. “Cento e quarenta e quatro mil de toda tribo de Israel”. Que isto signifique todos os que estão nos veros do bem e, assim, na igreja do Senhor, vê-se pela significação de ‘cento e quarenta e quatro mil’, que é todas as coisas, e se diz dos que estão nos veros do bem (de que agora se segue); e pela significa de ‘tribos de Israel’, que são os que estão nos veros do bem e, assim, os que estão na igreja do Senhor, pois ‘tribos’ significam os veros do bem e ‘Israel’ significa a igreja; que ‘tribos de Israel’ signifiquem isso, ver-se-á no artigo seguinte. Que ‘cento e quarenta e quatro mil’ signifique todas as coisas e tudo, e que se atribua aos veros do bem é porque esse número resulta do número doze, e ‘doze’ significa todas as coisas e todos, e se atribui aos veros do bem. Com efeito, os números maiores e compostos de números menores significam o mesmo que os números menores e simples de que resultam por multiplicação (sobre esse assunto vide nos Arcanos Celestes os n. 5291, 5335, 5708, 7973). Assim, ‘cento e quarenta e quatro’, como também ‘cento e quarenta e quatro mil’, significa o mesmo que ‘doze’, pois 144 resulta de 12 multiplicado por si mesmo, e 144.000 de 12.000 por 12 ????.
[2] Há números simples que são mais significativos do que os outros, dos quais os números maiores tiram as suas significações, a saber, os números dois, três, cinco e sete. ‘Dois’ significa a união e se atribui ao bem; ‘três’ significa o que é pleno e se atribui aos veros; ‘cinco’ significa o que é muito e alguma coisa, e ‘sete’ significa o que é santo. Do número 2 resultam 4, 8, 16, 400, 800, 1.600, 4.000, 8.000, 16.000, números esses que significam o mesmo que ‘dois’, pois resultam desse número simples pela multiplicação por si mesmo e pelo número 10. Do número 3 resultam 6, 12, 24, 72, 144, 1.440, 144.000, que significam também o mesmo que ‘três’, porque resulta desse número simples por multiplicação. Do número 5 resultam 10, 50, 100, 1.000, 10.000 e 100.000, que também significam o mesmo que ‘cinco’, porque resultam deste por multiplicação. Do número 7 resultam 14, 70, 700, 7.000, 70.000, números esses que também significam o mesmo que ‘sete’, porque resultam deste. Visto que ‘três’ significa o que é pleno, e o pleno é o todo, daí o número ‘doze’ tira a sua significação de todas as coisas e todos. Que se atribua aos veros e bens é porque resulta de 3 multiplicado por 4, e ‘três’ se atribui aos veros e ‘quatro’ aos bens, como acima se disse.
[3] Quem não sabe que ‘doze’ significa todas as coisas e que os números múltiplos de doze significam o mesmo, e quem não sabe que cada uma das ‘tribos’ significa algum universal ou essencial da igreja, não sabe absolutamente outra coisa senão que somente foram ‘assinalados’ dose mil de cada uma das tribos de Israel, por conseguinte, os que são recebidos ou que devem ser recebidos no céu., quando, todavia, por ‘doze mil’ não se entendem doze mil, nem pelas ‘tribos’ aí nomeadas se entendem as tribos de Israel, mas por ‘doze mil’ se entendem todos, e pelas ‘tribos de Israel’, os que estão nos veros do bem ???, assim, todos, onde que estejam nas terras, que fazem a igreja do Senhor. Que tais coisas sejam significadas, qualquer um que pensa inteligentemente pode perceber, pois onde estão hoje essas tribos, e onde estavam quando isso foi escrito por João? Não está dispersa por muitas regiões, sem que ninguém saibam onde estão, além da tribo dos judeus? E, no entanto, se diz que devem ser assinaladas para que sejam introduzidas no céu pelo Senhor e estarem com Ele (como é evidente pelo cap. 14, vers. 1, 3 e 4 no Apocalipse). Além disso, é notório que as onze tribos aí nomeadas foram banidas da terra de Canaan por causa de idolatrias e outras abominações, semelhantemente à nação judaica, cuja qualidade se vê descrita na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248. Daí se pode ver que por ‘doze mil’ não se entendem doze mil, nem por ‘tribos’ se entendem aquelas tribos, mas entendem-se todos os que estão nos veros do bem, assim, todos os que são da igreja do Senhor. Isto será ainda mais evidente pela significação de cada tribo no sentido espiritual, pois cada uma das tribos significa algo universal ou essencial da igreja naqueles que são da igreja. Cada universal também se refere ao veros do bem, e eles são muitos, pois todos os estão no céu diferem entre si quanto ao bem e, daí, quanto ao vero. Na verdade, todo vero que tem vida no homem e no anjo procede do bem e é segundo o bem; e, além disso, todos os que são da igreja do Senhor estão nos veros do bem, pois os que estão nos veros e não no bem, esse não são da igreja, porque, como foi dito acima, todo vero que tem vida no homem e no anjo procede do bem. (Sobre este assunto, vide acima, n. 6, 59, 136, 242, 286 e 292; e na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 11-27; que os bens e, daí, os veros sejam de infinita variedade, na obra O Céu e o Inferno, n. 56, 71, 405, 418, 486 e 588; e no opúsculo Do Juízo Final, n. 13, e também nos Arcanos Celestes, n. 684, 690, 3241, 3267, 3470, 3519, 3744-3746, 3804, 3986, 4067, 4149, 4263, 5598, 6917, 7236, 7833, 7836 e 9002.) Que os bens e, daí, os veros sejam de variedade infinita, é porque cada anjo e cada homem em que há a igreja é o seu bem e, daí, o seu vero. Por isso, também, todo céu foi ordenado segundo as afeições que são do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, e, daí da fé, e todo bem é dessas afeições.
[4] Que o número ‘cento e quarenta e quatro mil’, ou o número 12.000 multiplicado por 12 ???? signifique todos os veros do bem quanto aos seus gêneros e espécies em todo o conjunto, pode-se ver pelo número ‘centro e quarenta e quatro’, que é o número 12 multiplicado por 12, no que segue no Apocalipse, onde a cidade Nova Jerusalém é descrita por medidas em números. Da medida de seu muro assim se diz:
“Mediu o seu muro cento e quarenta e quatro côvados, que é medida de homem, isto é, de anjo” (Ap. 21:17).
Aí, pela ‘cidade Jerusalém’ é significada uma nova igreja a ser instaurada pelo Senhor, e a sua doutrina; por isso, por todas as coisas que são relatadas, como o ‘muro’, as ‘portas’ e ao ‘alicerces’, entendem-se coisas tais que são da igreja, por conseguinte, coisas espirituais. E visto que a igreja e a sua doutrina é descrita no sentido da letra pela cidade Jerusalém, e a cidade é mensurável, por isso as coisas espirituais dessa igreja são designadas por medidas em números, e o seu muro pelo número ‘cento e quarenta e quatro’, ou 12 por 12, número pelo qual são significados os veros do bem em todo o conjunto, pois o ‘muro’ significa os veros que protegem contra os falsos e males. Que esse número signifique tais coisas, é claramente evidente pelo fato de se dizer que a medida de cento e quarenta e quatro côvados era ‘medida de homem, isto é, de anjo’. Ninguém pode saber o que isto envolve a menos que saiba que pela ‘medida’ no sentido espiritual é significado o mesmo que pelo ‘número’, a saber, a qualidade da coisa de se trata, e que pelo ‘homem’ é significada a recepção do vero por uma afeição espiritual, isto é, procedente do bem, e, assim a inteligência, sendo o mesmo significado pelo ‘anjo’, porque o homem é um anjo quando está nos veros do bem e também se torna anjo após a morte. O mesmo é também significado pelo número ‘cento e quarenta e quatro mil’, pois um número maior e um menor significam o mesmo, contanto que seja de semelhante origem, pois um número maior é empregado quando deve ser multidão maior, ??? e também quando abranger muitos gêneros ao mesmo tempo, como, por exemplo, ‘144.000, que abrange todos os gêneros de vero do bem, que são significados por ‘12’ [mil] assinalados de cada tribo, e, por exemplo, a medida do muro, de que se diz ‘144 côvados’, que inclui tanto as portas quanto os alicerces, que são em número de ‘12’.
[5] De fato, a respeito das portas e dos alicerces se diz:
Nova Jerusalém, “tendo um grande e alto muro, tendo doze portas, e sobre as portas doze anjos, e nomes escritos que são as doze tribos de Israel. ... O muro também tinha doze alicerces, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”; ...e os alicerces consistiam de doze pedras preciosas (Ap. 21:12, 14, 19-21).
Quem não há de perceber, sabendo que pela ‘Nova Jerusalém’ se entende uma nova igreja, que pelo número ‘doze’ designado tantas vezes se entende o principal e primário de que existe a igreja? e o principal e primário da igreja é o vero do bem, pois tudo da igreja vem daí, porque o vero é de sua doutrina e o bem é da vida segundo a doutrina. O que é significado, porém, pelas ‘portas’ e pelos ‘alicerces’ aí dir-se-á na explicação daquele capítulo.
[6] Porquanto esse número significa todas as coisas e é atribuído aos veros do bem, e ‘Nova Jerusalém’ significa a nova igreja, por isso também a medida mesma da cidade foi designada pelo mesmo número, nesses termos:
“A cidade está situada [em forma] quadrangular, e o seu comprimento é tanto quanto a largura; e mediu a caridade com uma cana em doze mil estádios; o comprimento, a largura e a altura eram iguais” (Ap. 21:16).
O que é significado no sentido espiritual por ‘comprimento’, ‘largura’ e ‘altura’ dir-se-á também abaixo, na explicação. Nesse sentido, pela ‘cidade’ se entende a doutrina da igreja, e pelos ‘doze mil [estádios]’ se entendem todos os seus veros do bem.
[7] O número ‘doze’ é também designado aí a respeito dos frutos da árvore junto ao rio, nesses termos:
“No meio de sua praça e de um e outro lados do rio, a árvore da vida que dá doze frutos, produzindo fruto conforme cada mês” (Ap. 22:2).
Visto que pela ‘praça da cidade’ são significados os veros da doutrina, pelo ‘rio que sai dali’, a inteligência, pela ‘árvore de vida’ a percepção do vero e do bem proveniente do Senhor, e pelos ‘frutos’ o bem de que procedem os veros, daí é também evidente que ‘doze’ significa os veros do bem, pelos quais há inteligência e dos quais existe a igreja.
[8] Porquanto uma igreja representativa devia ser instituída com os filhos de Jacob, por isso foi provido pelo Senhor que os filhos dele fossem doze (Gn. 29:32-35; 30:1-25; 35:22-26), para que assim todos juntamente representassem todas as coisas da igreja, e cada um a sua parte. Assim é que deles se originaram doze tribos (Gn. 49:28) e elas significaram todas as coisas da igreja, e cada tribo algum essencial da igreja. Por isso, também, no que agora se segue é dito que ‘havia doze mil assinalados de cada tribo’, pelos quais são significados todos os que estão nesse essencial da igreja, ou todos os que estão nesse gênero de vero do bem, pois o vero do bem forma a igreja em todos. Com efeito, o vero pertence à doutrina e o bem pertence à vida, como acima se disse. (O que é o vero do bem, e a sua qualidade, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 24).
[9] Visto que as doze tribos nomeadas segundo os doze filhos de Jacob representavam a igreja e todas as suas coisas, por isso o número ‘doze’, por se significativo disso, foi tomado em várias situações, por exemplo:
Os príncipes de Israel eram em número de doze (Nm. 1:44);
Esses doze príncipes trouxeram para a inauguração do altar doze salvas [scutulas] de prata, doze taças [crateres] de prata, doze colheres [acerras] de ouro, doze novilhos, doze carneiros, doze cordeiros e doze bodes (Nm. 7:84, 87).
Cada uma dessas coisas que eles trouxeram significam coisas tais que se referem aos veros do bem. Por isso, também,
Foram enviados doze varões, que exploraram a terra de Canaan (Dt. 1:23);
pois pela ‘terra de Canaan’ é significada a igreja. Por isso, também,
No peitoral do juízo, ou no Urim e Thumim, havia doze pedras preciosas (Êx. 28:21, 39:14);
pelas ‘pedras preciosas’ são significados os veros do bem. Por isso, ainda,
Havia doze pães dispostos em duas ordens sobre a mesa, os quais eram chamados ‘pães das faces’ (Lv. 24:5, 6);
pelos ‘pães’ era significado o bem do amor, e pela ‘mesa’ a sua recepção, assim também o vero no geral, porque este é recipiente do bem. Por isso
“Moisés... edificou um altar abaixo do monte” Sinai, “e erigiu doze colunas em lugar dos doze filhos de Israel” (Êx. 24:4),
pois pelo ‘altar’ é significado o bem da igreja, e pelas ‘colunas’ os seus veros. Assim, pelo ‘altar’ e pelas ‘doze colunas’ juntamente são significados todos os veros do bem, pelos quais há a igreja.
[10] Por isso
Doze varões levaram do meio do Jordão doze pedras, que foram erigidas em Gilgal para que servissem de memorial aos filhos de Israel. E também foram postas doze pedras no meio do Jordão, onde pararam ??? os pés dos sacerdotes que levavam a arcam (Js. 4:1-9, 20),
pois pelo ‘Jordão’ na Palavra é significada a introdução na igreja, e pelas ‘pedras’ daí e em seu meio são significados os veros da igreja pelos quais há a introdução.
[11] Por isso, também,
Elias tomou doze pedras e construiu um altar (I Re. 18:31, 32);
pois pelo ‘altar’ é significado o bem da igreja, e pelas ‘pedras’ são significados os seus veros. Por isso, também,
Moisés tomou doze mil dos filhos de Israel contra Midian, sob o comando de Finéias, os quais voltaram com grande despojo, sem faltar nenhum (Nm. 31:5, 6, 49),
pois ‘Midian’ significa os que estão nas cognições dos vero, mas ainda não na vida segundo as cognições; por isso contra ele foram enviados ‘doze mil’. O ‘grande despojo’ advindo deles significa o mesmo que as ‘vestes’, a ‘prata’ e o ‘ouro’ de que os filhos de Israel privaram os egípcios (Êx. 3:22; 12:35, 36), e o mesmo que é significado pelo “mamon injusto” dos quais se fizesse amigos (Lc. 16:9), a saber, as cognições do vero das coisas que eles têm como doutrina e não na vida.
[12] Por isso, também,
Salomão pôs sobre doze bois o mar de bronze que ele fez (I Re. 7:25, 44);
pelo ‘mar de bronze’ é significado o vero do bem; pela ‘água’ ali, o vero; pelo ‘bronze’ de que era feito, o bem; e pelos ‘doze bois’ são significados todos os bens e, daí, os veros sobre os quais se fundamentam. Por isso, também,
Salomão fez um trono de marfim, seis degraus até ele e, sobre estes, doze leões, de um e de outro lado (I Re. 10:18-20),
pois pelo ‘trono’ de Salomão era significado o juízo, que vem dos veros que procedem do bem, e era representado o Divino Vero procedente do Divino Bem; pelos ‘leões’ eram significados os veros do céu e da igreja em seu poder, e por ‘doze’, todas as coisas (vide acima, n. 253).
[13] Diz-se a respeito de Ismael
Que ele seria abençoado e cresceria, e que doze príncipes nasceriam dele (Gn. 17:20; 25:16);
em razão de que por ele era significada a igreja externa com todos os seus veros do bem. De Eliseu se diz
Que Elias o encontrou quando arava com doze juntas, e ele entre as doze, que então jogou sobre ele a capa (I Re. 19:19);
isto foi feito e dito porque Elias e Eliseu representavam o Senhor quanto à Palavra, na qual estão todos os veros do bem; por causa disso, quando essa representação foi transferida de Elias para Eliseu, o que foi significado por ‘jogar a capa sobre ele’, Eliseu foi visto ‘arar com doze juntas, e ele entre as doze’, pelo que é significada a formação da igreja pelos veros do bem provenientes da Palavra (vide acima, n. 395). Diz-se na sequência [do Apocalipse] que
“Viu-se uma mulher envolta pelo sol, e a lua sob os pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12:1);
isto foi visto porque pela ‘mulher’ é significada a igreja, e pelas ‘estrelas’ as cognições do vero; pela ‘coroa’ o bem delas, e pela ‘cabeça’ a inteligência.
[14] Os doze apóstolos do Senhor representaram o mesmo que as doze tribos de Israel, a saber, tomados juntamente, tudo o que é da igreja, e cada um deles algum essencial da igreja; por isso é que os apóstolos foram doze. Por aí se pode ver de onde vem e o que significa o que se diz da Nova Jerusalém, pela qual é significada a igreja e a sua doutrina:
Tinha doze portas, e sobre as portas doze anjos, e os nomes escritos, que são as doze tribos de Israel; e o muro tinha doze alicerces e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Ap. 21:12, 14),
onde pelos ‘doze anjos’, ‘doze tribos’ e ‘doze apóstolos’ não se entendem anjos, tribos e apóstolos, mas todas as coisas da igreja. Semelhantemente, que
Os apóstolos hão de se sentar sobre doze tronos e julgar as doze tribos de Israel (Mt. 19:28; Lc. 22:30),
pelo que não se entende que os apóstolos hão de sentar sobre doze tronos e julgar as doze tribos de Israel, mas que o Senhor, somente, há de julgar todos pelo Divino Vero proveniente do Divino Bem (vide acima, n. 9, 206, 253, 270, 297 e 333).
[15] Quem não sabe que ‘doze’ significam todas as coisas tampouco pode saber o arcanos significado por
Sobrarem doze cestos de pedaços dos cinco pães e dois peixes com que o Senhor deu de comer a cinco mil varões, além de mulheres e meninos (Mt. 14:5-2; Mc. 6:37-44; Lc. 9:12-17; Jo. 6:9-13).
Cada coisa aí, incluindo os números mesmos, são significativos. “Cinco mil varões, além de mulheres e meninos’ significa todos os da igreja que estão nos veros do bem; ‘varões’, os que estão nos veros, ‘mulheres e meninos’, os que estão nos bens; ‘pães’, os bens, e ‘peixes’ os veros do homem natural; ‘dar de comer’ significa a nutrição espiritual vinda do Senhor; ‘doze cestos de pedaços’ significam daí as cognições do vero e do bem em toda abundância e plenitude.
[16] Visto que ‘doze’ significa todas as coisas e se diz dos veros do bem que fazem a igreja, por isso
O Senhor, quando tinha doze anos, deixou pai e mãe e permaneceu no templo, assentando-Se no meio dos doutores, ouvindo e interrogando-os (Lc. 2:42, 46),
pelo que se entende a iniciação e a introdução do Seu Humano em todas as coisas do céu e da igreja. Por isso, também, Ele disse, quando foi encontrado:
“Não sabeis que Me importa estar nas coisas de Meu Pai?” (Lc. 2:49).
Visto que ‘doze’ significa todas as coisas, e se diz dos veros do bem, por isso o Senhor disse:
“Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça” (Jo. 11:9);
pelo ‘dia’ é significada a iluminação nos veros do bem, por ‘doze horas do dia’ todas as coisas do vero do bem, e por ‘andar’ é significado viver. Assim, por essas palavras, no sentido espiritual, é significado que quem vive em algum gênero de vero do bem está na iluminação e não anda errante em falsos. Visto que ‘doze’ significa todas as coisas, por isso o Senhor disse:
“Pensas que Eu não possa agora rogar ao Meu Pai, e fazer com que Me assistam mais que doze legiões de anjos?” (Mt. 26:53);
por ‘doze legiões de anjos’ se entende todo o céu, e ‘mais que eles’ significa a onipotência Divina.
[17] Por aí se pode ver agora o que é significado por ‘cento e quarenta e quatro mil de toda tribo’, a saber, que todos os que estão nos veros do bem, e por ‘doze mil de cada tribo’ todos os que estão no gênero de vero do bem que é significado pela tribo nomeada. Por conseguinte, não se entendem doze mil nem os que são das tribos de Judah, Reuben, Gade, Asher, Naftali, Manassés, Simeão, Levi, Issacar, Zebulon, José e Benjamin. Cumpre saber, além disso, que por todos eles, ou pelos ‘cento e quarenta e quatro mil’, se entendem os que foram elevados ao céu antes do juízo final. E pelos que se seguem do versículo 9 até o fim desse capítulo se entendem os que foram conservados pelo Senhor para o juízo final e, então, elevados primeiro ao céu (dos quais se trata acima, n. 391, 392, 394 e 397), pois todos os que estavam nos veros do bem foram todos recebidos no céu antes do juízo. Os que, porém, estavam no bem e não ainda nos veros foram conservados e, entrementes, instruídos e preparados para o céu, dos quais se tratará depois na sequência. Os que foram elevados ao céu antes do juízo se entendem também por aqueles de quem se diz estas coisas, no capítulo 14 do Apocalipse:
“O Cordeiro estava de pé no Monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, tendo o nome do Pai inscrito em suas testas” (vers. 1),
dos quais se diz
Que ninguém podia aprender o cântico “senão os cento e quarenta e quatro mil, comprados da terra. Eles são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens... comprados de todos os homens, primícias para Deus e o Cordeiro” (vers. 3 e 4).
Os mesmo também se entendem pelos que são ‘da primeira ressurreição’, e os restantes, da segunda ressurreição (Ap. 20:4-6).
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