AE 504

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. Mostrou-se até aqui o que é significado pela ‘saraiva’; resta mostrar também o que é significado pelo ‘fogo’. Na Palavra, pelo ‘fogo’ é significado o bem do amor celeste, e pela ‘chama’ o bem do amor espiritual. No sentido oposto, porém, pelo ‘fogo’ é significado o mal oriundo do amor de si, e pela ‘chama’ o mal oriundo do amor do mundo. Cumpre saber que todos os bens, quaisquer que sejam, tiram sua existência do amor celeste e do amor espiritual, e todos os males, quaisquer que sejam, tiram sua existência do amor de si e do amor do mundo. E como o amor em ambos os sentidos é significado na Palavra pelo ‘fogo’, assim também todo bem e todo mal, os quais existem desses dois amores. Uma vez que na Palavra se fala do ‘fogo’ e do céu e do inferno, e como ainda se ignora que pelo ‘fogo’ aí é significado o amor, quero citar várias passagens da Palavra para trazer à luz o fato de que pelo ‘fogo’, num sentido bom, se entende o amor celeste, e num sentido mal, o amor infernal.
[2] Que pelo ‘fogo’, na Palavra, seja significado o amor celeste é evidente primeiro pela significação do ‘fogo do altar’, que é o amor celeste ou o amor ao Senhor (vide acima, n. 496); e que o ‘fogo’ não do altar tenha semelhante significação, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Ezequiel:
“Quando vi, eis que um vento de tempestade veio do setentrião, [com] grandes nuvens, e um fogo que em si mesmo se recolhia, cujo resplendor estava ao redor, e como que uma aparência de brasas no meio do fogo, e de seu meio uma semelhança de quatro animais. ... O aspecto dos animais era como de brasas de fogo, ardentes como o aspecto de lâmpadas, o mesmo indo entre os animais, assim como o esplendor do fogo, e do fogo saindo relâmpago. ... Acima da expansão que havia sobre as suas cabeças havia uma semelhança de trono, sobre o qual havia um aspecto de homem;... e como como que uma aparência de brasas junto à aparência de fogo dentro dela ao redor, do aspecto de Seus lombos e acima, e do aspecto de Seus lombos e por trás vi como que um aspecto de fogo, cujo esplendor estava ao redor” (Ez. 1:4, 5, 13, 26, 27; 8:2);
pelos querubins, que foram vistos como ‘animais’, entende-se o Senhor quanto à Divina providência e quanto à guarda, a fim de não se ter acesso senão pelo bem do amor. E como essa guarda está nos céus, e principalmente no céu íntimo ou terceiro, por isso esse céu é também significado pelos querubins (vide acima, n. 152, 277, 313, 322, 362 e 462). E como o terceiro céu é significado principalmente por eles, e o Senhor está acima dos céus, por isso também o Senhor foi visto ‘sobre o trono, acima dos querubins’. É evidente, pois, que significa o Divino Amor celeste o ‘fogo’ visto estar no meio dos querubins, cujo esplendor estava ao redor e do qual saía relâmpago, e também ao redor do trono, e dos lombos daquele que estava sentado no trono, acima e por trás, pois o Senhor mesmo é o Divino Amor, e tudo o que procede do Senhor procede do Seu Divino Amor. Aqui, portanto, é o ‘fogo’ cujo resplendor estava ao redor.
[3] Semelhantemente, em Daniel:
“Veio ao Antigo de dias... Suas vestimenta era como a branca neve, e os cabelos de Sua cabeça como a lã pura; Seu trono era como chama de fogo, as suas rodas como fogo ardente; um rio de fogo emanando e saindo dele” (Dn. 7:9, 10, 13);
Pelo ‘Antigo de dias’ também se entende o Senhor; pelo ‘Filho do homem’ aí o Senhor quanto ao Divino Vero, e pelo ‘Antigo de dias’ o Senhor quanto ao Divino Bem ou Divino Amor, que é chamado ‘Antigo de dias’ por causa do tempo antiquíssimo, quando havia a igreja celeste, que esteve no amor ao Senhor. Essa igreja e o céu dos que foram dali se entende pelo ‘trono’, que era como ‘chama de fogo’; pelas ‘rodas’, porém, que eram como ‘fogo ardente’ é significada a doutrina do amor celeste. O Divino Amor mesmo procedente do Senhor é significado pelo ‘fogo emanando e saindo de diante d’Ele’.
[4] Também é relatado em Daniel que ele viu
“Um varão vestido de linho, cujos lombos estavam cingidos com ouro de Ufaz, e Seu corpo como Tharschisch, e Sua face como o aspecto de relâmpago, e Seus olhos como faces de fogo; e Seus braços e pés como o esplendor de bronze polido” (Dn. 10:5, 6).
Que tenha sido o Senhor que foi visto assim por Daniel, pode-se ver pelo Apocalipse, onde o Senhor foi representado diante de João de modo quase semelhante. D’Ele se diz:
“No meio dos sete castiçais um semelhante a Filho do homem... envolto no peito com um cinto de ouro. Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como a branca lã, e Seus olhos como chama de fogo; Seus pés semelhantes ao latão como que feito em fornalha de fogo; ... Seus aspecto era como o sol” (Ap. 1:13-16; 2:18).
Pela descrição do “Filho do homem’ visto por João no meio dos sete castiçais, quase semelhante à descrição do ‘Varão vestido de linho’ e também do ‘Antigo de dias’ vistos por Daniel, é evidente que é o Senhor que foi visto por ambos. Que ‘Suas faces tenham sido vistas como relâmpago e os olhos como chama de fogo’ significa o Divino Amor do Senhor, pois a face no homem é uma imagem representativa das afeições que pertencem ao seu amor, e principalmente os olhos, porque por eles o amor brilha, pois daí eles cintilam como do fogo.
[5] Também a respeito daquele Que estava sentado no cavalo branco se diz que:
Seus olhos foram vistos como chamas de fogo (Ap. 19:12).
Que seja o Senhor quanto à Palavra que aí foi representando, sentado no cavalo branco, é vidente, pois se diz que Aquele que estava sentado sobre o cavalo branco chamava-se ‘Palavra de Deus’ e é ‘o Rei dos reis e o Senhor dos senhores’. Como o fogo significa o Divino Amor, por isso
O Senhor foi visto por Moisés sobre o monte Horebe numa sarça de fogo (Êx. 3:1-3),
e também por isso o Senhor foi visto ‘no fogo’, por Moisés e todo o povo israelita, quando desceu sobre o monte Sinai, a cujo respeito assim se lê em Moisés:
“Todo o monte Sinai fumegava, porque desceu sobre o ele Jehovah, no fogo, tanto que sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha” (Êx. 19:18; . 4:36);
pelo ‘fogo’ ali visto foi também representado o Divino Amor.
[6] Como o ‘fogo’ no sentido supremo significa o Divino Amor do Senhor, por isso foi ordenado que o fogo ardesse continuamente sobre o altar, e que desse fogo se tirasse para o incenso. Daí era que entre com os gregos e os romanos, dentre as suas coisas religiosas, houve o fogo perpétuo, do qual as virgens vestais cuidavam. Que eles também tenham cultuado o fogo como santo é um costume que trouxeram das igrejas antigas, que existiram na Ásia, nas quais todas as coisas eram representativas. Como o ‘fogo’ no sentido supremo significa o Divino Amor, por isso também na tenda da assembleia foi posto um castiçal em que havia sete candeeiros, que queimavam continuamente, de que assim se lê em Moisés:
“Ordena aos filhos de Israel que tragam para ti azeite de oliva [puro], batido, para o castiçal, para fazer os candeeiros acenderem continuamente;... Aarão o ordenará desde a tarde até a manhã diante de Jehovah, continuamente;... sobre o castiçal puro ordenará os candeeiros diante de Jehovah continuamente” (Lv. 24:2-4; E sobre o próprio castiçal, Êx. 25:31 ; 37:17-24; 40:24, 25; Nm. 8:2-4).
O mesmo é significado pelas ‘sete lâmpadas de fogo’ ardendo diante do trono de Deus (Ap. 4:5).
Pelo ‘fogo do altar’, porém, era significado o Divino Amor celeste, e pelo ‘fogo do castiçal’, que era a chama, era significado o Divino Amor espiritual. Daí é também que pelo ‘azeite’ do qual havia o fogo da chama nos candeeiros do castiçal era significado o Divino Amor, bem como pelo
‘Azeite’ que as cinco virgens prudentes tinham nas lâmpadas, e que as cinco virgens néscias não tinham (Mt. 25:1-12).
[7] Pelo ‘fogo’ é também significado o Divino Amor do Senhor nos evangelhos:
João disse: “Eu vos batizo com água... mas” Jesus “batizará com o Espírito Santo e fogo” (Mt. 3:11; Lc. 3:16);
Batizar com ‘Espírito Santo e fogo’ significa regenerar o homem pelo Divino Vero e pelo Divino Bem do Amor que vem d’Ele; ‘Espírito Santo’ é o Divino Vero procedente do Senhor, e ‘fogo’ é o Divino Amor do qual procede.
[8] Pelo ‘fogo’ [ignem] é significado algo semelhante ao que é significado pelo ‘fogo’ [focum] em Isaías:
Jehovah, “cujo fogo está em Sião, e Sua fornalha em Jerusalém” (Is. 31:9);
diz-se ‘cujo fogo está em Sião’ porque ‘Sião’ significa a igreja em que há o amor celeste; e ‘fornalha em Jerusalém’ porque ‘Jerusalém’ significa a igreja em que há o vero da doutrina. O amor celeste é relativamente o fogo, e o vero da doutrina é como a fornalha em que são feitos os pães.
[9] Visto que o bem do amor foi significado pelo ‘fogo’ e o culto pelo bem do amor foi significado pelos ‘holocaustos’, por isso às vezes foi enviado fogo do céu que consumia o holocausto, por exemplo, quanto se fazia holocausto por expiação do povo, a cujo respeito assim se lê em Moisés:
Feito isto, ‘saiu fogo do céu de diante de Jehovah e devorou o holocausto sobre o altar, e as gorduras; e todo o povo viu, e eles aplaudiram, e caíram sobre suas faces” (Lv. 9:24);
Semelhantemente,
Que fogo do céu devorou o holocausto de Elias, e a lenha e as pedras, e o pó, e lambeu as águas que estavam ao redor, no rego” (I Re. 1 18:38);
por esse ‘fogo’ era também significado o Divino Amor e, daí, a aceitação do culto pelo bem do amor.
Igualmente pelo fogo que subiu da rocha e devorou a carne e os ázimos que Gideão trouxe ao anjo de Deus (Jz. 6:21).
O Divino Amor foi também significado em
Que o gado fosse assado no fogo, e não cozido com águas, e que o resto fosse queimado no fogo pela manhã (Êx. 12:8-10).
(A explicação desses versículos se vê nos Arcanos Celestes, n. 7852-7861).
[10] O Divino Amor do Senhor era também significado pelo fogo em que o Senhor ia adiante dos filhos de Israel no deserto, quando faziam as jornadas, e também pelo fogo sobre a tenda da assembleia durante a noite, a cujo respeito assim se lê em Moisés:
“Jehovah ia adiante deles de dia numa coluna de nuvem, para conduzi-los no caminho, e de noite numa coluna de fogo, para alumiá-los;... a coluna de nuvem não se afastava de dia, nem a coluna de fogo de noite, diante do povo” (Êx. 13:21, 22; Nm. 9:15-23; Dt. 1:33);
e em outra passagem:
“Que a nuvem de Jehovah estivesse sobre o habitáculo de dia, e o fogo de noite sobre ele, aos olhos de toda a casa de Israel, em todas as jornadas deles” (Êx. 40:38; Sl. 105:32, 39);
Que a ‘nuvem tenha aparecido de dia, e o fogo de noite’ representava a guarda do céu e da igreja, pelo Senhor, pois pelo tabernáculo eram representados o céu e a igreja, e pela nuvem e pelo fogo, a guarda. Com efeito, o ‘dia’, quando havia a nuvem, significava o Divino Vero na luz, e ‘noite’ o Divino Vero na sombra. Para não serem prejudicados pela luz excessiva, eram guardados por uma nuvem, e para não serem prejudicados pela sombra excessiva, eram guardados por um fogo brilhante.
[11] Que tais coisas tenham sido representadas por estas, pode-se ver em Isaías:
“Criará Jehovah, sobre todo habitáculo do monte Sião e sobre a sua convocação, uma nuvem de dia, e fumaça e esplendor de chama de fogo de noite, pois sobre toda gloria há uma cobertura; e o tabernáculo estará na sombra de dia, por causa do ardor, e será por refugio e esconderijo contra a inundação e a chuva” (Is. 4:5, 6);
Pelo ‘habitáculo do monte Sião’ é significado o bem da igreja celeste, por ‘sua convocação’ são significados os veros desse bem. A guarda para que não fosse prejudicado pela luz excessiva e pela sombra excessiva é significada pela ‘nuvem de dia’ e pela ‘fumaça’ e ‘esplendor de chama de fogo de noite’. Por isso se diz que ‘sobre toda glória há uma cobertura’ e que ‘o tabernáculo estará na sobre de dia por causa do ardor’. A fim de que os falsos não irrompam pela luz excessiva e pela sombra excessiva é significado por ‘será por refugio e esconderijo contra a inundação e a chuva’; ‘inundação e chuva’ é a irrupção dos falsos.
[12] Em Zacarias:
“Eu serei” para Jerusalém “um muro de fogo em redor, e estarei em glória no seu meio” (Zc. 2:5);
‘muro de fogo’ significa a proteção pelo Divino Amor, pois este os infernos não podem agredir; ‘glória’ no seu meio é, daí, o Divino Vero na luz em toda parte. Visto que o ‘fogo’ significava o Divino Amor, por isso também os holocaustos eram chamados
“Ofertas queimadas a Jehovah” e “ofertas queimadas de odor de repouso a Jehovah” (Êx. 29:18; Lv. 1:9, 13, 17; 2:2, 9, 10, 11; 3:5, 16; 4:35; 5:12; 7:30; 21:6; Nm. 28:2; Dt. 18:1),
pelo que era significado que eram aceitas por causa da representação do culto pelo bem do amor. Os holocaustos representavam esse culto, porque neles animais inteiros eram queimados no fogo e consumidos.
[13] Porquanto a Palavra é o Divino Vero mesmo unido ao Divino Bem, pois em toda parte ali existe um casamento do bem e do vero,
Por isso Elias foi visto subir ao céu num carro de fogo e cavalos de fogo (2 Re. 2:11);
E por isso ao redor de Eliseu viu-se o monte cheio de cavalos e carros de fogo (2 Re. 6:7),
porque por Elias e por Eliseu era representado o Senhor quanto à Palavra; assim, pelo ‘carro’ era significada a doutrina proveniente da Palavra, e pelos ‘cavalos’ o entendimento da Palavra.
[14] Que o ‘fogo’ signifique o amor, é evidente também em David:
Jehovah “faz de Seus anjos espíritos, de Seus ministros um fogo flamejante” (Sl. 104:4);
que faça ‘de anjos espíritos’ significa que os faz recipientes do Divino Vero, por conseguinte, Divinos veros; e que faça ‘de Seus ministros um fogo flamejante’ significa que os faz recipientes do Divino Bem, por conseguintes, Divinos bens. (Que pelos ‘anjos’ na Palavra se entenda o Senhor quanto ao Divino Vero, e, no sentido relativo, se entendam os recipientes do Divino Vero proveniente do Senhor, vê-se acima, n. 130, 200 e 302; e que por ‘ministros’ sejam significados os recipientes do Divino Bem, que é do Divino Amor, também acima, n. 155). Daí é evidente que pelo ‘fogo flamejante’ é significado o bem do amor. Que o ‘fogo’ signifique o amor é porque o Senhor aparece no céu angélico como Sol, pelo Divino Amor, Sol esse do qual procedem o calor e a luz, e nos céus o calor proveniente do Senhor como Sol é o Divino Bem do Amor, e a luz proveniente do Senhor como Sol é o Divino Vero. Assim é que na Palavra o ‘fogo’ significa o bem do amor, e a ‘luz’ o vero do bem. (Que o Senhor apareça no céu angélico como sol pelo Divino Amor, vide na obra O Céu e o Inferno os n. 116-125; e que a luz desse sol seja o Divino Vero e o calor desse Sol seja o Divino Bem, n. 126-140 e também n. 567 e 568 ali). É da correspondência do fogo com o amor que na linguagem comum se diz ‘abrasar’, ‘queimar’, ‘arder’, ‘ferver’, ‘inflamar’ e expressões semelhantes, quando a conversa é sobre as afeições que pertencem ao amor. O homem também se abrasa pelo amor, qualquer que seja, segundo o grau deste.
[15] Essas coisas são a respeito da significação de ‘fogo’, na Palavra, onde é atribuído ao Senhor e onde se fala do céu e da igreja. Onde, porém, o ‘fogo’ na Palavra se refere aos males e aos infernos, ele então significa o amor de si e do mundo, e, daí, toda afeição má e cobiça, as quais atormentam os ímpios após a morte, nos infernos. A razão por que o ‘fogo’ significa essas coisas opostos é porque o Divino Amor, que desce do céu e cai nas sociedades onde estão os maus, é convertido em amor contrário ao Divino Amor e, assim, em vários adores de cobiças e concupiscências, por conseguinte em males de todo gênero e também em tormentos, porque os males trazem consigo as penas do mal. Por causa dessa conversão do Divino Amor em amor infernal nos maus, os infernos onde reinam os amores de si e do mundo e onde reinam os ódios e as vinganças se parecem com um incêndio, tanto por dentro quanto ao redor, ainda que a turba diabólica que está ali não perceba fogo algum. De fato, por causa desses amores a turba que está em tais infernos aparece com a face inflamada e avermelhada como se de fogo.
[16] Estas são, pois, as coisas significadas pelo ‘fogo’ nas seguintes passagens. Em Isaías:
“Arderá como fogo a malícia, comerá o espinheiro e a sarça, e incendiará emaranhada floresta, para se elevarem em elação de fumaça;... e o povo se tornou comida de fogo; não pouparão, [cada] varão ao seu irmão” (Is. 9:18, 19);
no mesmo:
“Todo o povo... será para combustão, comida de fogo” (Is. 9:5);
no mesmo:
Ó assírios, “concebeis palha, paris restolho; vosso espírito, o fogo vos comerá. Assim serão povos queimados em cal, espinhos cortados que são acesos; ... Quem de nós ficará no fogo que come? Quem de nós ficará nas labaredas de eternidade? (Is. 33:11, 12, 14);
pelos ‘assírios’ se entendem os que pelos falsos das falácias raciocinam contra os veros e bens da igreja pela própria inteligência, assim, pelo amor de si. Esses são descritos aqui.
[17] No mesmo:
No dia da vingança de Jehovah... “as torrentes da terra se converterão em pez, e o pó da terra em enxofre. E a terra está em pez ardente, noite e dia não se extinguirá; na eternidade subirá a sua fumaça” (34:8-10);
no mesmo:
“Tornaram-se como restolho, o fogo os queimou. Não arrebatarão sua alma da mão da chama” (Is. 47:14);
no mesmo:
“Eis, todos vós que acendeis fogo, que vos cingis de centelhas, ide na labareda de vosso fogo, e nas centelhas que acendestes” (Is. 50:11);
no mesmo:
“O verme deles não morrerá, e o fogo deles não se extinguirá” (Is. 66:24);
em Ezequiel:
“Entregar-te-ei na mão dos varões ardentes... serás por comida de fogo” (Ez. 21:31, 32);
em David:
“[Tu] os porás como fornalha de fogo no tempo de Tua ira... e o fogo os comerá” (Sl. 21:9);
no mesmo:
“Brasas cubram” os ímpios, “o fogo os lance em covas, não ressurjam” (Sl. 140:10);
em Mateus:
“Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada no fogo. Limpará a sua eira, ajuntará o Seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mt. 3:10, 12; Lc. 3:9, 17);
no mesmo:
“Assim como... o joio é queimado no fogo, assim será na consumação do século” (Mt. 13:40);
no mesmo:
“Enviará o Filho do homem os seus anjos, que ajuntarão do Seu reino todas as coisas escandalosas, e os que praticam iniquidade, e os lançarão na fornalha de fogo” (Mt. 13:41, 42, 50);
no mesmo:
Disse àqueles que estavam à esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos” (Mt. 25:41);
no mesmo:
“Quem disser ao seu irmão: Tolo, estará sujeito à gehena de fogo” (Mt. 5:22, igualmente ao cap. 18:8, 9; Mc. 9:45, 47);
em Lucas:
O rico, no inferno, disse: “Pai Abrahão... manda a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo em água e refresque a minha língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc. 16:24);
no mesmo:
“Quando Ló saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, e os destruiu...; assim será no dia em que o Filho do homem será revelado” (Lc. 17:29, 30);
no Apocalipse:
“Se alguém adorar a besta... beberá do vinho da ira de Deus... e será atormentado em fogo e enxofre” (Ap. 14:9, 10);
em outra passagem:
A besta e o falso profeta “foram lançados vivos... no lago de fogo ardente e enxofre” (Ap. 19:20);
[18] Num artigo acima, onde se tratou da saraiva, foi dito que o Divino descendo do céu a uma esfera inferior, onde estão os maus, produz um efeito contrário ao que produz no céu mesmo, ou seja, no céu vivifica e conjunta, mas nos inferiores, onde estão os maus, mortifica e separa. A causa disso é que o influxo Divino do céu nos bons abre a mente espiritual e a adapta para receber, mas nos maus, em quem não há mente espiritual alguma, abre os interiores de sua mente natural, onde residem os males e falsos. Daí vem eles terem aversão a todo bem do céu, ódio aos veros e concupiscência em relação a todo crime, daí havendo sua separação dos bons e logo depois a danação. Esse influxo nos bons, dos quais se falou agora, aparece no céu como um fogo vivicante, recreante e que conjunta, mas embaixo, nos maus, aparece como fogo e consome e devasta.
[19] Visto que há tal efeito do Divino Amor emanando do céu, por isso na Palavra se atribui tantas vezes a Jehovah, isto é, ao Senhor, a ira e a inflamação – ira pelo fogo e inflamação pelo calor do fogo – e também se diz ‘fogo de Sal ira’ e que é ‘um fogo que consome’, além de várias coisas semelhantes. Dizem-se tais coisas não pelo fato de o fogo procedente do Senhor ser assim, pois em sua origem é o Divino Amor, mas porque assim se torna nos maus, que se iram e inflamam por causa do influxo. Que isto seja assim, pode-se ver pelo fogo que apareceu sobre o monte Sinai, quando o Senhor desceu sobre ele e promulgou a Lei. Tal fogo, ainda que em sua origem tenha sido o Divino Amor, do qual vem o Divino Vero, todavia apareceu ao povo israelita como um fogo que consome, diante do qual tremeram muito (Êx. 19:18; 20:18; Dt. 4:11, 12, 15, 33, 36; 5:5, 22-26), porque com o povo israelita não havia interno espiritual algum, mas o interno natural, que gera todo gênero de mal e falso, e o Senhor aparece a cada um segundo a sua qualidade. (Que os filhos de Jacob tenham sido tais, vê-se na obra Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248).
[20] Assim é que Jehovah, isto é, o Senhor, é chamado na Palavra ‘fogo que consome’, nestas passagens:
“Jehovah Deus é um fogo que consome” (Dt. 4:24);
em Isaías:
“Eis que Jehovah virá em fogo, e como uma procela o Seu carro... em chamas de fogo; porque em fogo Jehovah contenderá, e em Sua espada com toda carne, e serão multiplicados os feridos de Jehovah” (Is. 66:15, 16);
no mesmo:
“Serás visitado... com chama de fogo que devora” (Is. 29:6);
no mesmo:
“Na indignação da ira” de Jehovah, “e chama de fogo que devora, em dispersão, inundação e pedra de saraiva” (Is. 30:30);
em David:
“Subiu a fumaça de Seu nariz, e o fogo de Sua boca devorou; brasas se acenderam;... pelo esplendor diante d’Ele passaram nuvens, saraiva e brasas de fogo. Jehovah trovejou desde os céus, e o Altíssimo proferiu a Sua voz, saraiva e brasas de fogo” (Sl. 18:8, 12, 13);
no mesmo:
“Virá o nosso Deus e [não] se calará; um fogo devorará diante d’Ele” (Sl. 50:3);
no mesmo:
Jehovah “fará chover sobre os ímpios laços (???), fogo e enxofre” (Sl. 11:6);
em Ezequiel:
“Porei Minhas faces contra eles, para que ainda que do fogo saiam, o fogo todavia os devore... e porei a terra em devastação, porque prevaricaram prevaricações” (Ez. 15:4, 6-8);
em Moisés:
“Um fogo foi aceso na Minha ira, e arderá até o ínfimo inferno, e devorará a terra e a sua produção, e inflamará os fundamentos dos montes” (Dt. 32:22).
Tais coisas aparecem no mundo espiritual, quando o Divino Bem e Vero desce do céu em direção aos inferiores ali, onde estão os maus que devem ser separados dos bons e dispersos. Pelas aparências ali elas foram ditas assim. E visto que o fogo que desce dos céus, o qual em sua origem é o Divino Amor, ao ser recebido pelos maus ali se torna fogo que consome, por isso tal fogo na Palavra é atribuído a Jehovah. O fogo infernal não vem de outra parte senão da mudança do Divino Amor em amores maus e em medonhas cobiças de fazer o mal e causar dano.
[21] Isto também foi representado
Pelo fogo caído do céu que consumiu Sodoma e Gomorra (Gn. 19:24);
Pelo fogo que consumiu Nadabe e Abiú, filhos de Aarão, por terem queimado incenso de fogo estranho (Lv. 10:1 e seq.);
pelo ‘incenso de fogo estranho’ é significado o culto por outra amor que não do Senhor;
e, também,
Pelo fogo que consumiu a extremidade do acampamento dos filhos de Israel, por causa de suas concupiscências, (Nm. 1-3).
Algo semelhante foi representado por
Os egípcios terem perecido no Mar Vermelho, quando Jehovah, da coluna de fogo e de nuvem, olhou os acampamentos deles (Êx. 14:24-27).
Que esse fogo tenha sido em sua origem o Divino Amor brilhando diante dos filhos de Israel em suas jornadas e sobre o tabernáculo nas noites, foi mostrado num artigo acima. No entanto, a vista de Jehovah a partir dali perturbou completamente e destruiu os acampamentos dos egípcios.
[22] Que um fogo descendo do céu tenha parecido consumir os maus no mundo espiritual vê-se no Apocalipse, onde isto foi visto por João, pois disse:
Que desceu fogo do céu e consumiu Gog e Magog, e a sua turba (Ap. 20:9; Ez. 38:22);
‘consumir’ aí significa dispersar e lançar no inferno. Assim também se diz em Isaías:
“A Luz de Israel será por fogo, e o seu Santo por chama, que subirá e devorará o sua espinheiro e a sua sarça em um só dia” (Is. 10:17);
pelo ‘espinheiro’ e pela ‘sarça’ são significados os males e falsos da doutrina da igreja. A destruição destes pelo Divino Vero descendo do céu é significada por ‘a Luz de Israel será por fogo, e o seu Santo por chama’.
[23] Visto que pelo ‘fogo’, no sentido oposto ou relativamente aos maus, é significado propriamente o amor de si e pela ‘chama’ o amor do mundo, por isso, também, pelo ‘fogo’ é significado todo mal, como a inimizade, o ódio, a vingança e vários outros, pois todos os males brotam dessas duas origens (vide Doutrina da Nova Jerusalém n. 75). Consequentemente, pelo ‘fogo’ é também significada a destruição do homem quanto à vida espiritual e, assim, a danação e o inferno. Essas coisas são significadas pelo ‘fogo’ porque pelo ‘fogo’ é significado o amor, como se pode ver ainda pelas seguintes passagens. Em Isaías:
“Verão e consumir-se-ão em ódio os povos; também o fogo devorará os teus inimigos” (Is. 26:11);
a destruição dos maus, que aqui se entendem pelos ‘povos’ e pelos ‘inimigos’, é descrita pelo ‘ódio’ e pelo ‘fogo’.
[24] No mesmo:
“Quando passares pelas águas, Eu [estarei] contigo; e pelos rios, eles não te submergirão; quando fores pelo fogo, não serás queimado, e a chama não arderá em ti” (Is. 43:2);
‘passar pelas águas e pelos rios e não ser submerso’ significa que os falsos e os raciocínios pelos falsos contra os veros não entrarão nem corromperão; as ‘águas’ aqui são os falsos, e os ‘rios’ são os raciocínios pelos falsos contra os veros; ‘ir pelo fogo e não ser queimado, e não arder em chama’ significa que os males e as cobiças oriundas deles não farão dano; ‘fogo’ significa os males, e ‘chama’ as cobiças daí.
[25] No mesmo:
“A casa de nossa santidade e nossa glória [decus], onde Te louvarão os nossos pais, tornou-se um incêndio de fogo, e todas as nossas coisas desejáveis se tornaram desolação” (Is. 64:11);
‘casa de santidade’ e ‘glória’ significam a igreja celeste e espiritual; ‘casa de santidade’ a igreja celeste, e ‘glória’ a igreja espiritual; ‘onde Te louvaram nossos pais’ significa o culto da Igreja Antiga; ‘louvar’ significa adorar, e ‘pais’ os que foram da Igreja Antiga; ‘tornou-se um incêndio de fogo’ significa que todos os bens dessa igreja foram mudados em males, pelos quais os bens foram consumidos e pereceram; ‘e todas as nossas coisas desejáveis se tornaram desolação’ significa que todos os veros semelhantemente; ‘coisas desejáveis’, na Palavra, significam os veros da igreja.
[26] No mesmo:
“Sereis como o carvalho que lança sua folhagem, e como um jardim que não tem água; e o forte será por estopa, e a sua obra por centelha, para serem queimados ambos juntamente, sem haver quem os apague” (Is. 1:30, 31);
pelo ‘carvalho’ é significado o homem natural, pela ‘folhagem’ os conhecimentos e as cognições do vero ali; pelo ‘jardim’ é significado o homem racional. Assim, por ‘sereis como o carvalho que lança sua folhagem, e como jardim que não tem água’ é significado que não há mais conhecimento verdadeiro nem racional verdadeiro. Pelo ‘forte’ e por ‘sua obra’ é significado o que se tira da própria inteligência; ‘forte’, na Palavra, algumas vezes se diz dos que se creem fortes por sua própria inteligência, e ‘sua obra´ é o que ele tira daí. E visto que proprium do homem absorve todo mal e falso, e por estes destrói todo bem e vero, por isso diz ‘o forte será por estopa, e sua obra por centelha, e serão queimados juntamente’; perecer pelos falsos do mal é significado por ‘queimar-se’.
[27] Em Ezequiel:
“Tua mãe [era] como videira... agora foi plantada no deserto, numa terra de aridez e de sede; saiu fogo da vara de seus ramos, devorou a eles e ao seu fruto” (Ez. 19:10, 12-14);
pela ‘mãe’ que era ‘como videira’ é significada a Igreja Antiga, que esteve no bem da vida e, daí, nos veros; que a igreja agora está sem bens e veros é significado por ser ela ‘agora plantada no deserto, numa terra de aridez e de sede’; ‘terra de aridez’ é a igreja onde não há bem, e ‘terra de sede’ onde não há vero; ‘saiu fogo da vara dos seus ramos, devorou a eles e ao seu fruto’ significa que o mal e o falso destruiu todo vero e bem; ‘fogo’ é o mal, ‘vara dos ramos’ é o falso da doutrina em que há o mal; ‘devorá-los e ao seu fruto’ é destruir o vero e o bem. O mal do falso é o mal que procede do falso da doutrina.
[28] Em Zacarias:
“O Senhor empobrecerá” Tiro “e ferirá no mar a sua riqueza, e ela será devorada pelo fogo” (Zc. 9:4);
por ‘Tiro’ é significada a igreja quanto às cognições do vero e do bem; assim, por ‘Tiro’ são significadas as cognições do vero e do bem que são da igreja. Sua devastação pelos falsos e pelos males é significada por ‘o Senhor ferirá no mar a sua riqueza, e ela será devorada pelo fogo’.
[29] Em David:
Os inimigos “lançaram ao fogo o Teu santuário, até a terra profanaram o habitáculo de Teu nome;.... queimaram todos os lugares festivos de Deus na terra;.... não há mais profeta, nem conosco alguém que saiba até quando” (Sl 74:7-9 );
que as cobiças oriundas dos maus amores tenham destruído os veros e bens da igreja é significado por ‘os inimigos lançaram ao fogo o santuário e profanaram o habitáculo do nome de Jehovah’; que tenham totalmente destruído todas as coisas do culto Divino é significado por ‘queimaram todos os lugares festivos de Deus na terra’; que não haja mais doutrina do vero nem entendimento do vero é significado por ‘não há mais profeta, nem conosco alguém que saiba’.
[30] Em Moisés:
Se varões de Belial impelissem os habitantes da cidade para servirem a outros deuses, todos seriam feridos à boca da espada, e a cidade, como todo despojo, seria queimada no fogo (Dt. 13:14-17);
por estas palavras no sentido espiritual é significado que a doutrina, de que vem o culto, que reconhecer outro deus além do Senhor, deve ser aniquilada, pois nela nada há senão os falsos provenientes de cobiças más. Isto é significado no sentido espiritual por essas expressões porque pela ‘cidade’, na Palavra, é significada doutrina, e por ‘servir a doutros deuses’ é significado reconhecer e adorar outro deus além do Senhor; pela ‘espada’ é significada a destruição do bem pelo mal.
[31] Em Lucas:
O Senhor disse que veio lançar fogo à terra, e que mais queria se já estava aceso? (Lc. 12: 49),
pelo que são significadas as hostilidades e lutas entre o mal e o bem, e entre o vero e o falso, pois antes de o Senhor vir ao mundo existiram na igreja meros falsos e males, por conseguinte, nenhuma luta entre eles e os bens e veros, mas depois que os veros e bens foram abertos pelo Senhor, então as lutas puderam pela primeira vez existir, e sem a luta entre eles não há reforma. É isto, pois, que se entende por ‘querer que o fogo já estivesse aceso’. Que seja este o entendimento dessas palavras é evidente pela sequência ali, onde se diz:
Que Ele veio para fazer divisão; “porque desde agora estarão cinco em uma casa dividida;... o pai será dividido contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe” (Lc. 12:51-53);
por ‘pai contra o filho’ e ‘filho contra o pai’ entende-se o mal contra o vero e o vero contra o mal; e por ‘mãe contra a filha’ e ‘filha contra a mãe’ se entende a cobiça do falso contra a afeição do vero e vice-versa; ‘em uma casa’ é em um homem.
[32] Como por ‘filhos’ na Palavra são significados os veros da igreja, e por ‘filhas’ os seus bens, pode-se ver o que é significado por ‘queimar filhos e filhas’ em Jeremias:
“Edificaram os altos de Tofete no vale de Hinnom, para queimarem seus filhos e suas filhas” (Jr. 7:31);
no mesmo:
“Farei ouvir contra Rabbath de Amon um clangor de guerra... e suas filhas serão queimadas no fogo” (Jr. 49:2);
e em Ezequiel:
“Quando levantardes vossas ofertas, quando fazeis passar seus filhos pelo fogo” (Ez. 20:31):
por ‘queimar filhos e filhas no fogo’ é significado destruir os veros e bens da igreja pelas más cobiças ou pelos maus amores. Tenham ou não cometido tais abominações, ainda assim por eles é significada a destruição do vero e do bem da igreja por concupiscências horrendas e abomináveis, as quais eles confirmaram por meio de falsos.
[33] Por aí agora se pode ver o que é significado por ‘saraiva e fogo misturado com sangue e lançados na terra, pelo que a terça parte das árvores foi queimada, e toda a grama verde foi queimada’, ou seja, que é significado o influxo do céu, e daí a primeira mudança antes do juízo final. O que, porém, é significado pela ‘árvore’ e pela ‘grama verde’ dir-se-á na sequência. O mesmo também é dito onde se trata das pragas no Egito, que precederam a sua última destruição, que foi a submersão no Mar Vermelho, a saber:
Que faria chover saraiva, na qual andaria o fogo, sobre a terra do Egito, pela qual seria ferida erva do campo e quebrada toda árvore do campo (Êx 9:18-35).
[34] Que antes do ‘dia de Jehovah’, que é o juízo final, existiriam coisas semelhantes, foi predito também nos Profetas. Em Joel:
“O dia de Jehovah... dia de trevas e de escuridão;... antes dele o fogo devorará, e após ele a chama inflamará” (Jl. 2: 1-3);
no mesmo:
“Porei prodígios no céu e na terra, sangue e fogo e colunas de fumaça; o sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia de Jehovah” (Jl. 2:30, 31);
no mesmo:
“O fogo devorou os habitáculos do deserto, e a chama inflamou todas as árvores do campo” (Jl. 1:19, 20);
e em Ezequiel:
“Dize à floresta do meio-dia: Eis que Eu acendo em ti um fogo que devorará em ti toda árvore verde; não se extinguirá a chama de graves chamas, pelo que serão queimadas nele todas as faces, desde o meio-dia até o setentrião” (20:47);
pela ‘floresta do meio-dia’ é significada a igreja que pode estar na luz do vero da Palavra, mas agora está sem luz espiritual, somente nas cognições; pelas “árvores”, que fogo devorará, são significadas essas cognições. Que as más cobiças também as privariam de toda vida espiritual, e que não haveria mais vero algum na claridade, tampouco algum resto na obscuridade, é significado por ‘queimarão todas as faces da terra, desde o meio-dia até o setentrião’. Pela significação conhecida de ‘fogo’ em ambos os sentidos, pode-se ver o que é também significado na Palavra por ‘abrasar’, ‘arder’, ‘ferver’, ‘ser queimado’ e ‘incendiado’ ??? e por ‘abrasamento’, ‘ardor’, ‘fervura’, ‘combustão’, ‘incêndio’, ‘fogo’, brasas e várias outras coisas.

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