. (Vers. 16) “E diziam aos montes e às rochas: Caí sobre nós”. Que isto signifique a ocultação dos males e dos falsos daí vê-se pela significação de ‘montes’, que são os males que brotam dos amores de si e do mundo (de que se tratou acima, n. 450), e pela significação de ‘rochas’, que são os falsos provenientes do mal (de que se tratará abaixo) e pela significação de ‘cair sobre nós’, que é ocultar-se deles. Também estas coisas devem ser ilustradas pelas tais que existem no mundo espiritual quando ocorre o juízo final, pois elas foram proferidas a respeito do juízo final, como é evidente pelo versículo seguinte, onde se diz: ‘Porque veio o grande dia de Sua ira, e quem pode subsistir?’, dia pelo qual se entende o tempo e o estado do juízo final. O estado dos ímpios então é tal que dos montes e das rochas, sobre os quais tinham feito suas habitações, se precipitam nos infernos profundamente segundo a atrocidade dos males e dos falsos neles, e isto fazem porque não suportam o Divino Bem e o Divino Vero. Abrem-se então os céus superiores, dos quais influi a luz do céu, que é o Divino Vero unido ao Divino Bem; por essa luz são reprimidos os bens e veros simulados que há neles e, sendo estes reprimidos, abrem-se os seus males e falsos. E visto que estes males e falsos não podem suportar a luz do céu, pois são oprimidos e torturados por causa dela, por isso se lançam dos montes e das rochas profundamente nos infernos segundo a natureza do mal e de seu falso, alguns nas aberturas e nas cavernas, outros nos buracos e rochas, que então se apresentam abertos diante deles; e após se precipitarem ali, as aberturas se fecham. Desse modo se faz a expulsão dos maus espíritos dos montes e colinas que tinham ocupado (vide acima, n. 391, 392 e 394). Quando se acham nas cavernas e nas rochas, então cessam a opressão e o tormento que sofreram com o influxo da luz do céu, pois têm sossego nos seus males e nos falsos daí, porque essas coisas lhes foram prazerosas. Com efeito, os prazeres da vida de cada um permanecem após a morte. Os prazeres da vida são os prazeres de seus amores, pois todo prazer da vida é do amor.
[2] Daí se pode ver o que é significado por ‘dizerem aos montes e às rochas que caiam sobre eles’, semelhantemente ao que é significado em Oséias:
“Dirão aos montes: Cobri-nos! e às colinas: Caí sobre nós!” (Os. 10:8),
e em Lucas:
“Então começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! e às colinas: Ocultai-nos!” (Lc. 23:30),
onde também se trata do juízo final. A luz do céu, que é o Divino Bem unido ao Divino Vero, por cujo influxo e presença se sentiram oprimidos e atormentados os maus que se precipitaram, entende-se pelas palavras logo seguintes nesse versículo: ‘Escondei-nos da face d’Aquele que está sentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro’. Diz-se ‘ira do Cordeiro’ porque são atormentados, mas o tormento deles não vem daí, mas dos males dos seus amores e dos falsos de sua fé. Visto que estas coisas formaram todos os interiores de suas mentes, porquanto a mente de cada um é formada por seu amor e pela fé daí até que seja sua imagem na forma, e visto que os interiores da mente dos que estão nos males e nos falsos daí são voltados para a parte contrária ou para a região oposta aos bens e veros Divinos, por isso, quando o Divino Vero influi e esforça para retroagir os interiores que são de sua mente e, por esse modo, conduzi-los ao céu – pois isto o Divino Vero procedente do Senhor faz em toda parte onde influi – e eles não querem se afastar do prazer de seus amores, daí eles têm opressão e tormento, os quais cessam quando vão aos infernos onde reinam semelhantes prazeres ou semelhantes amores.
[3] Uma vez que foi mostrado acima (n. 405) o que os ‘montes’ e as ‘colinas’ significam, por isso na sequencia se mostrará o que significam as ‘rochas’, a saber, significam o vero proveniente do bem espiritual e o vero e o bem da fé, mas, no sentido oposto, o falso da fé. Que as ‘rochas’ signifiquem isso, vem também das aparências no mundo espiritual, pois ali aparecem rochas e rochedos, assim como aparecem montes e colinas, como acima se mostrou, e sobre as rochas ali habitam os que estão nos veros do bem espiritual e os que estão no vero e bem da fé. Mas os montes e as colinas diferem das rochas e dos rochedos no fato de que os montes e as colinas são formados do humo, enquanto as rochas e os rochedos são formados da pedra. O humo corresponde ao bem do amor e significa isso, mas a pedra corresponde ao vero da fé e, assim, significa isso. E como a maioria das coisas na Palavra também tem um sentido oposto, assim também as ‘rochas’, e nesse sentido significam o falso da fé, e isto também pela correspondência, pois os que estão nos falsos da fé habitam dentro das rochas, em cavernas ali.
[4] Que a ‘rocha’ signifique o vero do bem e o vero da fé, e, no sentido supremo, o Senhor quanto a ambos, vê-se pelas seguintes passagens. Em Daniel:
“Estive vendo até que a pedra foi cortada, não por mãos, e feriu a estátua sobre os seus pés, que era de ferro e barro;... e a pedra que feriu a estátua se tornou uma grande pedra, encheu toda a terra” (Dn. 2:34, 35),
palavras estas que se referem à estátua visto em sonho por Nabucodonosor. Que pela ‘pedra’, que ‘tornou-se uma grande pedra’ se entenda o Senhor, é evidente por cada uma das coisas ali. Mas dir-se-á primeiro o que significam as coisas precedentes aí. Pela ‘cabeça da estátua’, que era de ouro, é significada a Igreja Antiquíssima, que foi uma igreja celeste, ou uma igreja em que reinava o bem do amor ao Senhor; esse bem na Palavra é significado pelo ‘ouro’ e também pela cabeça. O ‘peito’ e os ‘braços’, que eram de prata, significam a Igreja Antiga, que sucedeu à Antiquíssima e que foi uma igreja espiritual ou uma igreja em reinava o bem da caridade para com o próximo e o vero do bem; esse vero e esse bem é significado pela ‘prata’ e também pelo ‘peito’ e pelos ‘braços’. O ‘ventre’ e as ‘coxas’, que eram de bronze, significam a Igreja que sucedeu à Igreja Antiga espiritual e pode ser chamada de espiritual natural; nela reinava o bem da fé o vero desse bem; esse bem é significado na Palavra pelo ‘bronze’ e também pelo ‘ventre’ e pelas ‘coxas’. Mas pelas ‘pernas’ e pelos ‘pés’, que eram ‘em parte de ferro e em parte de barro’ é significada a Igreja Israelita e Judaica, que era uma igreja externa em que não havia o interno, que, por isso, não tinha vero nem bem, mas um vero falsificado que em si é o falso, e um bem adulterado que em si é o mal, pelo que dela se diz nesse capítulo
“O que viste de ferro misturado com barro do lodo, misturar-se-ão pela semente de homem, mas não se ligarão um ao outro, do mesmo modo que o ferro não liga ao barro” (Dn. 2:43).
O ‘ferro’ significa o vero natural, e o ‘barro do lodo’ significa o bem natural, semelhantemente aos ‘pés’ e às ‘pernas’. O ‘barro’, porém, significa aí o bem adulterado, e o ‘ferro’ significa o vero tal como é no sentido externo da Palavra, pois a ‘semente de homem’ é a Palavra onde há os veros e bens, cujas adulterações e falsificações são descritas pelo ‘ferro misturado ao barro, que não se ligarão um ao outro’. (Que tenham existido quatro igrejas, uma após a outro, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 247 e 248). Pela ‘Pedra’ que feriu a estátua se entende o Divino Vero procedente do Senhor; ‘ela se tornou uma grande Pedra e encheu toda a terra’ significa que o Senhor, pelo Divino Vero, dominará sobre o céu e a igreja; a ‘terra’ aí é a igreja e também o céu. Por isso também se diz que esse reino ‘subsistirá eternamente’ (vers. 44). Pelo ‘reino’ são também significados a igreja e o céu, pois aí está o reino de Deus. Que pela ‘Pedra’ aí se entenda o Divino Vero e pela ‘Rocha’ o Senhor quanto ao Divino Vero, vê-se pela significação de ‘Pedra’ na Palavra, onde se trata do Senhor (como em Gn. 49:24; Sl. 118:22, 23; Is. 28:16; Mt. 21:42, 44; Mc. 12:10, 11; Lc. 20:17, 18). Dá no mesmo dizer Senhor ou Divino Vero, porque todo Divino Vero cem d’Ele e, daí, Ele está no Divino Vero; por isso também é que o Senhor é chamado ‘Palavra’, pois a Palavra é o Divino Vero. (Que a ‘pedra’ no sentido supremo signifique o Senhor quanto ao Divino Vero e, daí, no sentido inferior, o vero do bem, vê-se nos n. 643, 1298, 3720, 6426, 8609 e 10376).
[5] Que a ‘rocha’ signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, vê-se
Pela rocha em Horebe, da qual se deram as águas ao povo de Israel (Êx. 17:5, 6);
e por ter sido mandado
Que Moisés e Arão falassem à rocha, e assim santificassem a JEHOVAH aos olhos dos filhos de Israel, mas Moisés a feriu duas vezes com o cajado, pelo que foi declarado a Moisés e a Arão que eles não conduziriam o povo à terra de Canaan (Nm. 20:8-13).
Que essa ‘rocha’ tenha significado o Senhor é notório na igreja, mas não é notório que ela por isso tenha significação, porque ‘rocha’ na Palavra significa o Divino Vero procedente do Senhor, pelo que também foi mandado a Moisés e Aarão que falassem a ela, e assim santificassem a JEHOVAH aos olhos dos filhos de Israel. Também pelas ‘águas’ que fluíram é significado o Divino Vero, e por ‘dá-las de beber ao povo’ é significado nutrir espiritualmente, o que se faz instruindo e ensinando. (Que as ‘águas’ signifiquem os veros, vê-se acima, n. 71; e que ‘beber’ e ‘tomar a beber’ signifiquem ser instruído e ser ensinado, nos Arcanos Celestes, n. 3069, 3772, 4017, 4018, 8562 e 9412). Por conseguinte, o mesmo é significado pela ‘rocha’ em Isaías:
“Não terão sede; nos lugares desolados os conduzirá; águas da rocha fará fluir para eles, quando fender a rocha, para que as água fluam” (Is. 48:21);
em David:
“Fendeu as rochas no deserto, e dos grandes abismos deu de beber, e da rocha tirou fontes;... e lembraram-se que Deus era a Sua Rocha, e Deus excelso o seu Redentor” (Sl. 78:15-16, 20, 35).
no mesmo:
“Abriu a rocha para que as águas fluíssem; elas correram por lugares áridos, como rios” (Sl. 105:41);
no mesmo:
“Diante do Senhor, pare75, ó terra; diante do Deus de Jacob, que converte a rocha em lago de águas, a penha em manancial” (Sl. 114:7, 8);
que a ‘rocha’ nesses passagens signifique o Senhor quanto ao Divino Vero, ou, o que é o mesmo, o Divino Vero procedente do Senhor, é evidente pelo que se disse acima e, também, pelo fato de que nessas passagens a respeito de David trata-se da redenção e da regeneração dos homens da igreja, o que se faz pelo Divino Vero procedente do Senhor; da redenção, por estas palavras: ‘lembraram-se que Deus era a Sua Rocha, e Deus excelso o seu Redentor’; da regeneração, por estas: ‘diante do Senhor, pare, ó terra’; ‘parir’, quando se diz da igreja, significa ser reformado e ser regenerado.
[6] Em Isaías:
“Ouvi-Me, vós os que seguis a justiça, os que buscam a JEHOVAH; olhai para a Rocha da qual fostes cortados, e para a escavação do fosso de que fostes cavados” (Is. 51:1);
pela ‘Rocha’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero, pelo ‘fosso’ é significada a Palavra, como também em outra passagem; ‘cortados da Rocha’ e ‘cavados do fosso’ significa ser regenerado pelos Divinos veros e pelos Divinos bens, assim, pelos veros do bem provenientes do Senhor, pois ‘as pedras que são cortadas da Rocha’ significam os veros provenientes do Senhor, e ‘o barro que foi cavado do fosso’ significa o bem proveniente do Senhor, pelo que se diz: ‘cavados do fosso’.
[7] Em Moisés:
“Dai grandeza ao nosso Deus, a Rocha, cuja obra é perfeita e todos os Seus caminhos são juízo. ... Ele o fez cavalgar sobre os lugares altos da terra, e dá a comer do produto dos campos; fez que sugasse mel do rochedo, e óleo do seixo de rocha. ... A Rocha que te gerou puseste em esquecimento, e foi esquecido o Deus teu Formador;... Não é porque a Rocha deles os vendeu, e JEHOVAH os fechou? Pois a rocha deles não como a nossa Rocha, nem são os nossos inimigos juízes” (Dt. 32:3-4, 13, 18, 30-31).
Essas palavras foram ditas a respeito da Igreja Antiga, que foi uma igreja em que havia os veros do bem, pelo que os veros do bem são descritos por várias coisa que são correspondentes, como, por exemplo, que ‘o fez cavalgar sobre os lugares altos da terra’, ‘dá a comer do produto dos campos’, ‘fez que sugasse mel do rochedo e óleo do seixo da rocha. A inteligência espiritual daquela igreja é significada por ‘fazê-lo cavalgar sobre os lugares altos da terra’; ‘cavalgar’ significa entender, os ‘lugares altos da terra’ são as coisas espirituais da igreja. a nutrição espiritual daí é significada por ‘deu-lhe a comer do produto dos campos’; ‘dar a comer’ é nutrir, e ‘produto dos campos’ são todas as coisas da igreja. Que eles tenham tido o bem natural e o bem espiritual pelo Divino Vero proveniente do Senhor, é significado por ‘fez que ele sugasse mel do rochedo, e óleo do seixo de rocha’; ‘mel’ é o bem natural, ‘óleo’ é o bem espiritual, ‘rochedo’ é o Divino Vero externo proveniente do Senhor, que é para o homem natural, e ‘seixo da rocha’ é o Divino Vero interno proveniente do Senhor, que é para o homem espiritual. Trata-se ali, depois, da Igreja Judaica, que não estava dm Divino Vero algum, da qual se disse: ‘a Rocha que te gerou puseste em esquecimento, e foi esquecido o Deus teu Formador’, pelo que é significado que rejeitariam o Senhor e, assim, o Divino Vero pelo qual a igreja é reformada; ‘Rocha’ é o Senhor quanto ao Divino Vero, e a reforma pelo Divino Vero a partir d’Ele é significada por ‘que te gerou’ e por ‘Deus Formador’. Que eles seria completamente privados do vero e do bem é significado por ‘a Rocha deles os vendeu, e JEHOVAH os fechou’; diz-se ‘Rocha’ por causa do vero, e ‘JEHOVAH’ por causa do bem; ‘vender’ e ‘fechar’ é ser privado. Que eles teriam o falso do mal é significado por ‘a rocha deles não como a nossa Rocha, nem são os nossos adversários juízes’; a ‘rocha deles’ é o falso, ‘nossos adversários’ são os males, ‘não serem juízes’ significa não serem veros nem bens. Por aí se pode ver que a ‘rocha’ significa o Senhor quanto ao Divino Vero e, no sentido oposto, o falso.
[8] No Segundo Livro de Samuel:
“O espírito de JEHOVAH falou em mim, e sua fala estava sobre a minha língua. Disse o Deus de Israel, [a mim] falou a Rocha de Israel, o que domina no homem justo, o que domina no temor de Deus” (II Sm, 23:2, 3);
aqui a ‘rocha’ está claramente em lugar do Senhor, pois pelo ‘Deus de Israel’ na Palavra se entende o Senhor, pelo que se diz: ‘o espírito de JEHOVAH falou em mim, e Sua fala estava sobre a minha língua’ e também: ‘disse o Deus de Israel, a mim falou a Rocha de Israel’; ‘espírito de JEHOVAH’ e ‘Sua fala’ significa o Divino Vero, e o Senhor é chamado ‘Deus de Israel’ por causa do culto, e ‘Rocha de Israel’ por causa do Divino Vero de que se origina o culto, porque se entende o Senhor, pelo que se diz que ‘a Rocha de Israel’ falou. O Seu domínio sobre os que estão no bem e os que estão no vero é significado por ‘o que domina sobre o homem justo, o que domina sobre aquele em quem há o temor de Deus’; diz-se ‘justo’ por causa do bem, e ‘temor de Deus’ por causa do vero, pois nesse salmo de David se trata do Senhor, pelo que também é evidente que é o Senhor que Se entende pelo ‘Deus de Israel’ e pela ‘Rocha de Israel’.
[9] Em David:
“Quisera76 que Meu povo Me obedecesse, que Israel andasse em Meus caminhos; Eu lhe daria a comer a gordura do trigo, e com mel da rocha os saciaria” (Sl. 81:13, 16);
também aqui, pela ‘rocha’ se entende o Senhor quanto Divino Vero (vide acima, n. 374, onde essas palavras são explicadas. No mesmo:
“Quem é Deus além de JEHOVAH, ou quem é a Rocha senão o meu Deus?... JEHOVAH vivo, e bendita seja minha Rocha, e exaltado seja o Deus de minha salvação’ (Sl. 18:2, 31, 46; II Sm. 22:2-3, 32, 47).
Diz-se ‘Quem é Deus além de JEHOVAH, ou quem é a Rocha senão o nosso Deus?’ porque onde se trata do Divino Bem o Senhor é chamado ‘JEHOVAH’, e onde se trata do Divino Vero, ‘Deus’ e também ‘Rocha’, como aqui, como em seguida: ‘JEHOVAH vivo’ e ‘bendita seja a minha Rocha’. ‘Exaltado seja o Deus de minha salvação’ significa que Ele deve ser cultuado pelos veros provenientes do bem, de onde vem a salvação; ‘ser exaltado’, quando se trata de Deus, se diz a respeito do culto oriundo do bem por meio dos veros.
[10] No mesmo:
“Sejam por beneplácito as falas de minha boca e a meditação do meu coração diante de Ti, JEHOVAH, minha Rocha e meu Redentor” (Sl. 19:14);
por ‘JEHOVAH, a Rocha’ é significado o mesmo que por ‘ JEHOVAH Deus’, a saber, o Senhor quanto ao Divino Bem e ao Divino Vero, e ‘Redentor’ pela regeneração, que se faz pelo Divino Vero; as ‘falas da boca’ significam o entendimento do vero, e a ‘meditação do coração’, a percepção do bem. No mesmo:
“Digo a Deus, minha Rocha: Por que me esqueceste?” (Sl. 42:9);
por ‘Deus, a Rocha’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero, aí, o que protege. No mesmo:
“A Ti clamo, ó JEHOVAH, minha Rocha. Não Te cales quanto a mim, nem talvez fiques silente quanto a mim” (Sl. 28:1)
aqui também se diz ‘JEHOVAH’ e “Rocha’, porque por ‘JEHOVAH’ se entende o Senhor quanto ao Divino Bem, e por ‘Rocha’ o Senhor quanto ao Divino Vero; e como se entendem ambos, por isso também se diz: ‘não Te cales quanto a mim, nem talvez fiques silente quanto a mim’, porque um se refere ao Divino Bem e o outro ao Divino Vero, pois na Palavra há um celeste cedeste em cada coisa sua, o qual é casamento do bem e do vero.
Em Habacuque:
“JEHOVAH, para juízo o puseste, e [Tu], Rocha, para correção o estabeleceste” (Hb. 1:12);
em Isaías:
“Confiai em JEHOVAH eternamente, porque in Jah JEHOVAH está a Rocha de eternidade” (Is. 26:4);
no mesmo:
“Um cântico haverá para vós, como na noite de santificar a festa, e alegria de coração como o que caminha com flauta para vir ao monte de JEHOVAH, à Rocha de Israel” (Is. 30:29);
no mesmo:
“Porventura há Deus além de Mim? Não há Rocha, não conheço” (Is. 44:8);
em David:
“Jubilemo-nos com a Rocha de nossa salvação, entremos diante de Sua face com confissão” (Sl. 95:1, 2);
no Primeiro Livro de Samuel:
‘Não há santo como JEHOVAH... e não há Rocha como o nosso Deus” (I Sm. 2:2);
em David:
“Reto é JEHOVAH, a Rocha” (Sl. 92:15);
no mesmo:
“Ele Me invocará, meu Pai és Tu; Deus meu, Rocha de minha salvação; também Eu O porei por primogênito, maus alto que os reis da terra” (Sl. 89:26, 27).
[11] Nessas passagens, pela ‘Rocha’ se entende o Divino Vero proveniente do Senhor e o Senhor mesmo. Além disso, também outras passagens, como nos Evangelistas:
“Todo aquele que ouve Minhas palavras e as pratica, compará-lo-ei ao varão prudente, que edifica a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e vieram os rios, e sopraram os ventos, e irromperam contra aquela casa, mas não caiu, porque estava sobre a rocha” (Mt. 7:24-25; Lc. 6:48).
pela ‘casa fundada na rocha’ se entende a igreja e o homem da igreja que fundou a sua doutrina e vida no Divino Vero que vem do Senhor, assim, nas coisas que estão na Palavra e, por conseguinte, o homem que está nos veros e bens proveniente do Senhor. Diz-se o que está nos veros do bem porque o Divino Vero não é recebido por outro senão o que está no bem. Estar no bem é estar no bem da vida, que é a caridade, pelo que se diz: ‘quem ouve as Minhas palavras e as pratica’; ‘praticar as palavras’ do Senhor é o bem da vida, pois o vero, quando o homem o pratica, torna-se bem, porque entra na vontade e no amor, e o se torna da vontade e do amor é chamado bem. As tentações em que o homem da igreja não sucumbe, mas vence, são significadas por ‘desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e irromperam contra a casa, mas não caiu, porque estava fundada na rocha’, pois na Palavra pelas ‘inundações de águas’ e ‘chuvas’ são significadas as tentações, e também pelas ‘tempestades de vendo’. Decerto é uma comparação, mas saiba-se que todas as comparações na Palavra veem igualmente das correspondências, do mesmo modo que as coisas que não são mencionadas comparativamente (vide acima, n. 69, e nos Arcanos Celestes, n. 3579 e 8989). Por aí é agora claramente evidente que ‘rocha’ na Palavra significa o Senhor quanto ao Divino Vero ou o Divino Vero proveniente do Senhor.
[12] Daí se pode ver o que é significado pelas palavras do Senhor a Pedro, em Mateus:
Jesus disse aos discípulos: ‘Mas vós, quem dizeis que Eu sou? Respondeu Simão Pedro: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivente. Respondendo Jesus, disse-lhe: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não te revelou a carne e o sangue, mas Meu Pai que está nos céus. Eu ti digo: Tu és Pedro, e sobre esta rocha [petra] edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves do reino dos céu, e tudo o que tiveres ligado na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt. 16:15-19);
por ‘Pedro’ aqui não se entende Pedro, mas entende-se o Divino Vero proveniente do Senhor (como nas passagens citadas acima), pois todos os discípulos do Senhor juntos representavam a igreja, e cada uma deles algo da igreja: Pedro, o vero da igreja, Tiago, o seu bem e João o bem na ação ou a obra. Os demais discípulos representavam os veros e bens que são derivados desses, exatamente como as doze tribos de Israel. Que seja assim, ver-se-á na sequência, onde se tratar das tribos e dos discípulos. Daí é que esses três discípulos são nomeados na Palavra mais do que os outros.
[13] Que o Senhor tenha dito essas palavras a Pedro é porque ele então confessou, dizendo: ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivente’, que, no sentido espiritual, significa que é o Divino Vero; ‘Cristo’ significa isso, e também ‘Filho de Deus’ (o que ‘Cristo’ significa vê-se nos Arcanos Celestes n. 3004, 3005 e 3009; e ‘Filho de Deus’, acima, n. 63, 151 e 166). Por essa confissão Pedro representava o Divino Vero proveniente do Senhor na igreja, a qual é por isso também chamada ‘rocha’, sendo dito: ‘Tu és rocha [petra], sobre essa rocha edificarei a Minha igreja’. Isso significava que seria edificada sobre o Divino Vero que vem do Senhor, ou, o que é o mesmo, sobre os veros do bem, pois sobre este a igreja é edificada. Como Pedro representava isso, ele foi chamado ‘Petra’ [rocha] pelo Senhor, como é evidente em João:
“Fitando-o, Jesus lhe disse: Tu és Simon, filho de Jonas; tu serás chamado Kephah, que, se traduzires, é rocha” (Jo. 1:42).
‘Kephah’ significa rocha na língua siríaca, pelo que Pedro é chamado ‘Kephah’ em toda parte naquele texto. E também na língua hebreia kephah é rocha (como é evidente em Jeremias 4:29 e em Jó 20:6, onde ‘rocha’ é nomeada no plural). Mas nas línguas grega e latina Pedro não foi chamado ‘rocha’ porque lhe foi posto um nome de pessoa.
[14] Que o Senhor tenha dito ‘Simon filho de Jonas’ e em seguida o tenha chamado ‘rocha’ é porque ‘Simon filho de Jonas’ significa o vero do bem ou a fé da caridade; e como o vero do bem ou a fé da caridade não existe senão nos que estão no Divino Vero do Senhor, e Pedro então confessou, por isso foi chamada ‘rocha’, não ele quanto à pessoa, mas o Divino Vero, que estava na confissão, do Senhor com ele. Que isso vinha do Senhor, entende-se pelas palavras do Senhor, que ‘não fora carne e sangue que lhe tinham revelado, mas o Pai que está nos céus’; pelo ‘Pai nos céus’ se entende o Divino no Senhor, porquanto o Pai estava n’Ele e ele no Pai, e eram um só (Jo. 14:7-11; 10:30, 38). Que ‘Simeon’ signifique o vero da vontade, ver-se-á no capítulo seguinte; e que a ‘pomba’, que foi significada por ‘Jonas’ signifique o bem espiritual vê-se nos Arcanos Celestes (n. 870, 1826 e 1827); daí, por ‘Simon filho de Jonas’ é significado o vero do bem ou o vero proveniente do bem. Visto que os infernos nada podem contra o Divino Vero procedente do Senhor, nem contra homem algum em quem está o Divino Vero proveniente do Senhor, por isso o Senhor diz que ‘as portas do inferno não prevalecerão contra ela’.
[15] Que o Senhor tenha dito ‘dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que tiveres ligado na terra será ligado nos céus, e tudo o que tiveres desligado na terra será desligado nos céus’ significa que podem todas as coisas os que estão nos veros do bem proveniente provenientes do Senhor, exatamente segundo estas palavras:
“Tudo o que, orando, pedirdes, crede que o recebereis; então vos será feito” (Mc. 11:24; Mt. 7:8; Lc. 11:9).
Como devem ser entendidas essas palavras, vê-se acima (n. 405), ou seja, se pedem pela fé da caridade, pedem não por si mesmos, mas pelo Senhor; tudo, pois, o que alguém pede pelo Senhor e não por si mesmo, recebe. Que essas palavras, a saber, ‘tudo o que tiveres ligado na terra será ligado nos céus, e tudo o que tiveres desligado na terra será desligado nos céus’ signifiquem isso que agora foi dito, é evidente pelas palavras do Senhor aos discípulos e a todos os que estão nos veros do bem, em Mateus:
“Amém vos digo, quaisquer coisas que tiverdes ligado na terra serão ligadas no céu, e quaisquer coisas que tiverdes desligado na terra serão desligadas nos céus” (Mt. 18:18).
[16] Tais palavras foram ditas a todos, portanto, não somente a Pedro, o que o Senhor também declara logo a seguir neste capítulo por estas palavras:
“Digo-vos que se dois de vós concordarem em Meu nome a respeito de qualquer que pedirem na terra, isso lhes será feito por Meu Pai que está nos céus, pois onde houver dois ou três congregados em Meu nome, ali estou no meio deles” (Mt. 18:19-20);
pelo ‘nome do Senhor’ se entende tudo aquilo pelo qual Ele é cultuado, e como é cultuado pelo vero do bem que vem d’Ele, este se entende, pois, pelo ‘Seu nome’; (que isto se entenda pelo ‘nome do Senhor’, vê-se acima, n. 102 e 135). Assim, o que é significado por ‘qualquer coisa que pedirem na terra lhes será feito nos céus’ é o mesmo que é significado por ‘tudo o que tiverdes ligado e desligado na terra será ligado e desligado nos céus’, pois as palavras anteriores são explicadas por estas, pelo Senhor. Quem conhece o sentido espiritual da Palavra pode saber por que se diz ‘se dois concordarem’ e, depois, ‘onde houver dois ou três’, a saber, porque ‘dois’ se atribui ao bem e ‘três’ ao vero; assim, ‘dois’ e ‘três’ se atribuem a todos os que estão nos veros do bem. (Que o Divino Vero que vem do Senhor tenha todo o poder nos céus e nas terras, vê-se acima, n. 209 e 333, e na obra O Céu e o Inferno, n. 230, 231 e 539; e nos Arcanos Celestes, n. 3091, 3563, 6344, 6423, 6948, 8200, 8304, 9643, 10019 e 10182. Que ‘dois’ se referia ao bem é porque significa a conjunção pelo amor, n. 1686, 5194 e 8423; que ‘três’ se refira aos veros é porque significa todos os veros em conjunto, semelhantemente a ‘doze’, n. 577, 2089, 2129, 2130, 3272, 3858 e 3913; por isso, quando se diz ‘dois’ e ‘três’ no mundo espiritual não se entendem dois e três, mas todos os que estão nos veros do bem. Que ‘Pedro’ signifique o vero do bem que vem do Senhor vê-se no opúsculo Do Juízo Final, n. 57).
[17] Mostrou-se até aqui o que a ‘rocha’ significa neste sentido; segue-se agora que será mostrado o que a ‘rocha’ significa no sentido oposto. Nesse sentido oposto a ‘rocha’ significa o falso infernal em que se confia, como nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Cavando na altura o teu sepulcro, talhando na rocha um habitáculo para si” (Is. 22:16).
Trata-se nesse capítulo do ‘vale da visão’, pelo qual é significado o falso da doutrina confirmado pelo sentido da letra da Palavra; o amor do falso é significado pelo ‘sepulcro na altura’, e a fé do falso pelo ‘habitáculo na rocha’; que eles os façam para si, é significado por ‘cavar e talhar para si’.
[18] No mesmo:
“Naquele dia rejeitarão, cada varão, os seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro que vossas mãos fazem para vós;... então Assíria cairá à espada, não de varão; e a espada, não de homem, a comerá;... também a sua rocha passará de medo, seus príncipes ficarão espantados ante o estandarte” (Is. 31:7-9);
trata-se aí do juízo sobre que se creem sábios nas coisas Divinas pela própria inteligência, que são aqueles que estão no amor de si e do mundo, e andam em busca de fama de erudição por causa de si mesmos. Esses, como não podem ver os veros, apoderam-se de falsos e os vendem como veros. Os falsos que favorecem os seus princípios e os seus amores são significados pelos ‘ídolos de prata’ e pelos ‘ídolos de ouro’; que sejam da própria inteligência é significado por ‘que vossas mãos fizeram para vós’; que perecerão por suas próprias falsidades é significado por ‘então Assíria cairá à espada, não de varão, e a espada, não de homem, a comerá’; ‘Assíria’ é o racional pervertido e, assim, os que estão nos falsos pela própria inteligência; ‘cair e ser comido pela espada’ é perecer. Isto foi também representado pelo rei da Assíria que foi morto por seus filhos (Is. 37:38); seus ‘filhos’ aí significam seus próprios falsos, pelos quais pereceu. A ‘sua rocha’, que passará de medo, significa todo falso em geral em que se cofiam, e os ‘príncipes’ que ficarão espantados ante o estandarte significam os falsos primários; diz-se ‘ante o estandarte’ porque não são dissipados por alguma luta com os veros, mas somente ante o símbolo da luta que é o estandarte.
[19] Em Jeremias:
“Por causa da voz dos cavaleiros e dos flecheiros toda a cidade foge; entraram nas nuvens e subiram nas rochas; toda a cidade está deserta e nenhum varão há que habite nela” (Jr. 4:29)
por essas palavras se descreve a desolação da igreja quanto aos veros. A desolação de todo vero da doutrina pelos falsos raciocínios e, daí, pelos falsos doutrinais, é descrita por ‘à voz dos cavaleiros e dos flecheiros toda a cidade foge’; ‘voz dos cavaleiros’ significa os falsos raciocínios, ‘voz dos flecheiros’ os falsos doutrinais; ‘toda cidade foge’ significa a desolação de todo vero da doutrina (‘cidade’ é doutrina). Que não reconheçam vero algum mas meramente o falso é significado por ‘entraram nas nuvens e subiram nas rochas’; ‘entrar nas nuvens’ significa no não reconhecimento do vero, e ‘subir nas rochas’ significa em mero falso.
[20] Vi também rochas que consistiam de pedras amontoadas e não de alguns campos onde havia verde sobre as rochas, como em outros lugares. Sobre elas havia espíritos que, quando viveram como homens no mundo, estiveram na fé separada da caridade, a qual se chama fé só, e nela se confirmaram tanto na doutrina quanto na vida. Isto é o que se entende pela ‘aridez da rocha’, em Ezequiel:
“Sobre uma rocha árida o pôs; não o derramou sobre a terra, para que o pó o cobrisse” (Ez. 24:7);
e no mesmo:
“Farei subir contra ti muitas nações... que derrubarão os muros de Tiro e destruirão as suas torres; e tirarei dela o seu pó, e farei dela uma aridez de rocha” (Ez. 26:3,4, 14);
pelo ‘pó’ nessas duas passagens se entende o humos, pelo qual é significado o bem da igreja. Quando não há humos sobre a rocha mas as rochas são áridas ou consistem de meros amontoados de pedras, como foi dito acima, é um indício de que não há bem algum, e onde não há bem algum aí há meramente o falso. Isto, pois, é significado pela ‘aridez da rocha’, por ‘cobrir com pó’ e por ‘tirarei dela o seu pó’. Por aí é também evidente o que é significado por estas palavras do Senhor nos Evangelistas:
“Outras sementes caíram sobre lugares rochosos, onde não tinham muito humos, pelo logo brotaram, porque não tinham profundidade de terra... e secaram-se” (Mt. 13:5-6; Mc. 4:5-6; Lc. 8:6).,
mas estas palavras se veem explicadas acima (n. 401).
[21] A maioria daqueles que no mundo espiritual têm seu lume da Lua habitam sobre rochas. Os que são espirituais naturais habitam sobre rochas cobertas com tenuamente de humos, pelo que há ali campos, vergéis e arbustos, mas não como os que há sobre montes e colinas em que habitam os que recebem a luz do Sol do céu. Os que, porém, não são espirituais naturais, mas meramente naturais, esses não vivem hoje sobre rochas, mas nas rochas, em cavernas ali. E os que estão nos falsos do mal habitam ali entre amontoados de seixos. Todas essas coisas são correspondências.
[22] Em Jeremias:
“Eis que Eu sou contra ti, ó monte... que destrói toda a terra; e estenderei Minha mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei de ti um monte de combustão” (Jr. 51:25);
essas palavras são a respeito da Babilônia, cuja danação pelos falsos é significada por ‘te revolverei das rochas’, e a danação pelos males é significada por ‘farei de ti um monte de combustão’. (Estas coisas, porém, se veem mais plenamente explicadas acima, n. 405).
[23] No mesmo:
“Deixai as cidades e habitai na rocha, ó habitantes de Moab, e sede como a pomba que nidifica nas passagens da boca da cova” (Jr. 48:28);
essas palavras a respeito de Moab, por quem é significada a adulteração do bem e do vero e, assim, os que pervertem o bem e o vero da Palavra. ‘Deixai as cidades’ significa os veros da doutrina; ‘habitai na rocha’ significa nos falsos e na sua doutrina; ‘sede como a pomba que nidifica nas passagens da boca da cova’ significa a intuição do vero vinda de fora e não de dentro, porque a ‘cova’ significa a Palavra, onde estão os veros; ‘nidificar nas suas passagens’ é fora dela e não dentro. ‘Nidificar’ significa o mesmo que ‘habitar’, a saber, viver a vida, mas da ave se diz ‘nidificar’ e do homem ‘habitar’. Que isto seja considerar a Palavra de fora e não de dentro, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 10549-10551), ou seja, não vê-la pela doutrina, mas somente pela letra, donde vagueiam por toda direção para os levam o ânimo, o pensamento e a afeição. Nada é certo com eles, donde vêm perpétuas adulterações, as quais são significadas por ‘Moab’. Tais são os que estudam a Palavra por causa de glória e de honra. Esses, como consideram-se a si mesmos quando estudam a Palavra, estão fora da Palavra. Mas os que amam o vero e o bem daí estão dentro da Palavra, pois a consideram pelo Senhor e não por si mesmos. Daí é evidente o que significa ‘deixai as cidades e habitai na rocha, ó habitantes de Moab, e sede como a pomba que nidifica nas passagens da boca da cova’.
[24] No mesmo:
“Não é a Minha palavra como fogo... e como martelo que dispersa a rocha” (Jr. 23:29).
Diz-se que a Palavra é ‘como fogo e como martelo’ porque ‘fogo’ significa o bem do amor, e o ‘martelo’ o vero da fé, pois ‘martelo’ significa o mesmo que o ferro, e o ‘ferro’ significa o vero nos últimos e o vero da fé. Ambos são citados, a saber, o ‘fogo’ e o ‘martelo’, por conseguinte o bem e o vero por causa da conjunção do bem e do vero em cada coisa da Palavra. Pela ‘rocha’ que é dispersada é significado o falso em todo o conjunto e a doutrina do falso. Mas sua dispersão ou destruição se faz quando é julgado o homem em que estes estão.
[25] Em Naum:
“Diante de Sua indignação, quem subsistirá? ou quem estará de pé na inflamação de Sua ira? A sua inflamação se derramou como fogo, e as rochas são revolvidas diante d’Ele.” (Na. 1:6);
que ‘indignação’, ‘inflamação’ e ‘ira’ de JEHOVAH signifiquem o juízo final e o estado de danação daqueles que estão nos males e, daí, nos falso, ver-se-á nos artigos seguintes. A danação dos males é significada por ‘Sua inflamação que se derramou como fogo’, e a danação dos falsos dos males por ‘Sua ira’ e por ‘as rochas são revolvidas diante d’Ele’, pois o ‘fogo’ significa os males dos amores de si e do mundo, e as ‘rochas’ significam os falsos daí; ‘ser revolvido’ significa perecer. Além disso, as rochas sobre as quais estão os que se acham nos princípios do falso e, daí, em todo gênero de falso, foram visivelmente revolvidas e desse modo os que estavam sobre elas foram lançados no inferno. Mas isto se faz no mundo espiritual, onde todos habitam segundo a qualidade de seus interiores, aos quais os externos correspondem.
[26] Em Isaías:
“Que vos abrasastes nos deuses sob toda árvore verde, que matais os filhos nos rios, sob os penedos das rochas” (Is. 57:5).
Ninguém sabe o que é ‘abrasar nos deuses sob toda árvore verde’ e ‘matar os filhos nos rios sob os penedos das rochas’ a não ser pelo sentido interno. Nesse sentido, por ‘abrasar-se nos deuses sob toda árvore vede’ é significado cultuar a Deus a partir de qualquer falso que surge; ‘abrasar-se nos deuses’ é o culto ardente; ‘toda árvore verde’ é todo falso que surge, porque ‘árvore’ significa as cognições e percepções, aqui, as cognições e percepções do falso. E por ‘matar os filho nos rios sob os penedos das rochas’ é significado extinguir os veros por meio dos falsos da própria inteligência; ‘filhos’ são os veros, ‘rios’ são a própria inteligência, ‘penedos das rochas’ são os falsos, ‘sob os penedos delas’ significa pelos sensual no qual está o último lume natural, pois os que estão nesse lume ficam sob as escarpas da rocha e não veem vero algum, e se ouvem não o percebem. Vi-os também nessa situação no mundo espiritual. Daí é evidente que ‘matar os filhos’ não se entende mata-los, mas extinguir os veros.
[27] Semelhantemente, em David:
“Bem-aventurado aquele que pegar tuas crianças e as despedaçar na rocha” (Sl. 137:9);
por ‘crianças’ aqui não se entendem crianças, mas os falsos que nascentes, pois se trata da Babilônia, por quem são significados os falsos do mal que destroem os veros do bem da igreja; a destruição deles é significada por ‘despedaçá-los na rocha’; ‘rocha’ é o falso do mal reinante, e ‘despedaçar’ é destruir. Quem fica somente no sentido da letra da Palavra e não pensa além daí pode ser facilmente induzido a crer que se diz bem-aventurado daquele que faz isso com as crianças de seus adversários, quando, porém, isso é um crime enorme. Mas ‘bem-aventurado’ se diz do que despedaça os falsos do mal que nascem na igreja, porque os falsos são significados aqui pelas ‘crianças da Babilônia’.
[28] Em Jeremias:
“Quem ouviu algo assim? A virgem de Israel fez uma coisa horrível. Porventura deixa a rocha dos Meus campos a neve do Líbano? ??? Porventura serão tiradas as águas estranhas e frias que fluem? Meu povo se esqueceu de Mim; queimaram incenso à vaidade.” (Jr. 18:13-15);
pela ‘virgem de Israel’ se entende, aqui e em outras passagens, a igreja espiritual, pois os israelita a representaram; a ‘coisa horrível’ que eles fizeram é transformaram em males os bens da igreja, e em falsos os veros da igreja, e por estes e aqueles cultuaram JEHOVAH. Os males de que veio o culto são significados por ‘Meu povo se esqueceu de Mim’, pois quem se esquece de Deus está nos males; e os falsos de que veio o culto são significados por ‘queimaram incenso à vaidade’; ‘vaidade’ é o falso e ‘incenso’ é o culto. ‘Porventura deixa a rocha dos Meus campos a neve do Líbano?’ significa se eles não têm os veros da igreja que vêm da Palavra?; a ‘rocha’ aqui significa a Palavra porque é o Divino Vero (como acima); ‘neve do Líbano’ significa os veros da igreja daí; ‘neve’ significa o mesmo que a água, a saber, os veros, mas a ‘neve’ significa os veros frios, porque se trata de tal igreja; ‘Líbano’ é a igreja de que eles procedem, e os ‘campos’ são todos os bens e veros da igreja; pelas ‘águas estranhas e frias que fluem’ são significados os falsos nos quais não há bem; ‘águas estranhas’ são os falsos, e ‘frias’ é em que não há bem, pois todo calor do vero vem do bem do amor.
[29] No mesmo:
“Eis que Eu estou contra ti, ó moradora do vale, ó rocha da planície, que diz: Quem descerá contra nós? e quem virá a nossas habitações” (Jr. 21:13);
por ‘moradora do vale e rocha da planície’ são significados os que estão nos últimos da Palavra e não se deixam esclarecer pelos interiores. Os que são tais não veem veros, mas, em lugar destes, falsos, porque toda luz do vero, que procede do céu desde o Senhor, vem dos interiores e desce; esses se entendem pela ‘moradora do vale’ e pela ‘rocha da planície’; ‘vales e planícies’ são os últimos da Palavra em que eles estão, enquanto ‘moradora’ e ‘rocha’ significam os falsos, ‘moradora’ o falso da vida, e ‘rocha’ o falso da doutrina. A fé do falso e do mal, à qual firmemente se apegam crendo serem veros e bens, é significada por dizerem ‘quem descerá contra nós? e quem virá a nossas habitações’?
[30] Em Isaías:
“Entra na rocha, e esconde-te no pó, por causa do pavor de JEHOVAH” (Is. 2:10);
‘entrar na rocha’ é no falso, e ‘esconder-se no pó’ é no mal; trata-se aí do juízo final, quando os que estão nos falsos do mal e nos males do falso se precipitaram nos infernos, que estão nas rochas e debaixo das terras no mundo espiritual. (Mas estas coisas se vêm mais detalhadas e explicadas no artigo precedente). Em Jó:
“O monte, caindo, dissolve-se, e a rocha foi transportada de lugar” (Jó 14:18);
pelo ‘monte’ é significado o amor do mal, e pela ‘rocha’ a fé do falso; por ‘dissolver-se’ e ‘ser transportada de lugar’ é significado perecer.
[31] Em David:
“São abatidos pelos lados da rocha os seus juízes’ (Sl. 141:6);
pelos ‘juízes’ são significados os que estão nos falsos, e, no sentido abstrato, os falsos do pensamento e da doutrina; pelos ‘juízes’ na Palavra é significado o mesmo que por juízos, e ‘juízos’ significam os veros de que vem o julgamento, e, no sentido oposto, os falsos. Como os que estão nos falsos habitam nas rochas no mundo espiritual, por isso se diz: ‘são abatidos pelos lados da rocha’, significando que sejam admitidos em seus falsos e, segundo os seus falsos, habitem nos infernos. Em Jó:
“Na fenda dos vales para habitar, nos buracos da terra e da rocha” (Jó 30:6);
isto a respeito dos que estão nos infernos por estarem nos males e nos falsos daí. Os infernos dos que estão nos males quanto à vida são sob os vales e nas cavernas ali, e os infernos dos que estão nos falsos do mal são nas rochas. Daí é evidente o que é significado por ‘na fenda dos vales para habitar, nos buracos da terra e da rocha’. (Mas, a respeito das grutas e cavernas em que habitam os que estão nos infernos, e a respeito das fendas e dos buracos pelos quais têm acesso a elas, vê-se no artigo imediatamente precedente, n. 410).
[32] Estas coisas foram citadas para que se saiba que pela ‘rocha’, no sentido oposto. é significado o falso em geral. Essa significação de ‘rocha’ vem da correspondência, como se pode ver pelas aparências e pelas coisas visíveis no mundo espiritual, onde todos habitam segundo as correspondências dos interiores que pertencem às suas mentes e vidas. Por isso, os que estão na sabedoria e na inteligência por estarem no amor ao Senhor e na caridade para com o próximo, e, assim, nas afeições do vero espiritual, habitam sobre e montes e colinas formados de humos, onde há paraísos, jardins, canteiros e vergéis. Já os que estão na fé dos doutrinais de sua igreja e em alguma caridade habitam ali sobre rochas onde há campinas, nas quais há alguns arbustos e algumas árvores e gramados. Aqueles que, porém, estão na fé só, como se diz, quanto à doutrina e quanto à vida, e, assim, nos falsos da fé e nos males da vida, habitam ali dentro das rochas, em cavernas e câmaras ali.
[33] Esta significação de ‘rocha’ vem da dita correspondência. Mas há a significação de ‘rocha’ por causa de sua dureza, nas seguintes passagens. Em Jeremias:
“Endureceram as suas faces mais do que uma rocha’ (Jr. 5:3);
em Ezequiel:
“Como diamante, mais duro que a rocha, fiz a tua fronte; não temas” (Ez. 3:9);
em Jó:
“Com estilete de ferro e de chumbo são gravados para sempre na rocha” (Jó 19:24);
em Isaías:
“Os cascos dos seus cavalos são reputados como rocha” (Is. 5:28).
Que a dureza seja exprimida pela ‘rocha’ é também pela correspondência da rocha com o vero do bem, pois o vero do bem tem todo o poder, como foi dito acima. Quando, porém, o vero age contra o falso do mal, então o bem é enfraquecido e o vero que permanece age duramente, segundo o que foi dito acima em Ezequiel: ‘como diamante, mais duro que a rocha, fiz a tua fronte’. E também o vero sem o bem é duro, embora seja frágil. Mas as coisas que foram referidas a respeito das ‘rochas’ serão ainda mais esclarecidas pelo que se dirá na sequencia a respeito da significação de ‘pedras’.
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