. (Vers. 8) “Da tribo de Zebulon, doze mil assinalados”. Que isto signifique a conjunção com o Senhor dos que estão no terceiro céu vê-se pela representação e, daí, significação de ‘Zebulon’ e da tribo nomeada segundo ele, que é a conjunção com o Senhor dos que estão no terceiro céu, pois ‘Zebulon’ na língua hebraica se diz da coabitação e ‘coabitação’ no sentido espiritual significa a conjunção, como é a daqueles que se amam. Que ‘Zebulon’ signifique aqui a conjunção com o Senhor dos que estão no terceiro céu é porque pelas nove tribos precedentes são significados todos os que estão nos céus e vêm aos céus, e há três céus, o íntimo, o médio e o mais externo, e ninguém vem ao céu a não ser quem o Senhor conjunta a Si. Por isso, por essas três tribos nomeadas por último é significada a conjunção com o Senhor; pela ‘tribo de Zebulon’, a conjunção com o Senhor dos que estão no terceiro céu; pela ‘tribo de José’, a conjunção com o Senhor dos que estão no segundo céu; e pela ‘tribo de Benjamin’, a conjunção com o Senhor dos que estão no céu mais eterno.
[2] ‘Zebulon’, no sentido supremo, significa a união do Divino mesmo com o Divino Humano no Senhor; no sentido interno, a conjunção do Senhor com o céu e com a igreja, e, em particular, a conjunção do bem e do vero ali, pois essa conjunção faz a conjunção com o Senhor dos que estão nos três céu e na igreja. Com efeito, o Senhor influi neles com o bem do amor e da caridade, e o conjunta aos veros que há neles, e por esse meio conjunta a Si o anjo e o homem. São estas as coisas significadas pela ‘coabitação’, pela qual Zebulon foi chamado. Que estas sejam significadas por ‘Zebulon’ pode-se ver nos Arcanos Celestes (n. 3960 e 2961), onde se acham explicadas as palavras de Léia, sua mãe, quando o deu à luz, as quais são:
“E Léia concebeu, e pariu o sexto filho a Jacob; e Léia disse: Deus me dotou de bons dotes; desta vez coabitará comigo o meu varão, porque lhe pari seis filhos. E chamou o Seu nome Zebulon” (Gn. 30:19, 20).
[3] Por estas significações de ‘Zebulon’ pode-se ver o que é significado por ele nas passagens que se seguem, como na profecia de Israel a respeito de seus filhos:
‘Zebulon habitará no porto dos mares, ele no porto dos barcos, e seu lado sobre Sidon” (Gn. 49:13);
por ‘Zebulon’ aí é significada a conjunção do bem e do vero, que também se chama conjunção celeste; ‘habitar no porto dos mares’ significa a conjunção das coisas espirituais com as verdades naturais (os ‘mares’ são os conhecimentos que são verdades naturais); ‘habitar no porto dos barcos’ significa a conjunção espiritual com as coisas doutrinais da Palavra (os ‘barcos’ são as coisas doutrinais e as cognições de todo gênero); ‘seu lado sobre Sidon’ significa a extensão para as cognições do bem e do vero pelo reino celeste. (Essas coisas, porém, veem-se explicadas mais amplamente nos Arcanos Celestes, n, 6382-6386).
[4] De modo semelhante, na profecia de Moisés sobre os filhos de Israel:
“De Zebulon, disse: Alegra-te, Zebulon, em tua saída, e Issacar nas tuas tendas. Eles chamarão os povos no monte; ali sacrificarão sacrifícios de justiça, porque sugarão a abundância do mar, e as coisas escondidas dos ocultos da areia” (Dt. 33:18, 19);
que ‘Zebulon’ signifique também aqui a conjunção do bem e do vero vê-se num artigo acima (n. 445), onde essa profecia foi explicada. De modo semelhante, na profecia de Débora e de Baraque, no Livro dos Juízes:
“De Maquir descerão os legisladores, e de Zebulon os que fazem sair o cetro do escriba... Zebulon, povo que entregou a alma à morte, e Naftali sobre as alturas do campo. Vieram reis, lutaram, então lutaram os reis de Canaan em Thaanach, junto às águas em Megido. Não tomaram proveito de prata; do céu lutaram; as estrelas desde os caminhos lutaram com Sísera” (Jz. 5:14, 18-20).
Trata-se nesta profecia da luta do vero proveniente do bem contra o falso proveniente do mal; pelo ‘rei de Canaan’ reinante em Hazor e por ‘Sísera’, príncipe de seu exército, que lutaram contra Baraque e Débora, é significado o falso do mal, e por ‘Baraque e Débora’ o vero do bem. E como as ‘tribos de Naftali e de Zebulon’ significavam a luta pelo vero que procede bem, a ‘tribo de Naftali’ a luta, e a ‘tribo de Zebulon’ a conjunção do bem e do erro, por isso somente essas duas tribos foram tomadas para lutar, e não as restante (Vide Jz. 4:6). Que essa luta tenha significado tais coisas, pode-se ver pela profecia iniciada por Baraque e Débora, que trata, no sentido espiritual, da vitória do vero do bem sobre o falso do mal, e da purificação e da reforma da igreja. Aqui, pois. ‘de Maquir descerão os legisladores’ significa que os veros do bem emanam do bem da vida, pois ‘Maquir’ significa o mesmo que ‘Manassés’, porquanto Maquir era filho de Manassés (Gn, 50:23, Js. 13:31); e ‘legisladores’ significam os que estão nos veros do bem e, abstratamente, os veros do bem; ‘e de Zebulon os que fazem sair o cetro do escriba’ significa a inteligência pela conjunção do vero e do bem; ‘Zebulon’ significa aqui, como acima, a conjunção do vero e do bem, e o ‘cetro do escriba’ a inteligência. ‘Zebulon, povo que entregou sua alma à morte, e Naftali sobre as alturas do campo’ significa a luta pelos veros no homem natural, os quais vêm do espiritual e seu influxo e conjunção; ‘alturas do campo’ significam os interiores que são do homem espiritual, pelos quais o homem natural luta. “Vieram reis, lutaram, então lutaram os reis de Canaan’ significa os falsos do mal contra os quais é aluta; ‘em Thaanach, junto às águas em Megido’ significa esses falsos e a sua qualidades. ‘Não tomaram proveito de prata’ significa que nada tomaram nem tiraram do vero proveniente do bem (‘prata’ é o vero do bem); ‘do céu lutaram, as estrelas desde os seus caminhos lutaram com Sísera’ significa a luta pelas cognições do vero e do bem, as quais vêm do Senhor por meio do céu (‘estrelas’ são essas conjunções, e ‘caminhos’ são os veros).
[5] Por ‘Zebulon’ e ‘Naftali’ também é significada a conjunção do vero e do bem pela luta contra os falsos e males, e, assim, a reforma, em Mateus:
Jesus, ‘deixando Nazareth, vindo, habitou em Cafarnaum marítima, e nos fins de Zebulon e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, dizendo: Terra de Zebulon e terra de Naftali, ao caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios. O povo que está sentado nas trevas viu um grande lume, e aos que estão sentados na região da sombra da morte nasceu a luz. Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: Fazei penitência, porque aproximou-se o reino dos céus” (Mt. 4:13-17; Is. 9:1, 2).
Que essas palavras em Isaías sejam ditas a respeito do Senhor é evidente, pois se diz: ‘para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta’. Por isso, ‘terra de Zebulon e terra de Naftali, e Galileia dos gentios’ significam a instauração da igreja entre os gentios que estão no bem da vida e recebem os veros, assim na conjunção do bem e dos veros, e na luta contra os males e falsos. Que a instauração da igreja e a reforma dos gentios se entendam por tais palavras vê-se também pelo fato de se dizer ‘além do Jordão, Galileia dos gentios’, e também: ‘o povo que está sentado nas trevas viu um grande lume, e aos que estão sentados na região da sombra da morte nasceu a luz”.
[6] Por ‘Zebulon’ e por ‘Naftali’, no sentido supremo, é significada a união do Divino mesmo ao Divino Humano do Senhor por meio de tentações admitidas em Si e vitórias pelo próprio poder, em David, Sl. 68:27-29 (que se veem explicadas acima, n. 439). Visto que tais coisas eram significadas por ‘Zebulon’, por isso
A tribo de Judah, unida à tribo de Issacar e com a tribo de Zebulon acampavam-se ao oriente, ao redor da tenda da assembleia (Nm. 2:3-10),
pois os acampamentos dos filhos de Israel ao redor da tenda da assembleia representavam e, daí, significavam as ordenações das sociedades angélicas no céu, e ao oriente no céu se encontram os que estão em conjunção com o Senhor pelo amor a Ele, pois a tribo de Judah representava o amor ao Senhor e a tribo de Zebulon a conjunção com Ele.
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