. “Esconderam-se nas cavernas e nas rochas dos montes” Que isto signifique os bens e veros destruídos pelos males da vida e pelos falsos daí, vê-se pela significação de ‘esconder-se’, que significa que estão perdidos, ou seja, os bens e veros internos e externas, ou que estão no homem natural e espiritual; esses bens e veros são dos pelos ‘reis da terra’, 'magnatas' 'ricos' 'quiliarcas' e 'poderosos' e por ‘todo servo e todo livre’, como foi mostrado acima; daí se segue que por eles ‘terem-se escondido’ é significado que foram perdidos. As coisas que foram perdidas também estão escondidas; pela significação de ‘cavernas’ que são os males da vida (de que se tratará a seguir); e pela significa de ‘rochas dos montes’, que são os falsos daí, porque as ‘rochas’ significam os veros da fé e, no sentido oposto, os falsos da fé, sendo aqui os falsos dos males, pois ‘montes’ significam os males que brotam dos amores de si e do mundo (como se mostrou logo acima, n. 405). A respeito, porém, da significação de ‘rochas’, ver-se-á no artigo logo seguinte.
[2] Tratar-se-á agora de ‘cavernas’. Foi dito acima que no mundo espiritual há montes, colinas, rochas, vales, terras, tal como em nossa terra, e que sobre tais lugares habitam os anjos e os espíritos, mas no mundo espiritual tais coisas têm outro aspecto. Sobre os montes ali habitam os que estão numa luz superior, abaixo no mesmo monte habitam os que estão numa luz menor, abaixo desses os que estão numa luz ainda menor e nos ínfimos habitam os que estão nas trevas e na escuridão em relação à luz que há para os superiores; por conseguinte, os céus estão na parte superior dos montes e os infernos estão nos ínfimos, portanto as expansões dos montes se sucedem assim, em estratos. A razão disso é que os inferiores são governados pelos superiores desde o Senhor, porque o Senhor influi imediatamente de Si em todas as coisas do mundo espiritual e mediatamente pelos céus superiores nos inferiores, e por estes, nos ínferos. Essa ordenação é a fim de que todos sejam mantido em conexão pelo influxo. Existe tal disposição coordenada e subordinada por todo o mundo espiritual. Nos infernos que estão sob os montes e nas rochas veem-se entradas na partes mais baixas ??? dos lados ou por cavernas dos vales. As entradas nas partas mais baixas dos lados aparecem como entradas de cavernas onde há feras, completamente escuras, que se abrem quando são introduzidos espíritos infernos e fechadas quando foram introduzidos. Essas entradas se chamam, na Palavra, ‘portas do inferno’. Nas rochas, porém, essas entradas aparecem como fendas no rochedo e, em alguns lugares, como buracos de várias aberturas. A escuridão nessas portas ou acessos se mostra como escuridão aos bons espíritos e aos anjos, mas como luminosidade para os maus espíritos. A razão disso é que não há luz do céu ali, mas um lume fátuo, que é o lume natural sem o espiritual. A luminosidade deles não é, porém, como a luminosidade do dia no mundo, mas como a noturna para os mochos, as toupeiras, as corujas e os morcegos, que nada veem na luz do dia e, assim, para eles a luz do dia é escuridão, mas as trevas da noite são lume. A visão deles é tal que foi formada pelos falsos e males, que em si são trevas e escuridão; por causa disso, também, as ‘trevas’ significam na Palavra os falsos de todo gênero, e a ‘escuridão’ significa os falsos do mal. Por aí se pode ver o que é significado ‘esconder-se nas cavernas’, nos males da vida, os bens com eles sendo perdidos. Que os males da vida sejam significados pelas ‘cavernas’ é pela mesma razão pela qual os ‘montes’ significam os bens da vida, ou seja, porque são tais os que se acham ali, porque o sentido espiritual se refere somente aos males ou bens abstratamente de lugares e pessoas, quais são neles e com eles, como também se disse alguma vezes anteriormente.
[3] Por aí se pode ver o que é significado na Palavra por ‘cavernas’, ‘tocas’, ‘grutas’, ‘buracos’, ‘fendas’ e ‘gretas’ de rochas e montes, nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Entra na rocha, esconde-te no pó, por causa do pavor de JEHOVAH e da glória de Sua magnificência... pois o dia de JEHOVAH Zebaoth [será] sobre todo magnifico e alto, e sobre todo elevado e abatido ???, e sobre todos os cedros do Líbano altos e elevados, e sobre todos os carvalhos de Basã, e sobre todos os montes altos, e sobre toda as colinas elevadas, e sobre todo excelsa, e sobre o muro fortificado, e sobre todos os navios de Tarshish, e sobre todas as imagens de desejo, para que seja abaixada a soberba do homem, e seja humilhada a altitude dos varões, e seja exaltado JEHOVAH somente naquele dia; e os ídolos irão na fumaça, e entrarão nas cavernas das rochas, e nas fendas do pó, por causa do pavor de JEHOVAH, e da glória de sua magnificência, quando Se levantar para assombrar a terra. Naquele dia o homem lançará de si os ídolos de prata e os ídolos de ouro, que fizeram para si para se curvarem às toupeiras e aos morcegos, para entrar nas fendas das rochas e nas rachaduras dos rochedos” (Is. 2:10-21).
Ninguém há de entender todas essas coisas senão pelo sentido interno, e a não ser que conheça que qualidade tem as aparências das coisas no mundo espiritual, pois quem há de saber, sem o sentido interno, o que é ‘pois o dia de JEHOVAH Zebaoth será sobre todos os cedros do Líbano e os carvalhos de Basã, sobre os montes e as colinas, sobre a torre e o muro, sobre os navios de Tarshish e as imagens de desejo’? E o que é ‘curvar-se às toupeiras e aos morcegos’? E, a menos que se conheça a aparência das coisas no mundo espiritual, quem há de saber o que é ‘entrarão na rocha, esconder-se-ão no pó’, ‘entrarão nas cavernas das rochas e nas fendas do pó’, e também ‘nas rachaduras das pedras e nas fendas dos rochedos’? Mas pelo sentido interno se sabe que por todas elas se descreve o estado daqueles que estão no amor de si e do mundo, e, assim, nos males e falsos no tempo do juízo final. Por isso se diz que ‘o dia de JEHOVAH será sobre todo magnífico e alto, e sobre todo elevado e abatido’; ‘dia de JEHOVAH’ é o juízo final; ‘todo magnífico e alto’ são os que estão no amor de si e do mundo; e ‘todo elevado e abatido’ são os que estão no amor da própria inteligência. Isto é descrito mais amplamente por ‘o dia de JEHOVAH Zebaoth [será] sobre todo magnifico e alto, e sobre todo elevado e abatido, e sobre todos os cedros do Líbano altos e elevados, e sobre todos os carvalhos de Basã, e sobre todos os montes altos, e sobre toda as colinas elevadas, e sobre todo excelsa, e sobre o muro fortificado, e sobre todos os navios de Tarshish, e sobre todas as imagens de desejo’; pelos ‘cedros do Líbano’ e pelos ‘carvalhos de Basã’ é significado o orgulho da própria inteligência, o orgulho interior pelos ‘cedros do Líbano’ e o exterior pelos ‘caralhos de Basã’; pelos ‘montes e ‘colinas’ são significados os amores de si e do mundo, e os males e falsos que brotam daí (como foi mostrado acima, n. 405); pela ‘torre’ e o ‘muro’ são significados os falsos da doutrina confirmados; por ‘navios de Tarshish’ e ‘imagens de desejo’ são significadas as cognições e percepções do falso proveniente do mal; o culto deles, procedente dos males e falsos, é significado pelos ‘ídolos que fizeram para si, para se curvarem às toupeiras e aos morcegos’; o culto por coisas tais que são da própria inteligência é significado pelos ‘ídolos que fizeram para si, para se curvarem’; os males e falsos da doutrina, dos quais há o culto, são significados por ‘toupeiras e morcegos’, porque a visão deles é nas trevas e fogem da luz; o juízo sobre eles é descrito por ‘entrarão nas cavernas da rochas e nas fendas do pó’, como também por ‘nas rachaduras das rochas e nas fendas dos rochedos’, e por ‘entrar nas cavernas das rochas e nas fendas do pó’ é significada a condenação daqueles que estão nos males e falsos pelos amores de si e do mundo, e pelo orgulho da própria inteligência, pois os infernos deles aparecem como cavernas nas rochas e as entradas para eles como rachaduras nas rochas e fendas nos rochedos; ‘rochas’ e ‘rochedos’ também significam os falsos da fé e da doutrina, e ‘pó’ significa o que é condenado.
[4] Em Jeremias:
“Teu terror te enganou, a soberba de teu coração, [tu] que habitas nos buracos das rochas, que ocupas a altura das colinas; si exaltares como a águia o teu ninho, dali te derrubarei’ (Jr. 49:16).
Essas palavras foram ditas a respeito de Esaú e Edom, e por ‘Esaú’ aqui é significado o amor de si e, daí, o mal que destrói a igreja, e por ‘Edom’ o orgulho da própria inteligência e, daí, o falso que destrói a igreja. Que se entendam o amor de si e esse orgulho, é evidente pelo fato de se dizer: ‘a soberba de teu coração te enganou;... se exaltares como a águia o teu ninho, dali te derrubarei’. Os que estão nos falsos da própria inteligência habitam embaixo nas rochas, e as entradas para eles aparecem como buracos ali, os quais também eu vi. Dentro, porém, há celas ocas e câmaras, onde eles se assentam, em suas fantasias. Mas antes de serem precipitados ali, eles aparecem acima, nos montes e colinas, pois se transportam às alturas pelas fantasias; e visto que não estão nos veros, acham que ali estão quanto ao corpo, quando todavia quanto ao corpo estão nas cavernas das rochas. Isto também é o que se entende por ‘que habitas nos buracos das rochas, que ocupas a altura das colinas’. Daí se vê como é a Palavra, ou seja, que muitas coisas há nas passagens segundo o aspecto e as aparências no mundo espiritual que são desconhecidas do homem, mas conhecidas pelos espíritos e anjos, pelo que é evidente que a Palavra foi escrita também para eles.
[5] Em Obadias:
“A soberba de teu coração te enganou, [tu] que habitas nas fendas da rocha, na altura de tua morada, que dizes em teu coração: Quem me derrubará em terra? Se te exaltares como a águia, e entre as estrelas puseres o teu ninho, dali te derrubarei” (Ob. 3, 4).
Estas também são a respeito de Edom, por quem é significado aqui o orgulho da erudição que vem da própria inteligência e, assim, o falso que destrói a igreja. Visto que aqui se dizem quase as mesmas coisas que foram citadas logo acima, também são significadas coisas semelhantes; pelas ‘rachaduras da rocha’ são significados os falsos da fé da doutrina, porquanto ali habitam os que estão nos falsos; são comparados às águias porque pela ‘águia’, de seu voo nas alturas, é significado o orgulho da própria inteligência; por isso também se diz ‘ninho por habitação’; ‘pô-lo entre as estrelas’ significa nas alturas onde habitam os que estão nas cognições do v erro, pois as ‘estrelas’ significam as cognições do vero. Em Jó:
“Para habitar na fenda dos vales, nos buracos da terra e da rocha” (Jó 30:6);
também aqui, por ‘fendas dos vales’, ‘buracos da terra’ e ‘rochas’ são significados os falsos do mal, porque aí se trata dos falsos dos mal.
[6] Em Isaías:
“Acontecerá naquele dia que JEHOVAH assobiará às moscas que estão na extremidades dos rios do Egito, e às abelhas que estão na terra da Assíria, e elas virão e pousarão todas nos rios das desolações e nas fendas das rochas, e em todas as moitas e em todos os cursos [de água]” (Is. 7:18, 19).
É descrita assim a igreja devastada pelos conhecimentos falsamente aplicados e pelos raciocínios daí, pelos quais as próprias cognições do vero provenientes da Palavra são pervertidos. ‘Moscas na extremidade dos rios do Egito’ significa o falso nos extremos do homem natural. Os extremos do homem natural são os que se chamam sensuais, pois há o homem natural interior, o médio e o exterior; o interior se comunica com o homem espiritual pelo racional, mas o exterior com o mundo pelos sentidos do corpo, e o médio conjunta um e outro. É o exterior que se chama sensual, porque depende dos sentidos do corpo e daí tira o que é seu; os falsos aí e vindos daí são significados pelas ‘moscas na extremidade dos rios do Egito’, mas pela ‘abelha na terra da Assíria’ são significados os falsos raciocínios daí, porque a ‘Assíria’ significa o racional, e o ‘Egito’ o conhecimento do homem natural. e como o racional tira do que é seu dos conhecimentos do homem natural, daí os seus raciocínios são significados pelas ‘abelhas’, porque as abelhas sugam e tiram das flores o que é seu, assim como o racional o faz dos conhecimentos natural do homem. Aqui, porém, pelas ‘abelhas’ são significados os raciocínios falsos, porque o racional ajunta o que é seu dos conhecimentos falsamente aplicados. Que estas coisas sejam assemelhadas às moscas e abelhas vem também das correspondências, porque no mundo espiritual aparecem vários gêneros de seres voadores, mas são aparências oriundas das ideias dos pensamentos dos espíritos, e os voadores nocivos entre eles são de tal gênero de moscas e abelhas. As ‘moscas na extremidade dos rios do Egito’ tiram a correspondência do fato de nascerem do fedor dos rios. Diz-se que ‘virão e pousarão nos rios das desolações e nas fendas das rochas’ e isso significa que os falsos dos conhecimentos e, daí, dos raciocínios, residem onde não há quaisquer veros e onde há a fé do falso; ‘rios das desolações’ são onde não há veros, e ‘fendas das rochas’ onde há a fé do falso; ‘em todas as moitas e em todos os cursos [de água]’ significa que por elas são falsificadas as cognições e as percepções do vero; ‘espinheiros’ são as cognições do vero, e os ‘cursos’ são as percepções, que são falsificadas pelos falsos acima mencionados quando influem. Que haja esses arcanos insertos nessas palavras ninguém pode saber nem ver, a não ser pelo sentido interno e, ao mesmo tempo, pelo mundo espiritual.
[7] No mesmo:
“O palácio ficará deserto, a multidão da cidade abandonada; a encosta e o miradouro estarão sobre as cavernas eternamente, para alegria dos jumentos selvagens e para pastos dos rebanhos” (Is. 32:14);
por essas palavras se descreve a devastação total da igreja, onde não há mais qualquer bem da vida nem vero da doutrina. Todavia, ninguém pode saber que elas envolvem a menos que conheça o estado das coisas no mundo espiritual e, ao mesmo tempo, o sentido interno. A devastação de toda a igreja se entende por ‘o palácio ficará deserto, a multidão da cidade abandonada’; ‘palácio’ significa toda a igreja quanto aos veros do bem, e ‘deserto’ significa não haver bem por não haver vero; assim, ‘o palácio ficará deserto’ significa a igreja devastada; ‘multidão da cidade’ significa todos os veros da doutrina, pois ‘cidade’ é a igreja, e ‘multidão’ se dos veros, que se dizem ‘abandonados’ quando não existem. ‘A encosta e o lugar de vigia estarão sobre as cavernas eternamente’ significa que a igreja não mais existirá com eles, porque nada há senão o mal da ida pelo falso da doutrina. ‘Cavernas’ significam tais coisas porque os que são tais habitam em cavernas, como se disse acima, e porque esses no mundo espiritual habitam nas profundezas e são cobertos em cima pelas encostas e pelos miradouros, por conseguinte ocultos daqueles que moram sobre as terras, pelo que não somente se diz que ‘a encosta e o miradouro estarão sobre as cavernas’, mas também que serão ‘para alegria dos jumentos selvagens e para pastos dos rebanhos’. Naquele mundo há também muitos infernos nas profundezas, inteiramente ocultos por terras, rochas e colinas por cima deles, ou por encostas e miradouros, onde há grama como pasto para rebanhos, do que sucede que são desconhecidos dos que habitam sobre a terra ali. ‘Alegria para os jumentos selvagens’ também significa a afeição ou o amor dos falsos, e ‘pastos dos rebanhos’ o alimento do mal proveniente do falso, e ambos significam a devastação do vero pelos falsos. Por aí se pode ver que arcanos se encerra nessas palavras.
[8] Em Jeremias:
“Porventura tornou-se uma caverna de ladrões esta casa sobre a qual é nomeado o Meu nome?” (Jr. 7:11);
por ‘caverna de ladrões’ é significado o mal da vida pelos falsos da doutrina, e pela ‘casa sobre a qual é nomeado o Meu nome’ é significada a igreja onde há o culto oriundo dos bens da vida pelos veros da doutrina; ‘casa’ é a igreja, e o ‘nome de JEHOVAH’ é tudo aquilo pelo qual é cultuado, assim, o bem e o vero, este da doutrina e aquele da vida. Que a igreja onde há o mal da vida pelos falsos da doutrina se chama ‘caverna de ladrões’ é porque ‘caverna’ significa isso, e ‘ladrões’ se dizem dos que furtam os veros da Palavra e os pervertem e aplicam aos falsos e males, extinguindo assim os veros. Por aí é evidente o que se entende pela palavras do Senhor nos Evangelistas:
“Está escrito que Minha casa será chamada casa de orações, mas vós a tornaste caverna de ladrões” (Mt. 21:13; Mc. 11:17; Lc. 19:46);
aí, pela ‘casa’, no sentido universal, é significada a igreja; e como o culto era oficiado no templo de Jerusalém, por isso foi chamado ‘casa de orações’. (Que o ‘templo’ signifique a igreja, vide n. 3720; que as ‘preces’ signifiquem o culto, acima, n. 325; que ‘ser chamada’ signifique o mesmo que acima onde se disse ‘nomear sobre ela o Meu nome’, nos Arcanos Celestes, n. 3421).
[9] Em Isaías:
“A [criança] que mama brincará sobre o buraco da víbora, e sobre a caverna do basilisco a desmamada meterá a sua mão” (Is. 11:8).
Essas palavras não são entendidas a não ser que, pelas coisas que aparecem no mundo espiritual, se saiba o que é ‘buraco da víbora’ e o que é ‘caverna do basilisco’. Acima se disse que as entradas para os infernos aparecem como buracos nas rochas e como aberturas que dão para cavernas como são as das feras nas florestas. Os que se acham ali, quando vistos à luz do céu, aparecem como monstros de vários gêneros e também como feras. Os que nos infernos são tais que agem dolosamente contra a inocência aparecem como víboras, e os que agem contra o bem do amor, como basilisco; e visto que ‘a que mama’ ou a criança lactente significa o bem da inocência, por isso se diz: ‘a que mama brincará sobre o buraco da víbora’; e como a ‘desmamada’ ou a criança que deixa de mamar significa o bem do amor, por isso se diz: ‘e sobre a caverna do basilisco a desmamada meterá a sua mão’. Assim, por essas palavras é significado que aqueles que estão no bem da inocência e no bem do amor ao Senhor não têm absolutamente temor algum dos males e falsos que vêm do inferno, porque são protegidos pelo Senhor. (Que pelas ‘crianças’ na Palavra seja significado o bem da inocência e também pelas ‘lactentes’, vê-se nos n. 430 e 3183; o que significam a ‘víbora’ e outras serpentes venenosas, n. 9013).
[10] Em Jeremias:
“Toma o cinto que compraste para ti, que há sobre os teus lombos, e levanta-te, e vai para o Eufrates, e esconde-o num buraco da rocha”, o que ele assim fez; e após o fim de muitos dias foi e o tomou dali, “e eis que estava corrompido, e não prestava para coisa alguma” (Jr. 13:4-7).
Por essas palavras era representada a qualidade da Igreja Judaica, ou seja, que estava desprovida de todo bem da vida e do vero da doutrina, porque o ‘cinto’ sobre os lombos do profeta significava a conjunção do Senhor com a igreja pela Palavra; pelos ‘Eufrates’ é significado tudo da igreja quanto ao bem, sendo aqui quanto ao mal; e pela ‘rocha’ o todo da igreja quanto ao vero, aqui quanto ao falso, pois se diz: ‘buraco da rocha’. Que o ‘cinto estivesse corrompido e não prestasse para coisas alguma’ significava que não havia absolutamente conjunção alguma da igreja com o Senhor, por conseguinte, que não havia igreja.
[11] Nas partes históricas da Palavra pela ‘caverna’ é significada coisa semelhante ao que é significada por ela nas partes proféticas da Palavra, pois as partes históricas da Palavra têm um sentido interno, semelhantemente à partes proféticas da Palavra. Por exemplo, o que relatado a respeito de Loth, que, após o incêndio de Sodoma e Gomorra,
Habitou num caverna do montes com suas duas filhas, que o embriagaram e se deitaram com ele, donde nasceram Moab e Amon (Gn. 19:30-33);
por essas coisas é representado e significado o mesmo que por Moab e Amon na Palavra, porque por ‘Moab’ é significada a adulteração do bem da igreja, e por ‘Amon’ a falsificação do vero da igreja (vide n. 2468 e 8315). De fato, pelos ‘adultérios’ e pelas ‘escortações’ são significadas em geral as adulterações do bem e as falsificações do vero (vide acima, n. 141 e 161); e pelos vários gêneros de adultérios e de escortações (que são enumerados em Lv. 18:6-30) são significados os vário gêneros de adulterações e de falsificações do bem e do vero. Daí é que se diz que Loth então morava numa caverna. Esse mal é ai significado pela ‘caverna do monte’. No Livro dos Juízes se diz
Que os filhos de Israel fizeram o que é mau aos olhos de JEHOVAH, e por isso foram dados na mão dos midianitas, e por causa disso dos midianitas eles fizeram para si cavernas nos montes, e antros e fortalezas (Jz. 6:1, 2)
pelo ‘que é mau’ que os filhos de Israel fizeram se entende a perversão do bem e do vero, como se pode ver pela sequencia ali e também pela significação de ‘midianitas’ (vide n. 3242), cuja presença levou os israelitas a fazerem para si cavernas nos montes e antros, porque dos filhos de Israel estavam tomados pelo mal que era significado por ‘Midiã, e ‘por causa de Midiã’ significa por causa daquele mal. Aconteceu de modo semelhante quando os filhos de Israel fugiram por causa dos filisteus (I Sm. 13:6).
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