. (Vers. 16) “Não mais terão fome nem mais sentirão sede”. Que isto signifique que não faltarão para eles o bem e o vero, nem a felicidade, vê-se pela significação de ‘ter fome’, que é falta de bem; aqui, pois, ‘não terão fome’ é que o bem não faltará; e pela significação de ‘ter sentir’ que é a falta do vero; aqui, pois, ‘não terão sede’ é que o vero não faltará. Que por essas mesmas palavras seja significada a felicidade é porque toda felicidade e beatitude que os anjos têm no céu vêm do bem e do vero que eles recebem do Senhor e segundo eles, isto é, segundo a recepção deles. Que toda felicidade celeste, ou que todo regozijo celeste esteja na afeição do bem e do vero, por conseguinte, no casamento do bem e do vero no qual estão os anjos, vê-se na obra O Céu e o Inferno (n. 395-414). Que ‘não terão fome’ signifique que não faltará para eles o bem é porque pelo ‘pão’ é significado o bem do amor, e ‘ter fome’ se diz do pão e da comida. E que ‘não terão sede’ signifique que não lhes faltará o vero é porque pela ‘água’ e pelo ‘vinho’ é significado o vero, e ‘sentir sede’ se diz da água e do vinho. Daí é que muitas vezes se diz na palavra ‘ter fome e sede’, pelo que não se entende a fome e a sede naturais, mas a fome e a sede espirituais, que são a privação, a falta e a ignorância das cognições do vero e do bem, e, ao mesmo tempo, o desejo por elas. Que essas coisas sejam significadas por “ter fome e sede’, ou por ‘fome e sede’, na Palavra, vê-se acima (n. 386), onde muitas passagens a respeito de fome e sede foram citadas e explicadas.
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