. “Da tribo de Issacar, doze mil assinalados”. Que isto signifique a fé e a salvação vê-se pela representação e, daí, significação de ‘Issacar’ e sua tribo, que é o que faz o céu e a salvação no homem, pois ‘Issacar’ na língua original significa recompensa, e o que faz o céu e a salvação no homem é o amor e a fé. Daí, ambos são significados pela ‘tribo de Issacar’. Na Palavra mencionam-se muitas vezes ‘recompensa’ e ‘receberá recompensa’, e por ela se entende a vida eterna, a salvação e, por muitos, a alegria celeste. Estas coisas são também significadas por ‘recompensa’, num sentido próximo. Como, porém, é permitido ao homem pensar na vida eterna, na salvação e na alegria celeste se vive uma vida segundo os preceitos do Senhor, mas não lhe é permitido manter a mente focalizada na recompensa – porque, então, tem como fim a recompensa, e facilmente cai no pensamento de que merece o céu e a salvação por causa de sua vida, e esse pensamento faz com que tenham a si mesmo como intenção em cada coisa, intenção essa que o remove do céu, pois tanto quanto o homem se considera nos feitos, menos considera o céu – por isso é que pela ‘recompensa’ na Palavra é significado o que está no céu e na salvação, assim, em geral o amor e a fé, e, daí, a inteligência e a sabedoria. Nestas coisas estão a salvação e o céu, por conseguinte a alegria celeste, tanto quanto o homem não pensa em recompensa. Por aí se pode ver o que é significado por ‘Issacar’ e sua tribo.
[2] Que aqui seja significada a fé é porque a ‘tribo de Simeão’ significa a obediência e a ‘tribo de Levi’ significa as boas obras, e os que estão nas boas obras pela obediência estão na fé, mas os que estão nos bens da vida pela afeição do vero e do bem espiritual estão na caridade; e os que estão no bem da vida pela afeição celeste estão no amor ao Senhor. Assim também os anjos são distinguidos nos céus; no céu íntimo ou terceiro se acham os que estão nos bens da vida pela afeição celeste; no céu médio ou segundo se acham os que estão nos bens da vida pela afeição espiritual; e no céu mais externo ou primeiro os que estão nas boas obras pela obediência. Desses também se diz que estão na fé, pois creem segundo sua compreensão e percebem se são ou não veros. Por isso, o seu pensamento a respeito do que se deve crer se chama fé, pois é propriamente chamado fé o que se crê sem a visão do entendimento e a percepção quanto a ser ou não assim; podem, por isso, crer tanto no falso igualmente no vero. Quando, porém, se vê e se percebe o que se crê, então não se diz fé, mas apercepção e percepção, porque o entendimento iluminado pelo Senhor vê, a vontade é afetada e de ambos segue-se a ação.
[3] Que por ‘Issacar’ e sua tribo seja significada aqui a fé é porque por essas três tribos, de cada uma das quais sendo assinalados doze mil, se entendem todos os que estão no céu mais externo ou primeiro, e dos que estão nesse céu se diz estarem nas boas obras pela obediência e na fé. Muitos deles até chamam a fé só de essencial da salvação, mas, não obstante, não a separam das boas obras, pois dizem que a fé lhes é dada pelo Senhor porque estão nas boas obras, e se não estivessem nelas não lhes seria dada a fé. Os que, porém, separam a fé das boas obras e dizem ser ela o único meio de salvação, e que todos os que vivem por ela são salvos, e confirmam isso pela vida, esses não estão no céu mais externo, mas no inferno.
[4] Os que na mente consideram a recompensa por causa dos bens que fazem e, assim, põem o mérito nas obras, se entendem por ‘Issacar’ na profecias de Israel a respeito de seus filhos:
“Issacar é um asno ossudo que se deita entre a carga, e verá o descanso, que é bom, e a terra, que é agradável, e inclinará o seu ombro para carregar [e será tributo do que serve]” (Gn. 49:14, 15);
‘Issacar’ aí significa a recompensa ou remuneração por causa das obras; ‘asno ossudo’ significa a ínfima servidão; ‘que se deita entre a carga’ significa a vida entre as obras; ‘e verá o descanso, que é bom’ significa as obras do bem sem remuneração cheias de felicidade; e a terra, que é agradável’ significa que nessa felicidade estão os que se acham no reino do Senhor; ‘e inclinará o seu ombro para carregar’ significa que, todavia, opera em toda obra; ‘e será tributo do que serve’ significa para que mereça. (Mas essas coisas se veem mais amplamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 6387-6394).
[5] Aqueles que, todavia, não põem o mérito nos bens que desempenham, visando a recompensa, mas põem o céu e a felicidade da vida eterna no pensar e no querer bem, e, daí, no fazer o bem, e na afeição do vero e do bem espiritual que há nos que estão no casamento celeste, isto é, no casamento do bem e do vero, esses se entendem por estas palavras em Moisés:
“De Zebulon, disse: Alegra-te, Zebulon, em tua saída, e Issacar nas tuas tendas. Eles chamarão os povos no monte; ali sacrificarão sacrifícios de justiça, porque sugarão a abundância do mar, e as coisas escondidas dos ocultos da areia” (Dt. 33:18, 19).
Essas palavras foram ditas a respeito dos estão no casamento do bem e do vero, a saber, nos veros quanto ao entendimento e ao pensamento, e nos bens quanto à vontade e a afeição. ‘Zebulon’ significa esse casamento, e ‘Issacar’ a afeição do vero e do bem; ‘alegrar-se na saída’ significa que têm prazer em todos os veros e bens genuínos; ‘saída’ significa todas as coisas, porque é o último, o efeito e a conclusão’; alegrar-se nas tendas’ significa em todo o culto; ‘chamar os povos no monte’ significa porque estão no céu onde há o bem do amor; ‘sacrificar sacrifícios de justiça’ significa o culto pelos veros que vêm do bem; ‘sugar a abundância do mar’ significa haurir da Palavra os veros da doutrina e, daí, a inteligência; ‘e sugar as coisas escondidas dos ocultos da areia’ significa as coisas espirituais que se encerram no sentido da letra da Palavra.
[6] Visto que as ‘tribos de Judah, de Issacar e de Zebulon’ significavam o céu onde há o bem do amor, a ‘tribo de Judah’ esse bem mesmo, a ‘tribo de Issacar’ a sua afeição, e ‘Zebulon’ a sua conjunção com os veros, por isso
Essas três tribos se acampavam ao oriente da tenda da assembleia (Nm. 2:3-10),
pois ‘ao oriente’ no céu habitam os que estão no bem do amor e, assim, na afeição do bem e do vero, e no casamento ou na conjunção desses, a saber, nos veros quanto à doutrina e nos bens quanto à vida.
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