. Mostrou-se até aqui que ‘doze’ significa todas as coisas, e atribui-se aos veros do bem. Agora, porém, mostrar-se-á que as ‘doze tribos’ significam todas as coisas da igreja, e cada uma das tribos algum universal e essencial da igreja. Uma vez que com os filhos de Jacob devia ser instituída uma igreja representativa, por isso foi provido pelo Senhor que o número de seu filhos fosse doze, e se lhes dessem nomes significativos, pelos quais as doze tribos, distinguidas por semelhantes nomes, significassem todas as coisas da igreja que eles representaram, e cada uma das tribos algum universal e essencial seu. O que, pois, cada uma das tribos significava e representava, dir-se-á no que se segue. E como todas as coisas da igreja se referem aos veros do bem, por isso, também, pelas ‘doze tribos’ são significados os veros do bem em todo um conjunto. Que elas tenham sido chamadas ‘tribos’ era porque as duas palavras pelas quais se nomeia ‘tribo’ na língua original ou hebraica significam ‘centro’ e ‘cajado’; pelo ‘cetro’ é significado o Divino Vero quanto ao governo, e pelo ‘cajado’ o Divino Vero quanto ao poder.
[2] Por causa dessa derivação e significação foi também ordenado, quando o povo murmurava contra Moisés e Aarão por causa do governo e do poder sobre eles, que
Os príncipes de todas as tribos pusessem os seus cajados na tenta da congregação, e no meio deles o cajado de Levi, sobre o qual foi gravado o nome de Aarão, e [o cajado] floresceu e deu amêndoas (Nm. 17:3-8),
pois pelo ‘cajado’, como foi dito, é significado o mesmo que pela ‘tribo’, e pelo ‘cajado de Levi’, no qual foi gravado o nome de Aarão, o mesmo que pela ‘tribo de Levi’ e o mesmo que por ‘Aarão’ como sumo sacerdote, a saber, o bem da caridade para com o próximo e o bem do amor ao Senhor; pela ‘tribo de Levi’, o bem da caridade, e pelo ‘sacerdote Aarão’, o bem do amor. Por esse motivo esse cajado foi posto no meio e floresceu amêndoas; ser posto ‘no meio’ significa daí todas as coisas (vide acima, n. 313) e as ‘amêndoas’ significam o bem da vida.
[3] Visto que as ‘doze tribos’ significavam todas as coisas da igreja, ou os veros do bem em todo o conjunto, por isso
O peitoral de Aarão, que era chamado Urim e Thumim, foi feito de doze pedras preciosas, sob as quais havia os nomes das tribos, ou dos doze filhos de Israel (Êx. 28:15-30; 39:8-21, 29).
Sabe-se que pelo peitoral as respostas eram dadas do céu, mas ainda não foi revelado de que origem, pelo que se dirá. Toda luz no céu angélico procede do Senhor como Sol, pelo que esse luz, em sua essência, é o Divino Vero, do qual os anjos têm toda inteligência e sabedoria, como também os homens nas coisas espirituais. Esse luz no céu é modificada em várias cores segundo os veros do bem que são recebidos; assim é que na Palavra, as ‘cores’ significam por os veros do bem correspondência. Por isso, também, as respostas eram dadas pela resplandescência das cores das pedras que havia no Urim e Thumim, e, ao mesmo tempo, ou por viva voz ou por tácita percepção correspondente à resplandescência. Daí é evidente que as ‘doze tribos’, cujos nomes foram gravados, significam o mesmo. (Todavia, a respeito disso, vide o que foi dito e mostrado nos Arcanos Celestes, ou seja, que as cores no céu são provenientes da luz ali, e são suas modificações e variações segundo a recepção, n. 1042, 1043, 1053, 1624, 3993, 4530, 4742 e 4922; assim, são aparências do vero do bem e significam coisas tais que são da inteligência e da sabedoria, n. 4530, 4677, 4922 e 9466; as cores significam o bem na proporção que derivam do vermelho, e o vero na proporção que derivam do branco, n. 9467. Que as ‘pedras’ em geral signifiquem os veros, n. 643, 1298, 3720, 6426, 8609 e 10376; que as ‘pedras preciosas’ signifiquem os veros do bem, portanto, ‘doze pedras preciosas’, todos os veros que vêm do bem na igreja e no céu, n. 9863, 9865, 9868, 9873 e 9905. Que o ‘peitoral do juízo’ que havia sobre o éfode e se chama Urim e Thumim signifique em geral o vero brilhando pelo Divino Bem, n. 9823; que ‘Urim’ signifique um fogo que brilha, e ‘Thumim’ resplandescência na língua angélica e integridade na língua hebraica, n. 9905; que, daí, ‘Urim e Thumim’, por correspondência, significa a resplandescência do Divino Vero pelo Divino Bem nos últimos, n. 9905; que aí tenham sido dadas respostas através das variações de luz das pedras preciosas e, ao mesmo tempo, ou por viva voz ou por percepção tácita, n. 3862; que tenham sido gravados os nomes das doze tribos porque por elas foram significados todos os Divinos veros do céu e da igreja, n. 3858, 6335, 6640, 9863, 9865, 9873, 9874 e 9905; além de muitas coisas, n. 9863, 9864, 9866, 9891 e 9895).
[4] Visto que todo poder pertence aos veros do bem, ou ao bem pelos veros, por isso, também,
Sobre as suas pedras Schoham foram gravados os nomes das doze tribos, seis sobre cada uma, e foram postos sobre os dois ombros do éfode Aarão punha sobre as vestes (Êx 28:9-14; 39:6-7),
pelo que era significado o poder do Divino Vero do Divino Bem e, assim, o poder daqueles que recebem o Divino Vero no bem do amor, pois pelas ‘pedras Schoham’ eram significados os veros do bem do amor, pelos ‘ombros’, o poder, e pelas ‘doze tribos’ todos os que estão nos veros do bem. (Que todo poder pertença ao Divino Vero do Divino Bem e, daí, o poder para os que recebem, vide acima, n. 209 e 333; e na obra O Céu e o Inferno, n. 228-233; que os ‘ombros’ signifiquem o poder de todos os modos, nos Arcanos Celestes, n. 4931-4937 e 9836).
[5] Que as ‘tribos’ signifiquem todas as coisas celestes, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Mateus:
“Então aparecerá o sinal do Filho do homem, e então todas as tribos da terra lamentarão; e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu, com poder e glória” (Mt. 24:30);
e no Apocalipse:
“Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, e os que O traspassaram, e chorarão sobre Ele todas as tribos da terra” (Ap. 1:7),
pelo que é significado que no fim da igreja o Senhor há de Se revelar na Palavra pelo sentido interno, e hão de reconhece-Lo todos os que estão nos veros do bem, e também o verão aqueles que estão nos falsos do mal (vide acima, n. 37-39). Que ‘todas as tribos da terra chorarão’ significa que perecerão todos os veros do bem e sucederão os falsos do mal; as ‘tribos da terra’ são todos os que são da igreja e também todas as coisas da igreja.
[6] Em Mateus:
“Disse Jesus” aos discípulos: “Amém vos digo, que vós que Me seguistes na regeneração, quando o Filho do homem Se sentar no trone de Sua glória, vós também vos sentareis em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Mt. 19:28);
e em Lucas:
“Comereis e bebereis em Minha mesa no Meu reino, e se vos sentareis em tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lc. 22:30).
Ninguém há de entender essas palavras a não ser que saiba pelo sentido espiritual o que se entende pelos ‘apóstolos’, pelos ‘tronos’ e pelas ‘tribos de Israel’. Quem não pode saber que não são os apóstolos que hão de julgar, mas o Senhor, somente? pois cada um é julgado segundo a sua vida, e a vida de todos ninguém conhece senão somente o Senhor, e os apóstolos não conhecem nem mesmo a vida de um só. Mas, no sentido espiritual, pelos ‘doze apóstolos’ são significados todos os veros do bem; por ‘sentar-se nos tronos’ é significado o juízo, e pelas ‘doze tribos de Israel’ são significados todos os que são da igreja. Por isso, essas palavras significam que o Senhor há de julgar a todos pelo Divino Vero e segundo a sua recepção no bem.
[7] Que essas coisas sejam significadas pelos ‘apóstolos’ e pelas ‘tribos de Israel’, é claramente evidente pela seguintes palavras no Apocalipse:
A Nova Jerusalém “tinha um grande e alto muro, tendo doze portas, e sobre as portas doze anjos, e nomes escritos, que são as doze tribos dos filhos de Israel;... e o muro tinha doze alicerces, e nestes os doze nomes dos apóstolos do Cordeiro” (Ap. 21:14);
pela ‘Nova Jerusalém” não se entende alguma Jerusalém nova, nem por seu ‘muro’ e suas ‘portas’ se entendem muros e portas; tampouco pelas ‘doze tribos’ e pelos ‘apóstolos’ se entendem doze tribos e os apóstolos. Coisas completamente diversas são significadas por cada uma das coisas, como é evidente somente pelo fato de que pela ‘Nova Jerusalém” se entende uma nova igreja quanto à doutrina. Por isso, ‘anjos’, ‘tribos’ e ‘apóstolos’ significam coisas tais que são dessa nova igreja, as quais se referem todas ao vero, ao bem e à conjunção destes, por conseguinte, aos veros do bem. (Essas coisas, porém, ver-se-ão explicadas na sequência, mas são explicadas sumariamente no opúsculo Doutrina da Nova Jerusalém, n. 1).
[8] Em David:
‘Jerusalém está edificada como cidade como uma cidade que se liga ??? como uma; a ela sobem as tribos, as tribos de Jah, testemunho de Israel, para confessarem o nome de Jehovah” (Sl. 122:3, 4);
também aqui, por ‘Jerusalém’ é significada a igreja quanto à doutrina, de que se diz ‘edificada como cidade que se liga ??? como uma’ quando todas as coisas de sua doutrina são concordantes e unânimes, e quando consideram o Senhor e o amor a Ele proveniente d’Ele como princípio e fim. Diz-se ‘edificada como cidade’ porque ‘cidade’ significa a doutrina. Os veros da doutrina, que consideram, são significados pelas ‘tribos, as tribos de Jah’; pelas ‘tribos’ são significados os veros, e pelas ‘tribos de Jah’ os veros do bem, os quais vêm do Senhor. O culto daí é significado por ‘confessar-se o nome de Jehovah’.
[9] Visto que ‘Israel’ significa a igreja que está nos veros do bem, por isso Israel é chamado na Palavra
“As tribos da herança’ (Is. 63:17; Jr. 10:16; 51:19; Sl.. 74:2).
E visto que pelo ‘Egito’ são significados os verdadeiros conhecimentos que há no homem natural, e sobre eles se fundamentam os veros do bem, que são os veros do homem espiritual, por isso o Egito se chama:
“Pedra angular das tribos” (Is. 19:13);
“pedra angular’ significa o fundamento (vide acima, n. 417). E visto que a ‘terra de Canaan’ significa a igreja, as ‘doze tribos’ todas as coisas da igreja, e cada uma das tribos algum universal e essencial da igreja, por isso aquela terra foi dividida entre as tribos (Nm. 26:5-56; 34:17-28; Js. 15, e seq.). Isto é também claramente evidente em Ezequiel, onde se trata da nova terra, pela qual é significada a nova igreja a ser instaurada pelo Senhor, e foi predito e designado de que maneira ela seria distribuída em herança segundo as doze tribos de Israel (Ez. 47:13, 20), tribos essas que também são numeradas quanto aos seus nomes (Ez. 48 ao fim). Que não se entendam aí as doze tribos de Israel que haviam de herdar a terra, nem alguma tribo ali nomeada, é claramente evidente, pois onze tribos tinham sido espalhadas e misturadas em toda parte entre as nações e, todavia, se diz qual região da terra haveria de herdar a tribo de Dan, qual a de Asher, Naftali, Manassés, Efraim, Rubem, Judah, qual a de Benjamin, Simeão, Issacar, Zebulon e Gade. Por aí se vê que pela ‘terra’ aí se entende a igreja, pelas ‘doze tribos’ se entendem todas as coisas da igreja e por cada uma das tribos algum universal essencial da igreja. O mesmo se dá em relação às ‘doze tribos’ numeradas neste capítulo do Apocalipse, que ‘doze mil de cada tribo fossem assinaladas’ e salvas. Que por ‘doze mil’ aí sejam significados todos e todas as coisas, vê-se no artigo precedente. Mas, quanto a cada uma das tribos significar um universal essencial da igreja, dir-se-á na sequência.
[10] Diz-se quase a mesma coisa em Moisés a respeito da Igreja com os antigos, que existiu antes da Igreja Israelita:
“Lembra dos dias de eternidade, entende os anos de geração e geração; pergunta a teu pai, que te informará, aos teus anciãos, que te ensinarão, quando o Altíssimo deu herança às nações, quando separou os filhos do homem, estabeleceu os termos dos povos conforme o número dos filhos de Israel” (Dt. 32:7, 8).
Tais palavras foram ditas a respeito das igrejas que existiram antes da igreja que foi instituída com os filhos de Israel (a respeito dessas igrejas, vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n. 247). A Igreja Antiquíssima, que existiu antes do dilúvio e era uma igreja celeste ou igreja em que havia o bem do amor ao Senhor, entende-se por ‘dias de eternidade’, ‘quando o Altíssimo deu herança às nações, quando separou os filhos do homem’; pelas ‘nações’ são significados os que estão no bem do amor (vide acima, n. 331), e pelos ‘filhos do homem’, os que estão nos veros do bem (também acima, n. 63 e 151). E a Igreja Antiga, que existiu depois do dilúvio e era uma igreja espiritual, entende-se pelos ‘anos de geração’ e ‘quando o Altíssimo estabeleceu os termos dos povos conforme o número dos filhos de Israel’; pelos ‘povos’ são significados os que estão no bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo (vide também acima, n. 331) e pelo ‘número dos filhos de Israel’ é significado o mesmo que pelas ‘doze tribos’, segundo as quais foram das as heranças (como acima, também em Ezequiel).
[11] Cumpre relatar aqui dois arcanos a respeito das doze tribos:
(i.) Que as ordenações delas representaram as ordenações das sociedades angélicas nos céus, donde foi que representaram todas as coisas da igreja, porque a igreja e o céu agem como um só.
(ii.) Que a representação do céu e da igreja se dá segundo a ordem em que [as tribos] são nomeadas, e o primeiro nome ou a primeira tribo é um índice do que são determinadas as que se seguem, por conseguinte, o assunto do céu e da igreja, com variedade.
(i.) Que as ordenações das doze tribos de Israel tenham representado as ordenações das sociedades angélicas nos céus – por conseguinte, o céu, porque o céu consiste de sociedades angélicas – pode-se ver pelo seguinte: cada tribo representava e, assim, significava algum universal e essencial da igreja, e as doze tribos tomadas juntamente representara todas as coisas da igreja, e a igreja instituída com os filhos de Israel foi uma igreja representativa. Por isso, toda a nação distribuída em doze tribos representou a igreja em todo o conjunto, consequentemente, também o céu, pois os mesmos bens e os mesmos veros que fazem a igreja fazem também o céu, ou, que fazem o céu fazem também a igreja (vide, na obra O Céu e o Inferno, o n. 57).
[12] As ordenações das doze tribos de Israel segundo as ordenações das sociedades angélicas do céu, por conseguinte, segundo a forma do céu, manifestam-se nos acampamentos das tribos descritos em Moisés, a saber
Para o nascente se acampavam as tribos de Judah, Issacar e Zebulon; para o meridião, as tribos de Reuben, Simeão e Gade; para o ocidente, as tribos de Efraim, Manasses e Benjamin; e para o setentrião, as tribos de Dan, Asher e Naftali, e a tribo de Levi no meio dos acampamentos, e na mesma ordem eles marchavam (Nm. 2:1 ao fim).
Aquele que sabe quem e quais são os que habitam na região oriental no céu, e quem e quais são os que habitam na região meridional, na ocidental e na setentrional, e, ao mesmo tempo, sabe o que são e quais são as coisas que são significadas por cada uma das tribos, esse pode conhecer o arcano do porquê no oriente se acampavam as tribos de Judah, Issacar e Zebulon, porquê no meridião as tribos de Reuben, Simeão e Gade, e assim por diante. Somente para ilustração, dir-se-á a respeito das tribos de Judah, Issacar e Zebulon, que se acampavam para o oriente. Pela ‘tribo de Judah’ é significado o bem do amor ao Senhor, pela ‘tribo de Issacar’ é significado o vero desse bem, e pela ‘tribo de Zebulon’, a conjunção do bem e do vero, que também se chama casamento celeste. Os que também habitam na região oriental no céu estão todos no amor ao Senhor, nos veros desse bem e, assim, no casamento celestes. De modo semelhante devem ser entendidas as tribos restantes. (Que todos no céu habitem segundo a sua qualidade em quatro regiões, e que as regiões ali não são como as regiões em nosso mundo solar, vide, na obra O Céu e o Inferno, os n. 141-153).
[13] Como os acampamentos dos filhos de Israel representaram as ordenações das sociedades angélicas no céu, por isso Balaão, quando viu os acampamentos delas, viu em espírito o céu, por assim dizer, e profetizou e as abençoou. A esse respeito lê-se assim em Moisés:
“Balaão... voltou para o deserto as suas faces, e quando ergueu os seus olhos e viu Israel habitando conforme as suas tribos, veio sobre ele o espírito de Deus, e proferiu um enunciado profético, e disse: ... Quão bons são os teus tabernáculos, ó Jacob! e os teus habitáculos, ó Israel! São plantados como vales, como jardins junto ao rio” etc. (Nm. 24:1-4 e seq.).
Que ele então tenha visto os acampamentos dos filhos de Israel segundo as tribos ordenadas como acima, é evidente, pois se diz que ‘voltou as suas faces para o deserto, e viu Israel habitando conforme as suas tribos’, e como então viu nelas a ordem do céu, por veio sobre ele o espírito de Deus, e profetizou, dizendo: ‘quão bons são os teus tabernáculos, ó Jacob! e os teus habitáculos, ó Israel!’; ‘tabernáculos’ e ‘habitáculos’ significam as habitações tais como são nos céus; ‘tabernáculos’, as habitações dos que estão no bem do amor, e ‘habitáculos’ as daqueles que estão nos veros desse bem. As frutificações do bem e as multiplicações do vero, e, daí, a inteligência e a sabedoria, são significadas por ‘são plantados como vales, como jardins junto ao rio’, pois todo bem e, daí, todo vero fluem segundo a forma do céu (como se pode ver pelo que foi mostrado na obra O Céu e o Inferno a respeito da forma do céu segundo a qual há as consociações e comunicações ali, n. 200-212).
[14] (ii.) Que a representação do céu e da igreja se dê segundo a ordem em que as tribos são nomeadas, e que o primeiro nome a ou primeira tribo seja o índice pelo são determinadas todas as coisas que se seguem, por conseguinte, do céu e da igreja, com variedade. Este arcano, todavia, dificilmente pode entrar no entendimento de alguém, a menos que esteja na ideia espiritual. Mesmo assim, dir-se-á em poucas palavras. Seja por exemplo a tribo de Judah a primeiro a ser nomeada. Como por essa tribo é significado o bem do amor, daí, pelo bem do amor como princípio, são determinadas as significações das tribos restantes, que se seguem, e isto com variedade segundo a ordem em que são nomeadas (pois cada uma das tribos significa algum universal da igreja, e o universal admite em si variedades específicas, sendo, assim, um primeiro de que se descende ???). Por isso, todas as coisas na série ali tiram do bem do amor, que é significado pela ‘tribo de Judah’, o seu sentido espiritual em particular. Se em primeiro lugar é nomeada a tribo de Reuben, pela qual é significado o vero na luz e o entendimento do vero, as demais tribos, que se seguem, tiram daí significações concordantes e coincidentes com universal que cada uma significa. Isto ocorre, comparativamente, com as cores, que se mostram tingidas por uma cor primária que se difunde nas restantes e varia os aspectos.
[15] Entendidas essas coisas, pode-se ver de onde era que as respostas sobre qualquer assunto tenham sido dadas pelo Urim e Thumim, pois era a resplandescência das pedras preciosas a partir da origem da cor daquela pedra, sob a qual havia o nome de alguma tribo, da qual a determinação se iniciava. Também as cores dessas pedras correspondiam a universais significados pelas tribos inscritas. Quem sabe isso e, ao mesmo tempo, o universal que cada tribo significa, pode de algum modo perceber, se estiver na iluminação espiritual, o que significam as tribos em sua série, na qual são nomeadas na Palavra, por exemplo, o que significam na série em que nasceram, na qual se seguem, nessa ordem:
Reuben, Simeão, Levi, Judah, Dan, Naftali, Gade, Asher, Issacar, Zebulon, José, Benjamin (Gn. 29; 30; 35:18);
o que é significado na série em que partiram do Egito, na qual são listados nesta ordem:
Reuben, Simeão, Levi, Judah, Issacar, Zebulon, Gade, Asher, José, Benjamin, Dan, Naftali (Gn. 46:9, 21);
o que é significado pelas coisas na série em que são abençoadas pelo patriarca Israel, onde são nomeados nesta ordem:
Reuben, Simeão, Levi, Judah, Zebulon, Issacar, Dan, Gade, Asher, Naftali, José, Benjamin (Gn. 49),
diferentemente de quando foram abençoadas por Moisés, nesta ordem:
Reuben, Judah, Levi, Benjamin, José, Efraim, Manassés, Zebulon, Gade, Dan, Naftali, Asher (Dt. 33),
série em que faltam Simeão e Issacar, e nu lugar deles estão Efraim e Manassés; e o que significado por essas tribos em outras séries (como em Gn. 35:23-26; Nm. 1:5-16; 7:1 ao fim; 13:4-15; 26:5-56; 34:17-28; Dt. 27:12, 13; Js. 15-19; Ez. 48:1 ao fim). (Que as doze tribos signifiquem coisas variadas segundo a ordem em que são nomeadas, e assim também todas as coisas do céu com variedade, vide nos Arcanos Celestes, n. 3862, 3926, 3939, 4603, et seq., 6337, 6640 e 10335). O que, porém, elas significam na série em que são nomeadas no que agora se segue neste capítulo do Apocalipse, dir-se-á abaixo. Com efeito, elas são nomeadas nesta ordem: Judah, Reuben, Gade, Asher, Naftali, Manassés, Simeão, Levi, Issacar, Zebulon, José e Benjamin, sendo deixadas de fora ou não nomeadas as tribos de Dan e Efraim.
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