito, embora o homem natural no regenerado é livre igualmente ao espiritual ???, porquanto agem em união como o principal e o instrumental, não obstante o homem natural relativamente ao espiritual ser chamado ‘servo’ pela razão já mencionada de que o natural serve ao espiritual efetuando. Naqueles, porém, em que o homem espiritual foi fechado e somente o homem natural foi aberto, o homem todo é servo no sentido comum, ainda que em aparência seja como se fosse livre, porque o homem natural exterior serve aos males e falsos que o interior quer e pensa, pois é conduzido assim do inferno, e ser conduzido do inferno é ser inteiramente servo. Tal homem também se torna inteiramente servo e vil e escravo no inferno, após a morte, porque após a morte os prazeres da vida de cada um se mudam em correspondência, e os prazeres do mal em servidão e em coisas horríveis (vide na obra O Céu e o Inferno, ns. 485-490). Neste sentido também é nomeado ‘servo’ na Palavra, mas aqui será mostrado principalmente que pelo ‘servo’ se entende o que serve e efetua, e isto a todo respeito.
[2] Que pelo ‘servo’ se entenda o que serve e efetua, é claramente evidente pelo fato de que o Senhor quanto ao Seu Divino Humano é chamado ‘Servo’ e ‘Ministro’, como nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Eis o Meu Servo, em quem Me apoio, Meu Eleito em quem tem beneplácito a Minha alma; pus o Meu espírito sobre Ele... Quem é cego senão o Meu Servo? ou surdo como o Meu Anjo, a quem envio? quem é cego como o perfeito, e cego como o Servo de JEHOVAH?” (Is. 42:1, 19).
Essas palavras são a respeito do Senhor, de quem se trata em todo esse capítulo, e aí o Senhor quanto ao Divino Humano é chamado ‘Servo’ porque serviu ao Seu Pai para fazer a Sua vontade – como se disse muitas vezes – pelo que se entende que repôs em ordem todas as coisas no mundo espiritual e ao mesmo tempo ensinou aos homens o caminho para o céu. É, pois, o Divino Humano que se entende pelo ‘Servo Meu em quem Me apoio’ e por ‘Meu Eleito em quem tem beneplácito a Minha alma’. Diz-se ‘Servo’ pelo Divino Vero pelo qual efetua, e ‘Eleito’ pelo Divino Bem. Que Ele mesmo tenha sido o Divino Vero pelo qual efetua, entende-se ‘pus o Meu espírito sobre Ele... trará juízo às nações’; o ‘Espírito de JEHOVAH’ é o Divino Vero, e ‘trazer juízo às nações’ é instruir. Que seja dito ‘cego’ e ‘surdo’ é porque Senhor é como se não vê ou percebe os pecados dos homens, porque conduz os homens brandamente, já que dobra e não quebra, assim tirando dos males e conduzindo ao bem. Por isso, Ele não castiga nem pune como um que vê e percebe. Isto é o que se entende por ‘Quem é cego senão o Meu Servo? ou surdo como o Meu Anjo?’. Diz-se ‘cego’ e, daí, ‘servo’, pelo Divino Vero, e ‘surdo’ e, daí, ‘anjo’ pelo Divino Bem, pois ‘cego’ se refere ao entendimento e, assim, à percepção, e ‘surdo’ se refere à percepção e, assim, à vontade. Aí, pois, se diz que é como se Ele não visse, ainda que tenha ??? o Divino Vero mesmo pelo qual entende todas as coisas, e não quer segundo o que percebe, ainda que tenha o Divino Bem mesmo pelo qual pode todas as coisas.
[3] No mesmo:
“Do trabalho de Sua alma verá, ficará saciado; por Seu conhecimento Meu Servo justo justificará a muitos nisso, que as iniquidades deles Ele levou” (Is. 53:11).
Também essas palavras são a respeito do Senhor, de Quem se trata claramente em todo o capítulo e, de fato, de Seu Divino Humano. Sua luta contra os infernos e a subjugação deles é significada pelo ‘trabalho de Sua alma’ e por ‘as iniquidades deles levou’. Por ‘levar as iniquidades deles’ não se entende que as transferiu para Si, mas que admitiu em Si os males que vêm dos infernos a fim de os subjugar. Isto é, pois, o que se entende por ‘levar as iniquidades’. Daí a salvação dos que estão na fé espiritual, que é a caridade, se entende pela expressão ‘por Seu conhecimento Meu servo justo justificou a muitos’; o ‘conhecimento’ significa o Divino Vero e, daí, a Divina sabedoria e inteligência, e ‘muitos’ significa todos os que recebem, porque ‘muito’, na Palavra, se diz dos veros, enquanto ‘grande’ se diz do bem. Assim, ‘muitos’ são todos os que estão nos veros do bem por Ele. Diz-se que os ‘justificou’ porque ‘justificar’ significa salvar pelo Divino Bem, pelo que também se diz ‘justo’. Visto que Ele realizou e efetuou tais coisas por Seu Divino Humano, diz-se ‘Servo de JEHOVAH’. Daí é evidente que JEHOVAH chama o Seu Divino Humano de ‘Seu Servo’ pelo fato de servir e efetuar.
[4] No mesmo:
“Eis que Meu Servo agirá prudentemente; será levantado, exaltado e muito elevado” (Is. 52:13).
Estas palavras também são a respeito do Senhor, cujo Divino Humano é chamado ‘Servo’ pelo mesmo motivo de que se tratou logo acima. A glorificação de Seu Humano se entende por ‘será levantado, exaltado e muito elevado’. No mesmo:
“Vós sois Minhas testemunhas, e Meu servo a quem escolhi, para que saibais e Me creiais” (Is. 43:10);
pelo ‘Servo’, aqui também, entende-se o Senhor quanto ao Divino Humano. Que o Senhor mesmo se chame ‘Ministro’ por servir, é vidente nos Evangelistas:
“Qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, deverá ser vosso ministro; e qualquer... que quiser ser o primeiro, deverá ser vosso servo, assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt. 20:25-28; Mc. 10:42-44; Lc. 22:27).
Isto se vê explicado na obra O Céu e o Inferno (n. 218). E em Lucas:
“Bem-aventurados os servos aos quais o Senhor, quando vier, encontrar vigiando. amém vos digo que Se cingirá, e os fará reclinar, e Ele, chegando-Se, os servirá” (Lc. 12:36, 37).
[5] Visto que por ‘David’, na Palavra, se entende o Senhor quanto ao Divino Vero e o Divino Vero serve, por isso David, onde por ele também se entende o Senhor, é chamado ‘servo’ em várias passagens, como em Ezequiel:
“Eu, JEHOVAH, lhes serei por Deus, e Meu servo David será príncipe no meio deles” (Ez. 34:24).
No mesmo:
“Meu servo David será Rei sobre eles, para que haja um só pastor para todos eles” (Ez. 37:24).
Essas palavras foram ditas a respeito de David após os seus tempos, ainda que nunca ressuscitará como príncipe no meio deles e rei sobre eles.
Em Isaías:
“Protegerei esta cidade para a guardar, por causa de Mim e por causa de David, Meu servo” (Is. 37:35).
Em David:
“Firmei uma aliança com Meu eleito, jurei a David Meu servo, até à eternidade estabelecerei a tua semente;... Achei David, Meu servo, com óleo de Minha santidade o ungi” (Sl. 89:3, 4, 20).
Em todo esse salmo se trata do Senhor, que aí Se entende por ‘David’. No mesmo:
“Escolhi a David, Meu servo... de após a lactantes o trouxe para apascentar a Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança, os quais apascentou na integridade de seu coração, e na retidão de suas mãos os conduziu” (Sl. 78:70-72),
além de outras passagens. Que o Senhor quanto ao Divino Vero se entenda na Palavra por ‘David’, vê-se acima (n. 205), e também em tais passagens. O Senhor é também chamado ‘Servo’ na Palavra, onde Se entende por ‘Israel’, como em Isaías:
“Meu servo és tu, Israel, em quem serei glorioso... pouco é que sejas Meu servo, para erigir a tribo de Jacob e tornar a trazer os preservados de Israel; mas dei-te por luz das nações, para que sejais Minha salvação até à extremidade da terra” (Is. 49:3, 6).
(Que o Senhor Se entenda por ‘Israel’, no sentido supremo, vê-se nos Arcanos Celestes n. 4286; e que a ‘Pedra de Israel’ seja o Senhor quanto ao Divino Vero, n. 6426 ali).
[6] Como o Senhor quanto ao Divino Vero por causa do serviço é chamado ‘Servo’ na Palavra, por isso nela são chamados ‘servos’ os que estão no Divino Vero pelo Senhor e por isso servem aos outros, tal como são os profetas nas seguintes passagens. Em Jeremias:
“JEHOVAH vos enviou a vós todos os seus servos, os profetas” (Jr. 25:4);
em Amós:
“Revelou o Seu arcano aos seus servos, os profetas” (Am. 3:7);
em Daniel:
“Pôs diante de nós pela mão de Seus servos, os profetas” (DFn. 9:10);
assim também Moisés é chamado ‘servo de JEHOVAH’ (Ml. 4:4), como também Isaías (Is. 20:3, 50:10), pois pelos ‘profetas’ é significada a Doutrina do Vero, assim, o Divino Vero quanto à doutrina (vide n. 2354 e 7269). Daí também David se chama ‘servo de JEHOVAH’, como na seguinte passagem no salmo:
“Em Teus estatutos me deleitarei, não me esquecerei de Tua Palavra; Teu servo medita nos Teus estatutos... Bem fizeste para com o Teu servo, JEHOVAH, conforme a Tua Palavra... Faze com o Teu servo conforme a Tua misericórdia, e Teus estatutos ensina-me. Teu servo sou eu, instrui-me, para que eu conheça os Teus testemunhos... Ilumina as Tua face sobre o Teu servo, e ensina-me os Teus estatutos... Errei como gado perdido; busca o Teu servo” (Sl. 119:16-17, 23, 65, 124-125, 135, 176).
No mesmo:
“Guarda a minha alma, porque eu sou santo; salva o Teu servo... porque confio em Ti;... alegra a alma do Teu servo, porque a Ti, Senhor, elevo a minha alma;... dá força ao Teu servo, e salva o filho de tua escrava” (Sl. 86:2, 4, 16).
(Além de outras passagens, como Sl. 27:9; 31:16; 35:27; 116:16 e Lc. 1:69). Como o Senhor quanto ao Divino Vero nas passagens citadas acima se entende por ‘David’, e visto que, assim, por ‘David’ se entende o Divino Vero, semelhantemente ao que é significado pelos ‘profetas’, por isso pelo ‘servo’ nessas passagens se entende, no sentido espiritual, o que serve. Quem não conhece o sentido espiritual da Palavra pode acreditar que não somente David mas também todas as demais pessoas de que se trata na Palavra chamaram-se ‘servos’ porque todos são servos de Deus, mas onde na Palavra se nomeiam ‘servos’ entendem-se no sentido espiritual os que servem e efetuam. Por essa razão, também Nabucodonosor, rei da Babilônia, foi chamado ‘servo de JEHOVAH’ (Jr. 25:9; 43:10). Em particular, porém, por ‘servo’ e ‘servos’ na Palavra se entendem aqueles que recebem o Divino Vero e os que o ensinam, porquanto o Divino Vero serve e por ele o Divino Bem efetua. Assim é que em várias passagens são mencionados ‘servos’ e, ao mesmo tempo, ‘ eleitos’; ‘servos’, os que recebem o Divino Vero e ensinam e ‘eleitos’ os recebem o Divino Bem e conduzem. Como em Isaías:
“Farei sair de Jacob uma Semente, e de Judah a herança de Meus montes, para que o possuam os Meus eleitos, e Meu servos habitem ali” (Is. 65:9);
no mesmo:
“Tu, ó Israel, Meu servo, e Jacob, a quem escolhi” (Is. 41:8);
no mesmo:
“Ouve, Jacob, Meu servo, [e] Israel a quem escolhi... não temas, Meu servo Jacob, e Jeshurum, a quem escolhi” (Is. 41:8).
(Que sejam chamados ‘eleitos’ os que estão na vida de caridade, vide nos n. 3755, ao fim, e 3900).
[7] Ora, visto que na Palavra mencionam-se ‘servos’ pelo servir e pelo efetuar, por conseguinte os que servem e efetuam, daí é que o homem natural é chamado ‘servo’, pois ele serve ao espiritual para efetuar o que este quer; e também é que o homem espiritual é chamado ‘livre’ e também ‘senhor’. É isto também que se entende por ‘servo’ e ‘senhor’ em Lucas:
“Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou terá ódio a um e amará ao outro, ou a um preferirá e ao outro desprezará. Não podeis servir a Deus e a mamon” (Lc. 16:13).
Isto não deve ser entendido a respeito dos servos no mundo (porque eles podem servir a dois senhores e, no entanto, não ter ódio nem desprezar a um deles), mas dos ‘servos’ no sentido espiritual, que são aqueles que querem amar ao Senhor e amar igualmente a si mesmos, e o céu e o mundo igualmente. Esses são como aqueles que querem olhar com um olho para cima e com o outro para baixo, ou com um olho para o céu e com o outro para o inferno, e assim penderem entre um e outro, quando, todavia, deve haver o predomínio dos amores, um mais que o outro; e onde houver o predomínio, aí haverá ódio e desprezo ao que se opõe e quando se opõe. ??? Com efeito, o amor de si e do mundo é oposto ao amor ao Senhor e ao amor para com o próximo. Assim é que aqueles que estão no amor celeste querem de preferência morrer ou serem privados de honrarias e recursos no mundo a serem por causa delas desviados do Senhor e do céu, pois consideram isto como tudo, por ser eterno, e aquilo como nada, por ter fim com a vida no mundo. O contrário, porém, ocorre com aqueles que amam a si mesmos e ao mundo acima de todas as coisas, desprezam relativamente o Senhor e o céu, e mesmo também os negam, e quando veem o oposto neles, têm-lhes ódio. Isto aparece manifestamente em todos os que são tais, na outra vida. Naqueles que amam o Senhor e o céu acima de todas as coisas o homem interno ou espiritual foi aberto, e a este o homem externo ou natural serve. Este, então, é servo porque serve, e aquele é senhor porque quer. Naqueles, porém, que amam a si mesmos e ao mundo acima de todas as coisas o homem interno ou espiritual foi fechado, e o homem externo ou natural aberto; e quando este é aberto e aquele fechado, então ama-se a um como senhor, a saber, a si e ao mundo, e tem-se ódio ao outro, a saber, o Senhor e o céu. A mesma coisa posso testificar pela experiência, pois todos os que viveram para si mesmos e para o mundo e não, como deve ser, para Deus e o céu, na outra vida têm ódio ao Senhor, pelo que se pode ver que é impossível servir a dois senhores. Que essas palavras do Senhor devam ser entendidas espiritualmente, é evidente pelas palavras do Senhor mesmo, pois disse: ‘não podeis servir a Deus e a mamon’.
[8] Em Mateus:
“Não está o discípulo acima do mestre, nem o servo acima do senhor; basta ao discípulo que seja como o seu mestre, e ao servo como o seu senhor” (Mt. 10:24, 26).
Num sentido universal por essas palavras se entende que o homem não deve se equiparar ao Senhor, e que basta-lhe que tudo o que é seu ele obtenha do Senhor, e então o discípulo é como o mestre e o servo como o Senhor, porque então o Senhor está nele e o faz querer o bem e pensar o vero. Diz-se ‘discípulo’ por causa do bem, e ‘servo’ por causa do vero. É semelhante num sentido singular, a saber, em todo homem que é conduzido pelo Senhor. Nele, o homem externo ou natural é ‘discípulo’ e ‘servo’, e o homem interno e espiritual é ‘mestre’ e ‘senhor’. Quando o homem externo ou natural serve ao interno ou espiritual obedecendo e efetuando, então ele também é ‘como o mestre’ e ‘como o senhor’, pois agem em comum, assim como se diz da causa principal e da instrumental, que agem como uma causa. Esse sentido singular coincide com o universal nisto, a saber, quando o homem espiritual e o homem natural agem como um, então o Senhor mesmo age, porque o homem espiritual não age por si, mas age unicamente pelo Senhor. Com efeito, quanto mais o homem espiritual foi aberto (pois este é aberto no céu), mais não age por si, mas pelo Senhor. Esse homem espiritual é homem espiritual no sentido próprio.
[9] Em João:
“Conhecereis a verdade; a verdade vos fará livres. Responderam” os judeus: “Somos semente de Abrahão, e nunca fomos servos de ninguém. Como dizes Tu que seremos feitos livres? Respondeu-lhes Jesus: Amém vos digo, que todo aquele que pratica pecado é servo do pecado; o servo não permanece na casa perpetuamente, [mas] o filho permanece perpetuamente. Se, pois, o Filho voz faz livres, verdadeiramente livres sereis” (Jo. 8:32, 36).
Por essas palavras se entende que livre é ser conduzido pelo Senhor, e servo é ser conduzido pelo inferno. Por ‘verdade’, que fará livre, se entende o Divino Vero que procede do Senhor, pois quem o recebe na doutrina e na vida é livre, porque se torna espiritual e é conduzido pelo Senhor, pelo que se diz também que ‘o filho permanece na casa perpetuamente; se o Filho vos fizer livres, verdadeiramente livres sereis’; pelo ‘Filho’ se entende o Senhor e também a verdade (vide acima, n. 63, 151 e 166); e ‘permanecer na casa’ é no céu. Que ser servo é ser conduzido pelo inferno, é ensinado por essas palavras: ‘todo aquele que pratica pecado é servo do pecado’; ‘pecado’ é o inferno, porque vem do inferno.
[10] Que receber o Divino Vero procedente do Senhor na doutrina e na vida seja ser livre, o Senhor também ensina em João:
“Vós sois Meus amigos se fizerdes tudo o que vos mando; não vos chamo mais servos, porque o servo não sabe o que o seu Senhor faz, chamo-vos antes amigos, porque todas as coisas que ouvi do Meu Pai vos fiz conhecidas. Não Me escolhestes vós, mas Eu vos escolhi, e vos designei para vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (Jo. 15:14-16);
aqui, por ‘amigos’ se entendem os livres, porque ‘amigos’ aqui estão em oposição a ‘servos’. Que aqueles que recebem do Senhor o Divino Vero na doutrina e na vida não sejam servos, mas amigos ou livres, ensina-se por estas palavras: ‘se fizerdes tudo o que vos mando; não vos chamo mais servos, mas amigos’, e também por estas: ‘todas as coisas que ouvi do Meu Pai voz fiz conhecidas, para que vades e deis frutos’; ‘mandar’ e ‘fazer conhecidas’ são da doutrina, e ‘dar frutos’ é da vida; que isto venha do Senhor, é ensinado assim: ‘não me escolhestes vós, Mas eu vos escolhi, e vos designei’. Quase a mesma coisa foi representada pelos servos hebreus que foram despedidos em liberdades no ano sétimo e no ano do jubileu (dos quais se trata em Ex. 21:2, 3; Lv. 25:39-41; Dt. 15:12 e seq.; Jr. 34:9 e seq. Sobre isso, porém, vide os Arcanos Celestes n. n. 8973- 9005). Pelas coisas que foram agora referidas pode-se ver que ‘servos’, na Palavra, se dizem dos que servem e efetuam, e que daí o homem natural se entende pelos ‘servo’, pois ele serve ao homem espiritual para efetuar o que este quer e pensa; também, vê-se que ‘livres’ se dizem dos que agem pelo amor do vero e bem, assim, dos que o fazem pelo Senhor, de quem procede o amor do vero e do bem. Além disso, pelos ‘servos’, na Palavra, também se entendem os que são conduzidos por se mesmos e pelo mundo, portanto, pelos males e falsos, consequentemente, os que o são pelo homem natural e não ao mesmo tempo pelo espiritual. Mas, sobre esses servos, dir-se-á em outra oportunidades, querendo o Senhor.
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