AE 506

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E a terça parte das árvores foi queimada.” - Que isto signifique que as percepções e cognições do vero e do bem pereceram pelas cobiças oriundas dos maus amores é evidente pela significação de ‘terça parte’, quando se diz dos veros, que é tudo (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘árvores’, que são os interiores do homem que pertencem à sua mente (de que se tratou acima, n. 109), e, daí, percepções dos veros e dos bens, e as suas cognições (acima, n. 420); e pela significação de ‘ser queimado’, que é perecer pelas cobiças oriundas de amores maus, de que se tratou logo acima (n. 504), onde se mostrou que o ‘fogo’ significa essas cobiças, pelo que ‘ser queimado’ é perecer por elas.
[2] Que ‘a terça parte’ signifique tudo, e, assim, ‘a terça parte das árvores’ signifique toda percepção dos veros e dos bens, por conseguinte, todas as cognições destes, é porque ‘três’ signifique o que é pleno, o todo e tudo, e estes termos se dizem dos veros. Assim, é do mesmo modo em relação a ‘terça parte’, pois ‘terceiro’ significa isso. E, além disse, os números multiplicados e divididos entre significam as mesmas coisas que os números inteiros (vide acima, n. 430). Que a ‘terça parte’ signifique tudo e se atribua ao vero vê-se também acima (n. 384). O mesmo é significado por ‘terça parte’ no que se segue:
“A terça parte do mar tornou-se sangue” (Ap. 8:8);
“Morreu a terça parte das criaturas no mar” (Ap. 8:9);
“Uma estrela ardente caiu sobre a terça parte dos rios” (Ap. 8:10);
“A terça parte das águas tornou-se absinto” (Ap. 8:11);
“Foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas” (Ap. 8:12; também 9:15, 18; 12:4).
[3] Descreve-se aqui que toda percepção do vero e do bem, assim, toda cognição deles, pereceu primeiramente pelos amores de si e do mundo e pelas cobiças e volúpias oriundas daí. Que por esses amores e pelas cobiças daí oriundas pereçam a percepção e a cognição do vero e do espiritual é porque esses amores são amores corpóreos e meramente naturais, nos quais também o homem nasce. Se eles não forem domados e governados pelos amores espirituais, que são provenientes do céu desde o senhor, extinguem toda percepção e, assim, toda cognição a respeito dos veros e bens do céu e da igreja, pois esses amores, considerados em si mesmos, são diametralmente opostos aos amores espirituais. Por aí se pode ver que a igreja, quando cai, vem a um estado interno do espiritual no natural, que é amar a si e ao mundo sobre todas as coisas. Daí está, então, em escuridão quanto a todas as coisas da igreja e do céu, por mais que esteja na luz quanto às coisas que são do mundo.
[4] Quando perece a percepção a respeito dos veros e bens, também perece a cognição deles, pois embora o homem as conheça e Fale delas, seja pela Palavra seja pela doutrina, todavia não as conhece quando não as percebe. A percepção de uma coisa faz a sua cognição. A cognição sem a percepção é morta e não viva, e também é a cognição somente do sentido das palavras e não da coisa mesma. Tais cognições do vero e do bem, proveniente da Palavra e da doutrina da igreja, estão naqueles em que predominam os amores de si e do mundo, por mais que sejam engenhosa e artificialmente instruídos a falar e a pregar sobre elas, mas são somente as cascas que, perante a pessoa comum, parecem ter interiormente um núcleo, quando, todavia, são vazias.

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