. (Vers. 2) “E vi sete anjos, que tinham estado diante de Deus”. Que isto signifique todos os céus mais interiormente e mais estreitamente conjuntos ao Senhor, vê-se pela significação de ‘sete anjos’, que são todos os céus, pois ‘sete’ significa todos e todas as coisas (vide acima, n. 257 e 299); e por ‘anjos’ são significados os céus (também acima, n. 90, 302 e 307); e pela significação de ‘estar diante de Deus’, que é ser conjunto ao Senhor (de que se tratou acima, n. 462 e 477). Por que ‘sete anjos, que tinham estado de pé diante de Deus’ significa que agora todos os céus estavam mais interiormente e mais estreitamente conjuntos ao Senhor, será explicado no artigo seguinte.
[2] 489a. “E lhes foram dadas sete trombetas”. Que isto signifique o influxo deles e, daí, as mudanças de estado e as separações, vê-se pela significação de ‘trombeta’ ou ‘corneta’, que é o Divino Vero que deve ser revelado e é revelado clara e manifestamente (de que se tratou acima, n. 55 e 262); aqui, é o influxo do Divino Bem e Vero pelos céus desde o Senhor, pois por esse influxo se fizeram todas as mudanças e separações, das quais se tratará na sequência, pois todas as vezes que um anjo tocou a trombeta foi descrita uma mudança e fez-se uma separação. Por causa disso, por ‘tocar a trombeta’ é significado na sequência o influxo.
[3] Que todas as mudanças de estado e separações dos maus de entre os bons, e vice-versa, que houve antes do juízo e durante o juízo tenham sido feitas pelo influxo interior do Divino Bem e Vero, mais intenso e mais moderado, do céu desde o Senhor, foi dito e mostrado acima (n. 413, 418, 419 e 426), e também de que maneira isto se faz e a qualidade de efeito que daí resulta. Isto é significado por ‘o anjo encheu o incensário do fogo do altar e o lançou à terra’ (vers. 5) e, em seguida, por ‘os anjos tocaram’. Como isto se faz pelo Senhor por meio dos céus, por o Senhor antes conjuntou os céus a Si mais interiormente e mais estreitamente, pois de outro modo os céus também correriam perigo (???), pelo que isto é significado pelos ‘sete anjos que tinham estado diante de Deus’; ‘estar diante de Deus’ é ser conjunto a Ele, e como são conjuntos mais interiormente e mais estreitamente, então são separados aqueles em que não há bem espiritual algum, pois é unicamente o bem espiritual que conjunta e não algum bem externo ou natural que não tira sua essência e, assim, existência do bem espiritual.
[4] Que os maus sejam separados dos bons quando o Senhor conjunta os anjos mais interiormente e mais estreitamente por um forte influxo no bem espiritual deles e, por aí, nos interiores dos maus, é o que pode ser compreendido por aqueles que estão em alguma inteligência. Com efeito, por esse influxo são abertos também os interiores nos maus que somente tinham simulado o bem nos externos, e ao serem abertos os interiores, manifestam-se os males e falsos que existem interiormente, pelo fato de não terem bem espiritual algum, e o bem externo sem o bem espiritual é somente um bem aparente, simulado e hipócrita em si mesmo. Não parece que isto é assim antes de os interiores serem descobertos e abertos. O bem espiritual é formado pelo Senhor no homem pelos veros e por uma vida segundo eles, mas o bem externo separado do interno espiritual é formado pela vida moral que tem a si mesmo e o mundo por fim, ou as honras, os lucros e os prazeres da carne. Se somente estes são considerados, os Divinos veros não são estimados senão somente como meios de se buscar reputação, a qual tem por fim somente esses externos que foram citados. (A respeito, porém, do bem interno e do bem externo nos bons, e desses bens nos maus, vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n. 36-53). Estas coisa são premissas para compreensão das que se seguem. (Mas vejam-se também as que foram ditas e mostradas acima a respeito deste assunto, nas passagens supracitadas, n. 413, 418, 419 e 426).
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